Mostrando postagens com marcador The Beatles. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador The Beatles. Mostrar todas as postagens

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Livro mostra fotos inéditas dos Beatles no Japão. Veja algumas aqui!


Os japoneses são incríveis! Comemorando os 50 anos do show da ida dos Beatles ao Japão (completados no ano passado), acaba de ser lançado um belíssimo livro em edição limitada, com fotos inéditas de John, Paul, George e Ringo em Tóquio, feitas pelo fotógrafo Shimpei Asai.

Os Beatles chegaram ao Haneda Airport no dia 29 de junho de 1966, onde fizeram 5 apresentações no Nippon Budokan Hall. Durante o tempo em que permaneceram no país, ficaram isolados no hotel praticamente o tempo todo, por razões de segurança. Mesmo assim, foram fotografados milhares de vezes.

O livro Hello, Goodbye: The Beatles in Tokyo, 1966 terá edição limitada (apenas 1966 cópias, uma alusão àquele ano) e já está disponível para venda por 65 libras no endereço criado pela Genesis Publications: http://www.genesis-publications.com/Hello-Goodbye-The-Beatles-in-Tokyo-by-Shimpei-Asai/default.htm

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Vídeo explica todas as relações entre os Beatles e a França


A França, principalmente a cidade de Paris teve influência determinante na carreira dos Beatles, que vai desde o corte de cabelo até shows e gravações importantes. O canal Paris Fanzine (YouTube) acaba de lançar uma matéria especial sobre esse assunto. Muito bem apresentada e editada, dá uma geral no assunto. Aproveite e confira outros vídeos do canal, sempre sobre esse fascinante país.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

16 músicas dos Beatles que John Lennon considerava "uma perda de tempo"


Você é o tipo de fã que adora TODAS as músicas dos Beatles? Eu também sou! Mas saiba que existem pelo menos 16 gravações dos Beatles que o próprio John Lennon, em entrevistas concedidas nos anos 70, considerava "uma perda de tempo" - ou seja, se fosse por ele, elas nem teriam sido gravadas, quanto mais lançadas! E olha que entre elas não está "Revolution #9".


Confira a lista das renegadas por John Lennon:

1. “Dig A Pony”
Em 1980 John declarou que essa era um "pedaço de lixo". Lançada no LP Let It Be (1970), tem uma letra non sense que faz referência, entre outros, à sua antiga banda Johnny and the Moondogs (“I pick a moondog”) e Mick Jagger (I roll a stoney/Well you can imitate everyone you know”).

2. “Sun King”
Provavelmente todos irão discordar, afinal, ela faz parte do maravilhoso medley do lado B do LP Abbey Road (1969), mas John Lennon a considerava "um dos piores lixos que eu já fiz".

3. “Mean Mr. Mustard”
Outra que aparece no medley do Abbey Road, foi composta na índia, no ashram do Maharishi, em 1967 e só dois anos depois encontrou um espaço. John Lennon já a citou como "uma das várias porcarias que eu escrevi na Índia".

4. “Rocky Raccoon”
Em uma entrevista, Lennon declarou detestar essa faixa do Álbum Branco (The Beatles, 1968). "Eu vi Bob Hope tocando essa música há alguns anos e agradeci a Deus por ela não ser minha", disse.

5. “Birthday”
 "Outro pedaço de lixo. Acho que Paul queria fazer algo parecido com 'Happy Birthday Baby', o velho sucesso dos anos 50".

6. “Cry Baby Cry”
Lançada no Álbum Branco, Lennon também considerava essa um verdadeiro lixo. Composta na Índia e gravada inicialmente na casa de George em Esher, ele detestava principalmente a letra.

7. “Hello, Goodbye”
John nunca se conformou com o fato dela ter sido lançada como lado A do single com “I Am the Walrus”. "Não é uma grande música", disse ele, que só gostava, no máximo, daquela parte final, aquela do fade out, onde ele havia tocado piano.

8. “Lady Madonna”
 Dessa aí John achava que só se podia aproveitar o piano. "Ajudei Paul a fazer parte da letra, mas não sinto nenhum orgulho dela, de qualquer maneira".

9. “Ob-La-Di, Ob-La-Da”
John desprezava essa música e sempre se ressentiu do grande tempo que foi gasto no estúdio com essa gravação, lançada no Álbum Branco. Paul certamente discorda, já que é uma das obrigatórias nos seus shows.

10. “Martha My Dear”
Não só John, mas, segundo consta, George também sempre detestou essa música do White Album, que igualmente gastou tempo demais de estúdio com uma música que ele, John, considerava "apenas uma letra muito pessoal de Paul".

11. “When I’m Sixty-Four”
John zombava desse clássico do Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967), chamando-a de "música da vovó". "É completamente de Paul. Eu jamais escreveria uma música dessa".

12. “Lovely Rita”
Outra do Sgt. Pepper que John nunca gostou. "Eu nunca me interessei em escrever sobre pessoas como essas", disse. "Eu gosto de escrever sobre mim, pois eu sei quem eu sou".

13. “Good Morning, Good Morning”
John nunca gostou dessa e eventualmente a chamava de "um lixo". E olha que foi feita por ele e lançada no aclamado Sgt. Pepper!

14. “Run for Your Life”
 Lançada no LP Rubber Soul, John renegava essa com todas as suas forças, sobretudo depois do seu envolvimento com Yoko Ono, por considerá-la "apenas uma canção machista".

15. “A Taste of Honey”
 John considerava essa canção de Bobby Scott/Rick Marlow, lançada no LP Please Please Me (1963) a mais cafona que os Beatles já gravaram e até zombava dela com o trocadilho “A Waste of Money” (um gasto de dinheiro).

16. “It’s Only Love”
"Essa é uma música minha que eu realmente odeio", disse ele à revista Hit Parader, em 1972, sobre a música do LP HELP!. "A letra é horrível". Ele também sempre comentava sobre o clima de constrangimento no estúdio, durante a gravação daquela guitarra da introdução.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Download: The Beatles - Kinfauns Sessions

Entre os dias 20 e 29 de Maio de 1968, os Beatles, que haviam recentemente voltado da Índia, se reuniram na casa de George Harrison para fazer um balanço das músicas que haviam composto no ashram do Rajneesh. Munidos de um gravador Ampex de 4 canais, de George, eles fizeram uma espécie de "sarau", com seus violões, cada um tocando suas novas composições. Essa coleção de novas músicas, somadas a algumas que ainda seriam compostas, se transformariam no álbum duplo The Beatles, lançado naquele ano (também conhecido como White Album, ou Álbum Branco, no Brasil).

Essa coleção de gravações provavelmente também foi importante como guia para o produtor George Martin, na hora de entrarem em estúdio pra valer. Não se sabe como, as fitas vazaram e caiu na mão de gravadoras "alternativas", que lançaram diversos bootlegs com o material, desde a época do vinil, cada um com um tracklist diferente. Essa versão que disponibilizamos aqui para download em MP3 128kbps é uma das primeiras (provavelmente a primeira) lançada em CD. Em tempo: o estranho título (Kinfauns) é o nome da confortável casa de George em Esher, um distrito de Londres.

Baixar:

Faixas:
01    Sour Milk Sea     3:3202    Blackbird     2:28
03    The Continuing Story Of Bungalow Bill     2:51
04     Child Of Nature     2:43
05     Circles     2:15
06     Cry Baby Cry     2:29
07     Dear Prudence     4:41
08     Glass Onion     1:49
09     Happiness Is A Warm Gun     2:16
10     Honey Pie     2:02
11     I'm So Tired     3:09
12     Julia     3:42
13     Junk     2:36
14     Everybody’s Got Something To Hide Except Me And My Monkey     3:03
15     Mean Mr. Mustard     1:59
16     Mother Nature's Son     2:13
17     Not Guilty     3:11
18     Ob-La-Di, Ob-La-Da     2:57
19     Piggies     2:07
20     Polythene Pam    1:28
21     Revolution     4:05
22     Rocky Raccoon     2:47
23     Sexy Sadie     2:22
24     Back In The U.S.S.R.     2:56
25     What's The New Mary Jane?     2:41
26     While My Guitar Gently Weeps     2:34
27     Yer Blues     3:37

Kinfauns was George’s comfortable little one-story house in Esher, outside of London. It was there that the Beatles gathered sometime during May 20-29 of 1968, using George’s four-track Ampex reel-to-reel to tape acoustic group demos of the many songs they’d written while at the Maharishi’s ashram in Rishikesh, India.

Text on back of sleeve:

During their stay at the Maharishi’s ashram in Rishikesh, India in the early spring of 1968, the Beatles had written an unprecedented number of new songs. While late April and early May were busily spent launching Apple, the first sessions for their new LP (later to become known as “The White Album”) were looming.

All these acoustic group demos were recorded sometime during May 20-29, 1968, when all four Beatles gathered at Kinfauns, George’s comfortable little one-story house Esher, not far outside of London. Derek Taylor’s name is mentioned during the sessions, and he may have been running George’s four-track Ampex reel-to-reel, on which these historic performances were preserved.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Paul McCartney processa Sony/ATV por direitos autorais de músicas dos Beatles

Paul McCartney entrou com um processo nesta quarta-feira contra a gravadora Sony, tendo como objetivo recuperar os direitos autorais de propriedade intelectual dos sucessos que compôs com os Beatles entre os anos de 1962 e 1971.

A argumentação de McCartney se baseia nas diversas modificações na legislação americana sobre os "direitos autorais" que, segundo o cantor de 74 anos, lhe permitiria recuperar a partir de 2018 a propriedade de suas canções escritas por ele e John Lennon para os Beatles. Entre esses temas que fazem parte do pleito se encontram sucessos dos de Liverpool como "Love Me Do", "Can't Buy Me Love", "Ticket to Ride", "Yesterday", "Hey Jude" e "Let It Be".

De acordo com o texto da ação movida nesta quarta em um tribunal federal de Nova York, McCartney comunicou desde 2008 e em repetidas vezes para a Sony, que detém o catálogo dos Beatles depois de várias compras e vendas ao longo das décadas, sua intenção de recuperar o controle legal dessas músicas.

Uma revisão de 1976 da legislação americana sobre o "direitos autorais" estabeleceu que aqueles artistas que tivessem vendido seus direitos autorais a terceiros antes de 1978, poderiam retomar os mesmos 56 anos depois da criação dessas obras. Dado que as primeiras canções dos Beatles são de 1962, Paul McCartney considera que a partir de 2018 poderia executar esta cláusula legal.

"A partir que o primeiro termo (dos direitos autorais vendidos) entre em vigor em 2018, é necessária e apropriada uma declaração judicial neste ponto para que Paul McCartney possa confiar tranquilamente em seus direitos", diz o processo. Esta frase da denúncia sugere que por trás do movimento do ex-Beatle poderia estar o temor que seu caso termine como o do grupo britânico Duran Duran, que em uma disputa judicial de características semelhantes contra a Sony, perdeu a tentativa de recuperar os direitos de suas músicas.

Neste sentido, um porta-voz de McCartney afirmou à revista musical "Pitchfork" que o propósito de sua ação legal é "confirmar" seus direitos autorais de acordo com a reversibilidade dos "direitos autorais" nos Estados Unidos. A Sony respondeu hoje a demanda de McCartney, afirmando possuir "o maior respeito" com o artista, embora a gravadora disse estar "decepcionada" por uma decisão que considera "desnecessária e prematura", informou o "The Hollywood Reporter".

"Trabalhamos próximos durante décadas, tanto com Paul como com os herdeiros de John Lennon, morto há 36 anos, para proteger, preservar e promover o valor dos catálogos. Estamos decepcionados que tenham apresentado esta reivindicação, que achamos é desnecessária e prematura", disse a Sony.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

16 de janeiro: hoje é o Dia Internacional dos Beatles!

O mundo comemora hoje o Dia Internacional The Beatles. A data foi estabelecida pela UNESCO em 2001. No dia 16 de janeiro de 1957, na cidade inglesa Liverpool, aconteceu a abertura oficial do clube Cavern, onde aconteceu a grande estreia da banda e onde eles tocaram exatamente 299 vezes.

O Portal Beatles Brasil comemora este dia especial do jeito que sempre fez durante esses 13 anos de vida: publicando mais um belo depoimento, este de Anna Rodrigues (16 anos), de Belém/PA: 

Feliz Dia dos Beatles a nós Beatlemaníacos que já tivemos muitas músicas do eterno quarteto de Liverpool como temas. Seja nos momentos alegres ou tristes, sempre tem uma música pra cada situação. Que casal apaixonado nunca ouviu And I love her ou Real love ou Something? Que pessoa nostálgica nunca ouviu A day in the life, Let it be ou In my life? Que pessoa animada nunca ouviu Help, A hard day’s night ou Sgt pepper’s lonely hearts club band ou From us to you? Quem nunca viu os filmes Across the Universe ou O Garoto de Liverpool sem se sentir emocionado? Quem nunca teve o desejo de ter o Anthology completo ou de ir ao Museum of Liverpool ou tirar aquela foto tradicional na Abbey Road»? Quem nunca se sentiu numa praia ao ouvir Yellow submarine ou sentiu a a brisa tocar no rosto ao ouvir Here comes the sun? Quem nunca imaginou como seria s eles tivessem continuado juntos e o Lennon e o George não tivessem morrido? Quem nunca se sentiu esperançoso com We can work it out? Quem nunca sentiu uma pontada ao ouvir Yesterday? 

Enfim, são tantas músicas especiais que se eu fosse listar todas passaria anos comentando. A verdade é que hoje eu fico mais do que feliz por ter essa banda, que é mais que uma banda, como principal tema musical da minha vida. Foi com pessoas especiais que aprendi a gostar deles e por isso, eles super fazem parte da minha história. E hoje, principalmente hoje, agradeço a Deus por ter nos presenteado com a existência deles. Mesmo que eu não tenha ido a nenhum show da época, eles são tão vivos hoje como foram na década de 60. Obrigada garotos de Liverpool, por marcarem mais de uma geração e serem tão presentes atualmente, mesmo mais de 50 anos depois. Meus filhos ouvirão The Beatles e minha lua de mel será em Liverpool.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Morreu Allan Williams, o homem que deu os Beatles de presente pra Brian Epstein

2016 vai ficar marcado durante muito tempo ainda pela grande quantidade de mortes que aconteceram no meio artístico. O universo beatle não ficou imune: hoje, na véspera do fim de ano, foi anunciado o falecimento de uma importante figura: Allam Williams, aos 86 anos. Ele ficoi - se sempre será - conhecido como "the man who gave The Beatles away" (o homem que deu os Beatles), por ter cedido o contrato que tinha com os Beatles a Brian Epstein por um valor insignificante, em comparação com o que a banda renderia nos anos seguintes, até hoje.

Em 2001 Allan Williams revelou em entrevista que ainda se arrependia de ter vendido o contrato que tinha com a banda por 9 libras (que em valores atuais, daria cerca de 200 libras, menos de R$ 2 mil) a Brian Epstein, pouco antes deles decolarem. “Ainda perco o sono por não ter visto o potencial dos Beatles no início. Ninguém poderia ter imaginado The Beatles se tornaria tão famoso.”, disse.

Allan Williams foi o chefe dos Fab Four por três anos, antes de ter entregue a direção a Brian Epstein, em 1962, que os levou para gravar seu primeiro disco em um ano. Hoje com 81 anos de idade, Williams disse ao Daily Record que se desentendeu com a banda depois de terem deixado de pagar de volta £9, como parte de uma comissão de 15% pelos seus primeiros shows em Hamburgo.

“Naquela época havia 300 grupos em Liverpool, que eram tão bons ou melhores que os Beatles. E eu nem sequer receber minhas 9 libras”, disse o ex-empresário, que passou a beber depois que viu o grupo subir ao estrelado. “Eu me lembro de vê-los fazendo uma apresentação diante da Rainha, cerca de um ano mais tarde, e jogando uma almofada na TV”, explicou. “Mas eu já não tenho arrependimentos. Fico feliz de ter estado lá nos anos 60 no início de tudo”.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Vai ter Beatles e Paul McCartney no Grammy Awards 2017

O Grammy Awards 2017 está programado para acontecer em Los Angeles (Stamples Center) no dia 12 de fevereiro. E tanto os Beatles quanto Paul McCartney estão indicados!

Os Beatles vão concorrer com o documentário Eight Days a Week – The Touring Years, de Ron Howard, na categoria "Melhor Filme Musical".

Paul McCartney, por sua vez, concorre em duas categorias: uma com o álbum Tug Of War, como  Melhor Box ou Caixa de Edição Limitada e também com a música “Nineteen Hundred Eighty-Five” (Timo Maas & James Teej Remix) como Melhor Gravação Remixada.

Agora resta saber se Paul e Ringo comparecerão à cerimônia e, melhor ainda, se vão tocar juntos. Esperamos que sim!



quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Download: The Beatles - Live In Paris '65

Os 2 shows dos Beatles realizados no dia 20/06/1965 no Palais Des Sports, Paris, França. A qualidade de som alterna entre boa (show da noite) e excelente (show da tarde).

Baixar:

Faixas:
01 I'm A Loser
02 Can't Buy Me Love
03 I Wanna Be Your Man
04 A Hard Day's Night
05 Rock And Roll Music
06 I Feel Fine
07 Ticket To Ride
08 Long Tall Sally
09 Twist & Shout
10 She's A Woman
11 Can't Buy Me Love
12 I'm A Loser
13 I Wanna Be Your Man
14 A Hard Day's Night
15 Baby's In Black
16 Rock And Roll Music
17 Everybody's Trying To Be My Baby
18 Ticket To Ride
19 Long Tall Sally

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Que tal comprar esse lindo poster autografado dos Beatles?

Uma espécie de “filé” do colecionismo roqueiro será leiloado nesse fim de semana. A empresa Stacey’s Auctioneers, de Rayleigh, UK, pretende vender um pôster com autógrafos autenticados de John, Paul, George e Ringo em maio de 1963, após um evento dos Beatles no Odeon, em Southend. O lance inicial será de 500 libras, mas o preço da venda provavelmente será astronômico, a julgar pela preciosidade.

O pôster fará parte de uma série de leilões chamada “Rock & Retro”, que além dele, também incluirá um flexi disc “Another Christmas Record”, um cartão postal assinado pela Tia Mimi, após a morte de Julia, mãe de John, além de um outro cartão assinado pela mãe de George Harrison. A casa pretende colocar à venda outros itens autografados, embora não tenha dado detalhes ainda.

Na mesma sessão serão oferecidos itens autografados por Jimi Hendrix, Eric Clapton, Jeff Beck e David Gilmour.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

The Beatles - A Hard Day's Night (1964)


No começo de 64, ainda na turnê francesa, e se preparando para invadirem a América, os Beatles começaram a gravar o seu terceiro álbum, enquanto ainda gravavam as versões alemães de I Want To Hold Your Hand e She Loves You. Então, além de aproveitarem para rever a vista (John e Paul estiverem em Paris no ano de 61, quando Mimi, tia de John, deu-lhe dinheiro de presente por seu aniversário de 21 anos e ele resolveu fazer esta viagem de presente ). John e Paul aproveitaram para compor algumas canções no quarto do hotel George V. E talvez por isso, pelo excesso de material é que neste álbum aconteceu um fato inédito que deve ter entristecido muitos fãs de George, ansiosos por ver a continuidade de seu processo de criação iniciado em "Don't Bother Me": só contém composições de Lennon & McCartney, nada de cover ou Harrison's songs.

Possivelmente pelo fato de George não ter desenvolvido seu estilo de compor ainda, pois embora, seja conhecido do público atualmente que You Know What To Do figuraria no terceiro álbum, foi gravada no dia 3 de junho, quando já deviam estar sendo feitas as mixagens. Provavelmente deve ter se perdido, assim como aconteceu com as demos de várias canções que os Beatles gravaram antes de cedê-las para outros cantores como Cilla Black ou Peter & Gordon, uma vez que só havia um take e nas documentações dos Estúdios Abbey Road até os anos 80 não consta nenhuma documentação desta gravação e de No Reply, contudo as mesmas estão no álbum Anthology, data de 3 de junho. Devem ter sido achadas somente agora depois de quase trinta anos.

Bem , mas de qualquer forma este álbum marca a introdução dos rapazes no cinema, mas não como fizera Elvis, aqui eles fazem seus próprios papéis, vivendo experiências muito conhecidas do seu cotidiano na época, tudo regado pelo seu bom humor, característico de sua terra. Já estão consolidados mundialmente, inclusive na terra de origem do rock'n'roll, portanto neste álbum, embora, apresentem a mesma disposição para cantar agitadinhas como "Can't Buy Me Love" ou "You Can't Do That", é nas baladas já com letras mais reflexivas que eles revelam seu atual estado de criação.

Lado 1
A Hard Day's Night

Os rapazes haviam acabado de voltar da bem sucedida turnê americana e já começaram a rodar seu primeiro filme, ainda sem título definido e já tinham que pensar nas canções do álbum e em apresentações nos teatros e TVs inglesas. Foi aí que Ringo falou a famosa frase "It's been a hard day..." e percebendo que já era de noite completou "...night". Então, como esta seria uma ótima idéia para o título de uma canção e do filme pelo fato de traduzir a rotina dos rapazes tão bem, ficou decidido que John e Paul deveriam compor algo com este título, o que não era nada fácil, pois eles estavam acostumados a compor as melodias e depois pensar no título. O título do filme foi anunciado no dia 13 de abril, e no dia 16 eles ficaram o dia inteiro concentrados nesta canção que abriria o primeiro filme e o terceiro disco. Ficou decidido que deveria haver um impacto inicial, então George Martin e Harrison trabalharam até conseguir um acorde que pertencesse à escala e ao mesmo tempo soasse estridente. Logo foi achado o acorde G4, usado mais como acorde final do que inicial, mas todos, inclusive Martin, acharam que ele era exatamente o que queriam. A track 1 foi só de ritmo básico. A track 2 foi a primeira a receber vocais de John (um deles) e Paul. A track 3 recebeu ainda piano, bongôs, bateria, violão e o solo final. Em nove takes estava pronta uma das melhores músicas de todos os tempos !

I Should Have Known Better
Gravada pela primeira vez no dia 25 de fevereiro, quando foram feitos três takes, se apresentava bem diferente da versão final. John fazia um solo mais ao estilo de Bob Dylan (já anunciando o que iria acontecer no próximo álbum) e George finalizava-a com sua guitarra. No dia seguinte, eles refizeram tudo (4-22), sendo o take 9 escolhido o melhor, mesmo sem a harmônica e o vocal dobrado sobrepostos do 22. John toca violão, além da gaita. No filme eles estão em uma espécie de gaiola, num compartimento do trem, jogando cartas e tocando. Do lado de dentro também está Pattie Boyd, futura esposa de George. Do lado de fora, estão algumas garotas.

If I Fell
John de novo toca violão nesta considerada uma progressão de "This Boy", por causa de sua estrutura complexa e por apresentar harmonias vocais intricadas de John e Paul num só microfone. Surpreendentemente foram feitos só 15 takes, sendo que só a partir do terceiro, Martin sugeriu uma bateria mais pesada. E o violão pungente de John na abertura foi introduzido a partir do take 11. John começa praticamente recitando sozinho os primeiros versos, e depois Paul entra com a melodia, deixando para John uma harmonia mais grave, nada fácil de ser reproduzida. Muitos podem até ouvir uma terceira voz, mas são só os dois mesmo, o fato é que eles cantam tão sicronizados que sugerem até uma terceira voz.

I'm So Happy Just To Dance With You
Gravada pela primeira vez no dia 1º de março (quatro takes), sendo os dois primeiros só de ritmo, com os instrumentos normais. No take 4 foram sobrepostos os vocais dobrados de George e os backing vocais vigorosos de John e Paul e o Ringo no tom tom. Foi John quem escreveu esta especialmente para George, provavelmente pelo fato de ele ser conhecido como um pé de valsa, ou melhor de rock'n'roll, o que todos os vídeos dos Beatles confirmam.

And I Love Her
Um bolero bem ao estilo de Paul nesta época. No cinema quando o filme passou, na parte em que Paul aparecia cantando isso, e a câmera dava close em sua face, muitas mocinhas gritavam ou desmaiavam. Gravada também, no dia 25 de fevereiro e refeita no dia seguinte, quando Ringo trocou a bateria por bongôs e claves. Mas o som ainda não agradou aos Beatles que a refizeram no dia 27, sendo que o segundo take do segundo remake foi o melhor.

Tell Me Why
Gravada pela primeira vez em 27 de fevereiro em oito takes, sendo o oitavo o melhor. Aqui John e Paul fazem ao contrário: John canta a melodia aguda (geralmente canta no grave) e Paul faz a harmonia grave (geralmente aguda) demostrando que são realmente virtuosos e que apesar do pouco conhecimento que tinham de técnica vocal na época, eram realmente bons na prática. Só em algumas partes é que Paul para complicar ainda mais, vai ainda mais agudo que John. Aqui novamente homenageiam os grupos femininos em "Is there anything I can do" quando cantam bem agudinho, ao estilo delas.

Can't Buy Me Love
Gravada pela primeira vez em Paris no dia 29 de janeiro, sendo portanto a primeira a ser gravada em 4 takes. Neste dia era bem diferente da versão que ficou conhecida. 1º take Paul canta bem negróide (ao estilo que adotaria para She's A Woman) e John e George adotam backings bem no estilo como Ooh satisfied, ooh just can't buy descartado depois do take 4, quanso ganha vocal duplo e guitarra de George. John e George volta a adotar estes vocais em algumas apresentações ao vivo em 64 (uma delas está no disco The Beatles - Anthology I) Eu particularmente acho até melhor com estes vocais "ooh satisfied". Conta a lenda que antes deste dia eles já haviam gravado num camarim com John, Paul e Ringo apenas, pois George estava no toalete. Ringo "tocou" numa mala, eles começaram direto em "I'll buy you diamond rings" e não em Can't buy me love... A gravação termina e se ouve George dando a descarga, mas não se sabe se esta gravação ainda existe ou se realmente algum dia existiu.

Lado 2
Anytime At All

Gravada em 2 de junho (7 takes só de ritmo e o 1º vocal de John) e deixada para mais tarde por não terem idéia de como fariam no middle-eight. Mas retomada no mesmo dia já com idéias para o miolo com piano, guitarras e a introdução de um vocal resposta de Paul. Sendo o 11º take o melhor.

I'll Cry Instead
John queria incluí-la na trilha sonora do filme, mas parece que ou não ficou pronta ou não agradou a Richard Lester. Foi gravada em duas sessões : A e B. Sendo três takes de cada editados juntos, mais tarde. Embora, muitos achem que soaria melhor na voz de Ringo, pelo estilo, pela letra você percebe por que optou por cantá-la. John troca sua jumbo pelo violão e o pandeiro e George adota um solo misturado de country e rock'n'roll.

Things We Said Today

John de novo toca violão, além do piano, que deveria ser limpo na mixagem, mas, que como não estava bem separado, acabou aparecendo ao fundo. Gravada pela primeira vez em 2 de junho em três takes, sendo o segundo completo e o terceiro, o segundo vocal de Paul, que foi dobrado sobre o segundo take.

When I Get Home
Gravada pela primeira vez em 2 de junho, em 11 takes. John tem sua chance de exercitar sua aparente agressividade vocal numa espécie de soul/rock, sendo mais um tributo ao estilo dos negros.

You Can't Do That
John novamente brinca com o estilo negro de cantar, desta vez mais exatamente Wilson Pickett, de quem eram admiradores , também. Paul toca sino e Ringo bongôs, além dos instrumentos normais e George introduz o violão de 12 cordas no som dos Beatles. O take 9 foi escolhido como o melhor.

I'll Be Back
Aqui eles fazem diferente dos álbuns anteriores : decidem por terminar com uma canção própria, mais bem elaborada e doce, talvez anunciando o estilo dominante do próximo álbum. Uma das canções do álbum que expressam a vontade de retornar ao lar (tipo When I Get Home, e o meio de A Hard Day's Night) Foi gravada pela primeira vez em 1º de junho em 16 takes, sendo 9 de ritmo e os outros 7 dos vocais dobrados de John no miolo e vocalização de Paul. John e George tocam violão e a canção termina com o clima do comerço, dando idéia de uma continuação. Eles realmente iriam voltar.

Foi lançado em 10 de julho.
Parlophone PMC 1230 (mono) e PCS 3058 (stereo), assim como o single "A Hard Day's Night"/"Things We Said Today". Parlophone R 5160

Por Marcelo Scavazza Sanches

sábado, 29 de outubro de 2016

The Beatles - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967)


Em meados de 67, o chamado "Verão do Amor" estava prestes a acontecer, que iria desencadear uma série de festivais musicais ao redor do mundo. De 57 a 67, parecia que haviam passado muito mais que dez nos, pois se até aquele momento a ordem era aproveitar a vida ao máximo, já que a guerra não poderia ser evitada, e as letras ou eram ligeiramente sexuais ou bem puras, sem qualquer contexto político ou pacifista, com um arranjo eletrizante por trás. Ou melhor dizendo, de 64 a 67 a mesma geração já não pensava do mesmo jeito, pois embora ainda houvesse quem sonhasse com a volta dos Beatles à estrada, a grande maioria agora estava voltada para o conhecimento espiritual, ou engajado em manisfestações ou simplesmente curtindo a vida. E logicamente isto refletiu na música.

Quando os Beatles fizeram Rubber Soul, todos acharam que chegara o momento de investir em algo mais profundo, logo veio o Revolver e o fim das turnês. Vários grupos que apenas copiavam à sua maneira, os Fab, estavam agora adquirindo identidade própria, colocando guitarras distorcidas, como os Monkees, o Who e os Stones estavam apostando em linhas mais melódicas como "Ruby Tuesday" e "As Tears Go By", influenciados por "Yesterday", ao mesmo tempo que tocavam a pesada "Satisfaction", os Beach Boys haviam deixado a Surf Music e estava fazendo uma espécie de Surf psicodélico. Haviam ainda os Yarbirds, os Byrds, Mamas & The Papas, e inúmeros outros grupos ingleses e americanos.

Com tanta "concorrência" e sons novos no mercado, o fim das turnês, muita gente pensou que os Beatles já estariam ultrapassados depois de um sucesso de mais três anos. Não havia como alguém fazer sucesso sem apresentar sua música ao vivo, mesmo em meio à histeria, e quem comprava os discos eram os fãs que gritavam e lotavam os estádios e que sem eles a banda acabaria terminando.

Mas enquanto os rapazes estavam compondo e trabalhando no estúdio com a idéia de lançar um disco sobre suas infâncias, mas um lançamento seria necessário, afim de parar os boatos de separação que corria nas ruas, e decidiram por lançar o single "Penny Lane/Strawberry Fields Forever", sem qualquer citação sobre qual era o lado A e o B, o que caberia ao ouvinte. Mas ainda não havia sido suficiente para calar a boca da crítica. Vale lembrar que o rock ainda era tido como música de marginais (será que hoje finalmente ela não é?) e inferior até mesmo ao blues, e que um grupo popular jamais faria sucesso por tanto tempo, ou conseguiria amadurecer seu som, sem que ele soasse "chato". Mais os Beatles seriam pioneiros novamente.

Lado 1
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
Ruídos, afinação de instrumentos seguidos por uma guitarra abrem triunfantemente o disco e a faixa homônimos. Uma nova revolução provocada pelos FAB estava tendo início... Paul injeta seu baixo direto na mesa de gravação, sem usar um amplificador, abusando do timbre do seu Rickenbacker 4001C, ganho no ano anterior. Foi a primeira vez que alguém ousou fazer isto, o que deu um efeito inovador ao conjunto da música. E ainda toca guitarra base. John toca guitarra solo, assim como George, e fazem vocalizações, Ringo toca bateria e vários músicos foram recrutados da Orquestra Sinfônica de Londres para formar um naipe de metais e recriar o clima das bandas de fanfarras (dos parques de antigamente), sendo James W. Buck, Neil Sanders, Tony Randals, John Burden e G. Martin toca órgão. Foi gravada pela primeira vez em 1º de fevereiro, sendo feitos nove takes, terceira a ser gravada.

With A little Help From My Friends
Desde o início estava decidido que esta canção não iria apenas seguir a faixa título, mas sim segui-la, como se fossem um só tema. John toca sino e faz backing, não há guitarra base, portanto, o ritmo é segurado pelo baixo de Paul, que também toca piano e faz backings, George toca pandeiro e guitarra solo, Ringo dá sua contribuição vocal, numa canção composta basicamente por John para ele cantar. Diz a lenda que havia uma frase "What do you think if I sang out of tune, would you throw tomatos on me?" mas, que Ringo teria pedido que colocassem outra, pois ainda tinha lembranças dos dias em que jogavam jujubas, latas e até cadeiras no palco, e tinha receio que virasse uma nova mania. Dez takes foram feitos logo no dia 29 de março, sendo a décima segunda a ser gravada. O take 10 foi reduzido, criando um novo e várias sobreposições foram feitas.

Lucy in The Sky With Diamonds
Julian, filho de John, chegou em casa um dia com um desenho de uma menina num céu de estrelas, fazendo com que a cabeça de John retinisse e ele criasse uma canção inspirada em Alice no País das Maravilhas, um de seus contos favoritos. Mas isto deu muito pano para manga, pois depois que eles se confessaram usuários de drogas, todas suas canções começaram a ser investigadas, e descobriram que este título em siglas significava L.S.D., e a letra totalmente ao estilo poético de John, reforçava esta opinião. Mas a verdade era que foi realmente Julian, uma criança de quatro anos, na época que fez um desenho sobre sua colega de escola chamada Lucy O'Donnell.

Curiosamente, no primeiro registro da canção no estúdio houve apenas um ensaio e não gravações, uma coisa considerada extravagante, mas necessária neste auge de suas carreiras. Somente no dia 1º é que a canção foi finalmente gravada, em sete takes e uma redução, sendo a oitava a ser gravada.

Getting Better
Paul estava caminhando um dia, parece que com sua cadela Martha, quando lembrou-se de Jimmy Nichols, que tocou com eles em 64, quando Ringo operou as amígdalas, que sempre quando lhe perguntavam como iam as coisas, o otimista baterista respondia: "Está melhorando". O que gerava muitas brincadeiras. Então, a partir daí, teve a idéia principal para a letra.

As primeiras gravações foram feitas no dia 9 de março, quando sete takes foram só de ritmo, com participação de Martin tocando as cordas e não as teclas do piano. Bem inovador, sem dúvida. Reduções feitas do 7 e do 8 até o 12º. George faz um excelente trabalho vocal, roubando a cena dos vocais principais de Paul e toca, além do solo, um instrumento chamado tampura, que só foi adicionada dia seguinte. Ringo toca bateria e bongôs, os outros, os de praxe. Foi a 9ª a ser gravada.

Fixing A Hole
Mais uma vez os "intérpretes" pegaram no pé dos rapazes, dizendo que a letra se referia ao buraco causado pelas drogas injetáveis, contra as quais eles sempre foram contra. Paul estava se referindo ao buraco por onde a chuva entra, numa analogia brilhante entre este buraco e o buraco mental que faz a mente vagar, sem seguir em frente. (Pode servir como conselho a estes intérpretes)

No dia 9 de fevereiro, foi gravada pela primeira vez já com vocais e não só instrumentação. Situação incomum para estes dias. Há dúvidas se quem toca o cravo é Paul, pois embora Neil Aspinall tenha dito que foi ele, há registros de que a obra foi gravada em três takes ao vivo e Paul figura tocando baixo e cravo em todas. Como sabemos que ele é ótimo, mas não tem quatro mãos, então provavelmente o cravo deve ter sido tocado por outra pessoa, ou sobreposto mais tarde. John toca maracas. Foi a quinta a ser gravada.

She's Leaving Home
Paul leu uma estória no Daily Mail, sobre uma jovem de nome: Melanie Cole que abandonou a casa de seus pais ricos. Assim como John, Paul também tirava muito de sua inspiração em meio aos jornais, mas sempre fazendo uso de sua veia lírica.

Foi gravada pela primeira vez em 17 de março, a décima-primeira, em seis takes só de cordas, harpa, violinos, violoncelos e contrabaixo executados por Erich Gruenberg, Derek Jacobs, Trevor Williams, José Luis Garcia, John Underwood, Stephen Shingles, Dennis Vegay, Alan Daiziel, Gordon Pearce e Sheila Bromberg. Sòmente no dia eles adicionaram vozes. Apenas John e Paul cantam nesta faixa e a voz de John foi gravada duas vezes e sobreposta ao backing original, dando um efeito um pouco metálico. Diz a lenda que nesta faixa há uma citação à hora em que Paul teria sofrido o acidente.

Being for The Benefit of Mr. Kite
John se inspirou num cartaz de propaganda de um circo do século XIX de propriedade dePablo Fanque para escrever esta, que recebeu o título de "Salvador Dali Oral" de George Martin.

Gravada pela primeira vez em 17 de fevereiro, no mesmo dia do single Strawberry Fields / Penny Lane", foi a sexta, com 7 takes mais dois de reduções e sobreposições. Os primeiros sete foram apenas instrumentais : baixo, bateria e harmoniuns, tocados por George, Ringo, Mal Evans e Neil Aspinall. Muitas sobreposições foram feitas em vários dias de gravação, com John tocando órgão, Martin órgão Wullitzer e piano, George bateria, Paul baixo e guitarra.

Mas, depois de tantos dias, o resultado ainda não se parecia com o som que John tinha em sua cabeça: ele queria que soasse como um circo e Big George teve que se virar para fazer um arranjo que soasse como isto. Como não encontrou nada, teve a idéia de cortar as fitas em pedacinhos e juntá-las, teoricamente, ao acaso. Teoricamente, pois nada na vida é por acaso. A idéia deu certo e agradou John e os outros Beatles, e a milhares de ouvintes do mundo inteiro, pois soa popular e erudita ao mesmo tempo, e no solo dá até para sentir tontura, digna de um carroucel.

Lado 2
Within You, Without You

George compôs esta obra na casa de Klaus Voormann (amigo alemão dos tempos de Hamburgo, da turma de Astrid Kirschner, desenhista da capa de Revolver, que viria a se tornar baixista da Plastic Ono Band e desenhista das capas dos "Anthology"), em Hampstead, Londres.

Foi gravada a primeira vez em 15 de março, em um take. No estúdio estavam presentes apenas George, Neil Aspinall, os funcionários, Martin e músicos contratados. Violinos: Erich Gruenberg, Alan Loveday, Paul Scherman, Ralph Elman, David Wolshal, Jack Rothenstein e Jack Greene Violoncelos: Reginald Kilbey, Alan Ford e Peter Beaven Tabla, dilruba e sword mandel foram executados por músicos indianos, amigos de George. Neil e George tocam tamboura.

Mas uma vez George recorreu ao ADT, afim de conseguir um efeito incrível para sua única composição no disco, única, mas especial. Nela, George exercita seu lado devocional mais profundamente, mostrando tudo que havia aprendido até ali. De novo, os especuladores "cutucam" uma faixa, dizendo que o título seria sobre Paul, que na verdade, significa: com ou sem você.

When I'm Sixty-Four
Foi gravada pela primeira vez em 6 de dezembro, inspirada nos 64 anos que seu James McCartney, pai de Paul, completara em julho. Por isso, o clima nos leva de volta aos anos das Big Bands dos anos 20 e 30, quando o jazz americano e o vaudeville inglês reinavam absoluto, época em que Mr. McCartney tinha sua banda. Paul toca piano, baixo e faz o vocal e um dos backings, John toca guitarra solo e faz backing, George faz backing, músicos de estúdio tocam clarinetas.

Um detalhe audível incrível que prova a inteligência musical dos rapazes, é no trecho musical que segue na segunda parte: "We shall scrimb and save" quando eles repetem vocalmente o mesmo acorde dado pela guitarra na primeira parte "You'll be older, too". Diz a lenda que a melodia foi composta nos idos de 62, mas não há provas concretas sobre isto.

Lovely Rita
Paul compôs esta, logo após saber que nos EUA chamavam as "parquimeters" de "meter maids" (moças que controlam o estacionamento dos carros e os multam).

Seria uma canção de ódio, pois a tal Rita o multou e levou seu carro embora, mas, sendo um Beatle, ele resolveu amá-la, então na canção ela se tornou uma garota legal (afinal de contas, estava cumprindo a lei). George, John e Paul friccionam pentes contra papéis para produzir um som de "cha cha cha". John e George tocam violões, Paul toca baixo e piano com Martin.

Good Morning, Good Morning
John se inspirou num comercial de flocos de milho para criar esta faixa capaz de acordar qualquer um. No dia 8 de fevereiro, quando foi gravada pela primeira vez, porém, não passava de uma canção bem simplesinha, mas mudou muito depois de sobreposições.

Eles recebem a ajuda de um grupo de Kent, The Sound Incorporated, que eles conheceram no Star Club na Alemanha, e que foram contratados por Epstein em 64: Barrie Cameron, David Glyde, Alan Holmes, saxofones, John Lee e A.N. Other, trombones e Tom French, horn. Paul toca guitarra solo, George toca a rítmica, John faz apenas os vibrantes vocais principais.

Ele tinha a idéia de reproduzir o som de uma fazenda, com sons de todo o tipo de animais (inspirado no "Pet Sounds, do grupo americano Beach Boys)

Então, se você não tinha acordado até agora, não iria escapar, pois o final iria ser mais alucinante ainda, uma cadeia alimentar onde animais maiores engolem musicalmente animais menores e de repente somos conduzidos de volta para o teatro onde a banda do Sgt, Pepper se apresentava.

Sgt Pepper's (Reprise)
George Martin, genialmente traça uma analogia entre o carcarejo do galo e a primeira nota da guitarra da banda. Paul conta até quatro para iniciar esta espécie de bis da primeira faixa, com andamento acelerado, sem os metais da abertura com todos os quatro cantando.

Foi gravada a primeira vez em 1º de abril, em nove takes. John toca maracas e guitarra solo, e os outros seus instrumentos normais. Antes que o som desapareça por completo, em meio aos aplausos, entram os acordes daquela que é a mais polêmica das faixas.

A Day In The Life
Esta canção é na verdade junção de duas canções, uma de John e outra de Paul: John começou, mas não conseguia um miolo que o deixasse satisfeito, então perguntou a Paul se ele tinha algo, e ele coincidentemente tinha um miolo, mas não tinha nem começo nem fim da música. E como mágica as duas se encaixaram e se tornaram uma só.

Como esta faixa é a gravação mais complexa de todas realizadas, tentarei fazer o melhor possível, afim de que os detalhes sejam esclarecidos e a curiosidade saciada:

Em seu primeiro dia de gravação 19 de janeiro - foram feitos 4 takes sob o nome de "In the life of..." sem a parte de Paul, apenas com as letras de John, que foram inspiradas em notícias de jornais. No dia 20 foram feitos mais três takes, já com a parte de Paul, título definitivo e sobreposições de outro vocal de John, o baixo de Paul e bateria de Ringo. Havia muito a ser feito, mas o arranjo não estava satisfazendo Ringo e Paul, então foi feito um outro.

Paul percebeu que o meio pedia uma orquestra. Pensou numa orquestra de 90 músicos tocando a menor nota que um instrumento poderia tocar e terminando com um mi maior. Indo de pianissíssimo a fortíssimo. Não haveria partituras e Paul explicaria a Martin o que queria e ele aos músicos profissionais. Eles seriam independentes, tendo o cuidado de fazer algo diferente do outro.

Depois deve ter achado que esta idéia mais parecia ter saído da cabeça de um dodecafônico (músicos eruditos contemporâneos que acham que as escalas tonais podam a criatividade musical) e a orquestra foi reduzida para 41 músicos regidos pelo próprio Paul, mas com o respeito à escala tonal. Não foram usadas partituras e eles tiveram que contar com seu feeling e Martin, que servia de ponte entre os conhecimentos práticos de ouvido de Paul e os teóricos de músicos de orquestra. Finalmente, eles entenderam tudo e se mostravam ansiosos para começar, depois de colocarem narizes e óculos falsos, para completar o clima de fantasia, com Paul regendo com um avental e tudo sendo registrado em filme e fotos!

Foram gravados quatro takes no dia de fevereiro de orquestra. John toca violão e piano, Paul baixo piano, George bongôs e piano, Ringo bateria, maracas, piano e pandeiro, Martin harmônico, Mal Evans conta o tempo (se você separar os sons em canais, ainda vai ouvir sua voz contando, pois não conseguiram limpar tudo, apenas sobrepuseram os sons) toca piano e coloca o despertador que toca antes de Paul "acordar"

Não seria nem necessário mencionar as polêmicas causadas pela canção, primeiro a notícia do fim das turnês e a mudança de visual, o isolamento em estúdio coincidiram com o posterior acidente de moto de Paul, que por causa da letra da música, todos pensaram que era de carro,que foi na verdade tirada de uma notícia de jornal sobre o acidente de Tara Browne, um jovam irlandês. Para eles esta era uma "prova contundente", uma declaração de John em música.

Além disso, girando a faixa ao contrário alguns tiveram mais certeza disso, mas não passava de uma mensagem inaudível para seres humanos (só audível para cães) mesclada com frases que escaparam durante as festas que ocorriam nas gravações do álbum.

Descobriram, ainda uma alusão as drogas "Eu gostaria de ligar", que na verdade, era uma frase corrente nas ruas de Londres na época, mas que não havia sido usada em música, ainda.

A faixa foi proibida de tocar em várias rádios, assim como Lucy in The Sky..., mas não deixaram de virar clássicos famosos. Pois, quem iria deixar de comprar um álbum dos Beatles e conhecer as faixas ?

Quebrando mais barreiras culturais novamente, o álbum foi lançado em 1º de junho de 67, sendo elogiado por público e crítica. Eles conseguiram também, quebrar o preconceito, pela primeira vez todos até os mais conservadores que os criticaram quando foram condecorados poderiam admitir que gostavam deles, sem serem tido como imaturos e ignorantes. Eles haviam crescido. Todos puderam entender por que foi necessário o fim das turnês, que podava sua criatividade.

Embora, alguns proibissem sua música de tocar nas rádios,por julgarem que incitavam o uso de drogas, eles eram considerados revolucionários, mas, não eram uma ameaça pública. Apenas queriam paz, amor e muita música.

Continuando, depois que Sgt. Pepper's foi lançado, muita gente admitiu que gostaria de tê-lo feito e muito daqueles que estavam fazendo sucesso com seus álbuns, como o Pet Sounds, dos Beach Boys, confessaram que não havia nada melhor, era o auge dos Beatles. Brian Wilson, dos Beach Boys chegou a entrar em depressão, julgando que jamais conseguiriam fazer sucesso novamente com os Beatles como concorrentes (ele é realmente bastante carente e depressivo) e só saiu dela depois que Paul declarou que o álbum havia sido inspirado em Pet Sounds, que por sua vez fora inspirado em Rubber Soul. Talvez não há muita semelhança sonora, mas sem dúvida, foi a atmosfera, confirmando a teoria da cadeia musical, ou seja, uma mínima coisa desencadeia uma coisa grandiosa que pode desencadear uma revolução sonora, pelo menos nesta época dourada. E vale dizer, foi gravado em apenas quatro canais (lembram-se de Please Please Me, em apenas dois ?) e com quatro cabeças pensantes e criativas como esta, aliadas à de George Martin e sua equipe, não há necessidade de mais nada.

Por Marcelo Scavazza Sanches

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

The Beatles - With The Beatles (1963)

Com o sucesso do primeiro álbum, os singles anteriores "Love Me Do" e "Please Please Me" e os posteriores "From Me To You" e "She Loves You" (que foi o compacto mais vendido de todos os tempos até 78, quando perdeu a posição para "Mull of Kintyre", dos Wings) e fantásticas turnês ao redor da Inglaterra, Martin viu a necessidade de impor a meta de dois LPs por ano, afim de que eles comprovassem que realmente haviam vindo para ficar.

Para isso, ao invés de apenas um dia de gravação foram necessários mais de cinco dias espalhados em quatro meses; pois não tinha como programar mais de cinco dias de gravação em Abbey Road, pois tinha turnês, programas de rádio, entrevistas, e eles ainda "moravam" oficialmente em Liverpool e deveriam ter tempo para compor material novo.

Os jovens e inexperientes meninos de um ano antes que nunca tinham pisado em um estúdio profissional, deram lugar a rapazes espertos e curiosos. Como compositores John e Paul estavam ainda mais profundos e suas características, embora imperceptíveis na época começavam a aparecer, contribuindo para a união neste momento e a definição do estilo de cada um. George, por outro lado também estava despontado como compositor, ainda sem seu estilo característico mas, com um charme inestimável.

Além disso este foi o primeiro álbum ouvido nos paises americanos (tipo Brasil com Beatlemania e EUA com Meet The Beatles) Isto e muito mais fazem de With The Beatles no mínimo marcante, pois a partir daí, à semelhança do que havia acontecido com os singles "Love Me Do" e "Please Please Me", quando Liverpool cedeu seus rapazes para toda a Inglaterra, ela seria obrigada a cedê-los para o mundo.

Lado 1
It Won't Be Long

A explosiva primeira canção levou 23 takes na segunda sessão de gravação (30 de julho) pois, mesmo depois de 10 takes, sendo 2 deles sobreposições, a mesma se apresentava incompleta. Então, eles retornaram a ela mais tarde fazendo mais doze. John entra direto sem introdução, dando o melhor de seu vocal nesta canção que, embora não seja das mais conhecidas é tida por alguns como o melhor início de um álbum. Deve-se destacar as fantásticas harmonias de Paul e especialmente George que, apesar de ter uma voz tão aguda quanto Paul sempre se utilizava de seu registro grave, afim de que John cantasse na sua altura natural e Paul brilhasse no agudo. Este é para mim o melhor backing feito por George, nada fácil de ser reproduzido.

All I've Got To Do
Foi gravada pela primeira vez em 11 de setembro, quando foram feitos 15 takes (sendo oito começos falsos e um overdub). Assim como havia acontecido com Paul desde que começou a compor mais ou menos em 57, e com Lennon & McCartney em 59, John também, estava adquirindo experiência e evoluindo em suas composições, criando belos arranjos, explorando novas tonalidades e desenvolvendo seu próprio estilo de compor, o que iria mudar o som do grupo e ter boas e más consequências... John faz uso de seu característico vocal de balada começando doce e liberando sua agressividade perto do final, mas desta vez ele retorna à doçura inicial na "Boca chiusa" Foi inspirada em Smokey Robinson and The Miracles, grupo vocal negro da Motown, cujo uma das vocalistas era uma mulher, do qual gostavam muito e fingiam ser.

All My Loving
Esta Paul compôs a letra antes da melodia, como um poema. Quatorze takes foram feitos sendo 12-14 só de overdubs e a master foi um overdub do take 14, no take 11. Embora, a maioria só se lembre do vocal principal é no baixo que Paul mostra a que veio. John e George contribuem no "oo..." e George pega a melodia na segunda parte indo Paul para uma voz mais aguda, o que resulta num belo dueto.

Don't Bother Me
Foi gravada em 11 de setembro quando recebeu 7 takes. A primeira composição de George escrita sobre um período em que o músico querendo ficar sozinho (sem repórteres) pede que não o amolem. No dia seguinte eles continuaram até take 19, que recebeu sobreposições do 15 para o 13 (vocal dobrado de George) Paul nas claves John no pandeiro e Ringo num bongô árabe (cortesias do Abbey Road Studios).

Little Child
Começou a ser gravada em 11 de setembro quando foram gravados 2 takes e retomada no dia seguinte (mais 15 takes) sendo o take 7 o melhor, recebendo sobreposições de harmonica (take 13) e piano de Paul (take 15) e o solo do meio de harmonica de John (take 18) dentro deste Sem dúvida um rhythm & blues para ninguém colocar defeito que soa uma mistura de "Clarabella" com "I Saw Her Standing There".

Till There Was You
Começou a ser gravada em 18 de julho. Como o primeiro álbum foi um standard se fazia necessário repetir a fórmula de impacto com novos números, então eles resgataram esta canção das fitas do Decca, por ser uma canção com acordes bem construídos,de inspiração latina, requerer um vocal totalmente doce, assim como "A Taste of Honey" É uma regravação de uma canção do musical "The Music Man". Lógico que é Paul que usa de todo o seu mel vocal para adoçar ainda mais contexto da canção, fazendo muitas mocinhas bem comportadas terem ataques histéricos e suspirarem como no Ed Sullivan Show, em 64. No segundo dia (30 de julho) Ringo optou por um par de bongôs, para não quebrar o clima romântico. Take 8 foi considerado o melhor.

Please Mr. Postman
Apesar de considerarem este número das garotas Marvelettes uma das canções que eles gostariam de ter composto, eles só a gravaram por sugestão dos fãs. A primeira vez foi em 30 de julho, quando foram feitos 9 takes, sendo 9 no take 7, considerado o melhor.

Lado 2
Roll Over Beethoven

Eles resolveram regravar um cover de Chuck Berry que marcou muito a sua época. Mais uma vez contrariando o padrão de regravar apenas desconhecidos. Conta a lenda que John fazia o vocal e que George só começou a cantá-lo na Alemanha. Foram feitos 8 takes, sendo o 5 considerado o melhor.

Hold Me Tight
Primeira a ser gravada ainda nas sessões de "Please Please Me ", quando foram feitos 13 takes, que infelizmente não existem mais. Foi retomada em 12 de setembro quando foram feitos 9 takes, sendo o 29, o melhor. Foi inspirada no vocal dos cantores negros, principalmente o grupo feminino The Shirelles.

You Really Got A Hold On Me
Finalmente uma original de Smokey Robinson and the Miracles. Eles respeitaram o arranjo original apenas trocando o sax por uma guitarra. George faz a harmonia grave para John que desta vez surpreende (realmente seu vocal é surpreendente) e canta aguda, Paul deixa os dois brilharem e só se junta nos backing a partir da segunda parte e o resultado é de deixar qualquer um boquiaberto. Começou a ser gravada no dia 18 quando 7 takes foram feitos, sendo quatro completos.

I Wanna Be Your Man
Foi gravada pela primeira vez em 11 de setembro (1 take) e retomada no dia 12, ficando ainda insatisfatória e tendo sua versão aprovada somente no final de outubro. Foi o segundo single dos Rolling Stones e seu primeiro hit. Conta a lenda que em setembro de 63, Paul e John convidaram o ex-secretário de Brian Epstein, Andrew Oldham, e na época agente dos Stones para uma carona no taxi onde eles estavam. Ele foi e eles acabaram indo a um lugar onde os Stones estavam tocando. Os rapazes e os Stones ainda não eram rivais musicais, pois, eles já estavam consolidados com um album e dois singles batendo recorde de vendagem e os Stones, apesar de um single, ainda eram desconhecidos e precisam encontrar uma canção que estourasse. Não se sabe se eles pediram ou se L&M oferesseu a canção, ainda incompleta, a qual eles aceitaram no ato. Então, a dupla pegou uma guitarra e terminou-a no banheiro, talvez o único local com uma acústica boa ou sem barulho externo. Quando eles voltaram, os Stones não acreditaram e ficaram "petrificados" com sua rapidez. E a partir daí uma nova dupla se fornou : Jagger e Richards e uma nova banda alcançou o primeiro lugar das paradas. Ringo além de cantar e tocar toca maracas.

Devil In Her Heart
Cover do grupo The Donays, sendo um grande hit para elas. George impõe um vocal tranqüilo contrastando com a euforia de John e Paul (de acordo com a letra), sendo necessários só seis takes no dia 18 de julho. Ringo novamente toca bateria e maracas.

Not A Second Time
Foi gravada a primeira vez em 11 de setembro, nove takes, sendo o 6º reduzido no 9º , inclusive o vocal dobrado de John e o piano de Martin. Diz a lenda que muitos críticos perceberam cadências parecidas com as da Canção da Terra de Gustav Mahler, comprovando o amadurecimento musical adquirido com a ajuda de Martin. Mas segundo John serão pássaros exóticos?

Money (That's What I Want)
Se o primeiro álbum foi um estouro, certamente uma das razões foi a escolha minuciosa de cada canção e sua sequência, então seria bom repetir o mesmo tipo de vocal que fechou o primeiro neste aqui. Sendo assim um outro cover de outro artista negro, gravado originalmente por Barret Strong, da Tamla Motown, também, resgatada no repertório do Decca. John novamente põe para fora toda sua agressividade dizendo que amor é bom mas, ele quer dinheiro, o que não conduzia muito com o seu pensamento, pois apesar de ter dito quando adolescente em se casar com uma milionária, John acreditava totalmente no amor. Foram necessários 7 takes, desta vez sem sua garganta doer tanto, pois estavam mais tranqüilos. O trabalho dos rapazes terminara, mas para Martin e os outros ele estava apenas começando, pois ainda seria preciso dias e dias de mixagem. Eles haviam evoluído muito desde seu primeiro disco, já eram jovens astros e a confiança em seu potencial não era infudada. Agora sabiam que Martin os trataria como profissionais e não como aspirantes. E para Martin eles estavam ficando cada vez melhores, e em tão pouco tempo. No final do ano, John e Paul foram eleitos os compositores do ano. Na Europa inteira pessoas se aglomeravam nas portas dos teatros para vê-los, mas, para os americanos eles apenas mais um grupinho estrangeiro querendo vencer na terra do rock'n'roll... até aquele momento.

Por Marcelo Scavazza Sanches

terça-feira, 25 de outubro de 2016

The Beatles - Revolver (1966)


Revolver é o nome certo para um álbum que marca o amadurecimento total dos Beatles, pois se no anterior, eles já estavam experimentando outros timbres e estilos - bem, na verdade, eles já fazem isto desde o primeiro álbum! - aqui eles mergulham de vez, deixando o yeah, yeah, yeah e as antigas influências juvenis um pouco de lado. Estão cada vez mais inspirados em sons profundos produzidos pelos mestres eruditos, pelos blues elétricos da Motown, pelos sons espirituais da Índia, pelo jazz, pelo folk, que misturados produzem sons inusitados em suas mentes, sem deixar o bom rock de lado.

Estavam totalmente decididos que era no estúdio e não nas turnês que estava o futuro de suas carreiras, por isso, embora tenha sido feito em meio às suas últimas turnês, Revolver soa como se eles tivessem feito de propósito, não produzindo nada que pudesse ser cantado em meio à gritaria de adolescentes excitados.

O fato é que não foi de propósito e suas cabeças realmente já estavam visualizando o que estava por vir, e só produzia sons que nunca ninguém antes havia pensado em fazer- ou melhor, dizendo, havia tido a coragem de lançar sem ser taxado de doido. Os arranjos eram complexos e levava meses e meses para ser feito um álbum. E não havia como reproduzir estas canções num palco, com amplificadores e instrumentos bons, mas sem caixas de retornos e mesas de sons, tão comuns hoje em dia. Mas se a tecnologia de palco não era suficiente, George Martin e sua equipe tinham criatividade suficiente para que no estúdio eles encontrassem tudo o que era preciso e o que não encontravam, era inventado.

Este álbum é definitivamente o DIVISOR DE ÁGUAS NA CARREIRA DOS BEATLES: felizmente, estão maduros profissionalmente e cada um tem sua característica individual. George está se firmando como compositor com um estilo próprio, sem precisar recorrer ao estilo Lennon-McCartney de composição, ganha mais espaço, ganhando mais uma faixa, abre o disco e ainda convida amigos indianos para acompanhamento. John compõe letras mais complexas, com arranjos as vezes até relativamente simples, mas completamente inusitados, que não permitem que você fique em cima do muro, ou você gosta ou detesta. Paul mostra de vez sua veia erudita, compondo belas melodias, com arranjos complexos, fazendo uso de orquestrações, inovando, sem, portanto, soar convencional, que também o deixam sem opção ou você gosta ou não gosta (mas até mesmo John gostava). Já Ringo reafirma seu jeito bonachão de ser cantando "Yellow Submarine". Mas infelizmente, por outro lado, sabemos que por causa desses estilos musicais diferentes que afloraram depois que nossos adolescentes que amavam o Rock'n'Roll, o blues e o country & western cresceram é que eles se separaram, mas, esta é outra estória. Vamos nessa agora...

Lado 1
Taxman
Foi gravada pela primeira vez em 20 de abril. Foram feitos onze takes só nos dois primeiros dias de gravação, sendo que um deles pode ser conferido no Anthology II com John e Paul dizendo "Anybody got a little bit of money ?", como era a idéia inicial, sendo que só a partir do 12 (take) esta frase foi trocada por "Mister Wilson" (Harold Wilson, primeiro ministro, eleito pelo partido trabalhista) "Mister Heath" (líder da oposição). Aqui George exercita sua veia política, que era tão aflorida quanto a de John Lennon, criticando os impostos exorbitantes cobrado a eles, uma vez que, ao contrário do que todos pensam, nesta época, seu contrato não era tão bom quanto os dois artistas atuais e só davá-lhes direito de comprar casas, instrumentos e o que necessitassem, sendo que dinheiro mesmo, ia para o cobrador de impostos. George inaugura pela pela primeira vez um disco dos Beatles e diz a lenda que John deu-lhe uma força na composição, porém seu nome não aparece nos créditos. Paul toca a guitarra solo novamente, foi a sexta a ser gravada.

Eleanor Rigby
Oitava a ser gravada, no dia 28 de abril, os vocais principais de Paul e o backing de George foram sobrepostos depois da sessão de cordas somente no take 14. Paul contou certa vez que o nome original desta canção era Daisy Hawkins, mas este lhe parecia um tanto irreal para soar como uma pessoa comum, ele precisava de um nome que soasse mais natural. E segundo suas memórias o nome Eleanor Rigby surgiu do nada, mas como o nada não existe, teologicamente falando, se você for ao cemitério da igreja St. Peter's, Liverpool, você poderá visitar o túmulo de Eleanor Rigby e de seu pai. Ou seja, Paul deve ter ido não poucas vezes a este lugar, pois embora não fosse tão perto de sua casa, era perto de John e do lado do lugar onde eles se conheceram, deve ter visto o túmulo e guardou esta imagem no seu subconsciente, de modo que conscientemente não se lembra de ter visto este nome em algum lugar. Pois o fato de ter existido esta pessoa, e o fato de seu túmulo se encontrar na mesma cidade em que nasceram e perto do lugar onde se conheceram, é evidência mais que suficiente.

Já o Padre Mckenzie foi tirado de uma lista telefônica, pois o original Padre McCartney desagradou a Paul, pois poderiam pensar que era sobre seu pai, e não queria ver o nome da família associado à uma estória de solidão. O quarteto de cordas, formado por 4 violinos, 2 violas e 2 cellos, foi conduzido por George Martin.

I'm Only Sleeping
Foi a sétima a ser gravada no dia 27 de abril, em mono. Uma espécie de autobiografia de John, pois diz a lenda que John não gostava de ter que acordar cedo e quando era obrigado, ficava um tempo na cama, pensando ou olhando o teto. Mas também, depois que acordava era difícil fazê-lo parar. Foram feitos uns 11 takes até se conseguir um clima de sonolência, para o qual foram usadas fitas ao contrário e George tocou todo o solo de trás para frente.

Love You To
George faz uso daquela que iria se tornar sua marca : a música indiana misturada com o Rock'n'Roll e o folk, que influenciaria muitas gerações. A letra mescla romantismo e reflexão, pois ele e John são os primeiros a perceber que as coisas estão mudando e o tempo passando. George toca cítara, e Anil Bhagwat, irmão de Ravi Shankar, seu mestre, toca tabla, entre outros músicos indianos. Era chamada "Granny Smith", um tipo de maçã verde (!) no dia 11 de abril, quando foi a terceira gravada, mantendo este nome muitos dias depois.

Here, There and Everywhere
Balada muito bem-construída por Paul, uma das favoritas do companheiro John. Foi gravada pela primeira vez em 14 de junho, sendo a décima-terceira. George e John fazem as belas harmonias em escalas de ooo, não muito fáceis de serem reproduzidas à perfeição. Aqui todos estão em seus instrumentos de costume.

Yellow Submarine
John e Paul tem duas versões diferentes sobre a composição: John disse que a imaginou logo após ter tomado "o café mágico" na casa do dentista de George, já Paul disse que teve esta idéia, um pouco antes de dormir, em meio as suas sonolências. Seja qual for a verdadeira, ou talvez os dois tenham concebido a mesma idéia ao mesmo tempo, o que importa é esta canção nos leva de volta aos nossos dias de infância (pelo menos à infância da época de John, Paul, George e Ringo, com direito a bandinha daquelas dos parques) razão pela qual, decidiram dar o vocal a Ringo, uma vez que ele era o favorito das crianças. Foi gravada pela primeira vez em 26 de maio, sendo a décima-primeira a ser gravada. No coro encontramos os roadies Mal Evans e Neil Aspinall, o produtor Martin, o Stone Brian Jones, entre outros.

She Said, She Said
Foi gravada pela primeira vez em 21 de junho, sendo a décima. Por muito tempo foi denominada "sem título" até receber este nome. Foi baseada numa "viagem"que John teve com Peter Fonda, conhecido ator de cinema, que participou de diversos filmes, entre eles "Easy Rider", (Sem Destino) ao lado de Denis Hopper, que marcou época. Diz-se que Fonda começou a falar "Cara, eu sei o que é estar morto" e outras coisas esquisitas e como John não perderia uma frase dessas por nada, tratou de colocá-la numa cancão. Décima canção a ser gravada em 26 de maio.

Lado 2
Good Day Sunshine
Seu título original era "A good Day's Sunshine". Paul se inspirou no som negro jazzístico de New Orlens, com direito a George Martin, tocando o piano Honk Tonk. Sua primeira gravação data de 8 de junho. Aqui eles retomam o recurso dos álbuns anteriores : fazendo uso das batidas de palmas para que todo o espaço seja preenchiodo com música. Brincam pela primeira vez com o estéreo, de modo que no final da faixa cada voz sai num canal diferente, soando impossível para um ouvinte de primeira viagem descobrir de onde virá o próximo som. Foi a décima-terceira a ser gravada, inspirada em Jane Asher, depois da primeira noite de amor, que aconteceu mais ou menos por esta época, três anos depois de se conhecerem.

And your Bird Can Sing

Apresenta vocais dobrados de John e Paul, que foram mixados para parecerem apenas um de cada. Diz a lenda que gravar estes segundos vocais deu muito pano para manga, pois geramente eles gravavam um vocal por cima do outro, apenas quando cantavam solo e não aqui que fazem um dueto. Na hora de gravarem o segundo vocal, John desatou numa risada e Paul embora estivesse concentrado, não conseguiu se segurar e começou a rir também. Como nenhum engenheiro conseguiu preservar a primeira gravação, uma vez que era a matriz, ficou decidido que voltariam no dia 26 de abril, seis dias depois, mas, não conseguiram fazer tudo igual ao primeiro dia, soando um tanto diferente. George também tocou o solo uma vez e o "retocou" igualzinho e os mixou de uma forma que soassem como um só.

For No One
Foi gravada a primeira vez em 12 de abril, sendo a nona, recebendo dez takes neste dia, mas os vocais e o French Horn só foram sobrepostos nos dias 16 e 19. Paul se exercita no estilo o caracterizaria : o de criador de belas melodias, que o tornaria o favorito de vários maestros, pela sua veia e refinamento eruditos, nesta canção que parece ter sido feita para Jane Asher, depois de uma briga. Paul toca piano, cravo e French Horn (instrumento de sopro), Alan Civil, músico de estúdio, toca trompa. Diz-se que apenas Paul e Ringo estavam presentes.

Dr. Robert
Foi inspirada em Robert Freyman, um médico alemão que trabalhava em Nova York e era conhecido por deixar a cidade "alta", e não no dentista de George, que não se chamava Robert ! John soube dele através dos jornais, mas nunca o conheceu pessoalmente. Além dos instrumentos habituais, George toca maracas, John harmonium e maracas e Paul piano. Foi gravada em 17 de abril, sendo a quarta.

I Want to tell you
Foi gravada pela primeira em 2 de junho, sob o título de "Laxton's Suberb", também um tipo de maçã. e logo mudou para "I don't Know', pois nem mesmo George sabia o nome da obra. De novo o tema é romântico, mostrando um pouco de profundidade nas letras. John toca pandeiro, além dos instrumentos normais de cada um. De novo ouve-se a brincadeira com o estéreo.

Got to Get you Into My life
Segunda a ser gravada em 7 de abril. Foi composta por Paul com a tentativa de fazer uma alusão à maconha apresentada em 64, por Bob Dylan- (inspirado talvez pelas letras de John, que muito gostou da música, dizendo na entrevista da Playboy ser uma letra muito boa) do que à Jane Asher. Criando a linha que seria muito utilada no álbum posterior, um naipe de metais foi chamado, composto por Eddie Thornton, Ian Hamer e Les Conlon, nos trumpetes e Peter Coe no sax tenor, afim de reproduzir o clima das gravações de soul da Motown, que Paul faz juz, pois apesar de ser branco e inglês, consegue aflorar sua veia negra, provando a versatilidade dos Beatles mais uma vez. Martin toca órgão, John pandeiro e os outros seus instrumentos originais.

Os Beatles decidiram assumir serem usuários de drogas do que serem hipócritas, negando o fato, afim de parecerem bonzinhos, como muitos artistas de diversos gêneros de música fazem, inclusive no Brasil. Não pretendiam fazer apologia e apenas serem adultos, assumindo sua responsabilidade, assim como os bluesmen assumiam-se usuários de bebida (e morriam muito jovens) na década de 20 e 30, quando havia a Lei Seca. Portanto, embora tivessem proibido a maconha e o LSD a pouco tempo (assim que viram que os jovens as estavam usando e não só os psicólogos) não havia ainda este conceito de auto-destruição adquirido depois das mortes de Janis Joplin, Jim Morrison e Jimi Hendrix (que poderiam ter morrido bebendo ou fumando tabaco... )

Tomorrow Never Knows
Foi a primeira a ser gravada no dia 6 abril, sob o título de Mark I, já ditando o clima experimental que mandaria neste LP. A exemplo daquela sessão do Rubber Soul, que eu disse que era a primeira, esta também, teve direito a não uma mas várias sessões. Depois das declarações sobre drogas pensaram que esta certamente falava sobre este tema, mas John se inspirou "apenas" no Livro dos Mortos Tibetanos, escrito por ninguém mais que o "papa" do LSD: Timothy Leary.

John tinha a idéia de ter um coro que soasse como macacos cantando, no entanto, humanamente, isto parecia impossível. Mesmo assim, Paul trabalhou junto com Martin e Geoff Emerick para tentar desvendar os mistérisos da mente de John, e agradar a ambos, John e Ringo, que também havia dado umas idéias.

John canta através do alto-falante de um Leslie Organ e toca pandeiro, George toca cítara, Paul toca baixo e piano Honk Tonk, Martin piano e Ringo bateria. Foi de longe a faixa mais difícil de ser gravada, até aquele momento: para isso fizeram uso de toda a tecnologia existente nos Estúdios Abbey Road e principalmente, das inventadas pelo próprio como o ADT.

ADT (Artificial Double Tracking) foi uma espécie de recurso inventado pelos funcionários para simular a "dobragem" de um som sobre outro, que consistia em criar a ilusão que uma voz previamente gravada e uma outra gravada pela mesma pessoa , sobreposta alguns segundos depois e não em cima, como em "And Your Bird Can Sing" na sequência (como num canone). Mas, na verdade, havia apenas uma gravação e outra era uma repetição da primeira que entrava num tempo determinado depois, criando um efeito incrível ! Os Beatles, logicamente amaram esta idéia que era original, provavelmente porque com isso teriam mais tempo para gravar outras coisas e ter outras idéias, ao invés de gravarem a mesma voz diversas vezes. Este recurso foi "imitado" várias vezes, por várias bandas nos últimos 36 anos, até mesmo pelos que se julgam "modernos".

Nota: O Álbum saiu em 05 de agosto de 1966 com o nome de Revolver e não Abracadabra, como havia se pensado anteriormente.Depois deste álbum e a conseqüente extinção das turnês, todos julgaram que o grupo jamais conseguiria produzir algo tão bom ou melhor, e acabaria retornando ao formato inicial ou acabando, pois, nenhum grupo havia conseguido se manter na crista da onda sem excursionar. Mas os Beatles fariam sua tentativa.

Por Marcelo Scavazza Sanches

domingo, 23 de outubro de 2016

The Beatles - Please Please Me (1963)

Please Please Me o primeiro álbum, lançado em 22 de março de 63, Parlophone PMC 1201 (mono). Nasceu da idéia de aproveitar o sucesso adquirido com o primeiro lugar de "Please Please Me"/"Ask Me Why", afim de que eles não fossem um grupo de um sucesso só. Foi gravado em apenas um dia e mixado em dois e dispondo de apenas dois canais (sendo que qualquer bandinha de quinta categoria de hoje em dia, usa no mínimo, uns vinte para produzir qualquer bobagem), o que prova que mais que equipamento, é necessário competência, dedicação e sentimento de conjunto. Por isso, Please Please Me, ainda soa atual - no bom sentido, é claro - mesmo depois de tantas décadas. Ninguém conseguiu fazer um disco tão bom em sua estréia e continuar produzindo som de qualidade.

Lado 1
I Saw Her Standing There
"Seventeen" este foi o nome desta canção desde o dia em que foi composta por Paul, sendo apresentada assim em Hamburgo, no Star Club e até no Cavern Club. Foi gravada oficialmente em 11 de fevereiro, quando recebeu 12 takes. Diz a lenda que Paul teria escrito-a em 61 com "never been a beauty queen" e que a cantava assim nos shows da banda, até John sugerir-lhe "You know what I mean". A sincronia das guitarras é surpreendente, mas é a cozinha (Ringo e Paul) que tornou esta canção numa das mais difíceis de ser reproduzida ao vivo à perfeição - inclusive até por eles mesmos (eu sei que muitas cover a tocam). Para completar eles ainda adicionam palmas. Paul confessou certa vez que as "bass lines" foram inspiradas em "Talkin' About You", de Chuck Berry, que soavam originais e únicas. Nem preciso me aprofundar muito para falar do brilhante backing rocker de John nas partes principais e no middle eight contrastando com a agressividade vocal de Paul.

Misery
A doce e melancólica segunda canção do disco teve 11 takes até que o vocal de John e Paul soassem como um só (no mono, pelo menos). E eles conseguiram, embora possam ter timbres completamente diferentes, eles conseguem timbrar muito bem e o dueto só é percebido em alguns trechos. Foi escrita por uma cantora chamada Helen Shapiro, muito conhecida na época, até mais que eles, mas parece que o seu empresário não a deixou gravá-la e acabou sendo gravada por Kenny Lynch. No final, eles homenageiam o vocal típico dos grupos americanos femininos com "La la la la la...".

Anna (Go To Him)
O primeiro cover do disco foi gravada em três takes. John demonstra pela primeira vez em estúdio a sua característica vocal ao interpretar baladas: geralmente começa doce como a melodia e aos poucos vai ficando com um tom agressivo. Paul e George também não deixam a desejar, segurando bem o clima romântico da melodia.

Chains
George põe para fora uma dose de sua agressividade - e seu marcante sotaque - dividindo o vocal com Paul e John. Este tributo a Gerry Goffin e Carole King, uma das duplas de compositores que influenciou-os e também às Cookies, grupo feminino americano, recebeu 4 takes. John faz a introdução na gaita e o andamento agilizado.

Boys
Agora é a vez de Ringo provar a que veio. E fez isso com um só take. De novo, eles pagam tributo ao vocal dos grupos femininos americanos, desta vez das muito conhecidas Shirelles. Diz-se que foi necessário um "faded ending" porque ficou grande demais para a época.

Ask Me Why
Escrita em 62. Uma de suas primeiras audições foi no lendário Star Club, da Alemanha. Mas sem dúvida, esta versão do disco é a mesma do single "Please Please Me"/"Ask Me Why" que foi gravada em 26 de novembro e lançado em 11 de janeiro, alcançando o primeiro lugar nas paradas. Foram feitos apenas seis takes, um feito, pois não é das mais fáceis de ser executada, apresentando um belo arranjo vocal e instrumental. De novo John faz uso de sua doce agressividade vocal.

Please Please Me
Foi inspirada numa canção de Bing Crosby chamada Please que sua mãe costumava cantar que usava os sentidos de Please (agradar e por favor). Ficando "Por favor, agrade-me". Conta a lenda que já nas sessões de Love Me Do e P.S. I Love You, Martin já sabia que Love Me Do ficaria entre as primeiras, mas, que precisavam de um primeiro lugar e que How Do You Do It de um compositor do cast da gravadora. Apesar de gravarem-na eles não queriam lançar e sugeriram que fosse dada a Gerry and the Pacemakers, outro grupo de Liverpool, seu antigo rival. Martin os desafiou a compor algo melhor, então eles apresentaram Please Please Me, que parecia de Roy Orbison com um vocal meio bluesy. Martin achou os acordes muito bons, mas achou que seria melhor uma melodia mais rápida e a repetição da primeira parte no final. Era uma boa música que não poderia ser desprezada, mas não havia motivos para colocá-la como seu próximo single. No dia 26 de novembro eles a apresentaram novamente, já reestruturada e com o solo de gaita, deixando George Martin tão impressionado que ele exclamou : "Senhores, vocês acabam de gravar seu primeiro número um". Há ainda uma estória a respeito destas sessões: Martin havia acabado de comprar uma gravata, da qual estava especialmente orgulhoso e a estava estreando neste dia. Com a intenção de deixar os liverpudlianos a vontade disse: "Caso vocês não gostem de alguma coisa é só falar" e George não perdeu a oportunidade: "Bem, para começar eu não gosto da sua gravata" Todos ficaram sérios, mas, acabaram dando boas risadas. Na reprise da letra Last night... Paul canta: I know you never even try girl, mas John canta I know I never, como no início. É quase imperceptível, se você estiver desatento.

Lado 2
Love Me Do
Foi escrita em 58, pertecendo à primeira safra de originais, ainda de McCartney-Lennon. Foi inspirada no estilo Buddy Holly de compor e no estilo dos Everly Brothers de cantar, artistas brancos do country/rock americano que muito influenciaram os rapazes neste período. A primeira canção gravada na Parlophone, em 6 de junho, com Pete Best na bateria, o que resultou na observação de Martin que precisavam de outro baterista no estúdio. O que para eles não era uma boa idéia, pois era uma enganação. Com isso Pete Best foi trocado e Ringo, um velho amigo tomou seu lugar. E com ele gravaram a versão de "Love Me Do" do compacto, sem pandeiro datada de 4 de setembro. Foram feitas umas quinze versões, insatisfatórias para Martin. A próxima sessão foi no dia 11 de setembro, sob a produção de Ron Richards que chamaram Andy White, um experiente baterista que já havia tocado com Bill Halley, quando este veio à Inglaterra em 57 - Paul assistiu este show, em Liverpool. Ringo teve que contentar-se com o pandeiro, muito bem tocado, por sinal. E esta foi a versão do álbum, a mais conhecida até. Conta a lenda que era John quem fazia o vocal principal e partia em seguida para a gaita, o que não agradou Martin, que sugeriu que Paul o fizesse. Paul tremeu, pois não estava preparado. Felizmente Paul aprendeu-o muito bem, assim como Ringo desenvolveu seu próprio estilo de tocá-la.

P.S. I Love You
A gravação data de 11 de setembro, assim como "Love Me Do" e apresenta White na bateria e Ringo nas maracas. Trata-se de uma melodia de inspiração latina, pois a música latina como o cha-cha-cha, a rumba, o calipso e a bossa-nova estavam em moda na época. É Paul quem canta os vocais sendo apoiado por John. Parece que Paul queria que ela fosse o lado A, mas Richards disse como ex-editor musical tinha uma idéia de que alguém já havia lançado um single com este título. Então ela entrou como lado B.

Baby It's You
Gravada pela primeira vez em 11 de fevereiro em três takes. Aqui John faz uso novamente de seu vocal doce de balada que vai se tornando agressivo com o decorrer da melodia - inspirado, sem dúvida, nos vocais negros. É outro cover das Shirelles.

Do You Want o Know a Secret?
Esta canção foi inspirada numa outra chamada "Wishing", do filme White Snow, que Julia costumava cantar-lhe. Já a melodia foi inspirada em "I Realy Love You". Trata-se do segundo vocal principal de George no disco, que faz uso de um timbre doce para contar o segredo de estar apaixonado há algumas semanas à uma garota. Foram feitos 8 takes. George entra sozinho sendo acompanhado apenas por uma guitarra, em "Listen" os instrumentos entram todos juntos. Porém, só no segundo é que John e Paul entram nos backing "doo-a-doo" típico dos cantores de doo-wop. O melhor take foi exatamente o oitavo com sobreposição do 6. Foi gravada também por Billy J. Kramer And the Dakotas, outro grupo de Epstein, da cidade, chegando ao primeiro lugar

A Taste Of Honey
Canção tema do musical e do filme de mesmo nome. Como não poderia deixar de ser é Paul quem está nos vocais dobrados desta canção de toque latino. Foi a primeira vez que eles fizeram uso do recurso de dobrar a voz e para isso foi necessário sobrepocionar uma gravação sobre a outra, sincronizando-as para dar um efeito cheio. Foram pegos os takes 7 e 5.

There's A Place

Embora, pareça uma versão de "Please Please Me", esta foi inspirada no estilo dos cantores negros da Motown. Foi a primeira canção a ser gravada naquele dia, sendo necessários 10 takes. Alguns deles só com solos de gaita. A beleza das harmonias vocais merece destaque: John canta a melodia, sendo apoiado pela harmonia aguda de Paul e no final quando todos já estavam acostumados a isso, George aparece cantando a voz grave e John pula para uma voz intermediária. Apesar de ainda abordar temas românticos, esta letra já demonstra maturidade, pois trata de um lugar onde o autor (provavelmente John) pode ir e lá refletir sobre a vida e sua garota.

Twist And Shout
Cover de um hit de 58 do grupo negro de soul Isley Brothers. Já era tarde e os Beatles haviam passado o dia 11 inteiro gravando, e John que já estava com gripe se encontrava agora com a garganta dolorida, mas, ainda não haviam encontrado uma música para fechar o album, então alguém sugeriu que ele deveria cantar "Twist And Shout", apesar da versão original ser cantada por um cantor de voz mais aguda como Paul. John, apesar de tudo, não titubeou, chupou umas pastilhas e tomou um copo de leite quente e mandou ver, sendo apoiado por Georgee Paul. Foi feito apenas um take, embora se tenha documentos de um segundo take, não foi achado nenhum registro discográfico e George Martin disse que queria um segundo, mas, que John não aguentaria fazer tudo de novo. Diz-se que todos ficaram boquiabertos, pois nunca haviam visto um grupo ainda ter pique para cantar e tocar daquela forma depois de mais de dez horas de gravação e com gripe, Martin até comentou "Eu não sei como fazem isso. Estivemos gravando o dia inteiro e quanto mais tempo isto leva mais eles conseguem". Os colegas de Martin também ficaram maravilhados e levaram uma cópia que tocaram para cada colega, e todos ficavam surpresos. Eram 22 horas da noite, estava na hora de fechar os estúdios. 5 minutos depois qualquer músico do cast da Abbey Road já estaria nas plataformas da Estação de metrô St. John's Wood, mas os Beatles não se mostravam cansados e queriam ouvir algumas gravações. Então, Brian Epstein ofereceu-se para levá-los de carros às suas casas. Ninguém nunca havia visto um grupo assim.

Por Marcelo Scavazza Sanches

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

"Helter Skelter", a música mais pesada dos Beatles


Lançada em 1968, no Álbum Branco (White Album, mas que na verdade chama-se The Beatles), essa música pesadíssima, que Paul McCartney faz questão de apresentar ao vivo até hoje, ainda desperta muita curiosidade, sobretudo com relação ao outtake inédito de 27 minutos. Saiba mais um pouco sobre o assunto.

A Criação

"Pete Townshend disse à Melody Maker que o The Who tinha gravado uma música que era a mais barulhenta, mais rude que alguém já havia feito. Isso me fez pensar 'Certo. Tenho que fazer isso'. E nós decidimos fazer a mais barulhenta, mórbida e pesada que podíamos. E isso foi 'Helter Skelter'"
- Paul McCartney, 1985

O Assassino

O assassino Charles Manson achou que o título da música era um tipo de sinal, que dizia que a guerra e o apocalipse que ele acreditava começaria quando os Black Panthers (grupo radical formado por negros americanos - Manson viu uma ligação com "Blackbird"!) iriam se levantar e acabar com os porcos brancos ("white piggies"). Ele então mandou sua seita assassinar Tate e LaBianca para mostrar para os negros a maneira de se levantarem (levantar em inglês é "arise"). Na Inglaterra o termo "Helter Skelter" se aplica a uma espécie de montanha russa. John supostamente defendeu a teoria da montanha russa mais tarde no tribunal.

"Eu não sei o que pensei quando aconteceu. Eu só pensei, e vi que muitas coisas que ele diz são verdade, que ele é um filho do sistema, feito por nós, e que apenas acolheu seus filhos quando ninguém mais o faria. É o que ele fez. É claro que ele é um maluco!"
 - John Lennon, Dezembro de 1970.

John achou a interpretação de Manson um absurdo. A leitura de Manson, procurando algo nas entrelinhas é típico de um fã dos Beatles, mas (como também é típico dos fãs dos Beatles) ele viu uma mensagem que realmente não existia.

Anthology

Mark Lewisohn, autor dos livros The Beatles Recording Sessions e The Complete Beatles Chronicle, tem o seguinte a dizer sobre a "Helter Skelter" de 27 minutos:

"Helter Skelter é, talvez, o mais lendário out-take dos Beatles. Na época que o álbum branco foi lançado, eu acho que foi Neil Aspinnal que escreveu na Beatles Monthly Book que eles haviam gravado uma versão de Helter Skelter com mais de 27 minutos, que obviamente, não seria lançada, mas eles foram gravando mesmo assim. Daquele dia em diante, isso se tornou um tipo de 'santo graal' dos fãs dos Beatles, eles tinham que ouvir esta música. Hoje eu sei de muitas pessoas que querem apenas ouvir esta versão antes de morrer.

Eu deixei claro para George Martin, quando estávamos trabalhando no Anthology 3, que os fãs estavam desesperados para ouvir isso e tentei persuadi-lo a ouvir a música, mas não achei que ele o faria. Nós ouvimos, e ele disse: 'Bem, o que tem de tão importante nisso?'. Eu disse para esquecer a qualidade de som, ou esquecer o fato de não estarem bem afinados, ou em harmonia, ou qualquer coisa que um produtor pode estar procurando, e apenas para respeitar o fato de que era o out-take mais importante de todos, e o fãs ficariam loucos se não fosse incluido no projeto Anthology. Então ele pôs tudo aquilo na mesa, como sempre fazia, e, como era bom nisso, ouviu. Mas, na próxima vez que eu o encontrei ele dise: 'Aqui está' e tinha mais ou menos 5 minutos. E, como se não bastasse, eles nem usaram a de 27 minutos, usaram o segundo take, que tinha cerca de 12 minutos. Foi esse que eles transformaram em uma música com 5 minutos. Ele alegou que 'isso é o máximo que as pessoas vão aguentar, não conseguirão ouvir a coisa toda...'. E eu disse: 'bem, eu acho que a maioria realmente vai.'"

Muitas pessoas pensam que a versão de "Helter Skelter" de 27 minutos é tão pesada e rápida como a versão encontrada no álbum. Mas não. A versão do álbum foi gravada cerca de dois meses depois. A versão longa é tocada num tempo mais lento, um tipo de uma marcha, parecido com a que está no Anthology 3.

Recording Sessions


"Eu voltei das minhas férias e achei um bilhete de George na minha mesa. Dizia: 'Chris, espero que tenha tido férias maravilhosas. Eu estou indo pras minhas agora, então, esteja disponível para os Beatles. Neil e Mal sabem que você está indo'. Levou um tempo pros Beatles me aceitarem. O primeiro a falar comigo foi Paul. E foi mais ou menos assim:

PAUL: 'O que você está fazendo aqui?'
CHRIS: 'George não te falou?'
P: 'Não!'
C: 'Bem, ele disse para mim vir até aqui e ajudar vocês.'
P: 'Bom...se você quiser produzir nosso disco, você pode. Se você não quiser, então eu posso te dizer pra se f...'
Isso era motivação? Eu quase não conseguia falar depois disso..."
- Chris Thomas, produtor da versão final de "Helter Skelter"

Quinta-feira, 18 de Julho de 1968
Estúdio 2, 22h30 às 3h30
Helter Skelter - Takes 1-3
Produtor: George Martin
Engenheiros: Ken Scott, Richard Lush

A noite do dia 18 de Julho foi gasta gravando três versões longas de "Helter Skelter", a nova canção de Paul, que invocava o nome de uma montanha-russa num parque londrino. Porém, a versão que aparece no LP The Beatles é totalmente diferente dessa. A versão do LP é um re-make, iniciado em 9 de Setembro. As versões gravadas nesse dia são ensaios primários.

O Take 1 dura 10:40, o take 2 tem 12:35 e o take 3 é um épico com 27:11, a gravação mais longa da história dos Beatles. As três versões são parecidas: guitarras, baixo, bateria e vocais gravado ao vivo, sem overdubs. Bateria pesada, guitarras extremamente altas e uma performance vocal memorável, providenciada por Paul, que nada tem a ver com a versão final, a não ser a letra. Cada take se transforma numa Jam consciente e dedicada, com longas passagens instrumentais.

Brian Gibson estava providenciando detalhes técnicos: "Eles gravaram as versões longas de 'Helter Skelter' com o eco ao vivo. O eco é normalmente adicionado nas mixagens para que possa ser removido caso o resultado não seja bom, mas dessa vez eles queriam ao vivo. Uma dessas versões se transformou numa Jam que entrava e saia numa versão bizarra de 'Blue Moon'. O problema era que, embora estivéssemos gravando em 15 ips - o que significa, cruamente, que tínhamos 1h30 de fita - o gravador que trabalhava o eco só aceitava 30 ips, em outras palavras, 15 minutos. Nós estávamos sentados na sala de controle - Ken, Richard e eu - olhando para a fita do eco, que estava no fim. Os Beatles estavam tocando, sem dar a mínima para o tempo de fita, e nós não sabíamos o que fazer, pois eles estavam obtendo o retorno em seu fones de ouvido para poder ouvir o eco. A gente sabia que se parássemos a fita eles notariam, e não iam gostar. Então a gente decidiu parar a fita e retornar. Então, em um certo ponto, o eco para súbitamente, e você ouve um bllllrrrriiiipppp enquanto isso era retornado. Isso fez Paul improvisar um tipo inteligente de vocais baseados nos barulhos dos bastidores!"

Segunda-feira, 9 de Setembro de 1968
Estúdio 2 - 19h00 às 2h30
Helter Skelter (remake) - Takes 4-21
Produtor: Chris Thomas
Engenheiros: Ken Scott, John Smith

A gravação do dia 18 de Julho tinha parcialmente realizado o desejo de Paul de criar uma cacofonia musical. O problema era que, com o melhor take daquelas sessões durando mais de 27 minutos, a música preencheria um lado inteiro do LP. Então eles decidiram gravar um remake, com a mesma energia, peso e "morbidez" de antes, mas mantendo a duração em 3 ou 4 minutos. Na verdade, a duração é a única coisa especificada neste remake, nesta, assim denominada, "sessão louca".

Brian Gibson estava presente de novo: "A versão do disco está fora de controle. Eles estavam completamente loucos naquela noite. Mas, como sempre, a desatenção se transformou em o que os Beatles faziam em estúdio. Todos sabiam o que eles estavam tomando, mas a única autoridade pra eles no estúdio eram eles mesmos. Enquanto eles não fizessem nada muito ultrajante, a gente tolerava".

Todos os tipos de instrumentos estavam sendo testados. O resultado final - o take 21, que recebeu overdubs no dia seguinte - é uma faixa onde John toca contrabaixo e, amadoristicamente, saxofone, Mal Evans toca o trumpete, no mesmo estilo de John. Duas guitarras solo, providenciadas por Paul e George, a bateria hipnotizante de Ringo, um piano, distorções e feedbacks, backing vocais de John e George, vários barulhos, e um vocal principal surpreendente e cru de Paul. Se "Revolution 9" era o experimento vanguardista de John, "Helter Skelter" era o de Paul. Mas foi Ringo quem deu o toque final perfeito. Depois de tocar bateria como se sua vida estivesse dependendo disto, seu grito "I've got blisters on my fingers!" foi preservado no disco, e dá uma demonstração do que foi gravá-la.

Terça-feira, 10 de Setembro de 1968
Estúdio 2 - 19h00 às 3h00
Helter Skelter - "overdubs" no take 21
Produtor: Chris Thomas
Engenheiros: Ken Scott, John Smith

Overdubs finais em "Helter Skelter". Chris Thomas lembra: "Enquanto Paul gravava seu vocal, George pôs fogo num cinzeiro e começou a correr em volta do estúdio com ele na cabeça, fazendo um número de Arthur Brown (comediante inglês). Foi uma sessão bem indisciplinada, como pode ver".

Quinta-feira, 17 de Setembro de 1968
Estúdio 2 - 19h00 às 5h00
Helter Skelter - Mono Remix 1, do Take 21
Produtor: Chris Thomas
Engenheiros: Ken Scott, Mike Sheady
Essa sessão limitou-se à mesa de som, com remixagem em mono do melhor take, o 21.

Sábado, 12 de Outubro de 1968
Estúdio 2 - 19h00 às 5h45
Helter Skelter - Estéreo Remixes 1-5, do take 21
Produtor: George Martin
Engenheiros: Ken Scott, John Smith

A remixagem de "Helter Skelter" foi vital para a música. Há várias diferenças entre a versão mono e a estéreo. A Mono acaba com 3:36, a estéreo tem mais um minuto extra, acabando com 4:29. No estéreo tem o "fade out-in" e o grito de Ringo ao final, o Mono não. Existem ainda várias diferenças menos significantes.

Quarta-feira, 9 de Outubro de 1968
Estúdio 2 - 19h00 às 5h30
Produtor: George Martin
Engenheiros: Ken Scott, John Smith

Durante esta sessão, Paul tirou a fita do dia 18 de Julho da gaveta e fez uma cópia do take mais longo, com 27:11, para guardar em sua coleção.

Out-Takes

Depois de tanta falação sobre as gravações, você deve estar se perguntando o que está disponível por aí, não é? Então lá vai:

11 de Junho de 1968
Um mês antes de gravarem o primeiro Take de "Helter Skelter", uma versão acústica foi gravada em fita e filmada no meio dos ensaios de "Blackbird". Foi filmado em cores por Tony Bramwell, e seria usada em uma propaganda da Apple Corps. Esta versão acústica foi ao ar na TV holandesa no programa Vara's Puntje no dia 27 de Setembro de 1968. Este out-take está disponível, em sua melhor versão, no bootleg Gone Tomorrow, Here Today (Midnight Beat 113)

18 de Julho de 1968
Um out-take da primeira sessão de "Helter Skelter" está disponível, graças ao projeto Anthology. Oficialmente lançado está o Take 2, que originalmente dura 12:35, mas no Anthology 3 foi reduzida pra menos de 5.

9 de Setembro de 1968
Dessa sessão só está disponível uma versão do acetato original do álbum branco, com umas passagens extra de guitarra. Estão nos piratas Lord Of Madnness (Masterfraction MFCD001) e Primal Colours (Masterdisc MDC009) em estágios diferentes de mixagem.

Por Vitor Suman