Mostrando postagens com marcador Beatles. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Beatles. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

16 de janeiro: hoje é o Dia Internacional dos Beatles!

O mundo comemora hoje o Dia Internacional The Beatles. A data foi estabelecida pela UNESCO em 2001. No dia 16 de janeiro de 1957, na cidade inglesa Liverpool, aconteceu a abertura oficial do clube Cavern, onde aconteceu a grande estreia da banda e onde eles tocaram exatamente 299 vezes.

O Portal Beatles Brasil comemora este dia especial do jeito que sempre fez durante esses 13 anos de vida: publicando mais um belo depoimento, este de Anna Rodrigues (16 anos), de Belém/PA: 

Feliz Dia dos Beatles a nós Beatlemaníacos que já tivemos muitas músicas do eterno quarteto de Liverpool como temas. Seja nos momentos alegres ou tristes, sempre tem uma música pra cada situação. Que casal apaixonado nunca ouviu And I love her ou Real love ou Something? Que pessoa nostálgica nunca ouviu A day in the life, Let it be ou In my life? Que pessoa animada nunca ouviu Help, A hard day’s night ou Sgt pepper’s lonely hearts club band ou From us to you? Quem nunca viu os filmes Across the Universe ou O Garoto de Liverpool sem se sentir emocionado? Quem nunca teve o desejo de ter o Anthology completo ou de ir ao Museum of Liverpool ou tirar aquela foto tradicional na Abbey Road»? Quem nunca se sentiu numa praia ao ouvir Yellow submarine ou sentiu a a brisa tocar no rosto ao ouvir Here comes the sun? Quem nunca imaginou como seria s eles tivessem continuado juntos e o Lennon e o George não tivessem morrido? Quem nunca se sentiu esperançoso com We can work it out? Quem nunca sentiu uma pontada ao ouvir Yesterday? 

Enfim, são tantas músicas especiais que se eu fosse listar todas passaria anos comentando. A verdade é que hoje eu fico mais do que feliz por ter essa banda, que é mais que uma banda, como principal tema musical da minha vida. Foi com pessoas especiais que aprendi a gostar deles e por isso, eles super fazem parte da minha história. E hoje, principalmente hoje, agradeço a Deus por ter nos presenteado com a existência deles. Mesmo que eu não tenha ido a nenhum show da época, eles são tão vivos hoje como foram na década de 60. Obrigada garotos de Liverpool, por marcarem mais de uma geração e serem tão presentes atualmente, mesmo mais de 50 anos depois. Meus filhos ouvirão The Beatles e minha lua de mel será em Liverpool.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Peace Of Mind: Mito ou Realidade?

E se a essa altura pintasse uma música dos Beatles que você ainda não conhece? Desde os anos 70 a humanidade vem convivendo com essa dúvida. Uma gravação específica deixa muita gente confusa até hoje: "Peace of Mind". Seria essa uma gravação dos Beatles?


INTRODUÇÃO
Quando eu tinha 12 anos de idade meu pai comprou os dois últimos volumes da série Anthology em CD, e os bootlegs 69 Rehearsals Vol. 1, Ultra Rare Trax Vol. 4 e Vintage Songs. Aquela avalanche de coisas inéditas, juntas com os recentes Anthology 1 e Live At The BBC (com cerca de 10 horas de material que eu nunca tinha ouvido!) me pegou de surpresa.

Foi no meu aniversário de 13 anos que ele me levou à Galeria do Rock, no centro de São Paulo. Lá, conheci a loja Magical Mystery Club, antigo fã-clube dos Beatles. Pela primeira vez eu fiquei paralisado sem saber o que levar para casa. E isso aconteceria várias outras vezes no bom e velho Magical. Bem... aquele dia eu levei para casa o Ultra Rare Trax Vol. 6 e o filme Let It Be. Foi o suficiente.

Sempre que possível eu ia à galeria, ficar no Magical, ouvindo música. Ou no Cavern Club, que na época era bem na frente. Mas não foi em nenhuma dessas lojas que me deparei com o bootleg Off White Vol. 3. No alinhamento do CD, três músicas que eu nunca tinha ouvido me chamaram a atenção: "Frenzy & Distortion", "Child Of Nature" e "Peace Of Mind". Na hora em que ouvimos "Child Of Nature", todos reconheceram a melodia de "Jealous Guy". Mas ninguém sabia dizer o que eram as outras duas canções. Depois de um tempo, descobrimos que a primeira era de Ravi Shankar. Mas o mistério de "Peace Of Mind" continuou a me incomodar. E ainda o faz.

Depois de ouví-la umas 50 vezes naquela semana, levei uma fita K7, em que eu gravei a canção, para o Luiz Lennon, do Cavern. Na época, eu achava que ele era quem mais entendia de Beatles no mundo, junto com o Gilson Quináglia, do Magical.

Ingênuo, achei que tinha feito uma descoberta maravilhosa, mas mal sabia eu que a música já circulava há 25 anos nos mais variados bootlegs. É lógico que nenhum deles se surpreendeu com a minha gravação. Mas o Luiz chegou a dizer que parecia os Beatles, mas que todo mundo dizia que não eram eles. E o tempo foi passando, e a música tocando, e eu nunca descobri nada sobre ela.

Depois da Internet, que na verdade, para mim, começou naquela mesma época, as coisas ficaram mais fáceis. Mas nem tanto. Não encontrava-se nada sobre essa música, só o mp3, na época do Napster. Então, por meio do site Bootlegzone, li que a fita era - provavelmente - um demo de Lennon e Syd Barrett Barrett juntos. Comecei a pesquisar daí. Mas o resultado não chegava nunca, então, desisti. Simples assim.

Hoje, mais ou menos 10 anos depois da primeira vez que ouvi a canção, deparei-me com um artigo que discute justamente a mesma coisa que este: O que é "Peace Of Mind", um fake ou uma gravação perdida dos Beatles? Após ler e reler o texto (original em inglês: www.earcandymag.com/beatles-peaceofmind.htm), minha dúvida ainda existe. Então, tomando por base a linha de raciocínio do artigo original, resolvi escrever a minha versão do mesmo. Com alguns apêndices mais aprofundados quando possível, e um ponto de vista, talvez, diferente.

APRESENTAÇÃO
"Peace Of Mind" (ou "The Candle Burns") é uma música que há mais de 40 anos vem aparecendo em bootlegs dos Beatles ao redor do mundo. Quem está acostumado a colecionar esse tipo de gravações, com certeza já cruzou com esta canção. Para aqueles que ainda não a conhecem, ou que não se lembraram ainda, podem assistir um videoclipe feito por um fã, nesse vídeo:



Sua primeira aparição em um bootleg foi em 1973, no LP Peace Of Mind, da Contra Band Music. Em 1976, apareceu no LP Dr. Robert, da Wizardo. Esse LP também trazia "Have you Heard The Word?", outra música que durante anos foi atribuída aos Beatles, mas no final das contas, era de uma banda chamada The Fut. Em 1978, o LP 20x4 relançou outra vez a canção, e daí em diante, muitos outros discos e CDs vieram. Curiosamente, existe uma versão 20 segundos mais longa, com um fade-out diferente, no LP dos anos 80 chamado I'm A Loser, da Nanao Records Japan. A letra segue abaixo para quem quiser acompanhar:

"I’m looking at the candle burns a flame to meet the sky.
I leave the candle laughing. I turn my face to cry.
A safety pin returns my smile, I nod a brief hello,
while you are building molecules with your garden hoe.

Why can't this last forever, these things repressed inside?
One feels it almost instantly unless one of us died.
It’s over, it’s done, babe I need it again.
Just please, please, please... oh, don’t keep me from begin.

I need to hear the colours red and blue and whispered word.
To fly all day and sing in tune and not hear what I heard.
To see you all around me and to take you by the hand
and lead you to a brand new world that lately has been banned.

We’ll build things never built before. We’ll do things never done.
And just before it’s over, it’s really just begun."


TEORIAS & ESPECULAÇÕES
Muitas teorias são discutidas cada vez que se toca nesse assunto, mas existem quatro que são mais recorrentes, e são elas que nosso pensamento tentará esclarecer:

1 - a música é de uma banda da Apple Records chamada Trash
2 - é um demo de Syd Barrett (ex-Pink Floyd)
3 - é simplesmente um fake (uma falsificação de gente querendo se passar pelos Beatles)
4 - é mesmo um demo perdido dos Beatles

As especulações sobre datas são muito confusas. Mas o que se toma como padrão é o período entre Dezembro de 1966 e Maio de 1967, ou seja, durante as sessões do LP Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band. Mas é só examiná-la mais a fundo, que isso muda rapidinho. A maior das provas é a linha "And lead you to a brand new world that lately has been banned". "Peace Of Mind" é uma música claramente influenciada pelo LSD, que era uma droga nova na Inglaterra (se compararmos o uso que era feito antes e depois de 1967), e os Beatles a tomaram pela primeira vez em 1965. O uso da droga fora então criminalizado em 1966, na Inglaterra.

Isso determina que a canção é de 1966, e não 1967. A referência ao "mundo que foi recentemente banido" é suficiente nesse caso, pois os Beatles não ficariam um ano com a música guardada, devido à velocidade com que mudavam de ideias e projetos. E no caso de a música ter sido deixada de lado por mais de um ano, sofreria mutações notáveis como provam "Everyone Had A Hard Year" e "Child Of Nature", demos de 1968 que viraram "I've Got A Feeling" (1969) e "Jealous Guy" (1971), respectivamente. Um exemplo mais ratificante ainda é a canção "Two Of Us", que em 15 dias evoluiu de um rock and roll elétrico e, digamos, pesado, à uma balada acústica com John e Paul dividindo os violões e vocais.

Isso sem contar que qualquer pessoa que conheça a música em questão, e esteja familiarizado com os out-takes de estúdio, sabe que uma gravação daquela qualidade não seria feita durante as sessões de estúdio do Sgt. Pepper's, nem mesmo com muita droga. Logo, não é uma sobra de estúdio, e sim uma demo tape.

Então, de agora em diante, pensaremos nessa canção como se tivesse sido feita entre os discos Rubber Soul e Revolver. Revolver é bem mais experimental que Rubber Soul, e já possui algumas canções com referências às drogas, como por exemplo "Got To Get You Into My Life", "Dr. Robert", "Tomorrow Never Knows" e "She Said She Said". "Peace Of Mind", porém, é ainda muito mais explícita do que todas estas juntas. A decisão certa a ser tomada seria deixar algo assim para depois, e provavelmente Brian Epstein, ainda vivo, não gostaria que eles assumissem publicamente que usavam vários tipos de drogas. Isso só foi acontecer em 1967, quando Paul deu uma entrevista sobre o LSD, admitindo que ele e os Beatles usavam.

TEORIA Nº 1 - TRASH
O Trash foi formado no final de 1964/início de 1965 e se chamavam Pathfinders. Depois de um tempo, mudaram seu nome para Jason's Flock nos anos de 1966 e 1967 e acabaram se denominando White Trash em 1968. Pouco tempo depois, por razões puramente comerciais, reduziram o nome para Trash. Chegaram a gravar demos nos anos 60, e tudo que resta dessa época é um acetato de 1967, com as músicas "On Bench Number Three In Waterloo Station" e "Upside Down, Inside Out". O mais curioso é que o guitarrista Neil McCormick não pôde participar da gravação desse acetato, e ninguém menos do que Peter Frampton - antes da fama - foi chamado para substituí-lo. Essas gravações nunca foram lançadas, nem em bootlegs.

O Trash recusou demos de "Loving Things" e "Ob-La-Di, Ob-La-Da". Até que, no final de 1968, assinaram contrato com a Apple, e em Janeiro de 1969, lançaram o primeiro compacto: "Road To Nowhere/Illusions". O segundo compacto saiu em Outubro daquele ano e trazia "Golden Slumbers/Carry That Weight/Trashcan". Depois de passarem por problemas financeiros, encerraram a carreira, sem gravar mais nada pela Apple, embora rumores de que haviam gravações guardadas fossem recorrentes.

O primeiro bootleg a trazer "Peace Of Mind" foi lançado em 1973, e - logo abaixo do título da música - tinha a inscrição "found in an Apple trash can in 1970!". O que quer dizer que a fita contendo a música teria sido achada em 1970 em uma lata de lixo, do lado de fora da Apple. O fato de a banda ter contrato com a Apple, se chamar Trash e ter uma canção chamada "Trashcan" gerou todo esse rumor.

A prova final é a de que nenhuma das músicas do Trash lembram alguma coisa de "Peace Of Mind". Logo, podemos afirmar com certeza, que o Trash nada tem a ver com isso, foi só uma interpretação indevida, causada pela inscrição na capa do disco.

TEORIA Nº 2 - SYD BARRETT
Syd Barrett, um dos maiores gênios da história do rock, gravou um disco e meio com o Pink Floyd em 1967 e 1968, e nos anos de 1969 e 1970 lançou dois discos solo. Sua carreira musical se resume a isso. Esquizofrênico devido ao abuso do LSD, Barrett faleceu em 2006. Todavia, é o mais psicodélico dos roqueiros dos anos 60 e sua influência pôde ser sentida no resto da carreira do Floyd.

Na primeira metade do ano de 1967, o Floyd estava gravando o disco The Piper At The Gates Of Dawn no Estúdio 1 de Abbey Road. Ao mesmo tempo que os Beatles gravavam o Sgt. Pepper's no estúdio ao lado. Muitas histórias existem sobre como eles se encontravam nos corredores e usavam drogas juntos, ou trocavam ideias sobre técnicas de gravação. E os discos são mesmo parecidos entre si.

Uma das possibilidades é de que esta música teria acabado no LP More, de 1969. Mas nada lembra o estilo de "Peace Of Mind", e, já sem Syd Barret, o álbum não lembra muito do Floyd psicodélico de dois anos antes.

Ainda assim, existe uma coleção de bootlegs do Pink Floyd chamada Have You Got It Yet? trazendo raridades de quando Syd Barrett pertencia à banda. No Vol. 19, Apocrypha - Syd Barrett Hoax Tracks ('hoax' é boato, em inglês), tem a faixa "Peace Of Mind", e no seu encarte, tem a inscrição:

"Atribuído a Lennon, Harrison ou ambos, este 'fake' vem sendo uma constante em bootlegs dos Beatles desde os anos 70. Já foi decifrado e a identidade da pessoa responsável já foi determinada. De qualquer maneira existem algumas tentativas de creditá-la a Syd, então foi incluída aqui. É um bom pedaço de psicodelia, mas não é um boato convincente. Os Beatles? É possível. Syd Barrett? De jeito nenhum".


Infelizmente, o encarte não diz a identidade do responsável. Claro que isso foi um pequeno erro do pessoal que fez os piratas. Mas a história dos bootlegs nos deixa bem claro que isso é recorrente, e pode gerar uma inacreditável cadeia de informações erradas. Sendo que ninguém foi identificado, e não é Syd Barrett "de jeito nenhum", descartamos esta possibilidade e partimos para a próxima.

TEORIA Nº 3 - FAKE
O que é um fake? É uma edição falsa de uma música, criada para ser passada como uma versão inédita ou raridade. Um belo exemplo é a versão de 12 minutos de "Helter Skelter" feita a partir do take incluído no CD Anthology Vol. 3. 'Fake' é falso, em inglês. Ou seja, um take falso.

Fake pode ser também uma tentativa de parecer com os Beatles, mas a maioria desses fakes foram concebidos por engano. "LS Bumblebee" foi uma gravação de Dudley Moore e Peter Cooke, feita em 1967, para parodiar a música psicodélica. "Cheese And Onions" foi cantada por Neil Innes no Saturday Night Live. "Have You Heard The Word?" foi gravada pela banda The Fut. Por que todas elas foram confundidas com músicas dos Beatles? Pois, nesses três casos, o vocalista faz uma imitação ótima de John Lennon. Seria esse o caso de "Peace Of Mind"? Talvez. Mas o problema vai mais longe.

O VOCAL: Não parece só com a voz de John. As outras vozes parecem com George, Paul e Yoko. Além disso a harmonia vocal da música é fantasticamente construída, dando a entender que foi feita por alguma banda experiente com esse tipo de harmonia. São três vozes, como em "This Boy" ou "Because", por exemplo. Sem contar os sotaques.

A INSTRUMENTAÇÃO: Um violão faz uma base, e outro faz um dedilhado. O dedilhado é exatamente idêntico ao que John Lennon faz em "Dear Prudence". Isso serve de 'prova' para quem não acredita que sejam os Beatles. Explico. Donovan Leitch ensinou Lennon esse dedilhado em 1968, na Índia, e foi assim que Lennon fez "Dear Prudence". Mas isso não quer dizer que George, como era antenado, e estava envolvido com música indiana, não soubesse fazê-lo. Em um demo de "Strawberry Fields Forever" John Lennon reclama de não conseguir dedilhar, e vai para as palhetadas. Há ainda uma cítara, provavelmente gravada por George. Como George tocou os dois instrumentos? Simples, overdubs. Os Beatles tinham dois gravadores, e como se pode ver nos demos de Esher, muitas gravações sofriam overdubs de voz, e às vezes, outros instrumentos. Existe ainda um chimbal (prato de bateria) em alguns pontos da música. O interessante é que ninguém estava tocando bateria, e na verdade, o efeito é causado com a voz. Só quem conhecesse bem a música indiana saberia fazer isso.

A MELODIA: A canção tem, incrivelmente, um só acorde. Quem faria uma música dessas? Bem... John Lennon fez "Tomorrow Never Knows". E George, familiarizado com a música indiana de Ravi Shankar, ouvia bastante desse tipo. Paul, uma certa vez, disse a George Martin que tinha um projeto chamado "The Void", onde uma música seria tocada em apenas um tom, com apenas um acorde. Mas Martin o desencorajou e Paul nunca o fez.

OS EFEITOS: Além de todas essas evidências, há ainda os efeitos sonoros e de gravação. Além do já citado overdub, existe a técnica de "varispeed", ou seja, algo como multi-velocidade. Isso quer dizer que a fita pode ser acelerada e desacelerada quando o músico quiser. Pode ser notado que na segunda parte de cada verso, esse efeito causa a sensação de que os músicos subiram exatamente um tom. Os Beatles utilizaram essa mesma técnica em "Lucy In the Sky With Diamonds", para citar uma só. No início da canção, existe uma gravação em backwards, que os Beatles já utilizaram em "Rain" no início de 1966.

A GRAVAÇÃO: A grande maioria dos fakes são gravações de estúdio. O mais difícil de se fazer não é soar como os Beatles, mas sim gravar como eles. E essa gravação, quando comparada com outras gravações feitas em casa, entre 1963 e 1965, mostram um avanço tecnológico. Do mesmo tipo que os Beatles estavam causando em estúdio, na época. Ao ser comparada com as Demos de Kenwood e Esher, essa gravação não fica longe daquilo que os Beatles gravavam como demos.

A LETRA: A letra tem algumas passagens que lembram o estilo de Lennon no ano de 1966, quando suas letras influenciadas pelas drogas eram recorrentes (como por exemplo "She Said She Said" e "Dr. Robert", ambas do disco Revolver). Em particular, essa letra tem relações de similaridade com a letra de outra música do Revolver, "Tomorrow Never Knows". Principalmente nas três seguintes passagens:

"the candle burns a flame" / "it is shining, it is shining"
"i need to hear the colours red and blue" / "listen to the colours of your dreams"
"and just before it's over, it's really just begun" / "existence to the end, of the beginning"


Com todas essas evidências, fica difícil afirmar com certeza que não são os Beatles. Isso foi gravado em 1966, quando poucas bandas sabiam das possibilidades dos estúdios de gravação. E o conhecimento musical demonstrado na música pode levar à impressão de que realmente sejam os Beatles ali. Seria então "Peace Of Mind" um embrião de "Tomorrow Never Knows"? Talvez. O instrumental poderia ter sido reutilizado, com uma nova roupagem, em "Dear Prudence"? Talvez. Como citado lá no início, isso ocorreu com "I've Got A Feeling" e "Jealous Guy". O que nos leva à próxima questão...

TEORIA Nº 4 - SERIAM MESMO OS BEATLES?
O que já pode ser constatado até agora, e isso sem nenhuma fantasia fanática, é que a canção lembra coisas feitas pelos Beatles entre 1966 e 1967. Outros fatos remetem aos anos de 1968 e 1969 ou tão longe quanto 1971. Isso, obviamente, julgando apenas semelhanças sonoras e tecnológicas. No entanto, nenhuma dessas semelhanças é prova defitiniva de que são (e nem de que não são) os Beatles.

Existem três fatos principais que fazem a dúvida permanecer, e são os seguintes:

1) Nunca tocou no Lost Lennon Tapes
A série Lost Lennon Tapes, veiculada no rádio entre 1988 e 1992, com 218 programas semanais, liberou mais de 200 horas de gravações de Lennon, entre out-takes de estúdio, demos, entrevistas e apresentações ao vivo. Uma coleção de bootlegs que retrata bem esses programas é a da Walrus ("The Complete Lost Lennon Tapes"), que já foi analisada aqui no site Beatles Brasil pelo colecionador Vladimir Araújo. No meio da série foram veiculadas até algumas músicas gravadas entre 1966-1970, quando John ainda era um Beatle.

Nenhuma das inúmeras coleções existentes, nem mesmo a que traz todos os 218 programas na íntegra, inclui a canção "Peace Of Mind". Nem mesmo uma citação. E olha que coisas como os primeiros demos de "Woman Is the Nigger Of The World", "Rock And Roll People" e "New York City", inéditos àquela altura, foram veiculados nos programas.

Produzido pela rádio Westwood One com o apoio de Yoko Ono e Elliot Mintz, tudo o que tocou ali naqueles programas tinha por trás duas das pessoas mais confiáveis como fontes de informação de John. Ou seja, nada do que fosse fake ou coisas desse tipo, iria tocar naquele especial.

2) Yoko Ono nunca tentou registrá-la
Antes de "Peace Of Mind", uma das músicas mais famosas a ser confundida com os Beatles era "Have You Heard The Word?", da banda The Fut, já discutida aqui. No entanto, no dia 20 de Setembro de 1985, Yoko Ono a registrou em nome de John. O que se torna mais estranho ainda, tendo a declaração de John do dia 27 de Setembro de 1974, sobre a música: "Não... acho que confundiram com 'The Word', a música dos Beatles do disco Rubber Soul... mas não existe tal música. Soa como a gente. É uma boa imitação". Yoko não registrou outra canção desse tipo, e "Peace Of Mind" sequer foi citada por ela ou Lennon, em algum ponto de suas vidas.

3) Ninguém se pronunciou a respeito da canção
Nenhum dos personagens relacionados aos Beatles (Paul, Ringo, George, George Martin, Neil Aspinall, entre outros) nunca citou essa canção, dando força ou desmentindo qualquer uma das teorias. É como se a canção, o caso de ser dos Beatles, fosse 100% ignorada por todos os envolvidos na história. Mas o mistério está longe de ser resolvido, pois existe ainda o fato de nenhum artista/banda ter se declarado 'dona' da música. É como se toda a humanidade ignorasse a autoria da canção. Isso ainda inclui a banda Trash e Syd Barrett.

E esses três fatos deixam a interpretação ainda mais em aberto. Alguém pode acreditar que se fossem mesmo os Beatles, eles já teriam autenticado a fita, como fizeram com "Puttin' On the Style", gravada no dia em que John e Paul se conheceram, e muitas outras. No entanto, podem acreditar que como nunca negaram, quer dizer que são realmente eles.

CONCLUSÃO
Quando perguntados, no grupo Beatles Brasil, sobre a música em questão, dois especialistas se pronunciaram, e ao meu ver, mais próximos de creditar a canção aos Beatles. Marcelo Fróes disse que "soa como os Beatles, sim" e adiciona outra opinião interessante: "Aquilo não é fita encontrada no lixo. Fita no lixo é amassada, não do tipo que fica emperrando. Isso é coisa de fita velha, de má qualidade, guardada em armário". Finaliza com um enigmático "Não sei. Aquilo é estranho. Mas é bom".

Cláudio Teran, outro colunista do site, diz que "aquilo parece Beatles mesmo. O vocal tem alguma coisa de George Harrison". Mas adverte que "por anos a fio acreditávamos que fossem mesmo os Beatles", dando a entender que já está estipulado que não são eles.

Eu, particularmente, acho que existem chances enormes de serem mesmo os Beatles. As evidências me fazem pensar muito mais nessa possibilidade do que nas outras. Mas talvez eu tenha uma ligação emocional com a música. Talvez eu apenas goste de pensar que é a 'canção perdida dos Beatles'. Só uma coisa está certa: "Peace Of Mind" é um mistério que ainda irá perdurar por muito tempo no circuito de fãs dos Beatles.

Por Vitor Suman

sábado, 20 de outubro de 2001

De Ardmore & Beechwood a Michael Jackson


Por que Michael Jackson decide tudo sobre músicas dos Beatles?

Estive a consultar alguns livros sobre o "publishing" das canções dos Beatles e cheguei a algumas conclusões. A versão do texto que se segue não é ainda completamente definitiva, porque me faltam apurar ainda alguns pormenores, porque tudo isto é muito complicado e eu gosto das coisas rigorosas e exactas.

Michael Jackson (Northern Songs) controla os direitos de 263 canções dos Beatles, entre as quais algumas que o grupo, enquanto tal, nunca gravou oficialmente como "Catcall", "Cold Turkey", "Come And Get It", "Cowboy Music", "Dream Scene", "Drilling A Home", "Penina", etc, etc, etc.

Como foi isto possível?

"Love Me Do", "PS I Love You", "Please Please Me" e "Ask Me Why" são as quatro únicas gravadas pelos Beatles que não estão incluídas neste lote de Michael Jackson. Por isso, Paul McCartney fez uma mistura delas, ou de parte delas, com o título "PS Love Me Do", para incluir na edição japonesa de "Flowers In The Dirt". Estas canções pertencem à MPL (Paul McCartney).

Quando os Beatles começaram a gravar oficialmente em 1962, o "publishing" era ainda um negócio pouco conhecido ou, no mínimo, insipiente. Nem os Beatles, nem Brian Epstein, se moviam pelo dinheiro e nada sabiam de "publishing".

Brian Epstein até via os "publishers" como promotores das canções nas rádios, nas televisões ou a arranjar alguém que as cantasse também.

Brian Epstein conheceu George Martin através do "publisher" Sid Coleman que dirigia a empresa de "publising" Ardmore & Beechwood, subsidiária da norte-americana Capitol Records que, por seu turno, era uma subsidiária da britânica EMI Records.

Agradecido a Sid Coleman por lhe ter proporcionado o encontro com George Martin, Brian Epstein ofereceu à Ardmore & Beechwood as duas primeiras canções dos Beatles, "Love Me Do" e "PS I Love You".

Mas desiludido com a falta de promoção de "Love Me Do" (não chegou a primeiro lugar), Brian Epstein deu as duas canções seguintes, "Please Please Me" e "Ask Me Why", a Dick James (antigo cantor que chegou a gravar Beatles), depois de ter analisado outras alternativas, entre as quais Hill & Range, "publishers" de Elvis Presley.

Canções seguintes, do álbum e do terceiro single, foram também para a Dick James Music. Nesta altura, a dupla de compositores era McCartney/Lennon e só depois, por causa da ordem alfabética, é que ficou Lennon/McCartney, independentemente de as canções serem dos dois ou só de um.

Depois do primeiro álbum, numa reunião em Liverpool, os Beatles e Brian Epstein resolveram criar a Northern Songs, a empresa de "publishing" deles próprios, sem saberem muito bem o que isso queria dizer e para que servia.

A Northern Songs foi registada a 22 de Fevereiro de 1963, pertencendo 50 por cento a John, Paul e Brian e os outros 50 por cento a Dick James.

As canções que Dick James já tinha (do primeiro álbum) passaram para a Northern Songs, ficando só com "Please Please Me" e "Ask Me Why", como prova do reconhecimento do seu trabalho.

Em 1986, a PolyGram Music comprou a Dick James Music, por isso possui os direitos destas duas canções.

Dick James ficou presidente da Northern Songs até 10 de Fevereiro de 1973.

Por acordo de 14 de Agosto de 1963, Lennon e McCartney comprometeram-se a entregar à Northern Songs todas as suas canções por um período de três anos. Os lucros destas 56 canções foram pagos à LenMac Enterprises, que pertencia 40 por cento a Lennon, 40 por cento a McCartney e 20 por cento a Brian Epstein.

Por um segundo acordo, em Fevereiro de 1965, a LenMac Enterprises foi substituída pela MacLen Music, detida a 40 por cento por Paul, 40 por cento por John e 20 por cento pela NEMS.

A NEMS era a empresa original de Brian Epstein, detida a 50 por cento por Brian, 40 por cento pelo seu irmão Clive e 2,5 por cento a cada um dos quatro Beatles.

No dia 18 de Fevereiro de 1965, a Northern Songs tornou-se pública com a emissão de 5 milhões de acções na Bolsa. Foi uma novidade (mais uma dos Beatles).

Dick James e o seu parceiro de sempre Emanuel Charles Silver ficaram cada um com 37,5 por cento das acções, John e Paul ficaram, cada um, com 15 por cento e George e Ringo com 0,8 por cento, cada um.

No que é considerada uma decisão financeira desastrosa, a LenMac Enterprises foi vendida à Northern Songs no dia 04 de Abril de 1966. Os dois maiores compositores pop do século depositaram assim os direitos das suas 56 primeiras canções numa empresa cotada na Bolsa.

Quando em 1969 a Northern Songs foi vendida, com ela foi também a LenMac Enterprises. Desde essa altura até aos dias de hoje, Lennon e McCartney não mais viram um tostão de direitos das canções.

No dia 28 de Março de 1969, com os Beatles fora e sem lhes dizer nada, Dick James, "patrão" da Northern Songs, resolveu finalmente vender a sua parte e a de Emanuel Charles Silver na Northern Songs à Associated TeleVision (ATV) de Lew Grade (mais tarde Lord Grade) por três milhões de libras.

Paul e John só souberam da venda das acções quando os jornalistas lhes pediram reacções.

Na altura em que a Northern Songs foi vendida à ATV, os Beatles controlavam apenas 29,7 por cento da empresa. Outros "patrões menores" da empresa eram Pattie Boyd, mulher de George Harrison, Subafilmes (pertencente à Apple Corps) e Triumph Investment Trust, que tinha comprado a NEMS a Clive Epstein e à mãe Queenie Epstein, depois da morte de Brian.

No dia 19 de Setembro de 1969, a ATV comprou as acções de um consórcio liderado por Allen Klein (esse mesmo) e passou a controlar 51 por cento da Northern Songs, derrotando irremediavelmente os Beatles, e em Janeiro de 1970 já controlava 99,3 por cento. Os restantes 0,7 por cento estavam espalhados por 500 fãs dos Beatles em todo o Mundo.

Em Novembro de 1981, Lord Grade, com 75 anos, depois de um desastre financeiro com um filme seu, anunciou que queria vender a ATV Music, que incluia a Northern Songs. Paul McCartney viu ai a oportunidade de reaver as canções dos Beatles, especialmente "Yesterday".

Grade quis 20 milhões de libras e deu uma semana para Paul pensar. Paul ligou a Yoko (John tinha morrido no ano anterior) e propôs o negócio: 10 milhões a cada um e as "baby songs" voltavam à posse de Paul e dos herdeiros de John. Yoko recusou com o argumento de que era muito dinheiro.

Paul desistiu da compra. A ATV (rebaptizada de Associated Communications Corporation) tinha sido entretanto adquirida a Lew Grade pelo australiano Robert Holmes À Court.

Depois de um período de silêncio, Michael Jackson, conforme tinha dito a Paul McCartney, comprou a ATV Music à ACC por 53 milhões de dólares e é, desde então, o seu proprietário, apesar de todas as tentativas, infrutíferas, de McCartney em recuperar as suas "babies".

Em 1995, Michael Jackson alugou a gestão da Northern Songs à EMI na Grã-Bretanha.

No dia 16 de Novembro de 1995, Michael Jackson e a Sony Music anunciaram a constituição de uma nova empresa de "publishing", Sony/ATV Music Publishing, formada pela Sony e pela ATV (que detém a Northern Songs, com as canções dos Beatles).

O anúncio foi feito pelo próprio Michael Jackson e por Michael P. Schulhof, presidente da Sony Corporation Of America, e Thomas D. Mottola, presidente da Sony Music Entertainment.

A nova companhia foi avaliada em 600 milhões de dólares, sendo a terceira maior do Mundo. Michael Jackson recebeu 95 milhões de dólares pela fusão.

A nova Sony/ATV Music Publishing passou a controlar os direitos das canções dos Beatles, Elvis Presley, Bob Dylan, Oasis, Leonard Cohen, Pearl Jam, Stevie Nicks, Sade, Willie Nelson, entre muitos outros.

As canções de Michael Jackson estão de fora, sendo geridas pela Warner Chappell.

A ideia desta "joint venture" surgiu em 1994, quando Michael Jackson pretendeu comprar os direitos de "Heartbreak Hotel", de Elvis Presley, como parte do seu contrato com a Sony para a edição do álbum "History".

"Não vendemos Elvis Presley, mas o que queremos é comprar o catálogo dos Beatles", disse Schulhof. Michael Jackson, por seu turno, fez questão de frisar que não vendeu a ATV, mas que procedeu a uma fusão de companhias, com 50 por cento para cada uma das partes.

Isso mesmo terá dito Michael Jackson a Paul McCartney.

Desde 1998, terminado o período de gestão da EMI, a Sony/ATV Music Publising tem o controlo absoluto da esmagadora maioria das canções dos Beatles.

Luis Pinheiro de Almeida
Fonte principal: "Yesterday & Today", Ray Coleman

sexta-feira, 20 de outubro de 2000

Canais de IRC - A beatlemania viva e fervilhante!

O IRC (Internet Relay Chat) sempre foi um dos principais meios de informação e comunicação entre internautas em todo o mundo. Através de um programinha especial (o "básico" de todos é o mIRC 5.6), conectado através de uma das redes nacionais (Brasnet, Brasirc, RedeBrasil, etc) pode-se ter acesso a milhões de pessoas, distribuídas em milhares de canais (ou salas, como são conhecidas na web).

E os beatlemaníacos não poderiam ficar de fora dessa. Rapidamente foram criados vários canais de IRC, onde é possível conhecer pessoas espalhadas pelo Brasil inteiro. A partir da criação do canal #Beatles da Brasnet, as coisas foram se multiplicando, de modo que existem já vários canais dedicados aos Beatles, nas várias redes brasileiras de IRC. Em seguida veremos uma lista dos principais canais brasileiros, com uma breve descrição de cada.

#Beatles (Brasnet)
Esse é o principal canal sobre os Beatles em território nacional. Lá estão as maiores figuraças da beatlemania brasileira e os assuntos mais quentes também. É o ideal para quem deseja obter notícias atuais, trocar materiais diversos ou simplesmente relaxar e bater um bom papo. Os horários mais quentes são depois da 01:00h. às 04:00h. e durante os fins de semana a partir das 19:00h. Mas a qualquer hora tem gente lá disposta a dar umas tecladinhas.

#Beatles (Brasirc)
Esse canal é um pouco menos movimentado que o anterior, principalmente pelo fato da Rede Brasirc ser menor que a Brasnet. Mas mesmo assim é muito bom, sembre tem gente por lá, e os ops são super gente fina também.

#BeatlesBrasil (Brasnet)
Esse é o canal de IRC do nosso site. Ele é aberto à participação de todos vocês, e os operadores foram escolhidos entre beatlemaníacos de várias partes do Brasil. Ainda não é daqueles que vivem lotados, mas todos que frequentam o canal são gente fina.

#Pennylane (Brasnet)
Esse canal foi aberto pela loja de beatle-material de mesmo nome, há cerca de 2 anos. Durante algum tempo se tornou o principal do Brasil, ultrapassando até o #beatles em determinada época. Mas atualmente anda meio abandonado, com pouquíssimos frequentadores, e até o topic está pra lá de datado. Vamos reativar o #pennylane, gente!

#The_beatles (Brasnet)
Outro canal que já teve seus tempos de "vaca gorda", mas que atualmente conta com poucos frequentadores. Quem sabe Você pode ajudar o canal a se movimentar mais?