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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Novela das 7 vai ter música dos Beatles como tema de abertura

Depois de "Lucy In The Sky With Diamonds" ter sido tema de abertura da novela Império (2014), os Beatles estarão presentes como tema de outra novela da Rede Globo. Desta vez será "A Hard Day's Night", que será a abertura de Pega Ladrão, novela do horário das 19h que sucederá Rock Story.

A música, lançada originalmente pelos Beatles em 1964, como tema principal do filme e álbum homônimos, desta vez aparecerá regravada pela banda mineira Skank.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Vídeo: Madonna canta "A Hard Day's Night", dos Beatles

Em uma brincadeira com amigas, a cantora Madonna fez um 'selfie em vídeo' cantando a música "A Hard Day'n Night", dos Beatles. Confira:

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

The Beatles - A Hard Day's Night (1964)


No começo de 64, ainda na turnê francesa, e se preparando para invadirem a América, os Beatles começaram a gravar o seu terceiro álbum, enquanto ainda gravavam as versões alemães de I Want To Hold Your Hand e She Loves You. Então, além de aproveitarem para rever a vista (John e Paul estiverem em Paris no ano de 61, quando Mimi, tia de John, deu-lhe dinheiro de presente por seu aniversário de 21 anos e ele resolveu fazer esta viagem de presente ). John e Paul aproveitaram para compor algumas canções no quarto do hotel George V. E talvez por isso, pelo excesso de material é que neste álbum aconteceu um fato inédito que deve ter entristecido muitos fãs de George, ansiosos por ver a continuidade de seu processo de criação iniciado em "Don't Bother Me": só contém composições de Lennon & McCartney, nada de cover ou Harrison's songs.

Possivelmente pelo fato de George não ter desenvolvido seu estilo de compor ainda, pois embora, seja conhecido do público atualmente que You Know What To Do figuraria no terceiro álbum, foi gravada no dia 3 de junho, quando já deviam estar sendo feitas as mixagens. Provavelmente deve ter se perdido, assim como aconteceu com as demos de várias canções que os Beatles gravaram antes de cedê-las para outros cantores como Cilla Black ou Peter & Gordon, uma vez que só havia um take e nas documentações dos Estúdios Abbey Road até os anos 80 não consta nenhuma documentação desta gravação e de No Reply, contudo as mesmas estão no álbum Anthology, data de 3 de junho. Devem ter sido achadas somente agora depois de quase trinta anos.

Bem , mas de qualquer forma este álbum marca a introdução dos rapazes no cinema, mas não como fizera Elvis, aqui eles fazem seus próprios papéis, vivendo experiências muito conhecidas do seu cotidiano na época, tudo regado pelo seu bom humor, característico de sua terra. Já estão consolidados mundialmente, inclusive na terra de origem do rock'n'roll, portanto neste álbum, embora, apresentem a mesma disposição para cantar agitadinhas como "Can't Buy Me Love" ou "You Can't Do That", é nas baladas já com letras mais reflexivas que eles revelam seu atual estado de criação.

Lado 1
A Hard Day's Night

Os rapazes haviam acabado de voltar da bem sucedida turnê americana e já começaram a rodar seu primeiro filme, ainda sem título definido e já tinham que pensar nas canções do álbum e em apresentações nos teatros e TVs inglesas. Foi aí que Ringo falou a famosa frase "It's been a hard day..." e percebendo que já era de noite completou "...night". Então, como esta seria uma ótima idéia para o título de uma canção e do filme pelo fato de traduzir a rotina dos rapazes tão bem, ficou decidido que John e Paul deveriam compor algo com este título, o que não era nada fácil, pois eles estavam acostumados a compor as melodias e depois pensar no título. O título do filme foi anunciado no dia 13 de abril, e no dia 16 eles ficaram o dia inteiro concentrados nesta canção que abriria o primeiro filme e o terceiro disco. Ficou decidido que deveria haver um impacto inicial, então George Martin e Harrison trabalharam até conseguir um acorde que pertencesse à escala e ao mesmo tempo soasse estridente. Logo foi achado o acorde G4, usado mais como acorde final do que inicial, mas todos, inclusive Martin, acharam que ele era exatamente o que queriam. A track 1 foi só de ritmo básico. A track 2 foi a primeira a receber vocais de John (um deles) e Paul. A track 3 recebeu ainda piano, bongôs, bateria, violão e o solo final. Em nove takes estava pronta uma das melhores músicas de todos os tempos !

I Should Have Known Better
Gravada pela primeira vez no dia 25 de fevereiro, quando foram feitos três takes, se apresentava bem diferente da versão final. John fazia um solo mais ao estilo de Bob Dylan (já anunciando o que iria acontecer no próximo álbum) e George finalizava-a com sua guitarra. No dia seguinte, eles refizeram tudo (4-22), sendo o take 9 escolhido o melhor, mesmo sem a harmônica e o vocal dobrado sobrepostos do 22. John toca violão, além da gaita. No filme eles estão em uma espécie de gaiola, num compartimento do trem, jogando cartas e tocando. Do lado de dentro também está Pattie Boyd, futura esposa de George. Do lado de fora, estão algumas garotas.

If I Fell
John de novo toca violão nesta considerada uma progressão de "This Boy", por causa de sua estrutura complexa e por apresentar harmonias vocais intricadas de John e Paul num só microfone. Surpreendentemente foram feitos só 15 takes, sendo que só a partir do terceiro, Martin sugeriu uma bateria mais pesada. E o violão pungente de John na abertura foi introduzido a partir do take 11. John começa praticamente recitando sozinho os primeiros versos, e depois Paul entra com a melodia, deixando para John uma harmonia mais grave, nada fácil de ser reproduzida. Muitos podem até ouvir uma terceira voz, mas são só os dois mesmo, o fato é que eles cantam tão sicronizados que sugerem até uma terceira voz.

I'm So Happy Just To Dance With You
Gravada pela primeira vez no dia 1º de março (quatro takes), sendo os dois primeiros só de ritmo, com os instrumentos normais. No take 4 foram sobrepostos os vocais dobrados de George e os backing vocais vigorosos de John e Paul e o Ringo no tom tom. Foi John quem escreveu esta especialmente para George, provavelmente pelo fato de ele ser conhecido como um pé de valsa, ou melhor de rock'n'roll, o que todos os vídeos dos Beatles confirmam.

And I Love Her
Um bolero bem ao estilo de Paul nesta época. No cinema quando o filme passou, na parte em que Paul aparecia cantando isso, e a câmera dava close em sua face, muitas mocinhas gritavam ou desmaiavam. Gravada também, no dia 25 de fevereiro e refeita no dia seguinte, quando Ringo trocou a bateria por bongôs e claves. Mas o som ainda não agradou aos Beatles que a refizeram no dia 27, sendo que o segundo take do segundo remake foi o melhor.

Tell Me Why
Gravada pela primeira vez em 27 de fevereiro em oito takes, sendo o oitavo o melhor. Aqui John e Paul fazem ao contrário: John canta a melodia aguda (geralmente canta no grave) e Paul faz a harmonia grave (geralmente aguda) demostrando que são realmente virtuosos e que apesar do pouco conhecimento que tinham de técnica vocal na época, eram realmente bons na prática. Só em algumas partes é que Paul para complicar ainda mais, vai ainda mais agudo que John. Aqui novamente homenageiam os grupos femininos em "Is there anything I can do" quando cantam bem agudinho, ao estilo delas.

Can't Buy Me Love
Gravada pela primeira vez em Paris no dia 29 de janeiro, sendo portanto a primeira a ser gravada em 4 takes. Neste dia era bem diferente da versão que ficou conhecida. 1º take Paul canta bem negróide (ao estilo que adotaria para She's A Woman) e John e George adotam backings bem no estilo como Ooh satisfied, ooh just can't buy descartado depois do take 4, quanso ganha vocal duplo e guitarra de George. John e George volta a adotar estes vocais em algumas apresentações ao vivo em 64 (uma delas está no disco The Beatles - Anthology I) Eu particularmente acho até melhor com estes vocais "ooh satisfied". Conta a lenda que antes deste dia eles já haviam gravado num camarim com John, Paul e Ringo apenas, pois George estava no toalete. Ringo "tocou" numa mala, eles começaram direto em "I'll buy you diamond rings" e não em Can't buy me love... A gravação termina e se ouve George dando a descarga, mas não se sabe se esta gravação ainda existe ou se realmente algum dia existiu.

Lado 2
Anytime At All

Gravada em 2 de junho (7 takes só de ritmo e o 1º vocal de John) e deixada para mais tarde por não terem idéia de como fariam no middle-eight. Mas retomada no mesmo dia já com idéias para o miolo com piano, guitarras e a introdução de um vocal resposta de Paul. Sendo o 11º take o melhor.

I'll Cry Instead
John queria incluí-la na trilha sonora do filme, mas parece que ou não ficou pronta ou não agradou a Richard Lester. Foi gravada em duas sessões : A e B. Sendo três takes de cada editados juntos, mais tarde. Embora, muitos achem que soaria melhor na voz de Ringo, pelo estilo, pela letra você percebe por que optou por cantá-la. John troca sua jumbo pelo violão e o pandeiro e George adota um solo misturado de country e rock'n'roll.

Things We Said Today

John de novo toca violão, além do piano, que deveria ser limpo na mixagem, mas, que como não estava bem separado, acabou aparecendo ao fundo. Gravada pela primeira vez em 2 de junho em três takes, sendo o segundo completo e o terceiro, o segundo vocal de Paul, que foi dobrado sobre o segundo take.

When I Get Home
Gravada pela primeira vez em 2 de junho, em 11 takes. John tem sua chance de exercitar sua aparente agressividade vocal numa espécie de soul/rock, sendo mais um tributo ao estilo dos negros.

You Can't Do That
John novamente brinca com o estilo negro de cantar, desta vez mais exatamente Wilson Pickett, de quem eram admiradores , também. Paul toca sino e Ringo bongôs, além dos instrumentos normais e George introduz o violão de 12 cordas no som dos Beatles. O take 9 foi escolhido como o melhor.

I'll Be Back
Aqui eles fazem diferente dos álbuns anteriores : decidem por terminar com uma canção própria, mais bem elaborada e doce, talvez anunciando o estilo dominante do próximo álbum. Uma das canções do álbum que expressam a vontade de retornar ao lar (tipo When I Get Home, e o meio de A Hard Day's Night) Foi gravada pela primeira vez em 1º de junho em 16 takes, sendo 9 de ritmo e os outros 7 dos vocais dobrados de John no miolo e vocalização de Paul. John e George tocam violão e a canção termina com o clima do comerço, dando idéia de uma continuação. Eles realmente iriam voltar.

Foi lançado em 10 de julho.
Parlophone PMC 1230 (mono) e PCS 3058 (stereo), assim como o single "A Hard Day's Night"/"Things We Said Today". Parlophone R 5160

Por Marcelo Scavazza Sanches

sábado, 20 de outubro de 2001

Os reis do Iê Iê Iê

Chego ao Bruni Ipanema uns vinte minutos antes do início da sessão das quatro. A fila, quilométrica: mar de adolescentes. Na bilheteria, o aviso de lotação esgotada. Aguardo duas horas pra enfim assistir à sessão das seis. Dentro do cinema, algazarra, gritinhos das fanzocas! Todas as filas lotadas, mesmo as primeiras, perto da tela, normalmente evitadas — gente esparramada até pelo chão.

Três décadas e meia depois, revejo o mesmo filme, cópias restauradas, som digital: OS REIS DO IÊ IÊ IÊ. Cinema vazio, sessão tranqüila. Os cabelos compridos dos Beatles já não parecem tão compridos assim. As canções inovadoras de então, hoje, de tão familiares, soam como standards e, após décadas de convívio com o Inglês, consigo entender as letras! Mais cinqüenta anos, serão clássicos, como Lieders de Schubert.

O mundo, então, era outro, dividido em dois blocos antagônicos, luta de vida ou morte: capitalista e comunista. Como no maniqueísmo, um bloco representava o BEM, outro bloco representava o MAL. Qual era qual, dependia do ponto de vista. Mais ou menos uma questão de fé: havia os crentes no Mundo Livre em luta contra a Cortina de Ferro, e os partidários do socialismo na guerra santa contra o imperialismo ianque. Os arsenais nucleares acumulados pelas duas superpotências dariam para destruir várias humanidades. "Depois da morte de Cristo, os apóstolos pensavam que o Juízo Final e o fim do mundo eram iminentes. Embora acreditassem nisso, não havia nenhuma ameaça real de destruição. Atualmente, a situação é inversa: o mundo está mesmo ameaçado de destruição e ninguém acredita", teria dito Jaspers — li esta citação em algum jornal ou revista de 1970 e anotei num caderno.

A descoberta da pílula anticoncepcional foi um "estouro", como se dizia. A camisinha, praticamente relegada ao baú de velharias, indo fazer companhia à galocha e ao pincenê. Mas que ironia, retornar com força total décadas mais tarde, em presença da AIDS! A Igreja não tardou em condená-la, como outrora condenara o heliocentrismo e hoje condena, digamos, a engenharia genética e a eutanásia. Ao libertar o sexo da procriação, a pílula fez a humanidade descobrir os prazeres do então denominado "amor livre". Hoje, transar com quem bem se entende tornou-se tão normal, que parece que sempre foi assim. E as mulheres nem se dão mais ao trabalho de tomar a pílula. Deixai nascer as criancinhas!

Naquela época, a música, tal qual o mundo, dividia-se em dois blocos antagônicos: a música dita clássica — a "verdadeira música", imortal — e a música popular, descartável, "que daqui a alguns anos ninguém mais ouvirá": rock and roll, cha-cha-cha, twist, hully-gully. Só que esses "alguns anos" se passaram e acabamos tendo a surpresa de descobrir que a "música popular" — sobretudo o jazz — foi a "música clássica" do século XX! E a "música clássica" do século XX... quem é que ainda ouve, a não ser um ou outro aficionado, a "música clássica" do século XX?

Acreditava-se que no ano 2000 (caso o mundo fosse poupado do cataclismo previsto por Nostradamus) nos alimentaríamos de pílulas. Em vez de dormir, tomaríamos pílulas também. O céu estaria coberto de aeromóveis, bondes aéreos e táxis celestes. Passaríamos as férias na Lua. O mundo formaria um bloco político único, sem nações. E passaríamos umas cinco horas diárias diante do "telesen", aparelho que substituiria o cinema, teatro, rádio e televisão — vide O Estranho Mundo do Ano 2000, no volume II de Nosso Universo Maravilhoso, do início dos anos 60.

As garotas se dividiam em "direitas" e "piranhas": as direitas, só "davam" depois de terem seu casamento devidamente garantido e agendado. Já as "piranhas" mostravam-se mais generosas — é dando que se recebe. Inveja da galera de hoje, que pode escolher dentre um farto menu de tchutchucas, purpurinadas, popozudas, preparadas, glamourosas, cachorras...

Os carros fabricados no Brasil: o onipresente e simpático Fusca, o Aero Willys, o DKW Wemag, o Gordini, o JK — mas, cá entre nós, a quem interessa isso?

As drogas que a gente curtia eram todas legais: birita, antidistônicos, bolinhas moderadoras de apetite! "Maconha" ainda se chamava "diamba", estranho narcótico consumido por índios e caboclos de, sabia-se lá, que tribos e sertões. Erva maldita, ainda.

A televisão, preto e branco; o computador, um trambolhão que só existia lá nos States; revista de sexo explícito, só na Suécia — berço do amor livre. Lembram? Quem comesse carne na Sexta-feira Santa, ninguém se admiraria se lhe caísse raio na cabeça. Corpus Christi, dia santo, e não feriadão pra se viajar à Região dos Lagos ou Guarujá. Bons católicos freqüentavam a missa aos domingos, bons judeus, a sinagoga nas noites de sexta-feira (sempre fui mau judeu). O casamento no Brasil, indissolúvel — só a morte tinha o poder de rompê-lo.

Mas — posto que sem Internet, sem Viagra, sem filmes pornô — tínhamos um tesouro que não temos mais: os quatro Beatles, juntinhos e todos os quatro vivos.

Que mais no mundo se nos fazia preciso?

Por Ivo Korytowski