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domingo, 9 de outubro de 2016

John Lennon & Yoko Ono - Double Fantasy (1980)

Depois de praticamente 5 anos de inatividade artística total - John decidiu retirar-se da vida pública para se dedicar apenas à família e à criação do seu filho Sean - os boatos de que um novo disco de John Lennon estava pra ser lançado se confirmaram. Ele estava com disco novo na praça, em parceria com sua esposa Yoko Ono.

O disco Double Fantasy ("Dupla Fantasia", segundo John o nome de uma flor exótica) trazia uma coleção de composições de John alternadas com as da Yoko, e assim vai até o final. Na capa, uma foto de John e Yoko se beijando já revelava o novo "estilo John", romântico, sensível, pai de família, quarentão. Nada de protestos, experimentações e rebeldias como nos anos 70. Apenas canções de amor dedicadas a Yoko ("Starting Over", "Woman", "Dear Yoko") e ao filho Sean ("Beautiful Boy").

Mas as loucuras musicais não foram descartadas por Yoko. Ela usa e abusa de gritos, sussuros, grunhidos, assovios e até simula um orgasmo na música "Kiss Kiss Kiss". Neste disco também John abandonou um velho hábito que tinha de sempre chamar músicos "amigos" e cercou-se de uma banda de feras, que acompanhou tanto suas músicas quanto as da Yoko. Por isso esse talvez seja o disco de melhor qualidade técnica da sua carreira solo. John estava animado novamente e prometia retornar em alto estilo ao mundo do showbizz, com vários lançamentos.

Algumas músicas do disco alcançaram os primeiros lugares nas paradas e no ensejo o eterno beatle já se encontrava em estúdio trabalhando nas gravações do seu segundo disco depois da volta, que se chamaria Milk and Honey. Uma bala assassina interrompeu a sua carreira e John nunca lançou seu novo disco.

Gravadora: Geffen
Produção: Jack Douglas, John e Yoko
Lançamento: 17/11/1980 (EUA e Inglaterra) e 12/1980 (Brasil)
Músicos: John, Earls Slick, Hug McCracken (guitarras), Tony Levin (contrabaixo), George Small (Teclados), Andy Newmark (bateria), Arthur jenkins (percussão), Ed Walsh (Oberheim), Robert Greenidge (Steel Drums), MAtthew Cunningham (dulcimer), Howard Johnson e outros (Sopros), The Banny Cummings Singers e outros (Vocais).

Lado 1:
01. (Just Like) Starting Over - John
02. Kiss Kiss Kiss - Yoko Ono
03. Cleanup Time - John Lennon
04. Give Me Something - Yoko Ono
05. I'm Losing You - John Lennon
06. I'm Moving On - Yoko Ono
07. Beautiful Boy (Darling Boy) - John Lennon
Lado 2:
01. Watching The Wheels - John Lennon
02. Yes I'm Your Angel - Yoko Ono
03. Woman - John Lennon
04. Beautiful Boys - Yoko Ono
05. Dear Yoko - John Lennon
06. Every Man Has A Woman Who Loves Him - Yoko Ono
07. Hard Times Are Over - Yoko Ono

John Lennon e o número 9

Segundo o próprio John Lennon, o seu número de sorte era o número nove. O status dado a este dígito em particular lhe veio primeiramente pelo acaso. Sim, acaso. Sistematicamente o número nove aparece em sua vida. Quando ele mesmo reparou isto, passou a usar o número com frequência em diversas ocasiões.

Um exemplo do acaso está no fato dele nascer no dia 9 de outubro. John conta que um dos seus desenhos de escola, quando tinha ainda onze anos, mostra um grupo de meninos jogando futebol. O rapaz no centro do desenho, de costas veste a camisa número nove. Lennon aponta este desenho como exemplo da fixação ainda inconsciente que ele já nutria pelo número. Este desenho faz parte de uma serie oferecida na capa original do álbum de 1974, Walls And Bridges. Entre as canções deste álbum, "#9 Dream" já exemplifica a opção consciente do número.

Outras canções mais antigas que carregam o número nove são "Revolution #9" e, a mais antigas de todas, "The One After 909", que John escreveu no final da década de cinquenta na casa de seu avô, que por acaso morava em 9 Newcastle Road, Liverpool. Embora Lennon só fosse se interessar por numerologia depois de 1965, ele logo percebeu uma longa lista de fatos históricos pessoais ligados ao número. O ônibus que pegava para escola era o 72, números que somados dão nove; Brian Epstein foi ao Cavern Club pela primeira vez ouvir os Beatles no dia 9 de novembro (1961); o primeiro contrato dos Beatles com EMI foi confirmado no dia 9 de maio (1963); a grande apresentação no Ed Sullivan Show foi dia 9 de fevereiro (1964). Mesmo sem os Beatles, a primeira aparição de Lennon solo foi no programa cômico de Dudley Moore chamado Not Only But Also, que foi ao ar em 9 de janeiro (1964); John conheceu Yoko Ono no dia 9 de novembro (1966); a sociedade entre os Beatles acabava oficialmente no dia 9 de janeiro (1971); seu filho Sean Lennon nasceu no dia 9 de outubro de 1975 no Roosevelt Hospital que fica na Avenida 9.

Como podem ver, as coincidências persistem com Lennon e o número nove. Se quisermos ser mais obsessivos com o número, Lennon morava no edifício Dakota que fica na Rua 72. Somando os números, 7 + 2 = 9. Este foi inclusive o lugar onde John acabaria sendo assassinado. De fato, embora ele tenha sido declarado morto as 11:07 do dia oito de dezembro, em Liverpool onde ele nasceu, com um fuso horário de seis horas entre os Estados Unidos e a Inglaterra, já era manhã do dia nove. Concluindo o aspecto mais mórbido da questão, somando numericamente a hora da morte (11:07), o nove aparece novamente: 1 + 1 + 0 + 7 = 9.

Conversando sobre a sistemática reaparição do número nove em sua vida, Lennon disse certa vez que imaginava como provável morrer no nono dia do mês. Em 1966, ele chegou a predizer que ele morreria em um dia com o número nove entre seus dígitos (09, 19 ou 29) no mês de dezembro, tomando como base a morte de Jayne Mansfield, que ele conhecera em 1964. Foi Mansfield que primeiro despertou sua curiosidade para a numerologia e as coincidências de certos números com a vida particular de um indivíduo. Ela nascera em abril e morrera em junho, dois meses após seu aniversário em 1966.

Como Lennon mesmo diz na canção "Nobody Told Me", "Strange days indeed. Most peculiar, mama".

terça-feira, 5 de julho de 2016

I Me Mine, a biografia oficial de George Harrison, será relançada!


A editora Genesis Publications acaba de anunciar: a luxuosa biografia de George Harrison, I Me Mine, lançada originalmente em 1980 será relançada! A nova edição, igualmente luxuosa e cara, devera sair ainda esse ano, com alguns bônus: 53 fotos raras e algumas atualizações no texto, feitas por Olivia Harrison e Derek Taylor. Capa e envelope especial do designer Sheperd Fairey.

A nova I Me Mine será ampliada para 632 páginas e novas 59 músicas serão mencionadas. Assim como a original, sairá em edição limitada (1000 cópias), mas em 2017, a depender da repercussão, também poderá ganhar edição popular.

Lançada em 1980 (pela própria Genesis, relançada em edição popular no ano seguinte pela Simon & Schuster), será dividida em 2 partes: a primeira é a sua história de vida, em suas próprias palavras, com observações de Olivia e Derek; na segunda parte, virão as letras de um total de 141 músicas.

Uma curiosidade sobre o lançamento original é o fato de John Lennon ter se declarado muito magoado com as "omissões propositais" do seu nome, já que ele não fora citado nenhuma vez na biografia - uma injustiça provocada, provavelmente, por mágoas dos tempos passados.

A edição inicial será vendida exclusivamente no site oficial da Genesis.