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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Entrevista com o Paul McCartney em 1987


"VAMOS CONVERSAR"
(Introdução)
Quando cheguei a Icklesham, Paul McCartney tinha acabado mais um dia de ensaios. Os músicos relaxavam no exterior, jogando à bola no magnífico conjunto dos estúdios que incluem um moinho de vento em madeira e uma vivenda de habitação, cuja fotografias inéditas publicamos nestas páginas.

Linda McCartney já tinha abandonado o local num Mini dos anos 60, sozinha, em direcção a casa para preparar o jantar. Antes da minha vez, Paul ainda ia dar uma entrevista ao mais importante canal de televisão de Los Angeles.

Aproveitei o tempo de espera para falar com Hamish Stuart, antigo guitarrista da Average White Band, agora ao serviço do ex-Beatle. Confidenciou-me que, ao contrário do que muita gente pensa, é muito fácil trabalhar com McCartney. "É até bem divertido!".

A meio da conversa, chega um jovem de fato branco, cruz na orelha, alegre e bem disposto. Toda a gente o conhece e com toda a gente fala sempre com ar divertido e brincalhão. É Brian Clark, autor da capa de "Tug Of War" e também de "Flowers In The Dirt". Descobre que sou português e já não me larga. No dia seguinte, partia para Lisboa para passar uns dias de repouso no Estoril, em mansão de ingleses.   Fala-me longamente da Fundação Gulkbenkian onde, segundo é sua opinião, existe o "melhor Museu da Europa". "E olhe que eu conheço todos!". "Sabe uma coisa?", atira-me entusiasmado. "Concretizei o meu sonho de sempre! Na próxima Primavera, vou expor na Gulbenkian". Soube mais tarde, já em Lisboa, que Brian Clark não é um pintor qualquer. Tem obras espalhadas por todo o Mundo, dos Estados Unidos ao Japão, e trabalhos expostos em museus de prestígio, como o de Leninegrado.

Continuo à espera. De repente, a porta do estúdio abre-se. Paul McCartney reconhe-me: "Luís, anda, vamos conversar!". Ofereço-lhe uma garrafa de vinho do Porto e um CD de Carlos Paredes. Depois de contar as cordas da guitarra portuguesa, pergunta-me se é dia de Natal.

A entrevista decorreu num gabinete dos estúdios decorado com fotografias artísticas da autoria de Linda McCartney.   Durante uma hora e meia, Paul falou abertamente e respondeu-me a tudo o que eu queria. Sem a menor relutância, com o maior dos entusiasmos.

Luís Pinheiro de Almeida

A ENTREVISTA
Após a separação dos Beatles no dia 10 de Abril de 1970, Paul McCartney encetou uma carreira a solo que conhece ainda nos tempos de hoje dias de glória. Apesar de ter sido o Beatle com mais e maiores ligações a Portugal, só no dia 09 de Dezembro de 1987 concedeu a sua primeira entrevista a um jornalista português, a propósito do lançamento de uma sua colectânea de êxitos, intitulada "All The Best", expressão que os ingleses utilizam no fim das suas cartas para os amigos.

A entrevista, feita pelo autor, decorreu na Stone House, Rushlake Green (Heathfiled), em East Sussex, na Grã-Bretanha, e teve como principal destinatário o programa da RTP, "ViváMúsica", de Jorge Pego. A conversa com Paul McCartney decorreu no intervalo de uma sessão do ex-Beatle com a imprensa italiana e deveu-se a insistências da EMI portuguesa, dirigida por David Ferreira.

A entrevista, curta, revelou-se extremamente fácil. McCartney possui um raro poder de comunicabilidade, um sentido de humor tipicamente britânico, um invulgar respeito pelos fãs, uma autêntica e permanente atitude de reverência. Na altura tinha 45 anos. "A juventude e as canções estão na cabeça, não no corpo ou nos computadores", justifica.

Nas horas que antecederam a entrevista e enquanto Paul McCartney satisfazia os seus compromissos para com os media italianos, houve oportunidade de alguns pequenos encontros, durante os quais, sem a presença da câmara de televisão, o ex-Beatle se permitia ser mais íntimo, ao ponto de pretender para si um disco flexível de Natal dos Beatles, raro, que lhe apresentei para mo autografar. A capa do disco é mesmo um desenho seu.

"Tu tens isto? Eu não! Tens de mo dar!".

Um jovem jornalista italiano, antes de iniciar a sua entrevista, explicou a Paul McCartney que os Beatles tinham mudado por completo a vida da sua mãe há duas décadas atrás. No final da entrevista, McCartney perguntou o nome da mãe, pediu papel e caneta e escreveu uma mensagem. A entrevista que se segue foi publicada pelo semanário de espectáculo "Sete" no dia 30 de Dezembro de 1987.

Há alguns anos atrás costumava ir a Portugal. É verdade que tem uma casa no Algarve?
Não, não tenho lá casa. Costumava ficar com uns amigos. É um país muito bonito, gosto muito de Portugal.

Lembra-se de uma canção que escreveu para um grupo português chamada "Penina"? Ainda se lembra dela?
Bem, não me lembro exactamente como era a canção. Uma noite saí e voltei tarde. Provavelmente, já estava um bocado bêbado. Entrei no Hotel Penina, um hotel muito grande que ainda estava a ser construído e o grupo que lá estava pediu-me para tocar com eles. Sentei-me à bateria e começámos a cantar "Penina" que eu depois escrevi e lhes dei.

Ainda se consegue lembrar de todas as canções que já escreveu?
Da maior parte delas, não. Não me lembro das letras. Se tivesse de as cantar de novo, teria de as aprender outra vez, porque ainda são bastantes.

Não quer cantar agora uma?
Bem, há uma "cançãozita" que escrevi em 1943 e que é assim: "o sole mio..."

O seu último single, "Once Upon A Long Ago" tem alguma coisa a ver com a canção "When We Was Fab", de George Harrison?
Por ser nostálgico? Sim, Mas George escreveu "When We Was Fab" ao estilo dos Beatles, com um som dos anos 60. A minha soa mais a anos 80.

Por falar em George Harrison, gosta do seu último álbum, "Cloud Nine"?
 Sim, acho que é bom, tem algumas faixas boas. Gosto mais do lado 1.

De que faixas?
De que faixas? Acho que é "Just For Today", uma faixa lenta. Gosto dessa e do single "Got My Mind Set On You".

Que é dos anos 50!
Sim, de James Ray.

Por falar em Beatles, fez agora sete anos que John Lennon foi assassinado. Sente a sua falta, na composição, por exemplo?
Sim, muito. Quando já se escreveu com alguém tão bom como John... John é impossível de substituir. Começámos a escrever ao mesmo tempo, ainda muito novos, tornámo-nos famosos juntos e fizémos carreira ao mesmo tempo. Ele é impossível de substituir, uma pessoa com tanto talento...

Sim, mas agora está a compôr com Elvis Costello...
Bem, não é a mesma coisa, porque John é John, é único. Elvis Costello, com quem tenho escrito ultimamente, é um pouco parecido. Acho que foi influenciado pelo trabalho de John, por isso gosto de escrever com ele. Faz-me lembrar um pouco os tempos em que escrevia com John. Às vezes, até brincamos com isso e eu digo a Elvis para não se "armar" tanto em John...

Está a trabalhar nalgum álbum novo?
Sim, estou a escrever canções novas.

Já acabou alguma?
Já acabei nove com Elvis...

Todas para o próximo álbum?
Nunca se sabe. Se saírem mal, não vão. Só as boas. Nunca se sabe quais é que ficam boas depois de gravadas. Às vezes, quando se compõe uma canção, ela parece boa, mas depois o resultado final não é tão bom como isso. Por isso, logo se verá. Também estou a escrever sozinho e já gravei umas coisas com Trevor Horn.

E Johnny Marr?
Não. Johnny Marr era dos Smiths e saiu. Há tempos, eu estava em Londres a tocar com uns amigos e ele veio também a algumas sessões. Só isso.

Porque não toca também com George Harrison, Eric Clapton, Ringo Starr?
Não sei. Uma pessoa acaba por trabalhar com outros músicos. Eles muitas vezes também têm que fazer. George tem estado ocupado com o seu álbum, mas ainda ontem pensei nisso. Tenho de os convidar para tocar...

Porque não convida George Harrison para o seu novo álbum?
Por ti talvez o faça, Luís.

E Ringo Starr?
Ringo Starr também. Boa ideia.

O que pensa da música de hoje?
Depende de que tipo de música. Gosto de algumas, de outras não. Hoje há muitos discos que soam todos ao mesmo, feitos com computadores. Também não gosto de canções pseudo-soul. Muitas coisas são maçadoras, mas gosto dos U2 e gosto muito de Prince. Prince é muito bom.

Hoje em dia, há muitos grupos influenciados pela música dos anos 60, como Jesus and Mary Chain, Dukes Of Stratosphear...
Sim, eu gosto disso e para mim é bom, porque se os grupos novos tocam música que tenha aver com os anos 60, eu sinto-me mais perto dos meus filhos. Deixa de haver aquele abismo que existia dantes entre pais e filhos. Assim é óptimo, porque se os meus filhos me falam dos anos 60, eu sei do que eles estão a falar.

E os seus filhos gostam da sua música? Das canções dos Beatles e das novas?
 Sim, a maior parte das vezes gostam. Eles são bons miúdos e, por isso, apoiam tudo o que faço. É como se eu fizesse parte de uma equipa de futebol, eles apoiam sempre a minha equipa. São óptimos e interessam-se imenso. Querem sempre saber em que posição os meus discos estão nos top, se subiram ou desceram. São óptimos.

Ainda tem os discos todos dos Beatles?
Não, nunca os coleccionei. Tu tens mais do que eu. Aliás, quero-os de volta, Luís. Quero-os de volta imediatamente.

Nunca! Este ano, "Let It Be" voltou ao primeiro lugar do top. Que sentiu?
Foi óptimo. Hoje em dia, é difícil fazer com que os discos de beneficência resultem. As pessoas começam a ficar um bocado fartas. Querem contribuir, mas já se sentem saturadas, por isso foi bom terem escolhido a minha canção "Let It Be". Foram eles que a escolheram, não fui eu. Vieram ter comigo e perguntaram se podiam utilizar a canção e eu disse que sim, que me sentia muito honrado. O disco foi feito para ajudar as famílias das vítimas do "ferryboat" e eu gosto muito de ajugar.

Quando pensa retirar-se?
Assim que acabe esta entrevista...

Por que assim?"
Chegaste" para mim, Luís. Estou completamente exausto! Vieste de lá tão longe, de Portugal, para arruinar a minha carreira... Como vou poder aparecer na televisão portuguesa depois desta entrevista? Já ninguém quer saber mais de mim.

Quando vai tocar a Portugal? Nunca o fez...
Era bom, não era? Eu gostava...

Eu trato disso...
Tratas? Em tua casa?

Sim, em minha casa...
Com o António e o João Pedro ? (filhos do autor)

Depois de todos estes anos, ainda lhe é fácil compôr?
 Bem, já não é tão fácil, porque, ao princípio, quando tocava um simples acorde na guitarra, ouvia muita música, porque tudo era novo, coisas ainda não conhecidas. Ao fim de alguns anos, a mina esgota-se. Toco um acorde e, como já fiz muitas canções com ele, tenho de procurar novas combinações, o que torna as coisas um pouco mais difíceis. Mas eu continuo a gostar de compôr, apesar de se ter tornado um pouco mais complexo.

Li num jornal que trabalha 30 horas por semana e que ganha mais do que a Rainha e Margaret Thatcher...
Qualquer pessoa ganha mais do que ela...

O que faz a tanto dinheiro?
O que faço ao dinheiro? Ponho-o no banco... Não, faço imensas coisas: obras de beneficência, tenho uma família para sustentar, tenho a minha mulher e, como tu sabes, as mulheres gastam muito dinheiro!

Porque não compra as canções dos Beatles a Michael Jackson?
Não se trata de uma questão de dinheiro. Para as comprar, teria de o fazer em conjunto com Yoko...

Ainda não conseguiu um bom relacionamento com Yoko?
Tenho um bom relacionamento com Yoko, mas não muito íntimo. Falo com ela, damo-nos bem, mas ela vive em Nova Iorque. E não a vejo muito. Gosto dela, ela é simpática, mas o nosso relacionamento não é muito estreito. Afinal, não foi comigo que ela casou.

Conhece os discos de Julian Lennon?
 Sim. Ele é muito bom. Gosto dele. Era muito pequeno quando o conheci...

...escreveu "Hey Jude" para ele...
É verdade. Ele é muito bom, gosto da sua voz...

... é parecida com a de John Lennon...
Sim, às vezes é muito parecida com a de John, mas eu gosto mais quando ele canta no seu próprio estilo. Acho que ele devia desenvolver mais essa faceta, mas se alguém tem o direito de cantar como John é o seu filho.

Já tem título para o seu novo álbum?
Já. Vai chamar-se "A Minha Entrevista Com O Luís". Será um álbum conceptual. "O dia em que eu conheci o Luís".

Qual é para si o pior disco dos Beatles?
Não há. Não há discos piores dos Beatles. Gosto de quase tudo o que fizémos.

Não quer cantar "Love Me Do", por exemplo?
Não, é impossível!

Por quê?
Porque teríamos de assinar um contrato. Teria de negociar contigo...

Isso arranja-se!
Quando fôr a tua casa, canto.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Entrevista: Roberto Gurgel, o Juba (baterista da Blitz)

Se você é Beatlemaníaco e curte o Rock nacional, certamente conhece essa figuraça, grande fã dos Beatles de longa data (desde os anos 60). Comanda as baquetas de uma das maiores bandas do Rock Brasileiro, a Blitz e possui uma fabulosa coleção, que envolve discos, instrumentos e todo tipo de souvenir. Conheça um pouco mais o Juba, nessa rápida entrevista.

Você é considerado um dos maiores fãs dos Beatles entre os roqueiros brasileiros. É capaz de se lembrar como os conheceu?
Conheci junto com minha Tchurrrrma: Mozart Melo, Wander Taffo, João Ascensão... garotos com 10 anos ouvindo a Boys Band predileta, cantando “Love Me Do”. Uma maravilha!

Os Beatles influenciam a banda Blitz de alguma maneira? Mais algum músico da banda é fã deles?
Os Beatles não só influenciaram minha banda, como qualquer músico do século XX. A coisa foi avassaladora. Na Blitz todos gostam, mas o mais apaixonado sou eu.

Como você colocaria Ringo num suposto ranking dos bateristas do Rock?
Ringo é um ícone! Não importa se tem mais ou menos técnica. Se tornou o Baterista mais conhecido no mundo e seu trabalho nos Beatles é brilhante!

Sua coleção de discos e objetos do Rock e dos Beatles é fabulosa. Você seria capaz de citar quais os seus itens favoritos?
É difícil...rs, rs... são 45 anos garimpando na América, Japão, Europa. Tenho em casa 375 artistas de vários gêneros, com todos os discos de carreira e edições especiais. Meu lance é qualidade, não quantidade.

Ringo e Paul fizeram uma boa sequência de shows no Brasil, durante 5 anos. Quantos você viu, o que achou?
Sobre os shows de Paul e Ringo sou suspeito, rs, rs... todos maravilhosos! O número exato não me lembro. Uma coisa interessante a contar foi meu encontro 4 anos atrás, casual, com Paul, perto da sua casa na em St Johns Wood, na Cavendish Avenue. Foi às 10h da manha, caminhando sozinho. Inacreditável! Estava com minha inseparável máquina fotográfica, mas a primeira coisa que ele falou foi "No pictures". Claro, respeitei e, pasme, ele ficou conversando comigo e um amigo beatlemaniaco, o tecladista Elihu Aversari, durante maravilhosos 3 minutos, de forma extremamente simpática. Claro, ficamos chocados!

Caramba! Que sorte!
Bota sorte nisso! Tem gente que monta campana na casa dele há 50 anos e nunca encontrou, kkkkkkk. Detalhe: tava sozinho. Incrivel!

Seria capaz de citar qual o seu beatle favorito? E álbum favorito, você tem?
Seria injusto indicar o Beatle favorito. Tenho banda há quase 50 anos e sei que cada um contribui à sua maneira, com suas influências.
 E se fosse fazer um ranking dos seus álbuns favoritos de todos os tempos (e todos os artistas), quais seriam eles?
Difícil, mas vamos lá:
Revolver, Rubber Soul, Sgt. Pepper (Beatles),
Road Work (Edgar Winter),
Live at Carnegie Hall (James Gang),
Led Zeppelin I (Led Zeppelin),
Live (Tower of Power),
Chicago Transit Authority (Chicago),
Child Is Father to the Man  (Blood Swear and Tears),
On Time (Grand Funk Railroad),
Machine Head (Deep Purple),
One Way Or Another (Cactus),
Deja-Vu  (Crosby Still Nash),
The Yes Album (Yes),
Sellin England by the Pound (Genesis),
Romantic Warrior (Return to Forever).

O conheci através do músico e produtor Edu Henning, de Vitória/ES. Você conhece a banda Clube Big Beatles? Como você analisa o trabalho deles?
Adoro Edu Henning, adoro Big Beatles!

Como estão as atividades da Blitz? Além da sequência de shows, há planos de lançar material novo, um novo álbum, por exemplo?
A Blitz está lancando um CD de inéditas agora em Dezembro, estamos muito felizes por estarmos ha 34 anos na estrada.

Os Beatles foram a ponta de lança do British Rock, assim como a Blitz foi para o Rock Brasileiro nos anos 80. Eu sempre tive essa impressão. Você concorda?
Concordo com você, a Blitz deu o pontapé inicial, colocou o ovo em pé, com muito orgulho.

Juba e o amigo Marcus Rampazzo.

Juba no Facebook: https://www.facebook.com/roberto.gurgeljuba
Entrevista concedida a José Carlos Almeida

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Entrevista com Brian Epstein publicada na VEJA em 1964

O MENTOR DA REVOLUÇÃO

O empresário dos Beatles conta como descobriu a banda e explica qual foi a transformação a que submeteu os rapazes para transformá-los em astros internacionais: 'Eles são muito inteligentes' 


Brian Epstein era o gerente da loja de discos North End Music Store (NEMS), em Whitechapel, Liverpool, quando um rapaz entrou e pediu um disco dos Beatles, em outubro de 1961. Ele não conhecia a banda, mas aquele nome ficou guardado em sua cabeça. Duas semanas depois, estava no Cavern, um pub sujo e apertado, para assistir a um show dos Beatles em plena hora do almoço. Brian ficou apaixonado pelo carisma dos rapazes e, então, tornou-se o empresário do grupo. Foi graças a ele que os Beatles começaram a se profissionalizar. Mudaram antigos hábitos, como o de comer e fumar no palco, e passaram a usar ternos – tudo com o dedo e a visão de Brian. Foi ele também o principal articulador da bem sucedida viagem dos Beatles aos Estados Unidos. Dos bastidores dos estúdios da CBS, rede de TV americana onde os Beatles se apresentaram, ele concedeu a seguinte entrevista a VEJA:

Quando o senhor conheceu os Beatles?
Foi em 1961. Era um sábado qualquer, no fim de outubro. Um garoto veio à minha loja e pediu um disco de um grupo chamado The Beatles. Sempre foi a nossa política considerar todo e qualquer pedido. Escrevi num bloco de anotações: "My Bonnie. The Beatles. Verificar na segunda-feira". Nunca tinha dado bola para nenhum grupo beat de Liverpool, na época tão populares nos clubes. Não faziam parte da minha vida, porque eu estava além da faixa etária do grupo, e também por estar sempre muito ocupado. O nome "Beatles" não significava nada para mim, se bem que eu lembrasse vagamente de tê-lo visto num cartaz de publicidade anunciando uma noite dançante no New Brighton Tower, e tinha achado a grafia esquisita e despropositada.

E depois disso, o que aconteceu?
Na segunda-feira, antes mesmo de eu ter tempo de checar o pedido, duas garotas entraram na loja e pediram o mesmo disco. Muito se especulou sobre isso até agora, mas este foi o número total de pedidos do disco nessa época em Liverpool: três.

Foi o suficiente para o senhor se interessar pela banda?
Para mim foi o bastante. Eu achei que era significativo: três pedidos de um disco desconhecido em dois dias. Havia alguma coisa aí. Na época, eu estava interessado no panorama musical de Liverpool. Cheguei até a escrever um artigo sobre isso para o Mersey Beat, um jornal quinzenal de música popular, fundado por Bill Harry, um estudante da escola de arte e amigo dos Beatles. Acho até que eles já tinham ouvido falar de mim.

E o que o senhor fez então?
 Fiz contatos e descobri o que não tinha percebido ainda: que os Beatles eram um grupo de Liverpool, que acabara de retornar do extremo quente, úmido e sujo de Hamburgo, onde haviam tocado em clubes barra-pesada. Aí uma garota que eu conhecia me disse: "Os Beatles? São o máximo. Estão no Cavern esta semana". Então fui lá conferir.

E como foi o encontro?
 Foi estranho no começo. Fui até o camarim improvisado e cumprimentei os rapazes. Eles foram educados, mas pouco receptivos. Acho que já sabiam do meu interesse em empresariá-los, mas não quiseram demonstrar que estavam interessados também. Ficaram na defensiva, mas eu sabia que eles estavam empolgados com a ideia.

O senhor então se tornou o empresário dos Beatles, e decidiu mudar a postura da banda. Como foi essa transformação?
Acho que os tornei mais profissionais. Os Beatles são muito inteligentes, sagazes, mas não eram requintados. Trouxe isso para eles: elegância, habilidade organizacional e dinheiro. Primeiro, estimulei-os a tirar as jaquetas de couro e, então, proibi que aparecessem de jeans. Depois disso, fiz com que usassem suéteres no palco e, por fim, com muita relutância, ternos. Não tenho certeza, mas acho que o primeiro terno foi usado para uma transmissão ao vivo da BBC. Ah, e proibi que eles fumassem e bebessem no palco também, hábitos pouco condizentes para uma banda que busca o sucesso.

Como surgiu o seu interesse pela música beat?
 Meus pais eram proprietários de uma grande cadeia de lojas de móveis sediada em Liverpool. Portanto, desde criança, fui criado para administrar o negócio deles. Eu estudei na Academia Real de Arte Dramática e sabia que tinha que trabalhar em algo ligado ao meio artístico. Tornei-me gerente da NEMS e acabei transformando a rede de lojas de discos em uma das maiores do norte da Inglaterra. Há uns dois anos, mais ou menos, notei que houve um aumento muito grande na procura pela música beat, típica das bandas de Liverpool. Achei então que empresariar os Beatles seria um projeto interessante.

O senhor foi o principal responsável pela ida dos Beatles aos EUA. Por que achava que ela seria tão importante assim?
Sabia que os Estados Unidos podiam nos promover ou acabar conosco. Então, tivemos que montar uma grande estratégia para tornar os Beatles conhecidos na América, antes mesmo de eles chegarem. Fizemos uma campanha publicitária forte, nas lojas de discos e nas rádios dos EUA, puxada por um disco que acabou conquistando o gosto dos americanos. No fim das contas, acho que nossa vida vai mudar daqui para frente.

O senhor e John Lennon viajaram juntos para Espanha recentemente. Alguns jornais fizeram insinuações sobre algum envolvimento amoroso entre os dois. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
Nada. Não falo sobre esse assunto.

VEJA, Fevereiro de 1964

 Brian com artistas da sua empresa NEMS Enterprises

domingo, 11 de setembro de 2016

Junho de 1967: Paul é o primeiro beatle a admitir que usa LSD


Em uma segunda feira, dia 19 de junho de 1967, a Grã Bretanha ficou escandalizada com uma entrevista de Paul McCartney, veiculada pela Independent Television News (ITN), na qual Paul McCartney admitia já ter usado a polêmica droga LSD. Apesar dele tentar desconversar, o estrago já estava feito (na verdade, a revelação em si havia sido feita poucos dias antes, em um jornal). Mas não comprometeu as vendagens do novo álbum dos Beatles, lançado naquele mesmo mês, o Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

Paul, quantas vezes você tomou LSD?
4 vezes.

E onde você conseguiu?
Bem, você sabe, quer dizer, se eu fosse contar onde eu consigo, sabe... é ilegal e tudo mais. É bobagem dizer isso, então eu preferia não dizê-lo.

Você não acha que esse é um problema que você deveria ter mantido em privacidade?

Bem, a coisa é, você sabe, um jornal me fez uma pergunta e a decisão era: ou falar uma mentira, ou contar a verdade, você sabe. Eu decidi contar a verdade, mas realmente não queria dizer nada, porque se eu tivesse alguma opção, eu não teria contado para ninguém, pois não estou tentando espalhar isso. Mas o homem do jornal é o homem da massa média. Eu manterei isso no âmbito pessoal se ele também o fizer, se ele mantiver isso em silêncio. Mas ele quis espalhar, então é responsabilidade dele ter espalhado isso, não minha.

Mas você é uma figura pública e disso isso pela primeira vez. Deveria saber que isso iria estar nos jornais.
Sim, mas para dizê-lo, você sabe, basta apenas contar a verdade. Eu estou contando a verdade. Eu não sei por que está todo mundo tão zangado com isso.

Você acha que encorajou os fãs a tomar drogas?
Eu não acho que vá fazer a menor diferença. Você sabe, eu não acho que meus fãs irão tomar drogas apenas porque eu o fiz. Mas a questão é: isso não vem ao caso, de qualquer forma. Me perguntaram se eu tinha ou não. E daí então, até onde isso vai e a quantas pessoas isso vai encorajar? Isso é com o jornal, e com você, na televisão. Eu quero dizer, você está espalhando isso nesse exato momento. Isso está entrando em todas as casas da Grã Bretanha e eu preferia que não estivesse. Você está me fazendo a pergunta e se você quiser que eu seja honesto, eu serei honesto.

Mas como uma figura pública, você certamente tem a responsabilidade de não dizer coisa nenhuma.
Não, é você que tem a responsabilidade. Você tem a responsabilidade de não espalhar isso agora. Você sabe, eu estou bastante preparado para manter isso como uma coisa pessoal, se você também o fizer. Se você calar a boca sobre isso, eu calarei!

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Entrevista rara: Mal Evans tira dúvidas sobre o Álbum Branco


Em um momento raro, Mal Evans respondeu, em 1968, perguntas sobre o novo lançamento dos Beatles, o White Album (na verdade, o título do álbum duplo é simplesmente 'The Beatles'). Um momento peculiar, já que o funcionário dos Beatles (uma mistura de roadie, segurança e mordomo) sempre foi conhecido pela discrição sobre seu trabalho com John, Paul, George e Ringo.

No poster colagem, onde foi tirada a foto que mostra Ringo (de barba) dançando com Elisabeth Taylor?
Durante uma festa no London’s Dorchester Hotel.

Qual foi o beatle que imprimiu seus lábios na foto do poster?Os lábios não pertencem a nenhum beatle. Você sabe, os Beatles não usam batom.

O gato que aparece numa foto colorida é o gato do Paul, Thisby?
Em uma palavra... não.

No poster aparece uma grande foto de alguém deitado numa banheira. É John ou Paul?
O cara com sabão por todo o corpo é Paul.

Tem uma foto muito antiga mostrando dois rapazes em roupas de couro preto. Parece uma foto de dois Beatles em Hamburgo, nos velhos tempos, mas suas cabeças estão cortadas.
Na verdade, é uma foto antiga, mas não foi tirada em Hamburgo. São John e Paul em Paris.

Quem diz “Thank you” no final de “Ob l adi Ob la da”?
O beatle agradecido é John.

Quem canta “not when he looked so fierce” com voz de criança em “The Continuing Story of Bungalow Bill”?
Não é nenhum dos rapazes, mas sim Yoko Ono.

Em que faixa você aparece tocando trompete?
“Helter Skelter”, em que John também aparece tocando saxofone.

Quem toca guitarra acústica atrás de Paul em “Blackbird”?
O próprio Paul. Ele gravou o acompanhamento primeiro e depois a parte vocal.

Quem toca órgão Hammond em “Don’t Pass Me By”?
Ninguém toca órgão, mas o som a que você se refere vem de um piano especialmente tocado por Ringo.

Paul escreveu “Mother Nature’s Son” enquanto estava na sua fazenda na Escócia? Parece que ele foi inspirado pela atmosfera local.
Eu sei o que você quer dizer sobre a atmosfera das palavras, mas John e Paul escreveram isso enquanto eles estavam na Índia, no ano passado.

Quem grita “I’ve got blisters on my fingers” no finalzinho de “Helter Skelter”?
A voz é de Ringo.

Como Paul fez para sua foz sair parecida com um disco de um velho gramofone, quando ele diz “Now she’s hit the big time”, em “Honey Pie”?
Truques técnicos. Altamente confidencial.

De quem é a voz que diz, no começo de “Revolution #9”, “number nine, number nine, number nine...”?  Parece você ou John. É a mesma voz que aparece mais tarde?
Sim, a voz é a mesma o tempo todo, mas não é minha nem de John. Foi tirada de um disco educacional, de uma biblioteca.

O coro que canta na música “Goodnight” são apenas os Beatles? Parece ter mais que quatro vozes no background.
É bem mais do que quatro. Oito, de fato. Quatro rapazes e quatro garotas que foram trazidas para ajudar nos backing vocals.





domingo, 31 de julho de 2016

Entrevista: Beto Neves, da banda Beatles Again

A cidade de Araraquara, interior de São Paulo, pode se gabar de ter uma das ótimas bandas cover – ou melhor… “bandas tributo”, como observa o Beto Neves. Ele nos concedeu essa simpática entrevista, onde nos conta um pouco da sua história, da proposta da banda, do seu programa Beatlemania e sobre a sua segunda participação na BH Beatle Week, que acontece entre os dias 03 e 07 de agosto.
Há quanto tempo existe a banda Beatles Again?
A Beatles Again existe desde Abril de 1993, portanto completamos 23 anos há alguns meses. Toco Beatles desde meus 13-14 anos, nos anos sessenta. Inicialmente no piano, depois no violão e guitarra. Já tinha tido vários grupos, de MPB, Jazz, mas foi já chegando nos meus 40 anos que fiz minha primeira apresentação tocando só Beatles, no Clube Araraquarense, da minha cidade, a pedido da diretoria do clube que sabia da minha paixão pela banda inglesa. Aí nasceu a Beatles Again, e desde então nunca mais paramos, com muitas apresentações e historias para contar ao longo de todos estes anos. Uma das passagens que mais nos marcou foi nossa participação no Beatles Festival de 2001, em Ribeirão Preto, quando, entre 104 bandas inscritas de todo o pais e várias eliminatórias, ficamos entre os três finalistas.

Que equipamento vocês usam?
Na Beatles Again procuramos privilegiar mais o som do que o visual ou gestual, ou seja, não somos uma banda cover, e sim uma banda tributo aos Beatles. Recentemente fizemos um show em que mesclamos musicas com os arranjos e instrumentos originais dos Beatles, com versões acústicas com uso de instrumentos como Ukelele , acordeon, baixolão acústico e até viola caipira – é o nosso show “Beatles Again Eletrico-Acústico”, de 2014. Algumas músicas deste show vão entrar no set list do nosso show no Espaço CentoeQuatro ai na BH Beatle Week. Quanto aos instrumentos, usamos vários originalmente usados pelos Beatles, como os baixos Hofner e Rickenbaker, guitarras Rickenbaker de 6 e 12 cordas e Gretsch, violão Epiphone J160, gaita Honner.

Vocês vão tocar pela segunda vez na BH Beatle Week. Qual a expectativa? O que se lembram de 2015?
Recebemos com muita alegria o convite para voltar a BH neste festival fantástico, e desta vez com dois shows, dia 5/08, sexta, no Lord Pub, e dia 6/08, sábado, no espaço CentoeQuatro. Preparamos dois shows distintos para as duas noites, sendo que no Lord Pub teremos um set list mais dançante e agitado, com algumas baladas para os românticos de plantão. No CentoeQuatro teremos, como eu disse, algumas musicas em versões acústicas e alguns clássicos em versões originais dos Beatles, como a maravilhosa “She’s leaving home” e o medley final do Abbey Road. Em ambos os shows teremos algumas musicas de carreiras solo dos quatro Beatles, que para nós também fazem parte do universo musical Beatle.
Quanto ao ano passado, tocamos no Lord Pub, e temos muito boas lembranças do show, com uma plateia vibrante que nos ajudou a fazer um show com muita alegria do começo ao fim. Pudemos constatar in loco o que já escutávamos – BH é a cidade mais Beatlemaniaca do Brasil!

Como pintou a idéia do programa Beatlemania? Como funciona? Você faz tudo?
Em 2013 recebi o convite de um amigo que é coordenador de uma rádio universitária aqui de Araraquara, a Uniara FM, para fazer um programa sobre Beatles. Após alguns meses resolvi topar o desafio e lançamos um programa piloto, que teve grande aceitação. Desde então seguimos com o programa semanal, que vai ao ar nas quintas as 21h, com reprise aos domingos as 19h. O programa tem muitas sessões como História dos Beatles, Beatles em outros ritmos, Álbum do Dia, Beatles em outras línguas, Songfacts (historia de cada musica), entre outras. Em agosto agora completamos 3 anos de programa, que tem grande audiência aqui no interior de São Paulo , e em todo o Brasil , com a transmissão pela Internet. Com a recente parceria com o Portal Beatles Brasil, que desde este mês de Julho passou a retransmitir o programa, temos certeza que o alcance do Programa Beatlemania vai aumentar bastante, alcançando os Beatlefans pelo Brasil afora, e pelo mundo. 

Você se lembra como conheceu os Beatles?
Sim, me lembro. Eu tinha uns onze anos e estava passando as férias em São Carlos na casa de meus avós. Estava andando no centro da cidade com uma tia minha, tia Cecília, quando ao passar em frente a uma loja de discos escutei uma música que chamou minha atenção, e quis saber o que era – era “She loves You” – foi paixão à primeira vista, ou à primeira ouvida. Minha tia comprou o compacto para mim, e aí começou toda minha história com os Beatles, que dura até hoje.

Dos shows de Paul e Ringo no Brasil, em quais você foi? Quais as melhores lembranças?
Fui a cinco shows do Paul no Brasil – o do Maracanã, de 21 de abril de 1990, o do Guiness Book, meu primeiro e inesquecível show do Paul, e ainda em 1993 no Pacaembu, em 2010 no Morumbi, em 2011 no Engenhão, em 2013 em BH, e em 2014 no Allianz Parque em São Paulo. Assisti um show do Ringo, em 2011, na sua primeira vinda ao Brasil. Os que mais me marcaram foram o do Maracanã, o primeiro, achei que a marquise do Maracanã fosse desabar de tanto que o povo pulava, e o de BH, onde ele estreou quatro músicas ao vivo – “Your Mother Should Know”, “Hi Hi Hi”, “All Together Now” e principalmente “Being For The Benefit of Mr Kyte”, por se tratar de música basicamente de John Lennon. Foi incrível!

Você também costuma viajar pro exterior, para conferir shows e eventos importantes. O que tem visto ultimamente?
Estive recentemente (em Abril deste ano) em Londres para assistir o especulo The Sessions, Abbey Road, no Royal Albert Hall, onde foi recriado cenograficamente o estúdio 2 de Abbey Road, com encenação de sessões de gravações dos Beatles. Foi um espetáculo visualmente muito bonito, mas quanto à parte sonora, de execução, me decepcionou um pouco, acho que estou ficando exigente. E um espetáculo que não se pode deixar de ver é o Love, no Mirage de Las Vegas, que acaba de completar dez anos em cartaz. Imperdível !

Voltando ao programa, você acaba de fechar uma parceria com o Portal Beatles Brasil. Desde quando conhece o site?
Conheço o site Beatles Brasil há uns 10 anos, e achava incrível termos um site no Brasil (na época era bastante incomum e o Facebook nem existia) exclusivamente dedicado aos Beatles. Desde então acompanho sempre as reportagens e seções do site, acho muito bom. Fiquei muito feliz com a parceira fechada para a divulgação do Programa Beatlemania, e tenho certeza que os Beatlemaniacos ligados no Portal vão gostar de mais esta novidade no portfolio do site.

Me fale um pouco sobre a Beatlemania aí em Araraquara. Tem muitos beatlemaníacos aí? Acontecem muitos shows?
Araraquara é uma cidade com muita gente ligada nos Beatles, e isto tem um pouco a ver com nossa história (banda Beatles Again) na cidade e região. Araraquara tem 250 mil habitantes, é uma cidade média, e o pessoal se liga muito nas coisas da própria cidade. Quando estivemos participando do Beatles Festival em 2001, a cidade inteira acompanhava, saia nos jornais, e quando fomos para a grande final houve até uma caravana da cidade para nos assistir em Ribeirão Preto. Nos nossos shows em Araraquara e região chegamos a levar duas mil pessoas, de todas as idades, ligadas nos Beatles. E isto está aumentando. Recentemente fizemos um grupo no Facebook chamado Beatles Araraquara, que em poucas semanas já tem 700 pessoas. Quem se interessar pode pedir o ingresso, serão muito bem-vindos.

Os Beatles seguem conquistando as novas gerações. E aí em casa, você passou a magia para filhos e netos?
Tenho quatro filhos e dois pequenos netos. Todos amam os Beatles, e três dos meus filhos são músicos, e as vezes tocam comigo nos shows da minha banda. Quanto aos meus pequenos Alice e Pedrinho, já assistem Beatles na tela do computador no meu colo, e ficam vidrados. Acho que está no sangue !

terça-feira, 19 de julho de 2016

Entrevista: Rafael Godoi, da banda Triskell


Os Beatles sempre influenciaram músicos de todo lugar do mundo a formarem novas bandas, com som inspirado nos álbuns que eles lançaram nos distantes anos 60 – e depois, em suas carreiras solo. Não é diferente no Brasil. Exemplo disso é Rafael Godoi, músico de talento ímpar, beatlemaníaco de carteirinha, que sempre tocou Beatles em todas as bandas que já formou – e até já venceu um concurso Beatles Cover como melhor músico solo! Seu empreendimento e paixão no momento é a banda Triskell, que embora tenha pouco tempo de carreira, já gravou um excelente álbum de estréia, faz shows direto (inclusive algumas dezenas na Europa) e acaba de lançar seu primeiro videoclipe. Sem falar que é colaborador do Portal Beatles Brasil desde o primeiro ano (há cerca de 15 anos) e um dos caras mais queridos da Beatlemania nacional. Conheça essa figuraça!
Por José Carlos Almeida
Rafael Godoi no Facebook: www.facebook.com/rafael.godoi


No disco da Triskell há uma música, “Down In Liverpool”, em homenagem aos Beatles. Todos da banda são fãs dos Beatles?
Sem dúvida! Tocamos, comemos e respiramos Beatles. São a razão de estarmos juntos em primeiro lugar. São a razão de eu ter começado essa jornada, aos 10 anos de idade. Quando estive em Liverpool pela primeira vez, em 1999, tive meio que uma epifania. Na letra da música eu tento decorrer sobre ela, além de também comentar sobre o árduo caminho que um músico ou uma banda deve percorrer. Como já dizia um certo baterista, ‘you got to pay your dues if you want to sing the blues’.

Apesar de não ser uma banda cover, em quase todo show vocês tocam músicas dos Beatles, certo?
Em todo show! Algumas, fazemos releitura, outras tentamos deixar mais parecida com o original. Sempre que possível, tentamos encerrar o show com o Abbey Road Medley. Fizemos isso no show de lançamento do disco, com vários convidados, entre eles Bia Mendes (ex-vocalista dos Mutantes), Vitor Trida e Marcelo Gross, da Cachorro Grande. Mas nossa favorita é a versão de ‘1985’ de Band on the run, da carreira solo do Paul.



Por falar em cover, na década passada você já venceu um festival competitivo como o melhor cover dos Beatles. Fale mais sobre isso, por favor.

Ah, isso foi em 2002, poxa vida! A verdadeira história é que eu tinha uma banda no interior, a Cazzo Pazzo, e logicamente tocávamos muito Beatles. Nossa única pretensão era poder tocar aqui na capital. Porém, depois das apresentações da banda, o organizador e hoje um muito querido amigo, Marco Antonio Mallagoli, me convidou para participar também como cantor solo, e fui vencedor. O Marco foi uma das primeiras pessoas que me fizeram acreditar que seria possível seguir em frente com a carreira, devo muito a ele! E poxa, tocar no Cavern é indescritível, né? Como fui acompanhado somente do baterista, o gerente do Cavern, um simpático senhor chamado Alex McKechnie (e amigo de juventude de um certo John Lennon), se prostou a tocar baixo conosco. Eu não consegui terminar de cantar “I saw her standing there”, tamanha emoção.

Você costuma ir sempre fazer shows na Europa. Pretende ir com a Triskell algum dia?
Nós fomos! Fomos no ano passado. Foi um puta barato! Foi a primeira vez do Wendel e do Ed na Europa, e participamos do Fringe Festival de Edimburgo, na Escócia, foi de estourar os miolos! Aproveitamos e lançamos o nosso disco por lá. Fizemos uns 25 shows na Escócia e depois fomos para a Irlanda. Talvez iremos voltar ainda esse ano pra lá, fomos convidados!

Você já tocou com os Mutantes, certo?  Como foi a experiência? O Sergio e o Arnaldo já conhecem a banda Triskell?
Sim, toquei trombone em algumas ocasiões. Tem até no disco Haih! O Arnaldo eu não sei, faz tempo que eu não falo com ele diretamente, sabe, mas o Sérgio acompanhou até certo ponto as gravações do disco, uma vez que o Vinícius Junqueira (atual baixista dos Mutantes) foi quem coordenou, nos gravou, tocou todos os baixos e nos co-produziu, por conseguinte, em seu próprio estúdio, no Rio de Janeiro. Ele é um anjo, e um dos melhores músicos com quem já trabalhei. E o Sérgio dava uns pitacos remotamente. Aliás, aqui coloco uma pequena curiosidade que nos deixou muito felizes: na canção “Cool thing to be”, usamos a mesma caixa de bateria que fora usada na gravação dos Mutantes e seus cometas no país dos baurets, de 1972! 

Além dos Beatles, você deve curtir muita coisa boa. Que sons você tem ouvido nos últimos tempos, o que indica pros bons roqueiros?
Putz, bixo, é foda proque sou beatlemaníaco mesmo. Daí vou e digo que, além de Beatles, ouço Lennon solo, Macca solo, Ringo, George, Travelling Wylburys e até Dirty Mac. Mas, sério, vamos lá. Eu tento ficar antenado com o que está acontecendo, sabe? Nós gostamos muito do Tame Impala, Black Keys, essas coisas. Lá na Escócia tivemos a oportunidade de trabalhar com os Dark Jokes, que é uma das maiores bandas de lá, e eles até vieram pra cá tocar com a gente. Lá tem muito neo folk/prog bom também, como Jacob’s Pillow, do nosso amigo Tam Ferguson, uma baita banda. Muito de nossa inspiração vem do folk céltico também. Outros dois artistas amigos que gostaria de mencionar aqui são o Johnny Fox, da Irlanda, e o Charlie Coombes, ex-Supergrass, que mora aqui em São Paulo e está para lançar um novo disco também. Enfim, tenho uma longa lista de amigos que valeria a pena demais mencionar.

Seria capaz de listar seus, digamos, 10 álbuns favoritos de todos os tempos? Quantos deles seriam dos Beatles?
Vamos desconsiderar os Beatles, senão seriam todos deles. Vou falar 12, mas sem nenhuma ordem de preferência, ok?
01 – Skiffle Sessions – Van Morrison, Chris Barber e Lonnie Donegan – Live in Dublin – 1995
02 – Ray Charles – 1957
03 – Bad – Michael Jackson – 1987
04 – Zé Ramalho – 1977
05 – Morphine – Cure for Pain – 1993
06 – Jimi Hendrix Experience – Axis: Bold as Love – 1967
07 – Leadbelly – Leadbelly sings folk songs – 1989
08 – Roy Orbison – Mistery Girl – 1989
09 – Oasis – Definetely Maybe – 1994
10 – Nirvana – In Utero – 1993
11 – Mutantes – 1969
12 – Chuck Berry – Chuck Berry’s Gonden Hits – 1967

A partir de 2010 passamos a ter um monte de shows de Paul e Ringo. Em quantos você foi? O que sentiu ao ver dois Beatles ao vivo?
Vi o Paul 4 vezes, e o Ringo 2 vezes, todas aqui em São Paulo. Foi indescritível, os melhores da minha vida. Foi mais que mágico. Dei até uma entrevista para o Estado por conta do primeiro show do Paul em 2010 por aqui, foi uma visão, um disco-voador que desceu, e ele mudou minha vida novamente. O do Ringo foi engraçado, porque fiquei amigo do staff dele, saímos juntos e tudo mais, fizemos uns vídeos bem divertidos.

Te conheci através do Portal Beatles Brasil, na época das listas de discussões. Lembra como conheceu o site?
Lembro sim! Foi logo em 2002. Por mais de uma década, foi o único site em que entrava diariamente, sério. Eu entrei para a lista de discussões, e nunca mais saí. Fiz lá amigos para a vida toda. E depois comecei a dar uns pequenos pitacos também, hehehe

Quais os planos da Triskell para o futuro? Há algum novo álbum sendo planejado? Novos clipes? E shows, como está a agenda da banda pro resto do ano?
Bem, acabamos de lançar um novo vídeo semana passada, para a canção Girl with a good heart. (https://www.youtube.com/watch?v=DtPax_VsB_A) Mas já tem um outro para entrar, está bem próximo! Logo faremos o lançamento em nosso canal no youtube (https://www.youtube.com/channel/UCHcAG1MbK3179WzP9mleYMQ). Há um novo álbum sendo germinado sim! Com grandes novidades também! Esperamos entrar em estúdio esse ano ainda. Temos alguns shows legais nesse mês, a maioria em São Paulo mesmo, mas estamos montando uma agenda para o sul e nordeste muito em breve. Quem quiser nos acompanhar, pode entrar no site www.triskellband.com que nossa agenda está sempre sendo atualizada. Lá também é possível ouvir o disco todo!

Gostaria de encerrar agradecendo demais o nosso querido portal Beatles Brazil por nos conceder esse espaço para divulgarmos nossa música, Muito obrigado a todos os envolvidos, em especial ao irmão José Carlos Almeida! Um abraço a todos, e nos deixem saber o que acharam de nossa música nas plataformas digitais!

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Entrevista: Portal Beatles Brasil fará cobertura da BH Beatle Week 2016


Pelo terceiro ano seguido o Portal Beatles Brasil fará cobertura do maior evento da Beatlemania brasileira, o festival BH Beatle Week, que na edição 2016 será ampliado e trará atrações e locais inéditos. Sabendo disso, o site mineiro Universo Retrô realizou uma pequena entrevista com o nosso editor, José Carlos Almeida, que fala um pouco sobre suas impressões e a expectativa desse grandioso evento. 

O Beatles Brasil vai cobrir o BHBW pela terceira vez consecutiva. Quais suas impressões sobre as duas últimas edições do evento e as expectativas para esse ano?

O Portal Beatles Brasil tenta cobrir o máximo de eventos da Beatlemania nacional, divulgando-os em nosso site e resenhando-os posteriormente. Sendo o maior evento beatle da América Latina, a BHBW não poderia faltar. Me lembro de ter ficado maravilhado na primeira vez, e não era pra menos: conheci bandas e músicos incríveis, como o Gary Gibson, a Orquestra Ouro Preto, além de ter me deliciado com um show de astros de quem eu era fã desde criança, como Beto Guedes, Márcio Greyck e, claro, o Aggeu Marques, que eu conhecia só pela Internet. Confesso que subestimava o movimento de bandas cover no Brasil, então a BHBW me abriu um a mente para um novo universo, de músicos profissisonalíssimos e de muito talento. Outra coisa fantástica foi descobrir bandas que tocaram músicas dos Beatles nos mais diversos estilos (grupos vocais, instrumentais, Punk Rock, Rockabilly e até mesmo algumas que reproduzem fielmente o que ouvimos nos discos oficiais). Na segunda edição, já não fiquei mais surpreso, mas, embora tenha sido uma edição um pouco reduzida, também conheci músicos incríveis. A expectativa é que nesse ano eu reveja algumas dessas atrações e, se possível, quero conhecer outros que ainda não vi. Ah, e claro, espero rever as dezenas de amigos que fiz. Isso é tão importante quanto o festival em si. Esta será nossa terceira vez e espero nunca mais perder nenhuma edição.


Para você, por que o Beatle Week deu tão certo na capital mineira?

Em primeiro lugar, acho que deu certo porque é uma iniciativa de um cara que tem muita visão, profissionalismo e integridade: Aggeu Marques. Eu já sabia que era um puta músico, mas nem de longe imaginava que o sujeito era tão empreendedor. A BHBW é perfeita desde os grandes até os mínimos detalhes. Os artistas e convidados são tratados como superstars. Não é à toa que as bandas disputam “a tapa” uma vaga no evento. A equipe de trabalho também é excelente, profissionais de nível internacional, pessoas super do bem. Conta muitíssimo dois fatores importantes também: Belo Horizonte é uma cidade linda e o povo mineiro é muito acolhedor, do tipo que te conhece hoje e já vira “amigo de infância”; e também tem locais perfeitos para a realização desses eventos, como o Circuito do Rock, o Cine Brasil e a Savassi. Fora do evento, aproveitei para conhecer o Mercado Municipal, a Praça da Liberdade, o Beco do Rock (Sabará) e a Feira Hippie. Ou seja, além da atração principal, que é o festival, BH é perfeita também para quem quer conhecer gente e lugares bacanas. Não consigo imaginar um lugar melhor para isso.


Nessa edição, o BHBW vai contar com novos espaços (como o Centroequatro, Parque dos Mangabeiras e o Bar do Museu Clube da Esquina), além de atrações nacionais e internacionais inéditas, que prometem uma experiência inesquecível para os beatlemaníacos. Para você, quais as atrações de destaque do evento? O que os fãs não podem deixar de conferir nessa edição?

Musicalmente, quero muito rever duas atrações pelas quais me apaixonei: a Orquestra Ouro Preto e a banda Bloody Mary & The Munsters. Quero muitíssimo rever também o Aggeu em parceria com o Gary Gibson. Há outras bandas que mal posso esperar pra ver novamente (Hocus Pocus, Hey Baldock, Beatles Again e outras). Tem também umas bandas argentinas e chilenas que farei tudo pra não perder. Mas principalmente, espero conhecer mais algumas atrações que me deixem surpreso, maravilhado, que eu nunca mais esqueça. Com relação aos locais, além desses que você citou, uma coisa que me anima muito é a eminência de conhecer o Ouro Minas Hotel, onde o próprio Paul McCartney se hospedou quando esteve aí. Eu fui ao show, mas não pude ir lá naquela ocasião. Se tiver a chance, adoraria até mesmo conhecer a suíte onde ele ficou. E, claro, ver os shows que ali acontecerão. Acredito que serão incríveis também.


Por último, quais as dicas para os nossos leitores aproveitarem ao máximo cada dia do evento?

Infelizmente não dá pra ver tudo, pois alguns shows acontecem ao mesmo tempo, em locais diferentes. Então a dica é usar o programa oficial para se planejar e ver o máximo de atrações possível. E cuidar da logística do transporte, de modo a perder pouco tempo nos trajetos. Estou me preparando também para dormir pouco. Isso mesmo, pois as atrações geralmente duram até a alta madrugada e pretendo visitar, durante os dias, alguns pontos de BH (quero pelo menos cumprir o ritual de comprar vários tipos de queijo no Mercado Municipal). Mas como o assunto principal é música, prestem atenção nas dicas principais: tentem garantir seus ingressos com o máximo de antecipação, pois dessa vez, desconfio que vão se esgotar bem rápido. E principalmente, tentem a todo custo ver pelo menos uma apresentação do Aggeu Marques. O cara é fenomenal, incrível. Simplesmente o melhor Paul McCartney que já vi (depois do original, claro).

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Entrevista: Cláudia Tapety fala sobre suas novas conquistas


Ela já tinha tirado foto ao lado de Paul McCartney e agora foi a vez de conhecer e “chegar junto” de Ringo Starr! Claro que estou falando de Cláudia Tapety, a fã alucinada de Recife (aquela que tem um muro temático dos Beatles em sua casa). Em mais uma entrevista exclusiva para o Portal Beatles Brasil ela explica como conseguiu chegar tão perto do baterista dos Beatles e sobre os shows recentes que viu dele e de Paul.

Vamos começar pelo que todo mundo quer saber: como você conseguiu tirar aquela foto com Ringo Starr?
Alguns amigos já foram ao Meet & Greet e pedi para que me avisassem quando aparecesse uma oportunidade. Soube na quarta-feira, dia 01, através do grupo Beatle do Peru e do Examiner, de Steve Marinucci. Falei com duas amigas que também queriam e mandamos um e-mail para Celebrities Art. Eles disseram que só confirmariam nossa vaga na segunda, dia 06. Recebi a confirmação na manhã do dia 06. O rapaz da Celebrities Arts nos enviou as instruções para o pagamento e então compramos as passagens. Fomos para NY, de onde seguimos para Worcester. Ficamos hospedadas ao lado do DCU Center. Conforme o combinado, chegamos ao local às 16h30. Havia cerca de 15 pessoas para o Meet & Greet. Recebemos instruções e ficamos em fila até nos dirigirem ao local onde Ringo estava. Ringo recebeu a todos pela ordem da fila, brincou e riu com todos, aí tiramos a foto. O Meet & Greet é rápido, mas para um fã é um momento fantástico.

Você chegou a falar alguma coisa pra ele? Ele te disse algo?
Estávamos dentro do DCU Center na área atrás do palco, por onde Ringo entra. Estava super feliz e me apresentei dizendo meu nome e de onde eu era. O Meet & Greet sempre é muito rápido, mas consegui dizer várias vezes “Ringo, I love you!”. O abracei e tiramos as fotos. Depois fiquei de frente pra ele e disse mais umas três vezes “ Ringo, I love you!”. O segurança mandou sair do local, enquanto os outros falavam com Ringo. Claro que não saí e esperei pra ver Ringo novamente. Enquanto posava para as fotos, ele olhou pra meu vestido e fez o sinal de positivo com mão. Esperei até a última pessoa sair e disse novamente “Ringo, I love you!” e ele me respondeu com “I love you too!”.

Houve algo diferente nesses shows, em relação aos que ele já fez no Brasil?
O set list mudou um pouco relação ao do ano passado. Dessa vez ele tocou “You’re Sixteen” e “I’m The Greatest”. Ele também não tem jogado a toalha ultimamente.

Além dos shows do Ringo Starr, você visitou outros locais importantes na Beatlemania, certo? Conte-nos mais detalhes.
Fui ao Imagine no Central Park. Sempre que vou a NY levo flores, velas e uma maçã verde para John. Aproveito para cantar com os tocadores locais quando eles estão por lá. Não pude deixar de passar pelo Hotel Plaza. Entrei pelo acesso do Oak Saloon. 

Depois de ter conhecido e tirado fotos ao lado de Paul e Ringo, o que falta mais para você realizar?
Como acredito em vida após a morte, vou tentar me encontrar com John e George. Não vai ser fácil, mas tentarei!

Antes dos EUA você foi ver Paul na Argentina, certo? Que impressão você teve dos shows?
Paul é sempre maravilhoso! Em Córdoba me hospedei do Sheraton e pude vê-lo sair para a passagem de som e para o estádio. Adoro esses momentos. Em Buenos Aires não fui para o hotel, porque preferi ir mais cedo para a fila. O estádio de Córdoba ficava em um local sem boa estrutura de transporte. Dois dias antes do show fui ao estádio pela tarde com uma amiga e não conseguimos transporte pra voltar. Acabamos pegando carona na viatura da polícia. O estádio de La Plata é muito longe e o transporte para saída tinha que ser acertado antes. Além disso, os táxis estavam superfaturando.

O público argentino é parecido com nós, brasileiros?
O show de Cordoba foi sentado, não houve problema. Nos shows de La Plata eu e meus amigos brasileiros ficamos na frente. Achei o público diferente do daqui do Brasil. A agitação sempre é grande quando Paul entra, mas logo depois o povo se acalma. Claro que de vez em quando tem alguns bate boca, mas na Argentina o confronto era o tempo todo, e sempre havia muita provocação.

Como grande colecionadora, imagino que você tenha adquirido muito material novo. 
Não tive muito tempo pra procurar coisas fora de catálogo. Comprei as edições do PURE McCARTNEY, todas as camisetas de Ringo, souvenirs, posters e alguns livros.

Vi fotos do aniversário de Paul em sua casa. Como foi a festa?
O aniversário de Paul e Ringo são datas muito importantes para os fãs enviarem energia positiva, desejando muita paz, saúde e felicidade para eles. Este ano foi muito corrido, porque cheguei na quarta-feira, dia 15, à noite, e tive que deixar tudo pronto em dois dias. O aniversário foi super divertido. Assistimos alguns DVDs de Paul, tocamos violão, cantamos e contamos nossas experiências nos shows de Paul e de Ringo.

Você acha que Paul e Ringo ainda voltam a se apresentar no Brasil?
Atualmente no Brasil está difícil devido ao momento político e econômico que estamos passando. Até agora apareceram algumas especulações de que Salvador foi checada para um possível show de Paul, mas pra concretizar são necessários vários fatores. Espero que Paul e Ringo possam vir ao Brasil pelo menos em 2017.

Nota do Portal Beatles Brasil: O que é Meet & Greet
Trata-se de um sistema criado dentro do showbisness que permite que o fã tenha um acesso mais próximo ao ídolo, nos bastidores, para tirar uma foto exclusiva ao lado do mesmo, mediante o pagamento de uma taxa (geralmente um preço bem salgado). Como diz o título, é mesmo um “Oi e Tchau”. Geralmente os encontros acontecem antes de algum show, nos bastidores, ou no hotel onde a celebridade está hospedada. Apesar da maioria dos encontros durarem apenas alguns segundos para um clique, alguns ídolos são bem simpáticos e tiram fotos divertidas. O mais famoso e polêmico Meet & Greet que tivemos notícia foi o da cantora Avril Lavigne, que não permitiu sequer que os fãs a tocassem. Foi só uma foto e “próximoooo!”
Leia dois artigos mais completos sobre o Meet & Greet:

- https://clubedaseis.wordpress.com/2015/09/20/meet-greet-o-que-e-vale-a-pena-pagar-tao-caro/

- http://febreteen.com.br/2014/06/meet-greet-vale-a-pena-pagar-caro-para-ver-o-seu-idolo/

sábado, 25 de junho de 2016

Conheça o Ouro Minas Hotel, onde Paul McCartney se hospedou em Belo Horizonte


Nas cidades em que Paul McCartney realiza shows, sempre são escolhidos os melhores hotéis para hospedá-lo – geralmente aqueles que hospedam chefes de estado e celebridades de primeira linha. Não foi diferente em Belo Horizonte, onde ele esteve para uma apresentação histórica em maio de 2013. Na capital mineira, ele ficou no Ouro Minas Hotel, o único 5 estrelas da cidade, de fato um sonho de hotel!
Mas a relação do Ouro Minas com a Beatlemania não ficou só nisso: agora em 2016, o hotel firmou parceria com a produção da BH Beatle Week e, além de hospedar a maioria dos artistas, também irá sediar eventos que deverão entrar para a história. Conversamos com Monaline Alvarenga, da equipe de Marketing do hotel, que nos conta detalhes muito bacanas sobre quando um Beatle se hospedou nas suas dependências e sobre o que vai acontecer agora em agosto de 2016.

Começando pelo básico: como foi feita a escolha do Ouro Minas para hospedar Paul McCartney?
Assim que anunciado o show já ficamos na expectativa. Um dia, nos foi solicitada uma apresentação do hotel, como é de praxe para grupos internacionais. Enviamos e logo recebemos uma resposta que hospedaríamos ninguém menos que o Sir Paul McCartney.

Quanto tempo ele ficou hospedado no hotel?
Foram 3 noites.

Qual foi a sensação quando vocês souberam dessa notícia?
Um mix de honra, privilégio e ansiedade por receber um hóspede tão ilustre.

Em que suíte ele ficou? Pode nos dar mais detalhes sobre a estrutura dos aposentos?
Ele ficou na Suíte Presidencial Real. Uma suíte de 300m² sendo dois quartos, sala de estar com 3 ambientes, sala de jantar, escritório, cozinha, área de lazer privativa com piscina climatizada com hidromassagem e sauna. No quarto principal, cama feita exclusivamente para o Ouro Minas, do mesmo fabricante de camas dos papas, no Vaticano.

E a equipe de músicos, como foi a estada deles?
Era um grupo muito unido e tranquilo. Toda a hospedagem ocorreu tranquilamente. Sempre simpáticos, calmos, faziam as refeições sempre juntos, em um ambiente exclusivo.

Além da suíte principal, Paul aproveitou mais algo da estrutura do hotel? Por exemplo, ele usou a piscina, sauna ou academia?
Sim. Além das refeições que fazia fora da suíte, junto com todo o grupo, ele usou a academia todos os dias, juntamente com os demais hóspedes.

É verdade que Paul fazia questão de tomar o café da manhã junto com os outros hóspedes?
Era a única refeição que ele fazia na suíte. Todas as outras era juntamente com o grupo.

Paul sempre faz aquelas saídas triunfais dos hotéis onde se hospeda. Aconteceu aí também?
Não foi diferente. Triunfal como sempre. Muito simpático, solícito, abraçando todo mundo. Muito próximo de todos os fãs. Foi emocionante. 

Quais outros superastros já se hospedaram no Ouro Minas?
Acho melhor dizer que é a suíte preferida de príncipes, princesas e chefes de estado, além de artistas nacionais e internacionais (fico com receio de expor a intimidade dos hóspedes).

É verdade que o Ouro Minas é o único 5 estrelas de BH?
Sim.

Por favor, conte-nos mais curiosidades sobre Paul no Ouro Minas. O que ele comeu nas refeições? Alguém da equipe do hotel conseguiu tirar foto com ele? Principalmente: ele tocou ou teve alguma atividade musical no hotel?

Quanto ao cardápio, posso dizer que ele é muito tranquilo. Mesmo sendo vegetariano, as solicitações foram muito fáceis e comuns de serem atendidas. Disponibilizamos um piano na suíte pra que ele pudesse tocar. E, sim. Ele tocou! Até usou a pesquisa do hotel como suporte para a partitura.

Nas refeições, eles sempre colocavam uma musiquinha ambiente, deixando o ambiente ainda mais intimista e aconchegante. E, os mesmos tapetinhos que disponibilizamos pra que ele e a esposa fizessem Yoga, ainda estão disponíveis em nossa academia, para que os demais hóspedes usem. Só não falamos isto pra ninguém, para que não percamos os tapetinhos do Sir. Depois da saída dele, fizemos um AD nas principais revistas do país, uma homenagem, agradecendo a visita. Ganhamos inclusive um prêmio com ele.

O Ouro Minas vai apresentar parte da programação da BH Beatle Week, certo? Quais serão as datas e as atrações?
Sim. Este ano teremos a honra de ser o Centro Nervoso da BH Beatle Week. Além de hospedarmos todos os artistas que tocarão no festival, queremos trazer para o Ouro Minas toda atmosfera de Liverpool. Pra isto, nossa trilha sonora do período será exclusivamente Beatles em todos os nossos espaços como Bar, Restaurante e Café. E, claro, as seguintes atrações:
  • Happy Hour
    Dias 4, 5 e 6 de agosto
    Às 19h, no Espaço Niemeyer
    Atrações ainda a definir
  • Teatro
    Dia 6 de agosto
    Às 20h, no Auditório Ouro Preto
    Aggeu Marques (The Yesterdays) e Gary Gibson (Eletroacústico Lennon e McCartney)
  • All Nigther
    Dia 6 de agosto
    Às 22h, no Salão Centenário
  • Quatro atrações:
    George Harrison Tribute (RJ)
    Vix Beatles (ES)
    Bluebeetles (RJ)
    The Fabfakes (SP)
Conheça o site oficial:
www.ourominas.com.br

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Entrevista: May Pang fala sobre seu relacionamento com John Lennon

John Lennon foi assassinado por uma arma de fogo disparada por um infeliz débil mental, em 8 de dezembro de 1980, na entrada de seu prédio em Nova York. Desde sua trágica morte, muitos boatos e especulações têm surgido sobre sua vida e sua música. Não é segredo que a viúva de John, Yoko Ono, tem agüentado tanto elogios quanto críticas por sua parte na trajetória dos Beatles. Entretanto, outro aspecto muito importante da história de Lennon costuma passar batido. Eu falo da "outra" mulher... May Pang.

Pang teve um relacionamento de dois anos com o amado Beatle. O casal permaneceu íntimo até a morte dele. Entretanto, Yoko, ao lado de vários historiadores do rock, tem deliberadamente tentado alterar a história, e eliminar qualquer registro do envolvimento de May com John.

Ironicamente, foi a própria Yoko quem escolheu Pang como a "companhia ideal" para o marido. Pang era uma mulher atraente que havia trabalhado como secretária pessoal dos dois. Mas para Yoko o tiro saiu pela culatra quando Pang e John se apaixonaram e foram embora juntos.

Infelizmente para Pang, o relacionamento acabou quando, em 1975, John voltou para sua mulher. Ela acabou se casando e depois divorciando do produtor Tony Visconti, com quem teve dois filhos. Atualmente, ela está desenvolvendo uma retrospectiva radiofônica, cujo nome provisório é "May Remembers", está reunindo suas fotos e memórias de John Lennon para uma exposição, e acaba de lançar sua linha de jóias chamada May Pang Feng Shui Jewelry Collection.

Por onde começamos?
Boa pergunta! Muita gente quer saber como John Lennon era como pessoa, e muitas mulheres querem saber como ele era na cama!

Podemos partir por aí ou pegar um pouco mais leve. O que você prefere?
(Risadas) Lembre-se, ele foi o primeiro cara com quem morei.

Ok, vamos pegar leve.
O que as pessoas não conseguem entender é que eu tive um relacionamento com John que atravessou mais de dez anos.

Mas o próprio John Lennon chamou o relacionamento de vocês de "Final de semana perdido". Deve ter sido um inferno de final de semana.
Isso veio daquele filme, "The Lost Weekend". Ele era um grande fã de cinema. Pediram que ele desse uma declaração sobre seu retorno ao Dakota, e esta foi a frase-conceito que ele soltou. Ele não poderia mesmo dizer que foi o melhor período da sua vida! (Risadas)

Você fala do tempo em que ele passou com você?
Sim. Ele me contou antes que estava chamando nossos dois anos juntos de "Final de semana perdido", assim eu poderia me preparar para ler isso na imprensa. Então quem não tivesse ouvido isso de mim antes diria: "por que ela anda espalhando isso já que durou apenas um final de semana?". Obviamente, esta é uma ideia errada. As pessoas não entenderam porque eu escreveria um livro baseado apenas em um final de semana. Mas elas não sabiam a verdadeira história.

E qual é a verdadeira história?
Eu morei com John Lennon por quase dois anos, e, sobretudo, tivemos uma relação de dez anos juntos. Por alguma razão, as pessoas ficam abismadas com isso.

John estava casado com Yoko Ono durante os anos em que você diz ter estado com ele.

Não é nenhuma "conversa" e sim um fato. Até Yoko já falou sobre isso. Na época em que estávamos juntos, ele estava separado dela.

Um dia Yoko te puxou pelo braço e disse "John e eu estamos passando por problemas conjugais. Por isso eu quero que ele fique com você um tempo". Verdade ou lenda?
Bem, você simplificou a coisa. Era 9h30 da manhã. Eu estava preparando tudo para mais um dia de trabalho, antes que todos chegassem ao escritório. Yoko veio a mim e disse: "você sabe que John e eu já não estamos mais tão juntos. E você também sabe que assim ele vai começar a ver outras pessoas. Eu sei que você não tem namorado". Eu então olhei pra ela e disse: "o quê? Eu não estou interessada!". Mas Yoko falou: "Sei que você não está atrás dele, mas acho que você precisa de um namorado e que deveria sair com ele".

Assim parece divertido.

Não! Não! Eu não o queria. Mas Yoko disse: "eu acho que você deveria sair com John e você VAI". E aí ela saiu da sala. Fiquei lá sentada pensando: "o que aconteceu?". John depois me disse que Yoko foi até o banheiro onde ele estava se barbeando e disse: "resolvi tudo pra você, já pode sair com May Pang". John me disse que quase abriu um corte na garganta! Ele falou para Yoko: "como sabe que eu gosto dela?". E ela: "bem, eu sei". E foi assim.

Então onde as coisas deram errado?
Yoko achava que tudo ia durar apenas umas duas semanas, e que as coisas voltariam logo ao normal. Ela pensou que eu seria só uma foda rápida e  que não passaria disso. Obviamente, eu fui escolhida a dedo por ser quieta, uma pessoa dócil! Mas o que Yoko não contava era que John e eu nos apaixonaríamos.

Foi um jogo de risco para Yoko.
Também acho! Mas ela sabia que eu não tinha interesse, assim ela sentiu que estava segura. Mas levou um tempo para eu me apaixonar por John.

Eu suponho que a maior estrela do rock mundial era uma pessoa difícil de se conviver. Como era o relacionamento de vocês dois?
Ele não era nada difícil. As pessoas escreveram muitas coisas sobre ele que não são verdade.

Eu li que John Lennon precisava ser controlado; que ele precisava de uma espécie de babá.
John foi criado por sua tia Mimi, que era uma mulher extremamente controladora. Ele lutou contra isso o máximo possível. Ele precisava que mostrassem a ele como fazer as coisas simples da vida, porque era um prisioneiro de sua própria fama de Beatle... tudo estava sempre pronto pra ele. Tivemos um relacionamento de respeito mútuo com muitos interesses em comum. Música... rock and roll era nosso grande território em comum. Foi o que moldou a vida dele, assim como a minha.

John era um bêbado chato?
Esse assunto outra vez. Todo mundo acha que ele estava sempre bebendo. Mas não era assim. As coisas doidas que você leu sobre as bebedeiras de John aconteceram apenas duas ou três vezes. Foi tudo. Mas a imprensa continua arrastando isso porque esta é a maneira que as pessoas queriam vê-lo na época. Olhe para os dois anos em que estivemos juntos. Ele se dedicou mais às suas músicas do que em qualquer outro período de sua carreira solo. Se ele estivesse bêbado e chapado o tempo todo, como ele trabalharia nas músicas? Por falar nisso, as drogas não eram algo que ele usava diariamente. Os amigos apareciam e dividiam o que tinham com ele, mas não era uma coisa que ele fazia questão de ter.



Foi dito que durante as gravações de Wall and Bridges John estava bêbado todo o tempo.
Algumas pessoas gostam de pensar nele como um bêbado miserável. Mas ele não era - e especialmente quando estava gravando um álbum. Confie em mim, se John bebesse como as pessoas falam, ele não conseguiria trabalhar. Ele trabalhava duro quando estava fazendo sua música. Era muito sério sobre seu tempo no estúdio. Sem drogas, sem bebida. Quando John marcava o estúdio para as 7 da manhã, ele queria dizer 7 da manhã e não 7h15. Depois que tudo terminasse, ele poderia acender um baseado para relaxar e ouvir as gravações do dia.

John não se achava um bom cantor. Ele chegou a conversar com você sobre isso?
É verdade. Eu estava sempre dizendo que ele era um grande cantor. Ele me perguntava o tempo todo se suas composições estavam ok ou se sua voz estava ok. Costumava ser muito inseguro. Lembre-se, ele era um ser humano. Ainda era alguém que tinha muitas inseguranças. Eu estava sempre lá para levantar sua moral. Mas ele era um gênio. Podia escrever palavras simples como "eu te amo" e transformá-las em algo muito especial.

Você o viu compor canções?
Sim. Sempre me perguntam isso. As pessoas querem saber se eu estava perto quando John escrevia suas músicas. Eu o vi escrever canções muitas vezes. As letras simplesmente saiam. Ele tinha aquele talento natural.

Descreva um dia típico na vida de John Lennon.
Nós gostávamos de visitar amigos nos Hamptons e coisas assim. Curtíamos nadar, sair de barco, caminhar e ir ao cinema. Seu filho Julian estava muito com a gente durante aqueles anos. Costumávamos planejar as coisas de acordo com o que acontecia ao nosso redor no momento. O dia começava para John por volta das 11 da manhã - com uma xícara de café e seu exemplar do New York Times.

Então se John era feliz e tão criativo com você, por que ele não deixou Yoko e casou contigo?
Isso é muito difícil de se explicar.

Eu li uma declaração sua onde você acusava Yoko de hipnotizá-lo para te deixar.

Ele teve problemas para cantar por causa do cigarro. Não conseguia segurar a afinação e faltava fôlego. Eu odiava que ele fumasse e queria que parasse. Hoje as pessoas acham que Yoko não estava por perto quando John estava comigo, mas eu posso afirmar que o telefone tocava até 20 vezes por dia. Nunca houve um momento onde ela não tentou trazer John de volta. No início ele se sentiu culpado. Culpado por estar tão feliz e ela talvez não. Então, poucos meses depois de ficarmos juntos, Yoko o quis de volta e ele não voltou.

Você se refere ao boato que diz que Yoko o hipnotizou para abandonar você?
As pessoas não vão acreditar nisso. Mas quando John contou a Yoko que queria parar de fumar, ela ligou algumas semanas depois e disse que tinha uma ótima maneira para ele largar o cigarro. Mas ela não contaria por telefone. Disse que ele deveria procurá-la e que seria ótimo. Ela era uma fumante compulsiva e disse que conseguiu parar, e que ele também poderia. Senti-me muito desconfortável sobre isso. Nós até brigamos. John disse: "você quer que eu pare de fumar, não quer? Deixe-me tentar o método de Yoko e estarei em casa em tempo para sairmos para jantar. Vamos para onde você quiser". Ele queria estar comigo para planejar uma visita a Paul e Linda em New Orleans. Ele queria compor com Paul novamente. Teria sido legal, não? Então ele foi e eu não soube de mais nada dele. Tentei ligar para o apartamento, mas não me deixaram falar com ele. Yoko só dizia que ele estava dormindo. Disse que ele passou por uma sessão de hipnose, vomitou bastante e estava esgotado. Finalmente, quando eu o vi, ele disse que "tinha permissão para retornar ao Dakota". Eu disse: "permissão? E como isso afeta você e eu?" E ele: "Yoko disse que seria bom para meu processo de imigração e que eu poderia continuar vendo você". Pelos cinco anos seguintes Yoko tentou me apagar da vida de John. Mas ela não conseguiu. Ele continuou me telefonando.

Assim parece que John gostou da situação. Você concordou em dividi-lo com Yoko?
Não. Como se pode dividir alguém que se ama? E se você realmente parar para pensar... foi Yoko quem quis comer seu pedaço do bolo também. Na verdade, Yoko certa vez sugeriu que alugássemos um apartamento no Dakota, assim pareceria que John não havia saído de casa... mas nós achamos que quase uma consolação. John e eu nos vimos ou nos falamos até o ano de sua morte. Ainda éramos amigos e ainda nos amávamos. A única razão pelo qual nosso relacionamento terminou é o fato de ele não estar mais aqui.

Se John não tivesse sido assassinado, você acha que ele teria se divorciado de Yoko e casado com você?
Quem sabe o que poderia ter acontecido? É uma situação complicada. Muita gente vai acreditar o que quiser. Só eu sei o que rolou entre John e eu.

Você escreveu um livro chamado Loving John. Na verdade, você atualizou o livro desde a primeira publicação. Ainda há mais para contar?
Claro. Muita coisa foi deixada de fora.

Por que deixar fatos desconhecidos a esta altura?
Não deixei. Foi o editor. Eu contei a história inteira, mas eles apenas publicaram trechos do que escrevi.

Conte uma história sobre John que ninguém mais sabe ou que não tenha escrita.
Existem muitas. Eu acho que a coisa mais interessante que as pessoas deveriam saber é que John e eu estávamos planejando ir a New Orleans para visitar Paul. Ele queria compor com Paul novamente. John me perguntou se eu achava uma boa ideia. Dá pra imaginar?

Sem trocadilhos aí.
(Risadas) O que as pessoas não sabem é que Paul era um assíduo visitante em nossa casa. Quaisquer problemas que Paul e John tiveram sobre negócios acabaram. O lance sobre eles, e digo isso sobre todos os quatro, é que eram irmãos de verdade. Eles podem dizer o que quiserem um sobre o outro, mas qualquer outra pessoa é proibida de falar mal sobre eles. Eles eram assim.

Diga-me a primeira coisa que vem na sua cabeça: John Lennon.
O homem mais influente na minha vida.

Paul McCartney.
Uma das metades da maior parceria do nosso tempo.

Ringo Starr.
Meu primeiro Beatle preferido.

George Harrison.
Um homem amável e sereno que eu tive o prazer de conhecer.

Yoko foi acusada de ser a culpada pela separação dos Beatles. Foi mesmo culpa dela ou deles mesmos?
Com toda justiça, acho que eles teriam se separado de qualquer jeito. Eles já estavam no limite. Eu só acho que Yoko acelerou o processo. Acho que o fim chegou mais rápido do que o previsto.

Foi culpa de Yoko?
Eu acho que ela teve sua culpa. Quanto? Eu não sei dizer.

Qual sua opinião sobre ela?
(Longa pausa) Acho que é melhor guardar isso pra mim.

Você não acha mesmo que eu vou te deixar fugir com essa resposta, acha?
Eu só posso dizer que não tenho contato algum com ela. No momento existem muitas outras coisas acontecendo. Assim, eu preciso me concentrar nisso. São coisas que vão me afetar direta ou indiretamente muito em breve. Há um futuro musical da Broadway chamado Lennon - The Musical. Yoko está liberando 25 músicas para o show, mas qualquer menção ao meu nome caiu fora, pelo que sei. Eu já esperava por isso? Sim. Eu fui apagada. O que eu adoraria que os leitores soubessem é que o tempo que passei com John foi o mais produtivo e criativo de sua carreira solo. Sou feliz por ter sido uma influência positiva para ele.

Então como Yoko pode sair apagando você dos livros de história, como você diz?
Porque ela era a esposa. Esta não é a primeira vez que isto acontece com alguém... mas comigo sei que a verdade vai prevalecer, e até já começou.

Mas história é história.
Eu sei disso. É por isso que estou aqui. Pra falar sobre a minha história. Isso é algo que ninguém pode deixar de lado. Não importa o que dizem ou de que lado você está. Embora Yoko esteja tentando mudar a história... ela tem subsídios para fazer isso. Veja, você imagina quantas pessoas acham que é a voz de Yoko cantando em "Number 9 Dream", quando na verdade é a minha?

Ela diz ser a voz em "Number 9 Dream"?
Vamos dizer assim, ela não diz. Isso na verdade é muito engraçado. Ela lançou um DVD com todos os clips de Lennon. Considere o fato de que não existem realmente vídeos feitos para as músicas. Estas músicas foram feitas antes da MTV. Ela incluiu a música "Number 9 Dream" no DVD e preparou um clip. Bem, durante a parte onde eu chamo o nome de John, ela se colocou no vídeo dublando a palavra "John". Então se você não sabe que faço parte do processo, você pensa que é a voz de Yoko na canção... claro. Tudo porque você nunca ouviu outra voz de mulher nas músicas dele além da dela.

Então Yoko quer manter você fora de tudo... literalmente.
Isso aí. Conhece aquela famosa imagem de John usando a camisa de New York City? Aquela onde ele está realmente bonito?

Eu acho que muita gente conhece aquela foto.
Foi tirada na nossa cobertura quando estávamos morando juntos. Uma foto conta milhões de histórias. De fato, pretendo fazer uma exposição de fotografias de John e eu em casa. Será uma homenagem ao tempo em que vivemos juntos.

Estou certa de que Yoko vai tremer. Já que estamos falando de Yoko, qual sua opinião sobre a música dela?
Ela não faz o meu gênero. São apenas gritos e coisas assim. Em seu álbum Fly, ela tentou ser Elvis em algumas faixas. Mas seu jeito de cantar e compor não faz o meu gênero. Eu gosto é de rock and roll.

Você acha que John teria gostado da música de hoje?
Eu acho que ele escutaria. Mas ele ainda estaria fazendo seu próprio trabalho. Pegaria alguns elementos das músicas de hoje e criaria seu próprio estilo.

É verdade que você era gamada por Ringo antes de conhecer John?

(Risadas) John uma vez me perguntou quem era meu Beatle preferido, e eu disse "Ringo!". Ele me pegou de surpresa! Eu provavelmente deveria ter dito: "não, você sempre foi o meu favorito, John!". Lembro de uma vez em que John chamou Ringo e cochichou no ouvido dele: "você era o queridinho dela". Mas John sempre foi o melhor compositor do grupo.

John não escreveu uma música pra você?
Sim, ela se chama "Surprise, Surprise (Sweet Bird of Paradox)". O disco inteiro ("Walls and Bridges") foi o nosso álbum. Foi a primeira vez que ele teve um álbum no topo da parada com um compacto também número 1 em toda a sua vida. Então pra mim foi muito especial. Além de cantar nele, também fui a coordenadora de produção. Ele até me deu um disco de ouro.




Qual foi sua primeira reação quando soube da morte de John?
Senti-me como se estivesse afundando. Não existem palavras para descrever. Foi como se uma bola de aço tivesse caído direto para o fundo do meu estômago. Eu estava jantando lá na Costa Oeste. Fui correndo pra casa e o telefone não parava de tocar. Era a secretária de Ringo tentando descobrir para qual hospital John tinha sido levado. Peguei o telefone e disse: "ele se foi". Tudo o que ele disse foi: "o que há de errado com este seu maldito país?". Hoje, John me alcança em espírito.

Você foi até aquele físico John Edward para tentar manter contato com John?
Por sugestão de alguns amigos, fui visitar John Edward. Isso antes de ele ganhar seu programa na TV. Meu marido na época, Tony, e eu fomos vê-lo por outras razões. Não foi para contatar John! Eu nem estava pensando nisso. Mas John veio até nós. Na verdade, ele foi o terceiro espírito que veio durante aquela sessão.

Você realmente acredita nisso?
Acredito que John Edward tem um dom.

Eu acho que muitas pessoas que estão lendo esta entrevista lhe diriam que John Edward sabia muito bem quem você era e sabia de sua relação com John Lennon.
Ele não sabia quem eu era. Eu estava com meu marido e ele não sabia nada sobre mim. Nós estávamos em uma sala cheia de gente. Ele sabia tanta coisa sobre meus parentes que já haviam morrido que eu fiquei espantada. As coisas que ele mencionou não chegaram nem a serem escritas em lugar algum! Meu marido e eu nos olhamos sem acreditar. Eu sinceramente acredito em anjos e espíritos. Existe algo lá fora. É tudo o que eu sei. É como quando John e eu vimos um OVNI. Como se explica isso?

Sem drogas?
Não! Ele viu primeiro. John imaginou que se eu não visse também, ninguém mais iria acreditar nele, nem mesmo eu.

Como era o relacionamento entre John e seu filho Julian?
Eles tiveram problemas em se aproximarem, já que passaram três anos distantes. Quando John e eu estávamos juntos, eu tentei criar uma ponte entre os dois. Na verdade, no período de um ano, Julian nos visitou três vezes. Eu costumava dizer a John, mesmo quando não morávamos mais juntos, que ele deveria continuar a falar com Julian. Eu achava isso uma coisa muito importante. Era seu primeiro filho e eles não tiveram muito contato nos primeiros anos.

Julian alegou que Yoko o excluiu da herança da família.

Se for verdade, e tenho certeza de que Julian não diria isso se não fosse, é uma coisa muito triste. John era tão pai de Julian quanto era de Sean. Eles merecem receber partes iguais de sua herança. Por falar nisso, Cynthia e eu ainda somos amigas. Ela também está com um livro para sair.

Se você pudesse estar a sós com Yoko, o que diria a ela?
Boa pergunta. Eu nunca pensei nisso. Nos esbarramos há alguns anos atrás. Estávamos a talvez três metros de distância. Quando ela me viu, se virou e foi por uma outra direção. Se eu tivesse a chance de falar com ela, eu diria que sinto muito por John não estar mais aqui. Ele morreu de um jeito terrível. Tentei entrar em contato com ela após tudo que aconteceu. Foi algo horrível pelo qual tivemos de passar. Mas ela não retornou minhas chamadas. Existiram três mulheres na vida de John após ele sair de casa, Yoko, Cynthia e eu. Eu provavelmente diria a ela que nós três vivemos momentos e histórias diferentes com John, e negar qualquer parte da vida de John é muito injusto com ele.

Conte-me outro mito sobre John Lennon.

Lá vai um dos grandes: Yoko e John reataram o romance no show de Elton John no Madison Square Garden, e ele não sabia que ela estava lá. Não é verdade! Nós não só sabíamos que ela viria, como também conseguimos os ingressos para ela e seu acompanhante!

Você não acha que pode parecer chata?
Yoko era casada com John, eu era apenas a namorada, então sim, posso parecer chata às vezes. Entendo perfeitamente. Mas imagine minha frustração por ser apagada da história deliberadamente. Eu realmente não sei como Yoko consegue dormir sabendo o que fez. Mas eu sim posso dormir em paz.

Você acha que um dia alguém fará um filme sobre a vida de John?
Alguns já foram feitos, e estou certa que farão mais. E, claro, esta peça que está na Broadway. Também todos estes livros "autorizados". Todos eles omitem dois anos da vida de John. Não seria tão ruim se John não tivesse produzido nada, mas trata-se do período mais prolífico e produtivo de sua carreira-solo. Fãs jovens escrevem para mim e dizem: "Nunca ouvi falar de você! Quem é você? De onde você veio?" É um absurdo!

Sem querer mudar de assunto, mas o que você acha sobre Michael Jackson ser o dono dos direitos das músicas dos Beatles?
Eu gostaria que Paul fosse o dono. É triste que os autores originais não possuam suas próprias músicas. Os Beatles foram as cobaias do Rock and Roll. Digo isso porque eles viveram sob contratos obsoletos. Ninguém esperava o sucesso que eles tiveram. Fora Elvis, ninguém é mais popular no mundo. Eles não tiveram um contrato justo até o primeiro ser renegociado em meados de 1968, 69. A partir daí, outras bandas conseguiram coisas melhores porque elas aprenderam com os erros dos Beatles. Eles eram ricos em posses, mas pobres em dinheiro. Era assim que John e eu vivíamos. John tinha de pegar dinheiro emprestado quando estávamos juntos! As coisas eram assim.

Você lembra das últimas palavras que John disse a você?
(Longa pausa) Lembro que foi em meu apartamento, em um feriado de 1980. Falamos sobre as pessoas, e a última coisa que ele disse foi: "estou tentando bolar um jeito de você vir pra cá e me ver. Sinto muito a sua falta. Eu simplesmente preciso ver você". Ele me ligou direto de Cape Town, na África do Sul.

Então quer dizer que ele ainda pensava em você, até perto de morrer?
Sim.

Algum arrependimento?
Eu só me arrependo das vezes em que John me procurou e eu não estava lá. Várias pessoas, que estavam em um restaurante que frequento, me contaram que John estava jantando com Yoko, Elliot Mintz e Tony King, que trabalhava na Apple Records. De repente John começou a gritar: "Tirem Yoko daqui. Eu quero estar com a May. Não quero mais ver Yoko novamente. Eu só quero estar com a May!".

Não quis ter um filho com John?

Ele me perguntou uma vez sobre isso. Quando descobriu que Yoko estava grávida, ele disse: "você não queria que fosse seu?". E eu: "eu nunca faria isso se você não estivesse pronto". Ele me abraçou e disse, "Eu sei disso".

O que você diria a John se pudesse falar com ele uma última vez?
Eu diria o quanto eu o amei e quanto a sua falta dói em mim. Nós nunca tivemos a chance de nos despedirmos, mas nossa história estava longe de acabar.

Por Chauncé Hayden