Paul McCartney entrou com um processo nesta quarta-feira contra a gravadora Sony, tendo como objetivo recuperar os direitos autorais de propriedade intelectual dos sucessos que compôs com os Beatles entre os anos de 1962 e 1971.
A argumentação de McCartney se baseia nas diversas modificações na legislação americana sobre os "direitos autorais" que, segundo o cantor de 74 anos, lhe permitiria recuperar a partir de 2018 a propriedade de suas canções escritas por ele e John Lennon para os Beatles. Entre esses temas que fazem parte do pleito se encontram sucessos dos de Liverpool como "Love Me Do", "Can't Buy Me Love", "Ticket to Ride", "Yesterday", "Hey Jude" e "Let It Be".
De acordo com o texto da ação movida nesta quarta em um tribunal federal de Nova York, McCartney comunicou desde 2008 e em repetidas vezes para a Sony, que detém o catálogo dos Beatles depois de várias compras e vendas ao longo das décadas, sua intenção de recuperar o controle legal dessas músicas.
Uma revisão de 1976 da legislação americana sobre o "direitos autorais" estabeleceu que aqueles artistas que tivessem vendido seus direitos autorais a terceiros antes de 1978, poderiam retomar os mesmos 56 anos depois da criação dessas obras. Dado que as primeiras canções dos Beatles são de 1962, Paul McCartney considera que a partir de 2018 poderia executar esta cláusula legal.
"A partir que o primeiro termo (dos direitos autorais vendidos) entre em vigor em 2018, é necessária e apropriada uma declaração judicial neste ponto para que Paul McCartney possa confiar tranquilamente em seus direitos", diz o processo. Esta frase da denúncia sugere que por trás do movimento do ex-Beatle poderia estar o temor que seu caso termine como o do grupo britânico Duran Duran, que em uma disputa judicial de características semelhantes contra a Sony, perdeu a tentativa de recuperar os direitos de suas músicas.
Neste sentido, um porta-voz de McCartney afirmou à revista musical "Pitchfork" que o propósito de sua ação legal é "confirmar" seus direitos autorais de acordo com a reversibilidade dos "direitos autorais" nos Estados Unidos. A Sony respondeu hoje a demanda de McCartney, afirmando possuir "o maior respeito" com o artista, embora a gravadora disse estar "decepcionada" por uma decisão que considera "desnecessária e prematura", informou o "The Hollywood Reporter".
"Trabalhamos próximos durante décadas, tanto com Paul como com os herdeiros de John Lennon, morto há 36 anos, para proteger, preservar e promover o valor dos catálogos. Estamos decepcionados que tenham apresentado esta reivindicação, que achamos é desnecessária e prematura", disse a Sony.
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
As Canções Encomendadas a Lennon e McCartney
Certamente a dupla de compositores John Lennon e Paul McCartney é a mais gravada de todos os tempos. Bastaria a canção "Yesterday" com mais de 2.000 versões para lhes conferir este título. Isto sem contar uma seleção de astros que já interpretaram seus clássicos, já imortalizados pelos próprios Beatles, como Frank Sinatra, Elvis Presley, Rolling Stones, Aretha Fraklin, Michael Jackson, Bee Gees, Barbra Straisand, Elton John, U2, e muitos outros. Mas houve uma época em que os jovens músicos compunham por encomenda de seu empresário para outros artistas tão jovens e menos conhecidos que os Beatles.
O ano de 1963 foi um marco para a história da música pop britânica, pois em um cenário onde a música popular norte-americana dominava por anos, nunca uma dupla de compositores ingleses haviam ficado em primeiro lugar nas paradas por tanto tempo como Lennon e McCartney que, além de arrebatarem o topo das paradas com o álbum de estréia "Please Please Me", estacionaram lá o single "From Me To You" por sete semanas. Um outro grupo estreante de Liverpool, Billy J. Kramer and The Dakotas foi o primeiro a regravar uma canção dos Beatles com "Do You Want To Know a Secret?" e, para o lado B, solicitaram uma outra inédita de Lennon e McCartney, que escreveram para eles "I'll Be On My Way", e o sucesso foi imediato.
Empolgado com este súbito sucesso, o empresário dos Beatles, Brian Epstein tinha em sua empresa (a NEMS) uma série de outros artistas, aos quais as canções da dupla foram logo encomendadas. Como John e Paul compunham em profusão, eles possuíam um excedente de canções com que puderam atender a demanda de Epstein, sem muita dificuldade. E, em 26 de julho, o mesmo Billy J Kramer and The Dakotas lançou o single "Bad To Me" que foi outro grande sucesso comercial. Quatro dias depois, foi a vez de "Tip of My Tongue" com o cantor Tommy Quickly e, surpreendentemente, veio um dos pouquíssimos fracassos, senão o único, de Lennon e McCartney. Porém, um mês depois o grupo The Fourmost emplacou com "Hello Little Girl" seguido por Cilla Black com "Love of The Loved" e, no final do ano, Billy e seus Dakotas junto com o Fourmost repetiram o feito, respectivamente, com "I'll Keep You Satisfied" e "I'm In Love". Com tamanha quantidade de hits John Lennon e Paul McCartney poderiam até largar o grupo e sobreviver apenas de seus direitos autorais, mas o sucesso dos Beatles no final de 63 bateu todos os recordes de vendagem no Reino Unido com os singles "She Loves You" e "I Want To Hold Your Hand", estancou, em parte, as douradas encomendas.
No início de 1964, com o sucesso mundial do grupo, a demanda pelas canções com a grife "Lennon e McCartney" começaram a extrapolar os limites dos contratados da NEMS, pois naquele momento quase todos queriam uma canção inédita da dupla, como o duo inglês Peter and Gordon que, em fevereiro, lançaram o compacto "World Without Love" e desta vez foram ao primeiro posto da paradas não só na Inglaterra como também nos Estados Unidos. Peter e Gordon ainda gravaram mais duas canções inéditas de John e Paul, ambas grandes êxitos como "Nobody I Know" e "Woman", esta curiosamente assinada pelo pseudônimo de Bernard Weeb, pois os compositores quiseram testar se suas músicas vendiam apenas pela sua popularidade ou se realmente teriam qualidade.
Não demorou e veio a primeira encomenda dos Estados Unidos, proveniente de um grupo de estúdio chamado The Applejacks, liderado pelo compositor de vários dos sucessos de Chubby Checker, Dave Appell, que lançaram no verão de 64 o single "Like Dreamers Do". Devido aos muitos compromissos dos Beatles e à atenção cada vez maior dada aos seus próprios álbuns, fez com que John Lennon e Paul McCartney compusessem com exclusividade para seu próprio grupo. Os poucos felizardos que ainda foram brindados com canções inéditas foram o grupo inglês The Strangers com "One & One is Two" (64), o cantor americano radicado na Inglaterra P.J. Proby ganhou "That Means a Lot" (65, uma sobra do álbum "Help!"), a conterrânea da dupla, Cilla Black ainda recebeu "It's For You" (64) e "Step Inside Love" (68) e uma das últimas e raras inéditas "Goodbye" (69) interpretada por Mary Hopkin, primeira contratada pela gravadora dos Beatles, a Apple Records. Naquela altura, Lennon e McCartney já eram uma lenda viva da música pop da década de 60 e suas canções, mesmo as já gravadas pelos Beatles, eram regravadas por vários outros artistas, com isso eles se tornaram os maiores arrecadadores de direitos autorais da história.
Entretanto, mesmo com toda a fama, John e Paul sempre quiseram escrever uma canção inédita para Frank Sinatra, um ídolo da dupla antes do rock'n'roll capturá-los. Sinatra já havia gravado "Yesterday", mas um dia telefonou para os estúdios de Abbey Road, em Londres, onde falou com McCartney, pedindo-lhe uma canção. Paul havia escrito uma música em sua adolescência chamada "Suicide" sonhando um dia entregá-la para Frank Sinatra, tratava-se de uma canção em estilo cabaré. Foi justamente esta a canção que Paul enviou para Sinatra, que não entendendo o tom de brincadeira da letra, a recusou terminantemente. Parte de"Suicide" foi parar em "McCartney", primeiro disco solo de Paul em 1970, com o título de "Glasses". Anos mais tarde, num concerto, Frank Sinatra, antes de cantar "Something" de George Harrison, anunciou que cantaria uma música de Lennon e McCartney. O que é a fama!
Por Sérgio Farias
sábado, 8 de outubro de 2016
Peter & Gordon - eles conheceram o sucesso, na esteira dos Beatles
O que John Lennon e Paul McCartney faziam nas horas vagas? Compunham as mais maravilhosas canções que o mundo já viu, é claro. Mas, vocês acham mesmo que eles só compuseram aquelas canções? Claro que não! Muitas outras ficaram de fora porque, segundo eles, não eram tão boas quanto o nível dos Beatles. Não que as canções não fossem realmente boas, mas porque, segundo eles, não eram "Beatles o suficiente". Muitas dessas canções foram dadas para a dupla Peter & Gordon.
A dupla se conheceu na Westminster Boy's School e tinham muitas coisas em comum (o fato de os dois serem filhos de médicos, por exemplo), e decidiram formar uma dupla de folk, Gordon & Peter, onde tocavam em vários eventos escolares e em alguns clubes de folk no Soho. Depois eles trocaram a ordem dos nomes simplesmente porque achavam que soava melhor.
Eles viraram destaque a partir do momento em que eles tocaram no Pickwick Club, em janeiro de 1964, quando a cena Beat tinha transformado totalmente a indústria musical, a tal ponto que os homens da A&R (EMI) procuravam incessantemente novos talentos. Gordon Truenan Riviere Waller nasceu em Braemer, Escócia, no dia 4 de junho de 1945. Peter Asher nasceu em Londres no dia 22 de junho de 1944. Uma das irmãs de Peter era Jane Asher, uma atriz que, como a maioria sabe, foi a namorada de Paul McCartney até meados de 1968.
Peter decidiu falar com Paul para ele lhes dar uma canção para gravarem. Eles já tinham mandado 63 fitas para gravadoras antes de assinarem com a Columbia e terem gravado uma canção chamada 'If I Were You', mas Peter imaginou que uma canção escrita por um Beatle poderia se tornar um hit mais facilmente. Paul decidiu então completar uma canção que estava inacabada, 'A World Without Love', e a dupla teve seu lançamento de estréia em fevereiro de 1964. O disco, que também tinha versões para 'Lucille'e '500 Miles', estourou mundialmente: vendeu 550 mil cópias no reino Unido e 1 milhão no resto do mundo.
Ainda em 64 lançaram o disco 'I Don't Want To See You Again', que tinha não só a faixa título assinada por Lennon&McCartney, como também 'Nobody I Know'. O single também vendeu 1 milhão. Peter & Gordon foram para os Estados Unidos estrelar o Ed Sullivan Show, se tornando assim uma grande atração teen.
O próximo disco, 'I Go To Pieces', uma canção dada por Del Shannon, não causou muito impacto no Reino Unido, mas chegou ao 9º lugar nos Estados Unidos. Então Paul resolver tentar uma coisa: ele faria outra canção para a dupla, mas ao invés de aparecer "Lennon&McCartney" nos créditos, apareceria o nome fictício "Bernard Webb". Ele queria saber qual seria a repercurssão de seu trabalho sem o selo "Beatles" ligado a ele. A canção se chamava 'Woman'e chegou ao 28º lugar no Reino Unido e 14º nos Estados Unidos.
Eles também lançaram outro hit, 'Lady Godiva', em 1967, e mais dois outros singles: 'Sunday For Tea' e 'The Jokers', ambos frcassos muscais que nem chegaram às paradas britânicas.
Do repertório dos Beatles, eles também gravaram 'If I Fell', 'A Taste Of Honey' e 'Till There Was You'. Outras canções gravadas por eles: 'When I Fall In Love', 'Love Is a Many Splendoured Thing', 'To Show I Love You', 'All Shook Up', 'Crying In The Rain' e 'To Know Is To Love You', de Phil Spector, melhor gravada pelos Beatles nas sesões da BBC.
No final de 1967 Peter sugeriu a Gordon que eles se separassem para tentar seguir carreira solo. Gordon lançou alguns discos, mas sem muito sucesso. Peter foi trabalhar na Apple, e logo conseguiu um contrato para empresariar o cantor americano James Taylor. Mais tarde ele foi para os Estados Unidos e, além de Taylor, empresariou também Linda Rondstadt.
Gordon nunca mais obteve sucesso gravando discos. Em 1973 ele participou de uma peça de teatro musical chamada "Joseph And His Amazing Technicolor Dreamcoast", no Festival de Edinburgo, que passou por Londres e pela Austrália. Mais tarde ele se tornou sócio de uma companhia que fazia comerciais para rádio. Recentemente a EMI lançou uma coleção de 3 CDs com as músicas da dupla. Ao todo, eles gravaram 6 álbuns.
Apesar de não serem mais parceiros musicais, a dupla se reunia esporadicamente (e muito raramente) em eventos especiais, como em 2005, em benefício ao amigo Mike Smith (da banda Dave Clark Five), que encontrava-se hospitalizado. Gordon Waller morreu em 21 de julho de 2009, aos 64 anos, de ataque cardíaco.
Discografia
In Touch With... (1964)
Peter And Gordon (1964)
World Without Love (1964)
Hurtin' 'N' Lovin' (1965)
I Don't Want To See You Again (1965)
I Go To Pieces (1965)
True Love Ways (1965)
Best Of Peter And Gordon (1966)
Peter And Gordon Sing & Play The Hits Of Nashville (1966)
Somewhere (1966)
Woman (1966)
In London For Tea (1967)
Knight In Rusty Armour (1967)
Lady Godiva (1967)
Hot Cold & Custard (1967)
Best Of Peter And Gordon (1983)
Hits Of Peter And Gordon (1983)
Best Of Peter And Gordon (1991)
Ultimate Peter And Gordon (2001)
Definitive Collection: Knights In Rusty Armour (2003)
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Lennon & McCartney - Eles superaram tudo em nome da amizade
É claro que os Beatles não seriam o mesmo sem Ringo. Ele deu o toque final à personalidade da banda. George, além de ser a alma do grupo, teceu arranjos e solos para a maioria das músicas, além de também compor clássicos definitivamente eternos. Mas o mundo sempre irá falar sobre a dupla de compositores e amigos responsável pela grande maioria dos trabalhos da banda: John Lennon & Paul McCartney.
Desde que se conheceram em 1957 e sonhavam em ser maiores que Elvis Presley, John e Paul iniciaram uma parceria muito produtiva e perfeita. Eram os dois lados de uma moeda. Porém, 10 anos depois, a parceria já não era mais a mesma. A essa altura, já não compunham mais como antigamente quando sentavam um de frente para o outro com violões. Cada um trazia para o estúdio as músicas que escreviam individualmente e às vezes um dava os toques finais na ideia do outro.
Conforme iam crescendo, os interesses (dos quatro) tomavam rumos distintos, mas que ainda podiam se unir durante as gravações de um álbum. A amizade da dupla foi consequentemente afetada quando os primeiros sinais da separação começavam a aparecer.
É “chover no molhado” e ao mesmo tempo “perigoso” afirmar que Yoko Ono separou os Beatles (ou John e Paul), mas o fato é que em 1968 e 1969, a presença da artista japonesa incomodava os outros três Beatles. O próprio Lennon confessa que o “White Album” é bastante individual, ou seja, os Beatles não eram mais os mesmos. Lennon & McCartney apenas assinavam as músicas em conjunto e praticamente não criavam mais juntos.
Apesar de John se irritar com a suposta liderança de Paul, é notável que nos últimos tempos a maioria das idéias vinham de Paul, enquanto John parecia cada vez mais se importar apenas com sua própria vida (leia-se “John & Yoko”). Havia uma disputa entre os dois pelo lado A dos compactos. Ultimamente, Paul estava vencendo. Existe uma conversa gravada entre Paul e John em 1969 em que este diz: “Fico satisfeito em deixar 'I Am The Walrus' no lado B, mesmo sabendo que é muito melhor que 'Hello Goodbye'“. Mas John se irritou mesmo quando sua “Revolution” perdeu o lado A para “Hey Jude” de Paul, considerada mais comercial.
A famosa idéia de Paul para que os Beatles voltassem às origens com o projeto Get Back, incluía até performances da banda em locais pequenos como o Cavern Club. John recusou a idéia de imediato (Paul realizaria isso mais tarde com o Wings). As gravações e filmagens do que viria a ser o disco/filme Let it Be retratam o clima descontente dos quatro Beatles.
Após gravarem mais um álbum, Abbey Road, o futuro da banda era incerto. Apesar do clima de separação e de todas as divergências em torno da Apple (e Allen Klein), parece que nem mesmo John tinha tanta certeza do fim do grupo. Em setembro ele oferece sua nova composição, “Cold Turkey”, para ser o próximo compacto dos Beatles. Paul não gostou. Então, John resolveu montar sua própria banda, a Plastic Ono Band (que incluía Eric Clapton e Ringo Starr) e gravar a música como um compacto solo.
Não satisfeito, John assinou “Cold Turkey” apenas com seu nome, quebrando o pacto informal que fez com Paul 12 anos antes, que consistia em os dois assinarem as composições mesmo que tivessem sido feitas individualmente (o primeiro compacto solo de John, “Give Peace a Chance”, lançado antes de “Abbey Road”, atribuía a canção a Lennon & McCartney).
John contou que procurou os outros Beatles para que se apresentassem no festival pela paz em Toronto em setembro de 1969. Não localizando nenhum deles, decidiu se apresentar com sua própria banda. No voo para o Canadá, Lennon decidiu que iria deixar os Beatles.
A separação
Ainda em setembro de 1969, durante uma reunião na Apple, John interrompeu Paul para anunciar sua saída da banda. Klein convenceu John a não tornar a decisão pública alegando ser ruim para os negócios. Na época, John estava tentando largar a heroína, e havia um sentimento de todos de que ele poderia reconsiderar sua decisão quando estivesse totalmente livre da droga.De fato, não se sabe ao certo se John ainda estava indeciso ou apenas queria disfarçar que os Beatles não existiam mais. Em entrevistas entre o final de 1969 e início de 1970, quando questionado sobre o fututo dos Beatles, John dizia coisas como “prefiro não fazer planos” e “não sei se quero isso de novo, vivo mudando de idéia”.
Paul chegou a ligar para George e John perguntando se os Beatles voltariam a se reunir. Resposta de George: “Não sei. Você falou com o John?”. Resposta de John: “Porra, de jeito nenhum”.
As gravações de “Let it Be” foram entregues a Phil Spector, cuja pós-produção irritou Paul profundamente. Principalmente com as alterações em sua “The Long and Widing Road”. Paul tentou impedir, mas quando viu que não tinha mais jeito, deixou vazar a notícia sobre o fim dos Beatles em abril de 1970, anunciando sua saída e o lançamento de seu primeiro álbum solo, gravado secretamente.
John ficou irritado por Paul ter anunciado sua saída da banda. Na verdade, John queria ter sido a pessoa a anunciar o fim do grupo. Ele chegou a dizer que foi um “tolo por não fazer o que Paul fez, ou seja, usar o fim dos Beatles para vender um disco”.
A partir daí, sucedeu uma guerra judicial em torno da dissolução oficial dos Beatles. Paul queria a independência, visto que, por contrato, todos os ganhos dos trabalhos individuais teriam que ser divididos igualmente entre os quatro ex-beatles.
Too Many People x How Do You Sleep
Em sua famosa entrevista à Rolling Stone em dezembro de 1970, John declarava que o sonho tinha acabado e fez duras críticas a Paul (e George). Ele aproveitou a oportunidade para definir sua imagem de “roqueiro rebelde” contando vários podres dos Beatles.Porém, o auge da desavença entre Lennon e McCartney ocorreu em 1971 quando Paul lançou seu segundo álbum solo, “Ram”. A faixa de abertura, “Too Many People”, é repleta de referências a John e Yoko. Frases como “too many people preaching practices” (muitas pessoas pregando atitudes), “that was your first mistake, you took your lucky break and broken in two” (você dividiu seu dom em dois) e mesmo o “piece of cake” que pode ser entendido como “piss off cake” (vai se ferrar), não passaram despercebidos por John, que ficou magoado com o recado.
Outras faixas de “Ram” traziam indiretas a John (e também a George e Ringo) como “3 Legs” e “Smile Away”. O clima era dos piores devido às batalhas judiciais e as idas e vindas de Paul aos tribunais para tentar desmascarar Allen Klein.
Obviamente, John trataria de responder a Paul em seu próximo disco. E como não poderia deixar de ser, não usou recados indiretos, mas sim, frases diretíssimas e amargas contra o ex-parceiro. A idéia e a primeira parte de “How Do You Sleep” é obra de John, mas o restante foi basicamente escrito por Yoko e Allen Klein.
John não poupou o ex-parceiro e desferiu frases como “those freaks was right when they said you was dead” (aqueles loucos tinham razão quando diziam que você estava morto) e “the only thing you've done was 'Yesterday', and since you've gone you're just 'Another Day'” (a única coisa que você fez foi Yesterday, e desde que você se foi é apenas Another Day).
Consta que Ringo visitou John durante o processo de composição de “How Do You Sleep”. A música era composta enquanto era ensaida. A cada nova frase que surgia, John e Yoko se divertiam muito enquanto os músicos se irritavam calados. Mas a certa altura, Ringo interferiu dizendo: “Já chega, John, você sabe que isso é um pouco demais”.
Vários dos versos originais foram cortados. Havia um sobre Paul cantar imitando Little Richard. Allen Klein contou que após o verso sobre “Yesterday”, John pretendia cantar “you probably pinched that bitch anyway” (e mesmo esta você deve ter plagiado). Phil Spector, que co-produzia o álbum “Imagine” e George Harrison que tocou guitarra em “How Do You Sleep” (e em outras faixas do álbum), não pareceram se importar com a letra. O fato é que a música deixou Paul magoado.
John se arrependeu (em termos) de ter composto a música. Justificou que estava usando seu ressentimento em relação a Paul na hora de escrever. Ele lamentou a canção em entrevista contida no filme/documentário “Imagine” de 1988 onde diz que a música acabou sendo sobre ele próprio, assim como “Steel And Glass” que seria para Allen Klein.
Durante sua participação de 5 dias no programa The Mike Douglas Show no início de 1972, John contou que os músicos que o acompanhavam no programa sugeriram que tocassem “How Do You Sleep” ao vivo, mas ele preferiu não fazê-lo por causa das referências a Paul. Mas John comenta que a letra é uma resposta e que se trata de uma bela música.
Ainda no The Mike Douglas Show (disponível em DVD duplo), John afirma que os Beatles não se odeiam. “O problema é quando entram os advogados e a coisa sai nos jornais”, diz. Curiosamente ele conta que falava com Paul uma vez por semana. Ele fala da parceria entre os dois e que Paul só não é seu melhor amigo porque não o vê tanto quanto antigamente.
Paul ainda tratou de compor uma resposta a “How Do You Sleep”, a faixa “Some People Never Know” do primeiro álbum do Wings, “Wild Life”. Apesar das “cutucadas” em frases como “some people can sleep at nightime believing that love is a lie” (algumas pessoas dormem à noite acreditando que o amor é uma mentira), ele parece querer fazer as pazes com John: “I'm only a person like you...but who in this world can be right all the right time?” (sou só uma pessoa como você...mas quem neste mundo pode estar certo o tempo todo?).
Reaproximação
Depois de muito tempo e muita dor de cabeça, Paul conseguiu nos tribunais a dissolução oficial dos Beatles e os ganhos independentes para cada um. Ao mesmo tempo, conseguiu desmascarar Allen Klein diante dos outros ex-companheiros. Klein desviava dinheiro da Apple. Paul nunca confiou nele (“You Never Give Me Your Money”). John, George e Ringo ainda trabalhavam com Klein nos primeiros anos após a separação, e o empresário seguia com atitudes nada amigáveis para com eles a fim de aumentar suas contas bancárias, chegando até mesmo a desviar dinheiro da comercialização de cópias promocionais do álbum “Concert For Bangladesh”. Dinheiro que deveria ir para a UNICEF, de acordo com as intenções de George.De fato, após toda essa luta judicial em que os Beatles tiveram que processar uns aos outros, e sendo Paul o único a ir às audiências e conseguir o que seria o melhor para os quatro, uma reaproximação entre os ex-parceiros ficava mais fácil. George chegou a encontrar Paul e agradecer meio sem jeito por Paul ter livrado todos de Klein.
Somente em 1973, quando Allen Klein criticou Yoko é que esta se voltou contra ele, o que fez com que John o dispensasse. Muitos acreditam que a faixa “I Know (I Know)” de John, gravada no álbum “Mind Games”, é um pedido de desculpas a Paul sobre o caso Klein. Pouco depois, John e Yoko se separaram, e o ex-beatle foi morar em Los Angeles com seus amigos músicos e também recém-solteiros Harry Nilson, Keith Moon (baterista do The Who) e o velho Ringo.
Obviamente, sem Yoko por perto, era muito mais fácil para John e Paul se reaproximarem. Antes da famosa visita de Paul ao novo lar de John em Los Angeles, Yoko foi até a casa dos McCartneys contar que John havia ido embora com a secretária May Pang. Paul disse a Yoko que estava indo para Los Angeles e perguntou se ela queria mandar algum recado para John. Yoko disse que queria que o marido voltasse para Nova York, mas que teria que cortejá-la e reconquistá-la para que pudessem reatar.
Paul foi até o estúdio onde John trabalhava na produção do álbum “Pussy Cats” de Harry Nilson, mas não ficou lá por muito tempo. No dia seguinte, Paul foi até a casa de John para conversarem melhor. À tarde, John acordou e foi cumprimentar o velho amigo. Paul contou a história de Yoko e John acabou fazendo como ela queria.
O reencontro de Lennon e McCartney não serviu só para o recado de Yoko. Passaram o dia todo juntos, conversando e tocando. Existe um CD pirata com essa jam session. A qualidade não é das melhores, mas o registro é inegavelmente histórico. Há uma famosa foto em que John e Paul estão sentados num sofá tendo Keith Moon entre eles. Harry Nilson contou que os dois se comportaram como velhos amigos, ou seja, apesar de tudo, a amizade que começou na adolescência em Liverpool prevalecia.
Reunião?
Os boatos sobre uma reunião dos Beatles eram uma constante durante os anos 70, e nenhum deles escapava desse assunto durante as entrevistas. John disse em 1973 a seu amigo e repórter Elliot Mintz que gostaria que a tal reunião acontecesse.De fato, John chegou a telefonar para Paul para tentar trazer os Beatles de volta. O próprio Macca revelou isso em entrevista concedida em 1995. John perguntou: “O que você acha dos Beatles voltarem?”, e Paul respondeu: “Olha, o que eu acho é que vamos ficar juntos por uns três dias e depois separar de novo, talvez seja melhor deixar como está”.
Recentemente, May Pang afirmou que John desejava muito reativar a parceria com Paul e que isso só não ocorreu porque John voltou a morar com Yoko e após conseguir seu visto de permanência nos EUA e após o nascimento de Sean, decidiu abandonar o mundo da música.
Amizade renovada
Entretanto, o período de 5 anos de reclusão de John foi benéfico para sua amizade com Paul. Talvez não existisse o mesmo grau de intimidade entre os dois como antes, mas Paul e Linda visitaram John e Yoko no Dakota diversas vezes. Nunca falavam sobre negócios, ou coisas do tipo. Preferiam conversar sobre suas vidas atuais, suas respectivas famílias, ou como Paul gosta de definir, sobre “pães, gatos e bebês”.John, com seu humor e sarcasmo típicos, disse em entrevista: “Paul me visita sempre que está em Nova York, assim como todos os outros puxa-sacos do rock...eu o vejo sempre que está na cidade...simplesmente ficamos sentados sem fazer nada. Bebemos até ficarmos meio de porre e relembramos velhas histórias”.
Em maio de 1976, as ofertas para uma única reunião dos Beatles eram uma constante (haviam até boatos de que se reuniriam durante a turnê do Wings pelos EUA). A piada do dia do programa Saturday Night Live, que misturava música ao vivo e quadros de humor, era a seguinte: O produtor do programa, Lorne Michaels, aparecia dizendo que poderia oferecer a “tentadora” quantia de 3 mil dólares para os Beatles se apresentarem em seu programa. Acontece que John e Paul estavam juntos no Dakota assistindo ao programa e se divertiram com aquilo. John disse a Paul: “A NBC é aqui perto, podíamos aparecer lá”. Paul até se entusiasmou a entrar na brincadeira, mas os dois resolveram não ir porque, segundo John, estavam cansados.
De acordo com John, essa foi a última vez que eles se encontraram. Entre 1977 e 1980, John, Yoko e Sean dividiam a vida no Dakota com viagens à Grécia, Bermudas e Japão. Somente no segundo semestre de 1980 John voltou à ativa gravando novamente e dando entrevistas. Numa delas, ele comentou o derradeiro encontro com Paul: “Era uma época em que Paul vivia aparecendo lá em casa com um violão. Eu o deixava entrar, mas um dia acabei dizendo (pelo interfone): 'Desculpe, mas você não pode subir agora. Por favor, telefone antes de vir. Não estamos mais em 1956. Hoje a gente não fica aparecendo de repente na casa dos outros. Basta telefonar antes'. Ele ficou irritado, mas não disse por mal. Só queria dizer que estava cuidado de um bebê o dia todo”.
Em outra entrevista, em 1980, John disse que gostou muito do novo compacto de Paul, “Coming Up”. Mas enjoou tanto de ouvir que acabou escrevendo uma resposta, a canção “I Don't Wanna Face it”, lançada somente em 1983 no álbum póstumo “Milk And Honey”. Há também a suposta influência de Yoko na prisão de Paul por posse de maconha em 1980 no Japão.
Apesar desses episódios, Paul se orgulha muito de ter reatado a amizade com John. Paul tinha filhos pequenos e dava conselhos a John que havia acabado de ser pai (visto que ele não participou muito na criação de seu primeiro filho, Julian). É essa a lembrança mais doce que Paul tem de John. Essa última fase da amizade. Dois velhos amigos que tocavam juntos na juventude e conversavam sobre como criar filhos.
O fim
Na última entrevista de John, em 8 de dezembro de 1980, ele reclamou de como Paul, George e Ringo tratavam Yoko na época dos Beatles. “Não posso perdoá-los pelo que fizeram à Yoko, mas também não consigo deixar de amá-los”.Na manhã de 9 de dezembro de 1980, Paul acordou com a notícia do assassinato de John. Seu empresário na época, Steven Shrimpton telefonou informando a tragédia. Paul declarou que este foi “o maior de todos os choques”. Contou que ficou perplexo o dia todo e depois que voltou do estúdio para casa à noite, chorou muito e xingou o assassino de “o maior dos babacas” (o que se transformaria depois em um poema de ódio contra um monstro assassino).
É notório que até hoje o assassinato de John deixa Paul extremamente incomodado e emocionado. Desde 2002 ele tem tocado ao vivo a canção “Here Today” composta em homenagem a John em 1982 e muitas vezes sua interpretação é carregada de emoção, ficando difícil segurar o choro.
Lennon & McCartney “trabalharam juntos” por mais uma vez. Em meados dos anos 90, o projeto “Anthology” surgiu como o registro definitivo História dos Beatles contadas pelos próprios. Duas novas canções foram lançadas: “Free As A Bird” e “Real Love”. Gravações inéditas de John que receberam o acréscimo de vozes e instrumentos de Paul, George e Ringo. E no caso de “Free As a Bird”, Paul (com ajuda de George) preencheu o restante da letra deixada incompleta por John. Após o resultado, Paul afirmou se sentir seguro em dizer que se tratava de mais um original de “Lennon & McCartney”.
Eternamente
Mais do que a parceria mais influente e bem sucedida do século XX (e por que não dos séculos anteriores e dos séculos ainda por vir?). John Lennon e Paul McCartney foram amigos, companheiros e parceiros de vida. O legado deixado pelos dois é absolutamente eterno. É muito provável que o tempo passe e continue havendo sempre muitas pessoas ao redor do mundo ouvindo, lendo e escrevendo a respeito, aprendendo a tocar músicas belíssimas que trazem abaixo do título a marca “Lennon/McCartney”. Eternamente.Por Adailton Lacerda Leite
terça-feira, 2 de agosto de 2016
Lennon/McCartney ou McCartney/Lennon?
Parece um assunto irrelevante, e é. Afinal, que diferença faz o fato de uma música ter o nome de Lennon ou de McCartney em primeiro lugar? Mas a verdade é que esse assunto já provocou discordância e já causou aborrecimento a Paul McCartney. É sabido que havia um acordo verbal na dupla de compositores mais geniais de todos os tempos: independente de quem compusesse uma canção, ela seria igualmente creditada aos dois. E assim permaneceu até o fim dos Beatles.
A primeira música gravada com créditos para a dupla Lennon/McCartney foi “You’ll Be Mine”, de 1960, mas 3 anos antes, já haviam duas músicas (até então não gravadas ou registradas) da dupla: “Hello Little Girl” e “One After 909” (a primeira gravada no teste para a gravadora Decca, a segunda em uma das primeiras sessões já na EMI, mas só gravada e lançada definitivamente no álbum Let It Be, em 1970). Todas elas, no entanto, só se tornaram de fato ‘músicas dos Beatles’ nos anos 90, quando saiu a coletânea The Beatles Anthology.
Em se tratando de músicas dos Beatles de fato, ou seja, aquelas gravadas e lançadas por John, Paul, George e Ringo, a primeira creditada à marca Lennon/McCartney foi “Love Me Do”, em 1962, o primeiro single dos Beatles. Já no ano seguinte, “Please Please Me” e “From Me To You” foram creditadas como McCartney/Lennon. No ano seguinte, 1963, volta a ordem original e o single “She Loves You” volta a ser creditado como Lennon/McCartney, ordem seguida por todos os singles que viriam a ser lançados – sendo que no LP Please Please Me, as músicas aparecem como sendo de McCartney/Lennon.
Só após o fim dos Beatles, essa ordem com o nome de Lennon na frente realmente passou a incomodar o parceiro McCartney: em 1976, no lançamento do álbum ao vivo Wings Over America, as 5 músicas dos Beatles aparecem com a marca autoral McCartney/Lennon.
Enquanto John Lennon estava vivo, nunca houve qualquer tipo de conversa sobre a inversão dessa ordem, porém, após sua morte, Paul McCartney e a viúva Yoko Ono tiveram discordâncias sobre o assunto, quando McCartney, em algumas ocasiões, solicitou autorização para, oficialmente, creditar com seu nome na frente aquelas músicas que fossem prioritariamente criadas por ele, principalmente a mais conhecida, “Yesterday”. Yoko sempre se opôs à idéia, argumentando que não se muda a história, por isso a ordem deveria permanecer como já estava conhecida: Lennon/McCartney.
Paul McCartney, provavelmente numa tentativa de dispersar a polêmica em torno do caso, declarou: “Estou muito feliz com o jeito que as coisas são e sempre foram. Lennon/McCartney é uma marca forte no Rock’n’roll e tenho muito orgulho de fazer parte disso – na ordem que sempre foi”. No entanto, em lançamentos posteriores, algumas músicas dos Beatles aparecem como McCartney/Lennon – aparentemente sem a preocupação de solicitar de autorizações.
Curiosidade: no Brasil há duas marcas similares a essa parceria: Raul Seixas/Paulo Coelho e, claro, Roberto Carlos/Erasmo Carlos. Na primeira não há registros sobre discordâncias na ordem dos nomes. Quanto à segunda, no livro Roberto Carlos em Detalhes há uma breve narrativa sobre quando a ordem foi criada, sempre com Roberto na frente, mas segundo consta o parceiro Erasmo sempre achou uma grande vantagem ser o segundo nome. Para ele, o nome falado por último é o que fica mais gravado na cabeça da pessoa.
Voltando aos Beatles, o que todo fã concorda é que pouco importa a ordem dos nomes, e sim a qualidade dessas composições, e nisso, elas são inalcançáveis – e continuarão sendo.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
A Northern Songs
Pouco se sabe sobre os direitos autorais das músicas dos Beatles. Esclareça a maioria das suas dúvidas sobre os verdadeiros proprietários das músicas criadas pelos Beatles.
Esta matéria é baseada em documentos oficiais coletados em cartórios e por outras fontes ligadas ao assunto. É importante ressaltar que se trata apenas de uma pesquisa histórica e para realizá-la foi deixado de lado todas as fábulas cridas através do tempo sobre os assuntos abordados nessa matéria. Por se tratar de um assunto extremante polêmico entre os fãs dos Beatles e com muita pouca coisa escrita sobre o assunto da Criação da Editora das músicas dos Beatles e da sua posterior compra (incluindo os direitos autorais das músicas dos Beatles).
Nota: As fontes usadas para a formação desse artigo são idôneas e conseguidas de forma totalmente legal.
Escritório central até 1985: Londres, Inglaterra. Hoje localizado em Nassau, nas Bahamas.
Capital até 1985: Aberto (A empresa emite ações para sócios).
Hoje: Fechado (Devido a centralização da maioria do seu capital, cerca de 70%, na mão de um único dono)
Então o controle da empresa era o seguinte: John e Paul tinham 15%, Dick James com 7%, sua família com 15%, Emmanuel Charles, presidente da Northerm com 15%, as empresas NEMS com 7% e George e Ringo com apenas 1,6% das ações (o restante de sócios minoritários). Esse arranjo se manteve até 1973. Dick James sempre ganhava 10% sobre a renda bruta da empresa como taxa de gerência.
Foram criadas empresas filiais para administrar os direitos autorais aonde a lei era diferente da lei do Reino Unido, com contratos exclusivos entre a Maclen Music Ltd. (Empresa que representava os Beatles legalmente) e as "filiais" da Northerm. Isso ocorria em certos países como EUA, Canadá, México e Filipinas. Havia também outros contratos com companhias na França e Austrália. O núcleo do relacionamento entre Maclen e o a Northerm é o fato que a Maclen atribuiu o copyright das canções à Northern, que retornava os pagamentos dos royalties. John e Paul recebiam os direitos, mas eles não mantiveram o controle sobre as ações. O que provocou a perda total do controle da empresa e também dos direitos autorais sobre as músicas da mesma.
Quando Allen Klein assumiu os negócios dos Beatles, Dick James vendeu suas ações para Lew Classe e a ATV Music por 35% do valor de face. Quando a oferta foi feita, Dick James visitou Lennon e McCartney na casa de Paul para explicar sua situação. Ambos ficaram irritados com o fato e consideravam o negocio um absurdo, então os dois ofertaram um valor alto oferecido pela a Northerm que era de 42/6d por ação. Mais os investidores majoritários preferiam o negócio com a ATV. Quando foi realizado o negocio, John prendeu 650.000 ações, e Paul prendeu 750.000 [a diferença ficou com Cynthia por causa do seu divorcio com o John. John e Paul obtiveram um lucro líquido de mais de 1.000.000 de libras do negócio].
Embora a imprensa divulgasse que este era o fim do controle de Beatles sobre suas próprias canções, tem-se que recordar que a Northerm era nada mais do que o arrecadador para a Maclen, que continuaria a fornecer aos Beatles uma renda sobre as suas canções.
Durante os anos, havia um número de disputas e de ações judiciais que envolvem ATV e o Beatles. Entretanto, os dois tentaram estabelecer um relacionamento, até certo ponto que Lennon e McCartney assinaram contratos de solo com a ATV através de suas companhias respectivas. Com isso eles obtiveram o controle sobre a ATV, que se transformou em uma subsidiária da Associated Communications Corporation, que era própria o assunto de uma batalha que já estava na última instância. Mudando o controle da ATV para Robert Holmes A'Court, que vendeu então a ATV a Michael Jackson.
Os originais da época mostram que Jackson arranjou um empréstimo de $30.000.000 USD do Chemical Bank para facilitar a compra antes de transferir a Northerm para Nassau nos Bahamas (Local conhecido até hoje como um paraíso fiscal), onde dois banqueiros facilitaram a transferência. O grupo inteiro da ATV foi comprado. Não há nenhuma documentação que mostra o valor total pago, embora os relatórios de imprensa indiquem que foram 34.000.000 libras.
Os anuários aos clientes da companhia arquivados nos anos antes do takeover de Jackson dão o balanço anual dos lucros da Northerm Songs Ltd.:
1978. £ 2,637,161.
1979. £ 2,953,206.
1980. £ 2,305,089.
1981. £ 2,278,017.
1982. £ 2,920,039.
1983. £ 3,358,455.
1984. £ 2,081,833.
1985. £ 942,010.
No período antes da compra de Michael Jackson a Northerm Songs Ltd., não explicava de onde vinha a sua renda. Isto não acontecia quando a Northerm era meramente uma subsidiária da ATV. Os dados abaixo se referem apenas o que era recolhido pela as músicas dos Beatles no período de quinze meses até 30/06/83.
UK Mechanical. £ 647,886.
UK Performance. £ 199,901.
UK Lyric. £ 1,144.
UK Sheet Music. £ 176,028.
Mechanical relaciona-se à renda das companhias BRITÂNICAS da gravação, para gravações de Beatles das canções escritas por membros do grupo, ou de versões de outros artistas. O Performace relaciona-se a pagamentos feitos apenas pela execução das músicas. Os Beatles são incapazes de resolver o caso devido à complexidade do caso.
O ponto chave aqui é que os Beatles atribuíram seus direitos de publicação a Northern Songs. Assim eles ganhavam 90% de tudo que era arrecadado.
Quando, Jackson comprou a Northern acabou adquirido a maioria dos direitos de publicação das canções do Beatles. Fora quatro canções dos dois primeiros discos da banda. Que foram publicadas antes da formação de Northern. Essas canções hoje pertencem a MPL de McCartney.
As canções de George Harrison e do Ringo Starr também estão fora do controle da Northern Songs, porque o contrato de ambos com a Northern expirou em 1968. E Não foi renovado por divergências nas negociações.
Devo mencionar que a Sony Corp. Teria pagado a Michael Jackson $95 milhões em 1995 para fundir ATV com a Sony. Da fusão resultou a Sony/ATV que controlava Northern até o inicio de 2004.
Em janeiro desse ano Jackson teve que vender mais uma pequena parte a Sony. Para ostentar "seu modo de vida excêntrico" (foi publicado nessas palavras em diversas fontes na imprensa). Assim se chega à conclusão que a gravadora Sony detem mais da metade dos direitos autorais das músicas dos Beatles.
Os preços cobrados pelas canções são extremamente abusivos. O que leva a um segundo ponto chave na questão. A visão do capitalista explorador que é tido como o "dono" da empresa. Embora os donos da Northern recebem os royalties gerados por canções dos Beatles em virtude de sua posse dos direitos autorais, Paul McCartney e John Lennon recebem sempre à parte de compositores que é 50% dos royalties para todas as canções de Lennon-McCartney.
A empresa dos Beatles conhecida como Apple Records controla os direitos de imagem e também a venda de material promocional da banda, o que gera mais dinheiro com o nome "The Beatles". No caso das gravações elas pertencem a EMI, que também paga aos Beatles pela execução das músicas.
Desde da época da compra a Northerm a forma de administração da empresa é bem interessante financeiramente para Jackson. Por exemplo, quando Paul fez a sua excursão em 1989 ele queria imprimir as letras de músicas como "Eleanor Rigby" no roteiro dos shows. Descobriu que teria que pagar uma taxa a Michael Jackson, porque ele era o proprietário dos direitos de publicação e execução.
Uma outra coisa que a editora não pode fazer (nos ESTADOS UNIDOS, ao menos) é impedir que alguém grave uma versão de alguma música que ela possui. A única função da editora é controlar os royalties pela regravação. Entretanto, se as negociações falharem, a lei dos EUA permite que o artista introduza a gravação no mercado, pagando um royalty estipulado (geralmente bem alto quando o assunto é Beatles) à editora. O que mostra que a Northerm não tem total controle sobre as músicas do seu catálogo.
Não existe um culpado sobre o a situação tão complicada dos direitos autorais das músicas dos Beatles. O que houve foram erros consecutivos na administração deles. E um oportunismo cometido por um dos controladores dos direitos autorais.
No meio disso tudo quem sempre leva a pior são os fãs dos Beatles, pois eles ficam como reféns do jogo capitalista que envolve toda a confusão causada pelo caso. E como sabemos a ética é uma palavra que não existe quando falamos em dinheiro. E de algo que rende milhões por ano totalmente sem transparência ou fiscalização de órgãos competentes para o assunto.
Por Marcos Augusto Fernandes
Esta matéria é baseada em documentos oficiais coletados em cartórios e por outras fontes ligadas ao assunto. É importante ressaltar que se trata apenas de uma pesquisa histórica e para realizá-la foi deixado de lado todas as fábulas cridas através do tempo sobre os assuntos abordados nessa matéria. Por se tratar de um assunto extremante polêmico entre os fãs dos Beatles e com muita pouca coisa escrita sobre o assunto da Criação da Editora das músicas dos Beatles e da sua posterior compra (incluindo os direitos autorais das músicas dos Beatles).
Nota: As fontes usadas para a formação desse artigo são idôneas e conseguidas de forma totalmente legal.
Visão Geral
Nome legal: Northerm Songs Ltd.Escritório central até 1985: Londres, Inglaterra. Hoje localizado em Nassau, nas Bahamas.
Capital até 1985: Aberto (A empresa emite ações para sócios).
Hoje: Fechado (Devido a centralização da maioria do seu capital, cerca de 70%, na mão de um único dono)
Era Beatles
Criada em fevereiro 1963 com os diretores Brian Epstein e Dick James, a Northern tinha um capital de inicial de cem libras em ações de uma libra cada. Estas ações foram divididas em partes. 49 delas sendo de Dick James, 20 de Lennon, 20 de McCartney e os 11 restantes pertenciam às empresas NEMS. A companhia foi reestruturada antes de fevereiro 1965. Depois disso Lennon e McCartney recebiam cada um £ 94.270 por ação e perdendo 15% delas. Os 15% restantes foram vendidos na bolsa de valores. A empresa assim se tornou de capital aberto e durante a reestruturação, as ações tinham um valor de 7.500.000 em 2% do valor de face. Isto deu à companhia um valor de 2.718.750 libras.Então o controle da empresa era o seguinte: John e Paul tinham 15%, Dick James com 7%, sua família com 15%, Emmanuel Charles, presidente da Northerm com 15%, as empresas NEMS com 7% e George e Ringo com apenas 1,6% das ações (o restante de sócios minoritários). Esse arranjo se manteve até 1973. Dick James sempre ganhava 10% sobre a renda bruta da empresa como taxa de gerência.
Foram criadas empresas filiais para administrar os direitos autorais aonde a lei era diferente da lei do Reino Unido, com contratos exclusivos entre a Maclen Music Ltd. (Empresa que representava os Beatles legalmente) e as "filiais" da Northerm. Isso ocorria em certos países como EUA, Canadá, México e Filipinas. Havia também outros contratos com companhias na França e Austrália. O núcleo do relacionamento entre Maclen e o a Northerm é o fato que a Maclen atribuiu o copyright das canções à Northern, que retornava os pagamentos dos royalties. John e Paul recebiam os direitos, mas eles não mantiveram o controle sobre as ações. O que provocou a perda total do controle da empresa e também dos direitos autorais sobre as músicas da mesma.
Quando Allen Klein assumiu os negócios dos Beatles, Dick James vendeu suas ações para Lew Classe e a ATV Music por 35% do valor de face. Quando a oferta foi feita, Dick James visitou Lennon e McCartney na casa de Paul para explicar sua situação. Ambos ficaram irritados com o fato e consideravam o negocio um absurdo, então os dois ofertaram um valor alto oferecido pela a Northerm que era de 42/6d por ação. Mais os investidores majoritários preferiam o negócio com a ATV. Quando foi realizado o negocio, John prendeu 650.000 ações, e Paul prendeu 750.000 [a diferença ficou com Cynthia por causa do seu divorcio com o John. John e Paul obtiveram um lucro líquido de mais de 1.000.000 de libras do negócio].
Embora a imprensa divulgasse que este era o fim do controle de Beatles sobre suas próprias canções, tem-se que recordar que a Northerm era nada mais do que o arrecadador para a Maclen, que continuaria a fornecer aos Beatles uma renda sobre as suas canções.
Durante os anos, havia um número de disputas e de ações judiciais que envolvem ATV e o Beatles. Entretanto, os dois tentaram estabelecer um relacionamento, até certo ponto que Lennon e McCartney assinaram contratos de solo com a ATV através de suas companhias respectivas. Com isso eles obtiveram o controle sobre a ATV, que se transformou em uma subsidiária da Associated Communications Corporation, que era própria o assunto de uma batalha que já estava na última instância. Mudando o controle da ATV para Robert Holmes A'Court, que vendeu então a ATV a Michael Jackson.
Os originais da época mostram que Jackson arranjou um empréstimo de $30.000.000 USD do Chemical Bank para facilitar a compra antes de transferir a Northerm para Nassau nos Bahamas (Local conhecido até hoje como um paraíso fiscal), onde dois banqueiros facilitaram a transferência. O grupo inteiro da ATV foi comprado. Não há nenhuma documentação que mostra o valor total pago, embora os relatórios de imprensa indiquem que foram 34.000.000 libras.
Os anuários aos clientes da companhia arquivados nos anos antes do takeover de Jackson dão o balanço anual dos lucros da Northerm Songs Ltd.:
1978. £ 2,637,161.
1979. £ 2,953,206.
1980. £ 2,305,089.
1981. £ 2,278,017.
1982. £ 2,920,039.
1983. £ 3,358,455.
1984. £ 2,081,833.
1985. £ 942,010.
No período antes da compra de Michael Jackson a Northerm Songs Ltd., não explicava de onde vinha a sua renda. Isto não acontecia quando a Northerm era meramente uma subsidiária da ATV. Os dados abaixo se referem apenas o que era recolhido pela as músicas dos Beatles no período de quinze meses até 30/06/83.
UK Mechanical. £ 647,886.
UK Performance. £ 199,901.
UK Lyric. £ 1,144.
UK Sheet Music. £ 176,028.
Mechanical relaciona-se à renda das companhias BRITÂNICAS da gravação, para gravações de Beatles das canções escritas por membros do grupo, ou de versões de outros artistas. O Performace relaciona-se a pagamentos feitos apenas pela execução das músicas. Os Beatles são incapazes de resolver o caso devido à complexidade do caso.
O ponto chave aqui é que os Beatles atribuíram seus direitos de publicação a Northern Songs. Assim eles ganhavam 90% de tudo que era arrecadado.
Quando, Jackson comprou a Northern acabou adquirido a maioria dos direitos de publicação das canções do Beatles. Fora quatro canções dos dois primeiros discos da banda. Que foram publicadas antes da formação de Northern. Essas canções hoje pertencem a MPL de McCartney.
As canções de George Harrison e do Ringo Starr também estão fora do controle da Northern Songs, porque o contrato de ambos com a Northern expirou em 1968. E Não foi renovado por divergências nas negociações.
Era pós Beatles
Desde a compra, Jackson embolsa grande parte dos lucros e se recusa a vendê-los de volta. Há diversas ações na justiça sobre esse caso. Apesar de que não se tem mais acesso a como se encontra a real situação da empresa.Devo mencionar que a Sony Corp. Teria pagado a Michael Jackson $95 milhões em 1995 para fundir ATV com a Sony. Da fusão resultou a Sony/ATV que controlava Northern até o inicio de 2004.
Em janeiro desse ano Jackson teve que vender mais uma pequena parte a Sony. Para ostentar "seu modo de vida excêntrico" (foi publicado nessas palavras em diversas fontes na imprensa). Assim se chega à conclusão que a gravadora Sony detem mais da metade dos direitos autorais das músicas dos Beatles.
Os preços cobrados pelas canções são extremamente abusivos. O que leva a um segundo ponto chave na questão. A visão do capitalista explorador que é tido como o "dono" da empresa. Embora os donos da Northern recebem os royalties gerados por canções dos Beatles em virtude de sua posse dos direitos autorais, Paul McCartney e John Lennon recebem sempre à parte de compositores que é 50% dos royalties para todas as canções de Lennon-McCartney.
A empresa dos Beatles conhecida como Apple Records controla os direitos de imagem e também a venda de material promocional da banda, o que gera mais dinheiro com o nome "The Beatles". No caso das gravações elas pertencem a EMI, que também paga aos Beatles pela execução das músicas.
Desde da época da compra a Northerm a forma de administração da empresa é bem interessante financeiramente para Jackson. Por exemplo, quando Paul fez a sua excursão em 1989 ele queria imprimir as letras de músicas como "Eleanor Rigby" no roteiro dos shows. Descobriu que teria que pagar uma taxa a Michael Jackson, porque ele era o proprietário dos direitos de publicação e execução.
O que a Northern não pode fazer
Há umas coisas que a Northerm pode e não pode fazer de maneira alguma. Ela não pode interferir no lançamento de CDs ou regravações feitas nos EUA. Isso tem a ver com as licenças de gravação dos Beatles. Há um caso bem interessante, onde Michael Jackson concordou em licenciar letra da música "Revolution" para um comercial da Nike em 1987, mas a Capitol não permitiu que a gravação original fosse utilizada.Uma outra coisa que a editora não pode fazer (nos ESTADOS UNIDOS, ao menos) é impedir que alguém grave uma versão de alguma música que ela possui. A única função da editora é controlar os royalties pela regravação. Entretanto, se as negociações falharem, a lei dos EUA permite que o artista introduza a gravação no mercado, pagando um royalty estipulado (geralmente bem alto quando o assunto é Beatles) à editora. O que mostra que a Northerm não tem total controle sobre as músicas do seu catálogo.
Conclusão
O processo de dissolução e de compra da ATV está sendo contestado na justiça Britânica. Ele está sendo movido por as empresas que eram a holding da ATV antes de 1985. Este processo ocorre sobre regime de segredo de justiça. E poderá definir o futuro da Northerm, pois se for decidido que a compra se deu de forma fraudulenta a empresa volta a pertencer aos antigos acionistas.Não existe um culpado sobre o a situação tão complicada dos direitos autorais das músicas dos Beatles. O que houve foram erros consecutivos na administração deles. E um oportunismo cometido por um dos controladores dos direitos autorais.
No meio disso tudo quem sempre leva a pior são os fãs dos Beatles, pois eles ficam como reféns do jogo capitalista que envolve toda a confusão causada pelo caso. E como sabemos a ética é uma palavra que não existe quando falamos em dinheiro. E de algo que rende milhões por ano totalmente sem transparência ou fiscalização de órgãos competentes para o assunto.
Por Marcos Augusto Fernandes












