Mostrando postagens com marcador 1969. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 1969. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Wonderwall, um filme que tem tudo a ver com os Beatles


Por ser um filme difícil de se encontrar, podendo ser considerado até certo ponto raro, poucos conhecem em quanto a áurea ‘Beatle’ esta presente em Wonderwall. Lançado originalmente em 1969, disponível no mercado em DVD desde a virada do século, Wonderwall, embora seja mais conhecido pela sua trilha sonora escrita e gravada por George Harrison, é um daqueles filmes que reflete bem o seu tempo, neste caso, Londres durante o chamado ‘Swinging Sixties’.

O enredo do filme é relativamente simples contando a história de um cientista atrapalhado e esquecido que anda sempre com uma lista de lembretes no bolso. Seu nome é Professor Oscar Collins e ele é um personagem tão desorganizado, que se não conferir antes em sua lista, é capaz de esquecer de tirar as meias antes de molhar os pés.

Este homem tem sua rotina então atrapalhada pela vizinha, que ele não conhece, mas vê através de um buraco que ele descobre em sua parede que dá para o apartamento ao lado. Ele apaixona-se platonicamente pela menina, uma modelo vistosa que ocasionalmente recebe o namorado, que também é modelo. O professor e a modelo nunca conversam e ele só a vê através do buraco ou em seus sonhos. Este detalhe oferece ao espectador alguns ângulos e imagens interessantes em devaneio hippie.

Voltando ao assunto original deste texto, a razão que trago para a sua atenção Wonderwall é porque o filme apresenta ocasionais lembretes de uma presença Beatle na obra. De fato, além de compor a trilha sonora, George Harrison também é creditado com produção executiva, o que em outras palavras significa que ele entrou com parte do dinheiro para o orçamento do filme. Assim, explica-se, embora não diminua a surpresa, encontrar pequenos detalhes durante o filme que sugerem referencias aos Beatles.

A primeira a se observar seria o fato de que as únicas cenas em que se vê os personagens comendo, estão comendo maçãs. Logo em uma das primeiras cenas externas, vemos o bom professor descendo a rua com um saco de maças verdes. Um carro desce a rua, todo pintado de verde claro, com o estofado do carro em verde maça. O veículo passa por uma micro ônibus estacionado que a primeira vista, lembra o ônibus usado no Magical Mystery Tour, mas não é. Em letras vermelhas, lê-se na traseira do ônibus o nome da transportadora Beales Travel.

Dentro do carro passamos a conhecer o fotógrafo e o namorado da menina. O fotógrafo está de terno e calças verdes maçã, mesma cor do estofado e do carro. O modelo, embora vestido de roupas comum para época, está trazendo consigo uma foto aumentada em preto e branco no banco de trás que mais parece sobra da capa do Sgt. Pepper's. Não é, claro! A foto parece ser dele mesmo, contudo, outras fotos de atrizes espalhadas pelo apartamento, todas em preto e branco, trás novamente a capa do Sgt. Pepper's à memória.

Outro elo com a turma dos Beatles está nos desenhos que aparecem durante o filme, todos feitos pelo grupo holandês The Fool, os mesmos que trabalharam na Apple Boutique, como também na empresa Apple Corp. Três membros do The Fool também contribuem com a presença física sendo vistos no filme durante uma festa realizada no apartamento. Porém, a mais evidente demonstração de que há um elo intencional entre este filme e os Beatles está no nome da modelo, o personagem central do enredo. Embora ela não tenha uma fala sequer durante todo o filme, é ela o motivo de toda a história. O seu nome é Penny Lane.

Embora não esteja registrado entre os créditos, do disco ou filme, existem ainda mais algumas curiosidades para se mencionar. Em sua trilha sonora, a guitarra sendo tocada em "Ski-ing And Gat Kirwani" é ninguém menos que Eric Clapton. Outro amigo presente na trilha é Ravi Shankar na citara.

A última surpresa fica por conta de uma pequena cena despretensiosa no filme. Nela, o bom professor está fazendo hora ouvindo uma propaganda no rádio enquanto espera a vizinha chegar em casa. O comercial oferece duas jovens conversando entre si sobre o prazer de se usar certo produto à base de lanolina. Em momento algum identifica-se qual o produto sendo promovido, porém o texto da propaganda é sutilmente insinuante, permitindo mais de uma interpretação. A surpresa é que todo o texto deste comercial foi escrito por John Lennon.

O DVD, que saiu no mercado em 1999, oferece o chamado ‘Director’s Cut’ que significa na prática que o diretor mexeu em alguns detalhes na obra original. A mudança mais evidente está na abertura, que teve a musica "Microbes" substituída por outra da banda, The Remo Four. O DVD inclui como material extra a abertura com a musica original, o texto de John tratado como poema, algumas edições feitas com imagens do ator Jack MacGowran, que faz o professor, como também um pequeno clipe com "Ski-ing And Gat Kirwani".

O DVD também oferece um curta metragem chamado "Reflections On Love" que tem imagens diversas de Londres em ’68 com trilha sonora da banda Kula Shanker. Entre as imagens apresentadas encontra-se também cenas com os Beatles em ’65. Entre os atores da historinha que fala de um casal prestes a casar, temos Jenny Boyd, modelo e irmã de Patty Harrison.

As imagens tiveram um tratamento de limpeza trazendo à vida todo o colorido que antes estava desbotado. O trailer do filme, incluindo no pacote, não teve tal tratamento, servindo como exemplo claro da diferença entre o que se via e o que agora pode-se ver das imagens. Não posso deixar de mencionar também que a musica do filme é linda! Aproveito para lembrar que existem alguns temas na trilha sonora que não estão no disco.

Como podem perceber, para qualquer Beatlemaniaco, este DVD é extremamente interessante e altamente recomendável. E mesmo para os não Beatle fanáticos, mas que gostam e se interessam por material da época, este filme é mesmo um pequeno tesouro!



quinta-feira, 20 de outubro de 2016

"Penina" - Uma música dos Beatles com gosto de bacalhau

"Penina" é uma canção que Paul McCartney escreveu no Algarve, em Portugal, no final de 1968, quando esteve de férias no Ano Novo com Linda McCartney no sul do país.

Ao contrário do que se julga e do que está publicado em muitos livros e editado em alguns discos, a canção foi escrita para o grupo português Jotta Herre e não para Carlos Mendes, vocalista dos Sheiks, considerados os "Beatles portugueses".

Os Jotta Herre editaram a canção num EP Philips 431923PE, com mais três canções originais da banda. Carlos Mendes também editou a canção, sendo esta a que aparece no célebre álbum "The Songs Lennon And McCartney Gave Away - By The Original Artists" (EMI NUT18, 1979).

Infelizmente, nenhuma das edições portuguesas de "Penina" inclui a data da respectiva edição, não se sabendo com certeza absoluta quem editou primeiro, se os Jotta Herre, se Carlos Mendes. São ambas de 1969, mas este é ainda um ponto em investigação. Uma coisa é certa, porém: Paul McCartney escreveu a canção para os Jotta Herre e não para Carlos Mendes.

O próprio Paul McCartney conta parcialmente a história de "Penina" no fanzine do antigo clube de fãs de McCartney, Club Sandwich:

"Fui a Portugal de férias e uma noite, quando regressava ao hotel, já alegrote, resolvi tomar mais uns copos ao bar. Estava um grupo a tocar e eu acabei por ir parar à bateria. O hotel chamava-se Penina e improvisei ali uma canção sobre esse nome. Alguém me perguntou se podia ficar com ela e eu dei-lha. Nunca pensei em gravá-la eu próprio".

Na contracapa do álbum The Songs Lennon And McCartney Gave Away, escreve Tony Barrow, então assessor de imprensa dos Beatles, sobre "Penina" e Carlos Mendes: "a mais obscura canção do álbum é uma gravação de 1969 de Carlos Mendes, "Penina", que, acredito, tenha sido dada a Carlos por Paul quando esteve de férias em Portugal".

Isto não é porém exacto como o próprio Paul McCartney escreveu no Club Sandwich. A canção foi dada aos Jotta Herre e não a Carlos Mendes. Os Jotta Herre eram um grupo da cidade do Porto, no norte de Portugal, que tocava no Hotel Penina, no Algarve, perto de Portimão. Por mais incrível que pareça o Hotel, de luxo, e um dos mais famosos de Portugal, ainda hoje não tem nas suas paredes uma qualquer placa a assinalar o gesto de Paul McCartney. Seria bom para o seu turismo.

Os Jotta Herre ("jotta" de Jaime, que se desligou do grupo, e "herre" de Rui) eram formados por Aníbal Cunha, hoje empresário exportador no sector cerâmico, Rui Pereira, falecido em 1972, Carlos Pinto, hoje presidente da Sony Music em Portugal, e Giuseppe Flaminio, hoje representante da Universal Music na cidade do Porto.

Conta Giuseppe: "naquela noite, juntámo-nos todos à volta de Paul e de Linda, bebemos um copo e então ele propôs: vamos tocar. Passava da uma hora da manhã e o Paul deu um show inesquecível. Tocou sucessivamente piano, baixo, guitarra e bateria. Tocou bateria como eu nunca tinha visto um músico tocar".

"Cada vez entrava mais gente na sala. Paul voltou à bateria e pediu "one minute". Começou a cantarolar e desafiou a malta para tentar acompanhar a sequência harmónica que estava a sair. Eram 4 horas da madrugada e, logo ali, compôs e cantou a música e a letra da canção que nos ofereceu. No fim, pôs-lhe um título, o nome do hotel".

No regresso a Londres, dois dias depois, Paul McCartney teve problemas por ter composto "Penina" e oferecido ao grupo português. Os jornais ingleses falaram disso e a Northern Songs levantou dificuldades à gravação da canção. Estavam em jogo milhares de libras.

Hoje em dia, a canção está registada na Sociedade Portuguesa de Autores como sendo da autoria de Lennon/McCartney. Tudo por causa das libras e do acordo entre os dois Beatles quanto à composição de canções.

Embora Paul McCartney tenha afirmado que não gravaria "Penina" ela aparece gravada pelos Beatles no CD pirata Unheard Melodies, The Songs The Beatles Gave Away, juntamente com as versões dos Jotta Herre e de Carlos Mendes.

Por Luís Pinheiro de Almeida

domingo, 9 de outubro de 2016

The Plastic Ono Band - Live Peace In Toronto (1969)

No começo de Setembro John havia sido convidado a participar de um festival, em que vários astros da música participariam. A intenção era convidar os Beatles, mas John preferiu convidar outros músicos para acompanhá-lo. Assim, sua apresentação aconteceu acompanhado de Eric Clapton, Alan White e seu velho amigo Klaus Voorman. No show foram tocados alguns clássicos do rock, algumas músicas solo, uma dos Beatles ("Yer Blues") e termina de modo "triunfal" com Yoko dando seus famosos gritos.

Uma história curiosa rolou por tras do festival. O próprio John admitiu que sua voz estava muito estranha durante o show (e estava mesmo!), isso por que passou o tempo todo com vontade de vomitar. Já o pioneiro roqueiro Little Richards, em sua auto-biografia, contou o episódio de outro ponto de vista. Segundo ele, houve uma grande discussão entre ele e o casal Lennon, para decidir quem fechava a noite (todos queriam tocar por último). John, que era fã de Richards, havia concedido a honra ao ídolo na hora, "mas a Yoko bateu pé firme, e exigiu que fossem eles os últimos". Little Richards ficou uma arara, fechou a cara pra John, e disse algumas liberdades. John, mais que constrangido com essa situação toda, começou a suar frio, ter náuseas e mais tarde vomitaria de fato. Afinal, ninguém podia contrariar o grande ídolo Little Richars!

De fato, essa não foi uma apresentação das melhores mesmo, afinal a banda mal havia ensaiado, estava fria e o John berrava as letras do jeito que podia. Esse foi o último disco solo do John paralelamente ao seu trabalho com os Beatles, afinal, eles se separariam exatamente no começo do ano seguinte. Mas a carreira solo do Sr. Lennon estava apenas começando, e no ano seguinte viria seu primeiro petardo musical, John Lennon/Plastic Ono Band.

Produção: John lennon e Yoko Ono
Lançamento: 12/12/1969 (EUA e UK)
Músicos: John e Eric Clapton (guitarras); John e Yoko (vocais); Klaus Voorman (contrabaixo) e Alan White (bateria).

Lado 1:
01. Introduction of the Band
02. Blue Suede Shoes
03. Money (That's What I Want)
04. Dizzy Miss Lizzy
05. Yer Blues
06. Cold Turkey
07. Give Peace a Chance
Lado 2:
01. Don't Worry, Kyoko (Mummy's Only Looking for Her Hand in the Snow)
02. John, John (Let's Hope for Peace)


John Lennon & Yoko Ono - Unfinished Music Nº 2: Life with the Lions (1969)

Os primeiros anos do romance entre John e Yoko não foram nada fáceis. Apesar de estarem profundamente apaixonados, eles tiveram que sofrer muito quando assumiram publicamente seu romance. Yoko havia conseguido despertar a ira dos outros integrantes dos Beatles com sua presença constante nos estúdios, das fãs dos Beatles, que sentiam ciúmes de qualquer mulher que se aproximassem deles, dos fãs que já conseguiam notar a dispersão do John com relação à banda, da Cynthia Lennon (que por sua causa estava se separando do John), da crítica, que não conseguia entender um disco tão "medíocre" como aquele no nú na capa - sem falar no igualmente problemático relacionamento da Yoko com o seu ex-marido. Pra piorar a situação ainda mais, Yoko, que estava grávida, havia sofrido um aborto. Só restava ao casal Lennon afogar as mágoas em mais um disco "experimental".

Esse disco, a exemplo do anterior, apresentava não as belas canções que o mundo estava acostumado a ouvir na voz do Lennon, mas outra coleção de ruídos, gritos, sons distorcidos, etc. Desta vez, porém, havia a participação de uma banda! A primeira parte desse disco foi gravada em Cambridge, no Lady Mitchel Hall, em 3/3/69. Algumas "músicas" são executadas do jeito que já dá pra imaginar: sem o mínimo de coerência musical, uma verdadeira anarquia. Apesar disso, a apresentação tem uma grande importância histórica: foi a primeira vez que um beatle se apresentava solo, acompanhado por outra banda. Outra novidade era lançada com o disco: o selo Zapple, criado só para dar suporte a esses discos experimentais dos Beatles em voos solo.

A outra parte do disco foi gravado no hospital em que Yoko ficou internada durante o trágico acontecimento (o aborto). Na capa, John aparece deitado no chão do hospital, enquanto a Yoko repousa na cama. É que, por causa de uma emergência, a cama do acompanhante teve que ser usada em outro paciente. John, pra não ficar longe da Yoko naquele momento de dor, acampou ali mesmo, ao lado. As loucuras sonoras lembram as do Two Virgins, mas agora em tom sério, de pesar: ele havia gravado as batidas do coração do bebê, o que virou uma faixa; em uma outra silêncio total; na grande maioria a Yoko sussura frases, canta, conversa com o John. A essa altura não existia nada pra Lennon além da sua vida com a Yoko, e esse disco foi o recado. Não é à tôa que o casal Lennon se sentia "vivendo com os leões".

Produção: John lennon e Yoko Ono
Lançamento: 09/05/1969 (EUA) e 26/05/1969 (UK)
Músicos: John (guitarra); Yoko (vocais); John Tchikai (Saxofone); John Stevens (percussão).

Lado 1:
01. Cambridge 1969
Lado 2:
01. No Bed for Beatle John
02. Baby's Heartbeat
03. Two Minutes Silence
04. Radio Play


John Lennon & Yoko Ono - Wedding Album (1969)

O ano chegava ao fim, e as coisas continuavam pesadas para o casal Lennon. Seu casamento fora tumultuado (tiveram que se casar às pressas), Yoko sofreu um aborto e os Beatles estavam cada vez mais perto do fim. O que fizeram eles? Mais um disco experimental. Dessa vez eles pegaram um pouco mais leve com os efeitos sonoros e aumentaram ainda mais a gritaria. O lado 1 do disco era a prova. Por causa da grande pressão em torno da sua vida pessoal, resolveram fazer a famosa "Terapia do Grito Primal" do Dr. Arthur Janov. A faixa que preenche todo o lado consiste em John gritando pelo nome da Yoko e vice-versa dezenas de vezes, em volumes, tonalidades e estridências distinta. Outro reflexo dessa terapia pode ser conferido no final da música "Mother", do disco Plastic Ono Band (que ainda estava só no rascunho). No outro lado do disco, outro lado do casal: seu crescente interesse pela Paz mundial. O que há é uma longa entrevista a um jornalista de Amsterdã, em que o assunto principal é "cama da paz, cabelo da paz". Em certo ponto o jornalista pergunta: "O que você faria se a guerra começasse agora?" John: "Morreria de medo".

Se musicalmente o "álbum de casamento" não acrescentava nada à carreira do Beatle John, pelo menos em um aspecto ele era inovador: nunca se havia lançado um disco com tantos encartes e brindes. Fotos do casal, charges incluindo chefes de estado (deitados em camas, praticando Bed Ins, como eles próprios faziam), desenhos de John, recortes de jornal com a cobertura da lua-de-mel e até uma foto enorme de uma fatia do bolo de casamento. Mais um item que custa os olhos da cara no mercado de colecionadores. Ainda iria demorar alguns meses pra John Lennon ter segurança suficiente para lançar seu primeiro disco solo "de verdade", afinal, contratos e compromissos ainda o prendiam à sua banda de origem e, como hoje é conhecido, seu parceiro Paul McCartney lançaria o seu primeiro álbum antes, provocando a ira de John, que se refletiria no cru Plastic Ono Band. Mas aí já é outra história.

Produção: John lennon e Yoko Ono
Lançamento: 20/10/1969 (EUA) e 11/09/1969 (UK)

Lado 1:
01. John & Yoko - John & Yoko
Lado 2:
01. Amsterdam - John & Yoko
Bônus na edição em CD:
01. Who Has Seen the Wind? - Yoko Ono
02. Listen, the Snow Is Falling - Yoko Ono
03. Don't Worry, Kyoko (Mummy's Only Looking for Her Hand in the Snow) - Yoko Ono

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O Fusca da capa do Abbey Road

Lembra do fusquinha (ou 'beetle', mais britanicamente falando) que aparece na capa do Abbey Road? Nosso colaborador em Lisboa investigou e descobriu algumas novidades sobre o Fusca mais famoso do mundo.

Instigado por amigos, resolvi pesquisar sobre aquele carrinho tão famoso e querido pelos fãs dos Beatles. Neste Mundo louco em que vivemos, a Internet é, de fato, uma mais-valia. De site em site, dos especialmente dedicados às coisas dos Beatles, toda informação ganha alguma consistência: uma confortável maioria de fãs acreditava que a matrícula estaria na Alemanha. Acreditava, mas não tinha a certeza.

Como quer que seja, os dados disponíveis mereceriam uma investigação mais atenta, mais profunda.

Descoberto o site do Museu da Volkswagen, visitei o seu interior, sem necessidade de me levantar da cadeira de Lisboa. Porém, em vão. Fiquei a conhecer os diversos modelos da Volkswagen ao longo dos anos, mas do carocha branco de "Abbey Road", nada!

Como não tinha nada a perder, resolvi experimentar o sistema de perguntas via email montado no próprio site. Se o esquema já tinha resultado com uma cutelaria numa província do interior de Portugal, por que não haveria de resultar na desenvolvida Alemanha com o Museu de uma fábrica de automóveis altamente sofisticada?

Na minha candura, identifiquei-me como jornalista português e fã de Beatles e de beetles e indaguei da famosa matrícula do carocha. E voltei à vida real! Já tinha o assunto esquecido quando recebi pelo correio um sobrescrito A4 que me intrigou. Ao abri-lo, confesso que fiquei transtornado! Era - vejam lá - uma resposta concisa ao meu email, acompanhada por três fotos do automóvel e a respectiva matrícula.

É certo que, muito honestamente, o Museu não garante a 100 por cento que seja o mesmo automóvel, mas será seguramente o mesmo modelo, já que a cor, branca, é obviamente a mesma. Por exclusão de partes, a matrícula é a verdadeira.

Mas o Museu forneceu uma valiosa informação que abalará uma das pistas da famosa estória "Paul Is Dead". A matrícula é comumente considerada como sendo "LMW 28 IF", o que na rocambolesca teoria da "morte de Paul", significa "Linda Mccartney Widowed" e que Paul teria 28 anos se não tivesse morrido.

O Museu da Volkswagen vem agora esclarecer que na prática das matrículas britânicas o "I" é um "1" e que a placa seria então "LMW 281 F". É óbvio que só as autoridades inglesas, especialmente as ligadas ao registro automóvel, podem garantir a veracidade desta informação, mas a dica do museu alemão - também ele ligado à história automóvel - não pode deixar de ser tida em conta.

Verdade ou não, não deixa de ser relevante que tantos anos após a edição de Abbey Road, ainda se discutam estes pormenores, o que revela bem a importância e a influência que os Beatles têm, ainda hoje, na vida das pessoas.

O Museu não forneceu muitas mais informações sobre o automóvel, que apelida de "Lennon Beetle", abrindo por isso o apetite a uma visita real ao local. Até porque, apesar da gentileza do envio de três fotografias, nenhuma delas é da traseira do automóvel, a parte que se deslumbra na capa de "Abbey Road".

Por Luís Pinheiro de Almeida

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Paul Cole, o homem que aparece na capa do Abbey Road


Ele nunca foi fã e diz não saber nenhuma das músicas, mas Paul Cole pode ser considerado parte da história dos Beatles. O americano aposentado, de 92 anos, é o "Paul extra" na capa de um dos discos mais famosos da banda, o Abbey Road.

Tirada em agosto de 1969, a fotografia se tornou um ícone - e o Sr. Cole é o homem perto da viatura de polícia preta, que aparece por trás da cabeça de John Lennon.

"Eu estava de férias em Londres com minha esposa e disse, 'Já vi museus demais. Vá, aproveite e te vejo depois'. Aí eu vi aquela viatura e fui lá. Eu devia estar conversando com o policial durante uma meia hora ou algo assim. Então eu vi aqueles quatro caras atravessando a rua como numa fila de patos. Eu achei que se tratava de um bando de arruaceiros, pois todos eles tinham cabelos compridos e um deles estava descalço", disse o Sr. Cole.

Paul Cole não tinha a menor ideia de quem eles eram ou que estivessem sendo fotografados. E foi assim durante seis meses quando, de volta à sua casa nos Estados Unidos, ele descobriu.

"Minha esposa costumava tocar órgão e um casal queria que ela tocasse uma canção de um disco em seu casamento. Eu vi o disco e me reconheci lá distante. Eu estava usando minha nova jaqueta esportiva e tinha acabado de comprar novos óculos. Aí eu disse para meus filhos: 'Peguem uma lente de aumento e vocês me verão'". Sr. Cole, que mora na Flórida, costumava dizer aos amigos que "minha foto está em milhões de lares por aí".

Mas ninguém tinha sequer uma pista de quem ele era. Muito embora esteja relacionado ao disco, ele nunca o escutou de verdade. "Ele ainda está novinho aqui em sua capa", ele disse. "Eu não sei identificar uma música sequer".

A famosa imagem foi batida pelo fotógrafo Ian McMillian. Os Fab Four foram fotografados na travessia ao lado dos estúdios Abbey Road, norte de Londres. Foi o último disco gravado por eles. Quando foi lançada, a foto alimentou rumores de que Paul McCartney estaria morto. Além de estar descalço, Paul aparece com o passo trocado em relação ao resto do grupo.

Os fãs também notaram que a placa do Fusca estacionado no lado esquerdo da rua dizia "28IF". McCartney teria apenas 28 anos se tivesse morrido naquele ano. Mas o Sr. Cole sabe, pelo menos, que Paul está muito vivo. "Se você encontrar o Beatle, diga-lhe que é um cara maravilhoso".

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Kum back, o Primeiro bootleg dos Beatles


Em 1969, antes da separação dos Beatles, um acetato com as primeiras mixagens em estéreo de Glyn Johns com as gravações do projeto Get Back/Let It Be caiu nas mãos de várias rádios ao redor dos EUA. Tracklist da fita:

Lado A:
1. Get Back
2. The Walk
3. Let It Be
4. Teddy Boy
5. Two of Us

Lado B
1. Don't Let Me Down
2. I've Got A Feeling
3. The Long and Winding Road
4. For You Blue
5. Dig A Pony
6. Get Back (reprise)

Até o final daquele ano, antes mesmo do álbum Let It Be ser lançado, várias cópias do bootleg Kum Back já estavam em circulação no mercado alternativo. Interessava aos fãs e colecionadores por apresentar canções que antes não haviam sido lançadas oficialmente em nenhum disco.

Depois desse lançamento, o mercado bootleg despejou centenas de álbuns novos por ano (até hoje material "inédito" é lançado, em menor quantidade, é claro). Mas esse entrou para a história por ter sido o primeiro lançamento dos Beatles, com músicas inéditas, sem o conhecimento deles próprios.



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

The Rooftop Concert - A última apresentação pública dos Beatles




Fazia um frio dos diabos em Londres na manhã daquele dia trinta de janeiro de 1969, uma terça-feira, por volta do meio-dia. A região onde funcionava o escritório da Apple Records, na área central, era conhecida por abrigar atividades comerciais como escritórios de advocacia, consultórios médicos, setores executivos de empresas, lojas de departamentos e bancos, entre outros. Desde o dia vinte e sete havia uma movimentação incomum de pessoas subindo e descendo do telhado do prédio de quatro andares onde estava instalada a gravadora dos Beatles. E também dos edifícios em frente, ao lado e aos fundos. Era a equipe do cineasta Michael Lindasy-Hogg trabalhando para viabilizar uma idéia de Paul McCartney, copiada na realidade de uma iniciativa pioneira da banda Jefferson Airplane e de dois loucos geniais, Jean-Luc Goddard e D.E Pennebaker.

Paul tomara conhecimento da filmagem de uma apresentação do Jefferson Airplane em novembro de 1968 no teto de um edifício em Nova York. A sequência foi inserida no filme One A.M (American Movie), de Jean-Luc Goddard e D.E Pennebaker, dois cineastas com forte ligação com o rock and roll. A produção jamais seria finalizada, mas a sequência onde o 'Airplane' toca a complicada canção 'The House at Pooneil Corners" deu o que falar atraindo na rua abaixo uma considerável leva de pedestres. A aventura acabou abortada pela polícia nova-iorquina. Num trecho do filme um policial 'brande' em direção aos músicos um exemplar do código de posturas, informando que o grupo não poderia estar tocando naquele local. McCartney achou a idéia fantástica para o fechamento do projeto Get Back/Let it Be. Talvez não imaginasse que a apresentação registrada no teto da Apple entraria para a história como a última realizada pelos Beatles.

Se a ideia original de tocar ao vivo num telhado não foi dos Beatles, que sirva como consolo que a repercussão foi muito superior à do concerto realizado pelo Jefferson Airplane. Todo mundo que tocou no alto de um prédio depois de janeiro de 1969 o fez inspirado na atitude dos Fab Four, indubitavelmente. Na última semana daquele mês já estava decidido que Get Back não seria mais um documentário de televisão. Ganharia o mundo através das telas de cinema. Também já havia sido tomada a decisão de que a banda não faria o que inicialmente se planejou: um documentário entremeado com cenas de um mega concerto nunca antes realizado, numa locação exótica. A idéia de tocar nas ruínas de Pompéia, por exemplo, surgiu nessa ocasião e foi veementemente 'rejeitada' por John Lennon e, sobretudo, George Harrison. Também se debateu a possibilidade do concerto se realizar no Roundhouse em Londres, mas a proposta também não avançou.

O clima, um mês depois do início das filmagens do que viria a ser Let it Be, não era nada bom entre os Fab Four. Deteriorava-se a relação entre John Lennon & Paul McCartney. E George Harrison chegou a abandonar a produção por quase duas semanas. Como é do conhecimento geral, a intenção de se promover 'a volta' dos Beatles ao modo mais simples de produzir discos e canções e que poderia ter desaguado no retorno da banda aos palcos do planeta, acabou servindo para consolidar seu fim.

O retorno de George Harrison, registre-se, foi decisivo para dar fim às filmagens do projeto Get Back/Let it Be. Depois da mini tour com Delaney, Bonnie and Friends ele desembarcou em Londres numa quarta-feira, dia quinze de janeiro e reuniu-se com os outros três para uma conversa a portas fechadas que durou cinco horas. George avisou que estava pronto para deixar definitivamente o grupo. Ninguém replicou. O que ficou acertado nesse dia é que não haveria mais especial de televisão nem concerto ao vivo em nenhuma locação. Combinou-se também que o melhor do material produzido viraria um álbum de inéditas, desde que fosse devidamente lapidado nos estúdios. Apple estúdios. Para o restante das filmagens o material seria capturado na gravadora própria da banda. Por incrível que pareça somente a partir desse dia é que tudo o que fora gravado com pretensões de exibição televisiva passou a ser tratado como projeto para o cinema. Isso em parte explica o festival de erros e equívocos de edição do filme Let it Be, abordados - como os internautas mais atentos sabem - em duas revistinhas virtuais anteriores desta coluna.

A idéia de tocar ao vivo no telhado para fechar o filme surgiu nesse turbilhão. George, John & Ringo também tinham acompanhado as notícias da controvertida apresentação do Jefferson Airplane quase um ano antes e se posicionaram favoráveis. John & Paul achavam - e nisso concordavam plenamente - que a apresentação num local exótico e não anunciado em pleno horário de almoço funcionaria como diversão gratuita para os trabalhadores das redondezas. Sem falar que a reação deles poderia render muito para os flagrantes que as câmeras iriam capturar. Mas o Rooftop Concert não se realizaria totalmente sem restrições. George Harrison deixou claro que não tocaria nenhuma de suas músicas. Novas ou velhas.

Ao mesmo tempo, Michael Lindsay-Hogg corria contra o tempo para viabilizar a aventura de tocar no telhado da Apple em termos técnicos. A primeira providência dele foi assistir às pressas com sua equipe, trechos da filmagem de One A.M (American Movie) aquele que uniu Goddard e Pennebaker. Visualizando-se uma produção e outra é possível observar que Michael copiou alguns planos e contra planos utilizados pelos colegas mais famosos para documentar a apresentação dos Beatles. Espalhou câmeras pelos prédios vizinhos, preocupou-se com a iluminação natural por considerar o mau tempo daquela ocasião em Londres e estava interessado no maior número possível de material que pudesse produzir para a futura edição final.

De maneira prosaica para os dias de hoje, Lindsay-Hogg também espalhou técnicos com câmeras e gravadores de áudio Nagra pela calçada defronte ao edifício da Apple para capturar o som ambiente e possíveis reações do público. Como se vê no filme, passantes foram entrevistados enquanto o som rolava lá do alto, sendo capturado com muito eco de forma distante pelos microfones acoplados aos Nagra no solo, quatro andares abaixo. E lá em cima? Lá em cima os Beatles foram instruídos a ocupar pequenos espaços 'demarcados' com fitas crepe, coladas às tábuas que foram estendidas sobre o piso do teto, uma medida para 'encorpar' um pouco mais o som da banda. A filmagem trabalhou com quatro câmeras no teto gravando direto, seguindo o sistema adotado nas tomadas em Twickenham e nos estúdios Apple.

Apesar da fama e da importância dos Beatles, a produção de Get Back não utilizou sequer uma grua para fazer imagens aéreas da frente do, digamos assim, 'palco' onde a banda tocou. Dada a ausência desse equipamento - e do pequeno espaço lá em cima - não foi fácil capturar imagens frontais. Alguns câmeras foram obrigados a trabalhar quase deitados aos pés de John e Paul. Essa precariedade para realizar tomadas fica visível no filme, em prejuízo das aparições de George Harrison & Ringo Starr. Havia uma 'parafernália' de fios e de equipamentos espalhados pelo local. As ligações e conexões foram providenciadas pela turma de Michael Lindsay-Hogg e pela equipe comandada por Mal Evans. Mal e Tony Bramwell se responsabilizaram por montar o equipamento dos Beatles, que então dispensara as caixas Vox.

Os retornos de som agora eram belíssimas caixas Fender valvuladas. E não houve passagem de som a não ser na hora em que as gravações iriam rolar. Quando as câmeras foram ligadas no final da manhã daquele dia trinta de janeiro de 1969, John, Paul, George & Ringo subiram ao teto para o que desse e viesse, sem saber exatamente o que aconteceria posteriormente. Iriam tocar e pronto. E não subiram sozinhos. As novas músicas exigiam a presença de um competente tecladista e pela primeira e única vez numa apresentação pública (ou quase pública) os Beatles tocavam com um quinto músico, Billy Preston, que por sinal, estava participando das gravações nos estúdios Apple desde o dia vinte e dois passado (1969).

O comportamento dos quatro Beatles lá em cima não foi exatamente o de quem realizava um concerto. Nem poderia ser diferente. Eles estavam naquele telhado para uma filmagem. Pareciam inicialmente tensos e trabalharam o tempo todo em benefício das câmeras de Lindsay-Hogg, sem preocupação com o público, que por sinal, não pôde vê-los naquele dia, apesar da aglomeração que se formou diante da Apple. Com o andamento da apresentação o destaque foi a alegria de John Lennon, com suas piadas, tiradas sarcásticas e a inclusão de paródias entre uma e outra canção. Ringo também parecia relaxado, além de tocar com grande precisão. George Harrison é enquadrado quase todo tempo muito sério, sisudo, mas tocando sua Telecaster Rosewood com destreza e uma velocidade incomum se considerarmos seu estilo.


Como o que estava rolando no teto da Apple era uma filmagem, foi necessário repetir algumas canções em busca da perfeição. "Get Back", por exemplo, foi tocada quatro vezes, com o objetivo de ajustar o som e produzir 'best takes' para a melhor tomada de imagem possível. A Apple/EMI instalou um equipamento multi track para registrar todo o áudio para a história. Mas nem tudo o que rolou lá em cima teve registro profissional. Em nome da preservação histórica pela passagem dos 40 anos do Rooftop Concert, a coluna Pop Go The Beatles detalha passo a passo os quarenta e dois minutos que marcaram a última ocasião em que o quarteto THE BEATLES se apresentou ao vivo.

Thursday 30 January

Apple Corps (Roof) London
- Metade do material filmado e gravado no teto da Apple foi parar no filme Let it Be. As versões de "I've Got a Feeling", "Dig a Pony" e "One After 909" foram editadas e incluídas no LP/CD Let it Be.

SETTING UP
O primeiro som que se ouve quando o multi track começa a gravar no alto do teto da Apple é o da voz de Michael Lindsay-Hogg. O cineasta ordena: 'all cameras take one' ao tempo em que os Beatles sobem, ajustam instrumentos, Ringo reclama com Mal Evans de ter montado do lado errado uma parte de sua bateria... e a magia está para começar. Antes, entretanto, os gravadores Nagra conectados às câmeras A e B captam Lindsay Hogg informando na linha interna que a gravação começaria pelo rolo de fita número 560-E. Ele também instrui os operadores das quatro câmeras para ligar os equipamentos simultaneamente.

GET BACK (rehearsal 1)
O multi track não 'pega' a primeira versão de "Get Back", que dura pouco tempo, tão somente para ajustar os equipamentos. O trecho é gravado à distância, capturado pelo microfone de um dos gravadores Nagra (não exatamente os conectados às câmeras A e B). Não consta nos rolos gravados profissionalmente. Seguem-se ruídos de afinações de guitarras, vozes dos Beatles e dos técnicos trocando instruções, etc.

GET BACK (rehearsal 2)Multi track ligado. Michael Lindsay Hogg avisa que aquele será o take um e os Beatles mandam ver. A voz de Paul está em primeiro plano, em single track sem a segunda voz de John, que parece mais preocupado com o solo. Na segunda parte ele participa dos backing vocals. Esta versão é considerada 'ensaio'. No encerramento, aplausos educados são ouvidos da parte dos técnicos e dos privilegiados que estavam lá em cima, pertinho dos Beatles. Paul pisoteia um grilo saído debaixo das tábuas e murmura alguma coisa sobre Ted Dexter, um músico famoso na Inglaterra. John brinca afirmando que a banda tinha um pedido musical para atender da parte de 'Martin Luther'.

I WANT YOU (She's So Heavy)
Sons de afinação de guitarras são ouvidos e uma linha ou duas da introdução dessa faixa é escutada. Não consta do multi track.

GET BACK (take 01)

Esta versão de "Get Back" é melhor executada que a anterior (rehearsal 2). Michael Lindsay Hogg utilizaria pedaços das duas para editar a versão que vemos no filme. No final da canção John diz: 'atendendo ao pedido de Daisy Morris e Tommy'.

DON'T LET ME DOWN (take 01)
A versão ficou tão boa que foi para o filme sem retoques. Soberba interpretação. No áudio dos Nagra disponíveis na pirataria é possível ouvir as vozes de Paul e John bem cruas.

I'VE GOT A FEELING
Mais uma interpretação magistral aproveitada integralmente no filme e no disco Let it Be. Ao final John diz: 'oh my soul... (ouvem-se aplausos) e ele conclui afirmando... 'so hard'. George faz vocalizações ao longo da faixa. Há uma interrupção para afinação de instrumentos e trocas de instruções. Ouvem-se gritos e breves discussões de John, Paul e Michael Lindsay Hogg.

ONE AFTER 909 (snippet)
Começa com o teclado de Billy Preston enquanto Lindsay Hogg ordena que as câmeras se preparem para a gravação. Esse trecho dura apenas dezessete segundos.

ONE AFTER 909 (take 01)
Estupenda versão com show particular de George Harrison na guitarra solo. A gravação é utilizada no filme e aproveita inclusive o trecho sarcástico em que John canta uma linha de 'Danny Boy' ('Oh danny boy, the pipes, the pipes are calling') antiga canção de 1913, composta pelo advogado Frederick Weatherly e originada de um trecho do hino da Irlanda, Londonderry Air. Este take de One After 909 também foi selecionado para os discos Let it Be e Get Back (não lançado).

DIG A PONY (rehearsal)
Enquanto novas afinações de instrumentos são feitas, ouve-se George Harrison ensaiando a introdução e o solo de guitarra. É possível ouvir pelo equipamento profissional multi track o pedido de John pela letra da música. No filme há uma cena de um assistente ajoelhado com uma prancheta apontada na direção de John Lennon

DIG A PONY (take 01)
A canção começa com um false start e uma contagem ('one, two, three... one, two three'). A introdução e o encerramento da faixa onde eles cantam, 'all I want is you' foi 'limada' pelo produtor Phil Spector para o disco Let it Be, aparecendo de forma integral no filme.

GOD SAVE THE QUEEN
A banda para. Novos ajustes de equipamentos e do instrumental são feitos, enquanto se ouve discussões. O cineasta Michael Lindsay-Hog troca rolos de filme em suas câmeras, além de distribuir ordens aos técnicos. A fita do multi track também precisou ser trocada nesse trecho. Enquanto o segundo engenheiro Alan Parsons (aquele do Alan Parsons Project) fazia o serviço, um trecho de 'God Save the Queen' foi tocado. Aparece integral nas fitas dos Nagra e como um mero fragmento na nova fita do multi track.

I'VE GOT A FEELING (take 2)
Começa com trechos dos acordes nas guitarras, enquanto se ouve Paul conferindo a afinação do baixo. A versão foi tentada como alternativa em relação à primeira, mas não entrou no filme. John erra a letra. É possível perceber que foi tocada de forma despretensiosa. No encerramento John brinca com um trecho de 'Pretty Girl is Like a Melody', hit do ano de 1946 na voz de Irving Berlin. Ouve-se ainda brevíssimo acorde de "Get Back". Esta gravação foi usada no álbum Let it Be...Naked (2003), mas inclui ouverdubs do take um e de outras versões desta mesma composição gravadas em estúdio.

DON'T LET ME DOWN (take 2)

Também foi gravada como 'garantia' a pedido de Michael Lindsay Hogg. Não foi usada no filme nem no disco Let it Be, mas aparece de forma editada em Let it Be...Naked. Imagens inéditas da filmagem desse take são usadas num promo vídeo distribuído por ocasião do CD 'Naked' em 2003.

GET BACK (take 02)
Já com a presença da polícia pedindo que a gravação fosse encerrada eles tocam a quarta versão de "Get Back" (esta gravação foi lançada oficialmente no terceiro volume da série Anthology, em 1996). Antes Paul comenta: “você está tocando nos telhados novamente, mesmo sabendo que sua mãe não gosta. Ela vai acabar vendo você preso”. Neste take as caixas de retorno de John e George são desligadas, o que leva Paul e Ringo a 'segurarem' sozinhos o trecho inicial da canção no baixo e na bateria. O fechamento se dá com a clássica frase de John: “I'd like to say thank you on behalf of the group and ourselves and I hope we passed the audition”.

- Entre sete e dez da noite daquele dia 30 de janeiro de 1969 o engenheiro Glyn Johns mixou gravações (inclusive as tocadas no teto da Apple) no Olimpic Sound Studios do jeito que quis, trabalhando sozinho. No dia seguinte entregou acetatos aos Beatles com o resultado do trabalho.

- Dois promo films para "Get Back" e "Don't Let me Down" foram preparados com o objetivo de promover um dos últimos singles lançados pelos Beatles. Em ambos, imagens dirigidas por Michael Lindsay-Hogg, mas de ângulos diferentes dos mostrados em Let it Be - e capturados no rooftop - foram utilizados.

- Virtualmente tudo o que aconteceu no telhado da Apple durante aqueles quarenta e dois históricos minutos do dia 30 de janeiro, uma terça-feira por volta do meio-dia, estão preservados em filmes e em áudio. Reafirmo minha opinião pessoal: esse material devia ser lançado integralmente em DVD (com as canções repetidas e tudo) numa edição luxuosa e recheada de extras do filme Let it Be.

- No dia 31 de janeiro as filmagens de Let it Be chegaram ao fim, assim como o conturbado processo de gravação do futuro disco. A faixa título e "The Long and Winding Road" foram finalizadas na ocasião e dali em diante - pouco mais de um ano depois - era anunciado formalmente o fim dos Beatles. E de uma era.

Por Cláudio Teran

sexta-feira, 30 de novembro de 2001

Thirty Days - The Ultimate Get Back Sessions Collection

De todas as sessões de gravação dos Beatles, aquela que obteve maior registro foi, sem dúvida, as relativas ao projeto Get Back/Let It Be. E por uma simples razão: eles assim quiseram e se esforçaram para isso. Entre os dias 02/01/1969 e 31/01/1969, o grupo foi impiedosamente filmado pelas câmeras do cineasta Michael Lindsay Hogg e tudo o que tocaram, foi gravado pelas mesas de som dos estúdios Twichenham e Apple. Tal fato resultou ao longo dos anos em uma impressionante profusão de CD's piratas e coleções de discos totalmente dedicados a estas gravações, como é o caso da "Get Back Journal, vol. 1 e 2, Rock Movie Stars, The Complete Twichenham Sessions etc.

Quando porém, tudo levava a crer que nada mais de novo haveria de surgir sob os tetos de Twickenham/Apple, eis que 2 novas séries de discos aparecem no mercado, prometendo vida longa à pirataria beatle no tocante à essas gravações. A primeira coleção chama-se "Day By Day", série ainda em formação, mas que já conta com 24 CDs duplos lançados e que documentam de forma nunca antes ouvida, o que ocorreu durante aquele janeiro de 1969. Está tudo lá, conversas, brigas, discussões, instruções dos operadores de som e música, muita música. "Day By Day" promete terminar com 65 Cd's duplos. A outra série é chamada 30 Days, lançada pelo selo Vigotone, vem com 17 Cd's, sendo 8 Cd's duplos e 1 disco simples, livreto com notas sobre as faixas e fotos, e traz também os registros das gravações feitas pelo grupo em janeiro/69 em Twickenham e Apple Studios. O faz, porém, de uma maneira mais concisa. Limita-se a prestigiar as músicas, só mostrando aquilo que foi gravado de forma completa, ou seja, versões com começo , meio e fim, ainda que algumas durem apenas segundos.

Importante avisar no entanto para os fãs mais incautos, que todos os discos lançados pela pirataria e que documentam essas sessões, possuem aquilo que se convencionou chamar de "padrão Let It Be de qualidade" . Explicando melhor: gravações cheias de improviso, informalidade, muitas vezes em tom de ensaio, ainda que tal fato não desmereça em nada o valor das mesmas, pelo contrário. A série 30 Days primeiramente impressiona pela qualidade de som das faixas. Embora alguns takes já tenham aparecido em outros discos, tudo aqui parece estar com qualidade superior. Em seguida, chama a atenção a imensa quantidade de outtakes que nunca foram lançados em nenhum outro disco e que aqui fazem sua estréia.

E uma outra informação: pra quem quiser acompanhar cada take e Ter informações detalhadas sobre os mesmos, sugerimos adquirir um livro chamado "Get Back- The unathorized chronicles of Let It Be Disaster", de um autor chamado Doug Sulpy ( já comentado em Dentro da Maçã na atualização no. 02). Isto porque todos os discos da série 30 days tem seu track list rigorosamente pautado de acordo com o indice desse livro. É essa série, caro leitor, importantissima para qualquer fã dos Beatles que deseja embrenhar-se pelos labirintos daqueles 30 dias de janeiro de 1969, que começamos a comentar a partir de agora. Detalharemos cada disco, cada take, ressaltando as novidades trazidas por cada CD e contando para os leitores um pouco do que aconteceu com os Fab Four, no decorrer daquelas gravações, às quais John Lennon um dia se referiu como "as mais miseráveis sessões de gravação da Terra". Venha conosco e "feel the wind blow..."

Disc 1/2
No primeiro álbum duplo da série, estão registrados os primeiros dias (à exceção do dia 02/01/69) de gravação do projeto Get Back, estes ocorridos no Twickenham Studios, em Londres.

Disc 3/4
Continuam os registros das gravações do projeto "Get Back", cujas gravações renderam momentos memoráveis, como uma versão de All Things Must Pass com John Lennon ao piano.

Disc 5/6
Primeiro álbum duplo da coleção 30 Days a documentar as gravações do grupo já nos estúdios Apple, e não mais em Twichenham. Músicas do "Let It Be" aparecem em várias versões.

Disc 7/8
Mais um álbum duplo dentro da coleção, mostrando o período entre os dias 24/01 e 27/01/1969, com Billy Preston nos teclados. No disco 2, dezenas de trechos de ensaios para a música "Let It Be".

Disc 9/10
Talvez um dos volumes da série 30 Days com maior número de performances inéditas. Os discos cobrem basicamente os dias 26 e 27/01/69 e trazem a banda trabalhando básica e principalmente 3 canções: The Long and Winding Road, Get Back e Old Brown Shoe.

Disc 11/12
Gravações ocorridas entre os dias 27 e 29/01 nos estúdios Apple, incluindo algumas faixas que apareceriam no álbum Abbey Road.

quinta-feira, 29 de novembro de 2001

The Beatles Thirty Days - Disc 01/02

No primeiro álbum duplo da série, estão registrados os primeiros dias ( à exceção do dia 02/01/69) de gravação do projeto Get Back, estes ocorridos no Twickenham Studios, em Londres. O grupo privilegia clássicos do Rock'n Roll e faixas de outros compositores, caracterizando ainda mis o tom informal presente no inicio das sessões. O destaque fica por conta das versões inéditas para faixas como Maxwell Silver Hammer, Don't Let Me Down e Get Back.
Qualidade de som: 10

CD 1:
The Best Of The Twickenham Sessions Part One
01 Adagio For Strings 3.1 3:21
02 Adagio For Strings 3.2 0:45
03 Let It Be 3.10 1:15
04 Crackin' Up 3.23 0:35
05 All Shook Up 3.24 1:07
06 Your True Love 3.25 1:44
07 Blue Suede Shoes 3.26 1:30
08 Three Cool Cats 3.27 2:18
09 Lucille 3.29 2:27
10 I'm So Tired 3.30 2:31
11 Ob-La-Di, Ob-La-Da 3.31 1:31
12 The Third Man Theme 3.35 1:51
13 Don't Let Me Down 3.NEW 2:45
14 I've Got a Feeling 3.NEW 4:10
15 The One After 909 3.45 3:15
16 "Because I Know You Love Me So" 3.46 2:30
17 "I'll Wait Til Tomorrow" 3.48 1:05
18 "Won't You Please Say Goodbye" 3.51 1:00
19 Bring It on Home 3.52 1:55
20 Hitch Hike 3.53 1:59
21 You Can't Do That 3.54 2:15
22 Hippy Hippy Shake 3.55 2:35
23 Short Fat Fannie 3.60 3:03
24 Midnight Special 3.61 2:09
25 What Do You Want to Make Those Eyes at Me For (When They Don't Mean What They Say!) 3.64 1:05
26 All Things Must Pass3.80 3:38
27 Maxwell's Silver Hammer 3. NEW 2:27
28 Improvisation) 6.12 6:02
29 You Wear Your Women Out"6.NEW 2:54

CD 2:
The Best Of The Twickenham Sessions Part Two
01 My Imagination" 6.15 7:06
02 Improvisation) - NEW 6.NEW 5:07
03 I'm alking About You 6.25 0:51
04 Dizzy Miss Lizzie 6.162:40
05 Money (That's What I Want) 6.17 2:24
06 Sure to Fall 6.19 2:46
07 Don't Let Me Down 6.35 3:07
08 Two of Us 6.56 2:48
09 Across The Universe 6.65 2:55
10 Hear Me Lord 6.71 1:32
11 All Things Must Pass 6.74 3:33
12 The Long and Winding Road 7.1 3:33
13 Golden Slumbers/Carry That Weight 7.2 2:36
14 Get Back 7.14 1:29
15 Get Back - NEW7. NEW 2:07
16 Get Back -NEW 7.NEW 1:54
17 "Woman Where You Been So Long" 7.37 1:48
18 "Oh Julie, Julia- 7.38 2:17
19 A Shot of Rhythm and Blues7.61 1:57
20 Rock and Roll Music 7.80 2:02
21 Lucille 7.81 1:19
22 Gone, Gone, Gone 7.84 2:08
23 The One After 909 7.88 1:19
24 Don't Let Me Down - NEW 7.NEW 3:35
25 Thirty Days 7.101 0:59
26 Be-Bop-A-Lula 7.104 1:51
27 Lotta Lovin'/Somethin' Else 7.105 0:59
28 She Came In Through the Bathroom Window 7.111 3:02

quarta-feira, 28 de novembro de 2001

The Beatles Thirty Days - Disc 03/04

O terceiro e quarto discos da série, retratam as gravações feitas pelo grupo entre os dias 8 e 15 de janeiro de 1969, ainda em Twichenham. Passada a semana inicial no estúdio, pode-se afirmar que a banda entrava agora em seus momentos mais tensos. A idéia de uma apresentação ao vivo norteava as várias discussões internas e dai, surgiriam as mais inusitadas sugestões para um local onde pudesse acontecer um concerto do grupo. Pensou-se em tudo. Desde locais pequenos, onde voltariam às raízes, a um anfiteatro em qualquer país ao norte da África. Yoko Ono, dando palpites como nunca, chegou a sugerir um show em um ginásio totalmente vazio. O clima nesses dias também era marcado principalmente pelo tratamento desdenhoso e, por que não dizer, desrespeitoso, a George Harrison. John e Paul raramente o levavam a sério e ensaiavam suas composições com flagrante desinteresse. Em alguns ensaios de I Me Mine por exemplo, a situação chegou a extremos, chegando John a afirmar em plena sessão, que os Beatles eram uma banda de Rock'n Roll e que não teriam uma valsa em seu track list.

A atmosfera pesada nos estúdios alcançou seu clímax em 10/01/69, quando George Harrison simplesmente avisou que estava deixando a banda. E saiu mesmo, só retornando em 22/01 quando o grupo já transferira suas gravações para os estúdios Apple. Mesmo sem George presente às gravações, Lennon continuava a "pegar pesado", chegando a sugerir, em tom sarcástico, que os outros deveriam chamar Eric Clapton ou Jimi Hendrix para o lugar de Harrison. Paul McCartney completou a piada, dizendo que Maureen Starkey (à época esposa de Ringo), poderia tocar guitarra no grupo se quisesse, contanto que aprendesse a tocar 3 acordes durante o final de semana. As discussões e desentendimentos internos, porém, não conseguiram apagar o brilho de algumas performances ocorridas nestas sessões e presentes neste volume da série 30 Days. Como exemplo, destaca-se a faixa 8, disco 1, única versão até agora conhecida da música All Things Must Pass com John Lennon ao piano.

Ainda do primeiro disco, (faixa 12), Maxwell Silver Hammer, take completo e que tem em 30 Days sua estréia. Citam-se ainda ótimas execuções para Don't Let Me Down e I've Got a Feeling. O 2o. disco deste volume, inicia com George Harrison em 3 versões acústicas para faixas de Bob Dylan, ressaltando-se ainda Get Back e Two of Us. A faixa 11 deste CD , registra o exato momento em que George Harrison, após discussão com o restante da banda, avisa que está deixando o grupo. Ouvem-se o som dos passos de Harrison saindo do estúdio. Outros highlights são as novas versões para I've Got a Feeling e Don't Let Me Down; a faixa The Back Seat of My Car, que Paul só gravaria no disco Ram e Madman, composição de Lennon na qual ele toca piano elétrico e música que somente seria registrada durante essas gravações. Lembra-se que Paul está tocando guitarra na faixa, vez que George ainda estava ausente.

CD 01
The Best Of The Twickenham Sessions Part Three
01 (Improvisation) - NEW 1:46
02 Stand By Me 2:05
03 Two of Us 3:12
04 Don't Let Me Down 3:09
05 I've Got a Peeling 3:27
06 "Queen Says No to Pot-Smoking F.B.I. Members" 0:09
07 Mean Mr. Mustard 1:49
08 All Things Must Pass 3:11
09 Fools Like Me 2:08
10 You Win Again 0:54
11 She Came in Through the Bathroom Window - NEW 2:48
12 Maxwell's Silver Hammer -.NEW 3:38
13 I Me Mine 1:23
14 For You Blue 2:01
15 Two of Us 2:57
16 "Suzy's Parlour" 2:05
17 I've Got a Feeling 3:52
18 Get Back 3:53
19 Across The Universe 3:21
20 Move It 0:54
21 Good Rockin' Tonight 0:50
22 Tennessee 2:01
23 House of the Rising Sun 2:39
24 "Commonwealth" 3:37
25 "Get Off" 5:59
26 For You Blue 0:50
27 "Get Off" 0:52
28 Honey Hush 2:10
29 For You Blue 2:07

CD 02
The Best Of The Twickenham Sessions Part Four
01 "Ramblin' Woman" 2:05
02 I Threw It All Away 2:07
03 Mama, You Been on My Mind 2:03
04 That'll Be The Day 1:02
05 Jenny, Jenny/Slippin' And Slidin' 2:03
06 Let It Be 2:38
07 Hi Heel Sneakers 2:03
08 Hi Heel Sneakers 0:47
09 Get Back 2:05
10 Two of Us 2:01
11 I'm Talking About You 1:17
12 I've Got a Feeling NEW 3:55
13 Don't Let Me Down NEW 3:39
14 Maxwell's Silver Hammer 0:47
15 Maxwell's Silver Hammer 1:11
16 Don't Be Cruel 2:32
17 "On a Sunny lsland''/Tha Peanut Vendor/Groovin'/I Got Stung
18 The Peanut Vendor 0:19
19 It's Only Make Believe 2:44
20 "Through a London Window" 1:06
21 Get Back - NEW 2:40
22 Get Back 2:41
23 (Improvisation) 1:18
24 The Back Seat of My Car 4:12
25 The Back Seat of My Car 0:41
26 "Song of Love" 2:33
27 "Song of Love" 1:03
28 Hello, Dolly 1:29
29 "Madman" 3:15
30 Mean Mr. Mustard 1:22
31 Take This Hammer 2:45
32 Oh! Darling 3:33

terça-feira, 27 de novembro de 2001

The Beatles Thirty Days - Disc 05/06

Primeiro álbum duplo da coleção 30 Days a documentar as gravações do grupo já nos estúdios Apple, e não mais em Twichenham. Percebe-se claramente a partir de agora, que a banda está mais a vontade e menos incomodada com a atmosfera de Twichenham. O clima se reflete nas gravações, pois, ainda que as sessões sejam marcadas por vários ensaios, nota-se uma preocupação maior em fazer as coisas com maior seriedade e menos improviso. Como de costume, os Beatles fazem diversos covers de clássicos do Rock'n Roll antes de iniciarem a gravar suas próprias composições. O disco 1, que documenta as gravações ocorridas nos dias 22 e 23 de janeiro de 1969, traz nada menos que 14 takes até então inéditos na pirataria e que fizeram sua estréia em "30 Days". Importante ressaltar que consta no álbum o registro da primeira participação de Billy Preston dentro do projeto Let It Be, ocorrida no dia 23/01.

Destaque para as versões de Dig a Pony e Don't Let Me Down. O disco 2 traz o restante das gravações do dia 23/01 e takes feitos em 24/01. Novamente, mais da metade das faixas aqui apresentadas nunca haviam sido antes lançadas. Este disco é sem dúvida alguma, um dos melhores volumes da série, pois traz impagáveis versões do grupo para a música Oh! Darling, uma inédita versão de John Lennon cantando sozinho o primeiro verso de Two of Us e ainda ótimas e raras performances para faixas como 20 Flight Rock e Her Majesty. A qualidade de som não oscila, é 10 da primeira à última música.

CD 01 
The Best Of The Apple Studio Sessions Part One
01 Somethin' Else
02 Daydream
03 You Are My Sunshine
04 Whispering
05 (Improvisation)
06 My Baby Left Me/That's All Right
07 Milk Cow Blues
08 "All I Want is You"
09 In The Middle of an lsland / Gilly Gilly Ossenfeffer Katzenellen Bogen By The Sea
10 (lmprovisation)/Good Rockin' Tonight
11 Forty Days
12 Too Bad About Sorrows
13 Dig a Pony
14 Dig a Pony
15 You've Got Me Thinking
16 I've Got a Feeling
17 Don't Let Me Down
18 "I Dig a Pygmy"
19 Don't Let Me Down
20 Dig a Pony
21 Going Up the Country
22 Dig a Pony
23 I've Got a Feeling
24 "You Want a Session Job?"
25 Dig a Pony
26 Don't Let Me Down
27 Don't Let Me Down
28 Don't Let Me Down

CD 02 
The Best Of The Apple Studio Sessions Part Two
01 Dig a Pony
02 Dig a Pony
03 I've Got a Feeling
04 I've Got a Feeling
05 I've Got a Feeling
06 Get Back
07 Get Back
08 Get Back
09 Get Back
10 (Improvisation)
11 Twenty Flight Rock
12 Get Back
13 Oh! Darting
14 Oh! Darting
15 Get Back
16 On the Road to Marrakesh
17 Two of Us
18 Two of Us
19 Two of Us
20 Teddy Boy
21Two of Us
22 Maggie Mae
23 "I Fancy Me Chances"
24 Two of Us
25 Maggie Mae
26 Her Majesty

sábado, 24 de novembro de 2001

The Beatles Thirty Days - Disc 07/08

Os discos cobrem o período de gravações nos estúdios da Apple compreendido entre os dias 24/01 e 27/01/1969. Com Billy Preston presente às sessões e de certa forma ajudando a acalmar os ânimos, o grupo consegue fazer fluir com maior desenvoltura as faixas trabalhadas. Ressalta-se que os registros das gravações ocorridas nesses dias, costumam ser um tanto quanto fragmentados, isso devido ao fato de que estavam sendo realizadas filmagens do grupo e não propriamente o registro do áudio completo das sessões. Mais um ponto para a série 30 Days, que traz a tona performances completas para faixas como Get Back, Dig It, Bad Boy , I Lost My Little Girl ( aqui cantada por John Lennon) e For You Blue. O segundo CD traz basicamente o registro das sessões de gravação da faixa Let It Be, com nada menos que 10 takes inéditos da música. É extremamente interessante para o fã mais atencioso, observar como a banda trabalhava e lapidava as músicas até encontrar o que queria. Qualidade de som 10.

CD 01 
The Best Of The Apple Studio Sessions
01 "There You Are, Eddie" 24.49 2:28
02 Diggin' My Potatoes 24.61 0:50
03 Hey Liley, Liley-Lo 24.62 0:09
04 Rock Island Line 24.63 0:58
05 Michael Row the Boat 24.65 0:58
06 Rock-A-Bye Baby 24.66 0:17
07 Singing The Blues 24.67 2:00
08 Dig It 24.72 4:09
09 Dig It 24.73 5:05
10 Get Back 24.79 3:00
11 Get Back/Little Demon/Maybellene/You Can't Catch Me/ Brown-Eyed Handsome Man 24.80 2:22
12 Short Fat Fannie 24.81 1:26
13 Get Back 24.83 4:11
14 Bad Boy 24.87 2:36
15 Sweet Little Sixteen 24.88 1:46
16 Around and Around 24.89 1:08
17 Almost Grown 24.90 1:04
18 School Day 24.91 1:35
19 Stand By Me/Where Have You Been 24.92 2:36
20 Get Back 24.95 6:10
21 I Lost My Little Girl 24.55 5:08
22 Two of Us 25.NEW 3:39
23 Two of Us 25.NEW 3:22
24 Bye Bye Love 25.8 0:58
25 Two of Us 25.9 3:25
26 For You Blue 25.NEW 2:05
27 For You Blue 25.NEW 2:05
28 For You Blue 25.NEW 2:27


CD 02
The Best Of The Apple Studio Sessions
01 For You Blue 25.25 3:01
02 For You Blue 25.NEW 2:28
03 For You Blue 25.22 2:35
04 Let It Be 25.NEW 2:21
05 Let It Be 25.NEW 2:13
06 I'm Talking About You 26.18 1:18
07 Let It Be 25.NEW 3:13
08 Let It Be 25.NEW 3:48
09 Isn't It a Pity 26.1 1:48
10 Window, Window 26.2 0:57
11 Octopus's Garden 26.11 1:03
12 High School Confidential 26.22 1:39
13 Great Balls of Fire 26.23 1:28
14 Great Balls of Fire 26.23 0:31
15 Let It Be26.NEW 2:44
16 Let It Be26.NEW 3:46
17 Let It Be26.NEW 3:46
18 Let It Be26.NEW 3:55
19 Let It Be26.NEW 3:40
20 Dig It 26.27 15:04
21 Rip It Up (2:36) - 26.28 2:36
22 Shake, Rattle and Roll 26.29 1:39

sexta-feira, 23 de novembro de 2001

The Beatles Thirty Days - Disc 09/10

Talvez um dos volumes da série 30 Days com maior número de performances inéditas de toda a coleção. Os discos cobrem basicamente os dias 26 e 27/01/69 e trazem a banda trabalhando básica e principalmente 3 canções: The Long and Winding Road, Get Back e Old Brown Shoe. Pra se ter uma idéia, saíram desse dia os takes de The Long and Winding Road e Get Back que, após Phil Spector, seriam lançados oficialmente. A presença de Billy Preston nos estúdios torna-se cada vez mais integrada às gravações, ao ponto de por diversas vezes o grupo entregar-se a verdadeiras jam sessions com o músico que duravam quase 15 minutos. A série 30 Days registra essas gravações com o nome de Ï Told You Before" . No segundo disco, excelentes performances para Old Brown Shoe e Get Back e uma verdadeira gema para o fã: lembram-se daquele trecho de Oh Darling lançado oficialmente no álbum Anthology 3 ? Pois bem. Este volume da série traz o take completo, com mais de 6 minutos de duração. Imperdível.

CD 01
The Best Of The Apple Studio Sessions Part Five
01 Miss Ann/Kansas City/Lawdy Miss Clawdy
02 Blue Suede Shoes
03 You Really Got a Hold on Me
04 (Improvisation)
05 (Improvisation)
06 Let It Be
07 Let It Be
08 Let It Be
09 "I Told You Before"
10 "I Told You Before"
11 The Long and Winding Road
12 The Long and Winding Road
13 The Long and Winding Road
14 The Long and Winding Road
15 The Long and Winding Road
16 The Long and Winding Road
17 The Long and Winding Road
18 Strawberry Fields Forever
19 Let It Be


CD 02 
The Best Of The Apple Studio Sessions Part Six
01 Let It Be
02 The Long and Winding Road
03 Old Brown Shoe
04 Old Brown Shoe
05 Old Brown Shoe
06 Old Brown Shoe
07 (Improvisation)
08 "I Told You Before"
09 "I Told You Before"
10 Don't Let Me Down
11 Get Back
12 Get Back
13 Get Back
14 Get Back
15 Get Back
16 Get Back
17 Oh! Darling
18 Get Back
19 Get Back
20 Get Back

quinta-feira, 22 de novembro de 2001

The Beatles Thirty Days - Disc 11/12

Os discos 11 e 12 da série 30 Days documentam as gravações ocorridas entre os dias 27 e 29/01 nos estúdios Apple. Nesses dias, aumentam as discussões acerca de uma apresentação ao vivo da banda e que viria a culminar no famoso e improvisado concerto no teto da gravadora. O CD 1 do álbum traz talvez um dos maiores highlights de toda a série. Neste, consta uma versão completa de "I've Got a Feeling" cantada inteiramente por John Lennon. Também no disco, versão completa do grupo para "Love Me Do" e takes de "Don't Let Me Down" que foram usados no lançamento oficial do single com a música. O 2° disco mostra o grupo ensaiando faixas que só entrariam no disco Abbey Road, além de versões somente agora conhecidas para faixas como "I've Got a Feeling", "One After 909", "Two of Us", "Let It Be" e "The Long and Winding Road". Como dito no início, um dos mais reveladores volumes da 30 Days.

CD 1
The Best Of The Apple Studio Sessions
01 Get Back
02 Get Back
03 Get Back
04 Get Back
05 I've Got a Feeling
06 "You Won't Get Me That Way''/The Walk
07 I've Got a Feeling
08 "The River Rhine"/The Long and Winding Road
09 I've Got a Feeling
10 I've Got a Feeling
11 I've Got a Feeling
12 Dig a Pony
13 Dig a Pony
14 Get Back
15 Love Me Do
16 Get Back
17 Don't Let Me Down
18 I've Got a Feeling
19 Don't Let Me Down
20 I've Got a Feeling

CD 2
The Best Of The Apple Studio Sessions
01 One After 909
02 Old Brown Shoe
03 Old Brown Shoe
04 Old Brown Shoe
05 I Want You (She's So Heavy)
06 Something
07 Get Back
08 Teddy Boy
09 All Things Must Pass
10 All Things Must Pass
11 I Want You (She's So Heavy)
12 I Want You (She's So Heavy)
13 Dig a Pony
14 I've Got a Peeling
15 Don't Let Me Down
16 Get Back
17 One After 909
18 She Came in Through the Bathroom Window
19 Two of Us
20 Let It Be
21 The Long and Winding Road