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terça-feira, 11 de outubro de 2016

Os Beatles falam sobre a música "All You Need Is Love"

"All You Need Is Love", além de ser uma das favoritas dos fãs dos Beatles, tem importância histórica por ter sido a primeira canção transmitida via satélite (Saiba mais), e eles próprios têm consciência disso. Confira uma coleção de pequenos depoimentos dos próprios Beatles (e alguns colaboradores) sobre a transmissão do programa Our World com a lendária música.

Ringo:
A transmissão Our World foi sensacional, atingindo centenas de milhões de pessoas no mundo inteiro. Foi a primeira transmissão mundial via satélite já realizada. Agora é uma coisa padrão, mas na época, quando fizemos, foi a primeira. Isso era emocionante; nós estávamos fazendo uma porção de "primeiras". Eram tempos empolgantes.

Paul:
Fiquei acordado a noite inteira antes do show, desenhando na camisa que eu estava usando. Eu tinha alguns produtos químicos chamados Trichem - dava pra desenhar numa camisa com eles, e depois se podia lavar a camisa e o desenho ficava. Eu os usei muito, muitas foram as camisas ou portas que eu pintei com eles. Era uma boa diversão. Aquela camisa ficou retalhada depois do show; entretanto, do jeito que vem, vai.

George:
Eu não sei quantos milhões de pessoas assistiram à transmissão, mas parece que foi um número fenomenal. Provavelmente foi o mais cedo que a tecnologia possibilitou aquele tipo de ligação via satélite: eles transmitiam do Japão, México, Canadá - por toda a parte.

Lembro da gravação, porque decidimos introduzir pessoas que tivessem a cara da "geração do amor". Se você olhar atentamente para o chão, eu sei que Mick Jagger estava lá. Está também o Clapton, eu acho, em trajes psicodélicos em grande estilo com permanente, sentado bem ali. Foi ótimo: a orquestra estava lá e foi ao vivo. Ensaiamos um pouco e então: "Vocês entram às doze em ponto, rapazes". O sujeito lá em cima apontou o dedo e pronto. Entramos para uma única tomada!

Neil Aspinall:
Foi uma filmagem profissional. Eu me lembro das equipes de câmeras e muita gente colorida. Foi psicodélico e tudo o mais, mas a BBC filmou em preto e branco! Se a gente soubesse disso, nós mesmos teríamos filmado.

Ringo:
Adoramos nos fantasiar e nossas roupas foram feitas para o programa. Simon e Marijke, do grupo The Fool, fizeram a minha. Era pesada pra danar, eu estava com todos aqueles colares que pesavam uma tonelada. Você pode ver os semblantes felizes. Eu tinha o Keith Moon ao meu lado. Todo mundo estava aderindo - foi um momento fabuloso, tanto musical quanto espiritualmente. E para aquele programa, os autores da canção foram mestres em acertar na mosca.

Paul:
Os Beatles cantaram "All you need is love". A canção era do John, principalmente; uma daquelas que estavam à mão na época. Ela se ajustava muito bem, logo, poderia ter sido escrita especialmente para a ocasião (e já que a tínhamos, ela era certamente talhada para o programa). Mas eu tinha a impressão de que era uma das canções do John que de qualquer forma apareceria. Fomos ao Olympic Studios em Barnes e a gravamos e todos disseram: "Ah, é esta que devemos usar".

Brian Epstein:
Nem por um momento me preocupei de que pudessem não propor algo maravilhoso. O compromisso para o programa de TV estava marcado com alguns meses de antecedência. O momento foi ficando cada vez mais próximo e eles ainda não tinham escrito nada. Então, cerca de 3 semanas antes do programa, sentaram para escrever. A gravação ficou pronta em 10 dias. É uma canção inspirada, porque eles a compuseram para um programa mundial e realmente quiseram passar uma mensagem para o mundo. Dificilmente poderia ter sido uma mensagem melhor. É uma gravação maravilhosa, linda, de dar arrepio na espinha.

Paul:
Em estilo, ela remonta um pouco o nosso começo, imagino, mas está realmente na próxima volta da espiral. Eu a defino como uma olhada para trás, como um novo sentimento.

John:
Tocamos apenas uma faixa. Uma vez que eu sabia os acordes, eu tocava qualquer coisa que fosse, até cravo. George tocou um violino e Paul um double bass. Como eles não sabiam realmente tocar esses instrumentos, conseguimos uns barulhinhos legais. Parecia uma orquestra, mas são só os dois tocando. "Ora essa, vamos pôr um pouco mais de instrumentos nessa orquestra esquisita que conseguimos". Mas ninguém tinha ideia de como soaria no final, até o ensaio. Ainda pareceu um pouco estranho na hora".

George Martin:
John compôs "All You Need Is Love" especialmente para o programa de televisão. Brian chegou de repente, desorientado, e disse que iríamos representar a Inglaterra em cadeia mundial e tínhamos que compor uma canção. Era um desafio. Dispúnhamos de menos de 2 semanas para compô-la e então soubemos que seriam mais de 300 milhões de pessoas assistindo, o que na época era uma cifra fenomenal. John propôs a idéia da canção, que era ideal, maravilhosa.

George Harrison:
Pelo clima da época, parecia ser uma grande idéia apresentar aquela canção enquanto o resto do mundo estava mostrando tricô no Canadá ou sapateado na Venezuela. Pensamos: "Bem, nós cantaremos "All You Need Is Love", porque ela é uma peça sutil de relações públicas para Deus". Eu não sei se a canção foi composta antes disso, porque havia muitas canções circulando na época.

George Martin:
Ao fazer o arranjo, empurramos "La Marseillaise" para o início, e uma série inteira de coisas para o fim. Entrei em grandes apuros com isso. Receio que entre todos os pequenos trechos e peças que usamos na apresentação final (que os rapazes não conheciam) havia um pedaço de "In The Mood". Todos achavam que "In The Mood" era de domínio público (e é), mas a introdução não é! A introdução é um arranjo, e foi a introdução que eu peguei!

Era um trabalho publicado! A EMI me procurou e disse: "Você colocou isso no arranjo, e agora você terá que nos indenizar contra qualquer ação que possa ser movida!". Respondi: "Vocês devem estar brincando. Eu ganhei 15 libras para fazer aquele arranjo, e isso é tudo". Eles entenderam a piada. Acho que pagaram um honorário a Keith Prowse, ou para quem quer que fosse o editor, e eu eliminei os arranjos. "Greensleeves" também estava lá (meio andamento) para costurar com um pouco de Bach e o trecho de "In The Mood".

Paul:
Fomos até a EMI para o programa. Fizemos muitos testes de gravação e então cantamos ao vivo para a trilha de fundo. Trabalhamos com a ajuda de George Martin e foi um dia produtivo. Estávamos lá desde o começo da manhã para ensaiar com câmeras e havia uma grande orquestra (para todo aquele trecho com "Greensleeves") tocando no encerramento da canção. Pediram que a banda convidasse pessoas e levamos gente como Mick e Eric, além de todos os nossos amigos e queridas esposas.

George Martin:
Eu apareci no programa. Havia uma câmera para a sala de controle. foi um pouco aflitivo porque foi feito no grande estúdio nº1 da EMI. A sala, na época, ficava ao pé da escada. Não era muito grande e ali ficaram Geoff Emerick, o operador de fita, e eu. Havíamos preparado uma trilha básica da gravação para o programa de televisão mas íamos fazer muita coisa ao vivo. Havia uma orquestra ao vivo e o canto e a platéia também eram ao vivo e sabíamos que seria um programa de televisão com transmissão direta.

Trinta segundos antes de começar, o telefone tocou. Era o produtor do programa, dizendo: "Acho que perdi todo o contato com o estúdio e vocês terão de repassar as instruções para eles, porque agora entraremos no ar a qualquer momento". Pensei: "Meu Deus, se a gente vai fazer papel de bobo, será diante de 350 milhões de pessoas". Naquele ponto, apenas dei risada.

Neil Aspinall:
"All We Need Is Love" foi direto para o primeiro lugar. Acho que ela expressa o clima da época, com o "Flower Power" e todo aquele movimento. Realmente era hora de dizer: "tudo que você precisa é amor".

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

A gravação de "All You Need Is Love", dia a dia

Uma das músicas mais queridas dos Beatles - frequentemente aparece no topo da lista entre as favoritas pelos fãs, lançada originalmente como single, mas principalmente no LP Magical Mystery Tour (1967), nas duas edições do LP Yellow Submarine (1968 e 1999) e em diversas coletâneas. Acompanhe todos os detalhes, dia-a-dia, das gravações desse clássico da música.

Quarta-feira, 14 de Junho - 1967
Local: Estúdio 1. Estúdio Olympic Sounds, 117 Church Road, Barnes London SW13: horário desconhecido
Gravando: 'All you need is love' (takes 1 ao 33, redução do take 10)
Produtor: George Martin
Engenheiro: Eddie Kramer
Segundo engenheiro: George Chkiantz
Em 22 de Maio, quatro dias antes do contrato ser assinado, foi anunciado: "Os Beatles, juntamente com um outro item (informado por Magnus Magnusson da nova cidade de Cumbernauld, na Escócia) iria representar a BBC, consequentemente a Grã-Bretanha, em um programa de televisão a ser transmitido ao vivo mundialmente, durante a noite de domingo, 25 de Junho (horário do Reino Unido)". O grupo apareceria no estúdio de gravação trabalhando numa canção especialmente escrita para a ocasião.

Somente os Beatles poderiam ter sido tão magistralmente casuais ao aparecer na primeira transmissão feita via satélite, sendo vistos por 400 milhões de telespectadores. "Não sei ao certo se eles haviam preparado alguma idéia mas eles deixaram para escrever a canção na última hora", diz Geoff Emerick. John disse: "Meu Deus! Está assim tão próximo? Suponho que seja melhor escrevermos algo".

'All you need is love era o mais perfeito retrato do verão de 1967 e suas qualidades de hino são tão atuais hoje, quanto na época em que foi escrita. E o mais importante, caiu como uma luva na única instrução dada pela BBC: fazer algo simples para que telespectadores do mundo inteiro pudessem compreender. Logo no começo do take 1, 'La Marseillaise', hino nacional da França, foi uma parte vital da canção, enfatizando o clima internacional da ocasião.

As primeiras gravações de 'All you need is love' (basic track e parte dos vocais) foram feitos na noite de 14 de Junho no estúdio Olympic Sounds em Barnes, onde os Beatles tocavam normalmente os instrumentos: John no Cravo, Paul no double-bass e George tocando um pouco de violino.

A bateria era mais importante do que nunca, então Ringo assumiu seu papel. George Chkiantz foi o operador da gravação nesta versão.

"Os Beatles eram muito oportunistas e positivos. Num certo momento obtivemos um som curioso na fita e eles não só quiseram que o mantivéssemos na gravação como também nos pediram para repetir o som, deliberadamente. Outros grupos teriam ficado aborrecidos, mas os Beatles tiraram proveito do erro".

"Eles fizeram um mixdown de um four-track para outro four-track. Curiosamente, George Martin deixou bem claro para que mantivéssemos qualquer bate-papo antes do início do take".


Segunda Feira, 19 de Junho
Local: Estúdio 3 - 19:00 às 01:45. Copiando a fita: 'All you need is love'
Gravando: 'All you need is love" – SI do take 10.
Produtor: George Martin
Engenheiro: Geoff Emerick
Segundo engenheiro: Richard Lush.
Overdubbing do lead e backing vocals: tracks three and four of the four-track tape, e bateria, piano (tocado por George Martin) e banjo (John Lennon) no track two.

Quarta-feira, 21 de Junho
Local: Sala 53 do Abbey Road (16:30 às 17:00)
Mono mixing: 'All you need is love' (remixagem 1, fo take 10)
Produtor: George Martin
Engenheiro: Malcom Addey
Segundo engenheiro: Phil McDonald
Local: 'Estúdio 3 (sala de controle somente) - 19:00 às 11:30h.
Mono mixing: 'All you need is love' remix demo, não numerada
Produtor: George Martin
Engenheiro: Geoff Emerick
Segundo engenheiro: Richard Lush
Duas remixagens do ritmo da faixa feita no Olympic Sounds para 'All you need is love'. Um acetato sem número foi dado a Derek Burrell Davis, diretor do time de transmissão da BBC para o 25 de Junho.



Sexta-Feira, 23 de Junho
Local: Estúdio um. 20:00 às 23:00
Gravando: 'All you need is love' (redução da fita do take 10, takes 34-43 como SI no take 10)
Produtor: George Martin
Engenheiro: Geoff Emerick
Segundo engenheiro: Richard Lush
A orquestra entra pela primeira vez para executar 'All you need is love'.

Sábado, 24 de Junho
Local: Estúdio 1. 17:00 às 20:00. Gravando: 'All you need is love' (takes 44 ao 47 como SI no take 10).
Produtor: George Martin
Engenheiro: Geoff Emerick
Segundo engenheiro: Richard Lush
A apenas um dia do grande evento os Beatles abriram as portas do estúdio Abbey Road para mais de 100 jornalistas e fotógrafos. A entrevista de imprensa levou praticamente todo o período do final da manhã e à tarde, das 14h às 16h, houve um ensaio para a BBC.

Mais tarde os Beatles e orquestra posicionaram-se no estúdio1 para fazer algumas adições no (rhythm track) de 'All you need is love', o que tornou-se especialmente importante por ter sido uma decisão feita de última hora, para que 'All you need is love' se tornasse um single após a transmissão.

Domingo, 25 de Junho
Local: Estúdio 1, 14:00 às 01:00.
Gravando: 'All you need is love' (takes 48 ao 40; ensaios para BBC take 1 ao 3; takes 51 ao 53; takes 54 ao 58 [sendo o 58 o take transmitido ao vivo; SI no take 58]
Produtor: George Martin
Engenheiro: Geoff Emerick
Segundo engenheiro: Richard Lush/Martim Benge
Como dizia a propaganda da BBC, o programa 'Our World' foi o primeiro a juntar continentes e trazer os homens frente à frente com a humanidade em lugares tão distantes como Canberra e Cape Kennedy, Moscow e Montreal, Samarkand e Söderfors, Takamatsu e Tunísia (na verdade a União Soviética ficou de fora na última hora).

Se tudo isso pode ser medido, 400 milhões de pessoas de 5 continentes sintonizaram a TV e assistiram as sessões de gravação dos Beatles. Como se pode imaginar, foi um dia bem agitado e inesquecível para todos. "Terrível! Não havia 2 caminhos a seguir", recorda-se o engenheiro Geoff Emerick. "Ao tentar gravar o que gravamos, mesmo sem a transmissão, foi ridículo!".

Os Beatles passaram a maior parte do dia aperfeiçoando a canção e ensaiando para as câmeras da BBC, colocadas no estúdio 1. As câmeras eram conectadas com cabos até o furgão de transmissão estacionado no pequeno estacionamento do estúdio Abbey Road. De lá, os sons e imagens iriam atravessar o mundo via satélite. O take 58 era o mais importante na versão transmitida. George Martin reduziu enormemente as chances de falhas ao vivo, levando a fita do ritmo pré-gravado pelos Beatles, do take 10.


Ritmo pré-gravado: track one do four-track tape
Track 2 foram feitos: baixo, guitarra solo e bateria
Track 3: orquestra
Track 4: vocais.
Somente os vocais, baixo, lead guitar solo, intermezzo, bateria e orquestra eram ao vivo. Uma remixagen instantânea feita por Martin e Emerick foi enviada diretamente para o furgão de transmissão da BBC e daí para o mundo. "Estávamos em pânico na hora da transmissão, tudo poderia ter dado errado", diz Peter Vince, engenheiro do estúdio Abbey Road, feliz por ter ficado sem muitas responsabilidades pelo menos desta vez. "Eu não queria estar na pele de Geoff nem por todo o chá da China".

"Mas é claro que ele não queria!", brinca Emerick hoje em dia. "Na verdade nós entramos ao vivo uns 40 segundos adiantados. George e eu estávamos bebendo wisky quando fomos chamados pelo interfone. Houve um pânico imenso para esconder a garrafa e os copos. Enfiamos tudo debaixo da mesa de mixagem".

A sequência televisionada dos eventos podem parecer um pouco batidas hoje e fitas de estúdio revelam o tempo considerável de ensaios gerais que resultaram na "espontânea" performance.

O apresentador Steve Race introduziu os Beatles tocando e cantando a canção, então a câmera corta para a sala de controle onde George Martin sugeria que era hora da orquestra entrar. Os músico preencheram o estúdio.

Mal Evans aparece recolhendo xícaras de chá vazias e então a câmera voltava ao estúdio onde a orquestra e os Beatles encontravam-se sentados no chão, com exceção de Ringo, que estava sentado num banco alto, cercado por um grande grupo de amigos para executar a canção na íntegra. Do começo ao fim, a sequência durou somente seis minutos, mas os nervos estavam totalmente em frangalhos!

O operador Richard Lush, para quem George Martin direcionou o pedido ao vivo: "Rebobine a fita por favor Richard", recorda-se.

"Tremia de tanto nervoso, mesmo tendo ensaiado aquilo várias vezes no sábado e domingo! Lennon também estava muito nervoso naquele dia", diz Lush. "Ele pode não ter deixado transparecer isso, mas eu estava acostumado a trabalhar com ele e acabei percebendo seu nervosismo". A transmissão tornou-se uma festa. Os músicos da orquestra vestiam trajes formais, enquanto os vários amigos, sentados no chão do estúdio, entre eles Mick Jagger, Marianne Faithfull, Keith Richard, Keith Moon, Eric Clapton, Pattie Harrison, Jane Asher, Mike McCartney, Graham Nash e sua esposa, Gary Leeds e Hunter Davies vestiam roupas coloridas (mesmo o programa sendo transmitindo em preto e branco). Havia muitas bexigas, cartazes divertidos e muita cantoria. Ao final da canção um dos amigos dançou conga no estúdio.Também entre a multidão, convidado especial dos grupo, estava o assistente de estúdio Terry Condon. "Mal Evans me fez vestir um desses casacos longos e coloridos, eu não era mais um adolescente! E me fez sentar no chão também. Foi muito divertido. Quando a sessão terminou a garota que havia arrumado as flores da decoração deu-me algumas para levar para minha esposa e para o hospital local. Assim que saí do prédio fui atacado por um enxame de fãs dos Beatles que me deixaram sem nada".

George Martin, que usava um terno branco, estava no estúdio da sala de controle, com a tarefa de conduzir 13 homens e a orquestra foi dada a Manfred Mann, ao saxofonista e multi-instrumentista Mike Vickers. O mesmo conjunto foi contratado também nos dias 23 e 24 de Junho para gravações e ensaios. Havia quatro violinistas: Sidney Sax (líder), Patrick Halling, Eric Bowie e Jack Holmes; dois saxofonistas tenores: Rex Morris and Don Honeywill, dois trombonistas: Evan Watkins e Harry Spain; um acordeonista: Jack Emblowe dois trompetistas: Stanley Woods (também usando flugelhorn) e David Mason, usando o mesmo trompete de "Penny Lane". "Nós tocamos trechos do Concerto Brandenburguês de Bach, em fade-out", recorda-se.

Segunda Feira, 26 de Junho
Local: Estúdio 2 (sala de controle somente) 14:00 às 17:00h.
Mono Mixing: 'All you need is love' (remixagens 2 à 10 do take 58)
Produtor: George Martin
Engenheiro: Geoff Emerick
Segundo Engenheiro: Richard Lush
Mono remixing para o lançamento apressado de 'All you need is love' como single mundial. Nove mixagens foram feitas, cinco das quais estavam completas, e a quarta foi julgada como a melhor. "Por mais engraçado que possa parecer", diz George Martin, "embora John tenha adicionado um novo vocal, Ringo um rufo de caixa e tenhamos feito uma nova mixagem, poucas pessoas perceberam que o single era um pouco diferente da versão mostrada na TV".

Sexta Feira, 7 de Julho
Lançamento: Single 'All Ye Need Is Love' / 'Baby, You´re a Rich Man' Parlaphone R 5620
Não é preciso dizer que o single ficou em primeiro lugar nas paradas do mundo inteiro. Com a divulgação do programa 'Our World', dificilmente fracassaria. 'All you need is love' foi o 15º single dos Beatles no Reino Unido e pela primeira vez George Martin recebeu créditos como produtor no selo de um single dos Beatles. Nos anos 80 até mesmo os que faziam o chá durante as sessões recebiam créditos em capas de discos e selos, assim como os créditos dados ao estúdio onde foram realizadas as gravações, mixagens e masterização. Mas nos anos 60 muito pouca informação sobre isso podia ser encontrada nos discos. Nem mesmo Please Please Me, primeiro álbum dos Beatles, continha os créditos a George Martin como produtor, assim como em Sgt. Pepper's não continha os créditos como engenheiro a Geoff Emerick, embora tenha feito excelente contribuição. O lançamento de 'All you need is love' aconteceu apenas cinco semanas antes da edição (tiragem) de Sgt. Pepper's e mesmo assim o single não foi incluído no álbum. Tanta qualidade e quantidade de rendimentos eram responsáveis pela compreensível inveja dos concorrentes!