sábado, 20 de outubro de 2001

Preso no mastro do iate dos Beatles

Funchal, 31 Jan (Lusa) - Um praticante alemão de parapente embateu hoje e ficou suspenso num dos mastros do iate "Vagrant", que foi propriedade dos Beatles e agora é um estabelecimento de restauração na marginal do Funchal.

Aquele "parapentista" lançou-se da rampa do Chão da Lagoa (Parque Ecológico do Funchal) com um amigo, num voo que decorreu com toda a normalidade até à zona do Monte, quando foram apanhados pelo vento.

Enquanto um deles ficou suspenso no mastro da embarcação, a cerca de 20 metros do solo, tendo sido retirado por uma equipa de montanhismo dos Bombeiros Voluntários Madeirenses, o outro embateu contra uma árvore da Avenida do Mar e caiu no toldo do restaurante.

Os dois praticantes alemães de parapente, um guia de montanha e outro funcionário do grupo hoteleiro Pestana, residem na Madeira há dois e cinco anos, respectivamente, e saíram ilesos do acidente.

O voo durou cerca de 35 minutos e abrangeu um percurso de oito quilómetros.

EC/AMB
Lusa/Fim
Luis Pinheiro de Almeida

De Ardmore & Beechwood a Michael Jackson


Por que Michael Jackson decide tudo sobre músicas dos Beatles?

Estive a consultar alguns livros sobre o "publishing" das canções dos Beatles e cheguei a algumas conclusões. A versão do texto que se segue não é ainda completamente definitiva, porque me faltam apurar ainda alguns pormenores, porque tudo isto é muito complicado e eu gosto das coisas rigorosas e exactas.

Michael Jackson (Northern Songs) controla os direitos de 263 canções dos Beatles, entre as quais algumas que o grupo, enquanto tal, nunca gravou oficialmente como "Catcall", "Cold Turkey", "Come And Get It", "Cowboy Music", "Dream Scene", "Drilling A Home", "Penina", etc, etc, etc.

Como foi isto possível?

"Love Me Do", "PS I Love You", "Please Please Me" e "Ask Me Why" são as quatro únicas gravadas pelos Beatles que não estão incluídas neste lote de Michael Jackson. Por isso, Paul McCartney fez uma mistura delas, ou de parte delas, com o título "PS Love Me Do", para incluir na edição japonesa de "Flowers In The Dirt". Estas canções pertencem à MPL (Paul McCartney).

Quando os Beatles começaram a gravar oficialmente em 1962, o "publishing" era ainda um negócio pouco conhecido ou, no mínimo, insipiente. Nem os Beatles, nem Brian Epstein, se moviam pelo dinheiro e nada sabiam de "publishing".

Brian Epstein até via os "publishers" como promotores das canções nas rádios, nas televisões ou a arranjar alguém que as cantasse também.

Brian Epstein conheceu George Martin através do "publisher" Sid Coleman que dirigia a empresa de "publising" Ardmore & Beechwood, subsidiária da norte-americana Capitol Records que, por seu turno, era uma subsidiária da britânica EMI Records.

Agradecido a Sid Coleman por lhe ter proporcionado o encontro com George Martin, Brian Epstein ofereceu à Ardmore & Beechwood as duas primeiras canções dos Beatles, "Love Me Do" e "PS I Love You".

Mas desiludido com a falta de promoção de "Love Me Do" (não chegou a primeiro lugar), Brian Epstein deu as duas canções seguintes, "Please Please Me" e "Ask Me Why", a Dick James (antigo cantor que chegou a gravar Beatles), depois de ter analisado outras alternativas, entre as quais Hill & Range, "publishers" de Elvis Presley.

Canções seguintes, do álbum e do terceiro single, foram também para a Dick James Music. Nesta altura, a dupla de compositores era McCartney/Lennon e só depois, por causa da ordem alfabética, é que ficou Lennon/McCartney, independentemente de as canções serem dos dois ou só de um.

Depois do primeiro álbum, numa reunião em Liverpool, os Beatles e Brian Epstein resolveram criar a Northern Songs, a empresa de "publishing" deles próprios, sem saberem muito bem o que isso queria dizer e para que servia.

A Northern Songs foi registada a 22 de Fevereiro de 1963, pertencendo 50 por cento a John, Paul e Brian e os outros 50 por cento a Dick James.

As canções que Dick James já tinha (do primeiro álbum) passaram para a Northern Songs, ficando só com "Please Please Me" e "Ask Me Why", como prova do reconhecimento do seu trabalho.

Em 1986, a PolyGram Music comprou a Dick James Music, por isso possui os direitos destas duas canções.

Dick James ficou presidente da Northern Songs até 10 de Fevereiro de 1973.

Por acordo de 14 de Agosto de 1963, Lennon e McCartney comprometeram-se a entregar à Northern Songs todas as suas canções por um período de três anos. Os lucros destas 56 canções foram pagos à LenMac Enterprises, que pertencia 40 por cento a Lennon, 40 por cento a McCartney e 20 por cento a Brian Epstein.

Por um segundo acordo, em Fevereiro de 1965, a LenMac Enterprises foi substituída pela MacLen Music, detida a 40 por cento por Paul, 40 por cento por John e 20 por cento pela NEMS.

A NEMS era a empresa original de Brian Epstein, detida a 50 por cento por Brian, 40 por cento pelo seu irmão Clive e 2,5 por cento a cada um dos quatro Beatles.

No dia 18 de Fevereiro de 1965, a Northern Songs tornou-se pública com a emissão de 5 milhões de acções na Bolsa. Foi uma novidade (mais uma dos Beatles).

Dick James e o seu parceiro de sempre Emanuel Charles Silver ficaram cada um com 37,5 por cento das acções, John e Paul ficaram, cada um, com 15 por cento e George e Ringo com 0,8 por cento, cada um.

No que é considerada uma decisão financeira desastrosa, a LenMac Enterprises foi vendida à Northern Songs no dia 04 de Abril de 1966. Os dois maiores compositores pop do século depositaram assim os direitos das suas 56 primeiras canções numa empresa cotada na Bolsa.

Quando em 1969 a Northern Songs foi vendida, com ela foi também a LenMac Enterprises. Desde essa altura até aos dias de hoje, Lennon e McCartney não mais viram um tostão de direitos das canções.

No dia 28 de Março de 1969, com os Beatles fora e sem lhes dizer nada, Dick James, "patrão" da Northern Songs, resolveu finalmente vender a sua parte e a de Emanuel Charles Silver na Northern Songs à Associated TeleVision (ATV) de Lew Grade (mais tarde Lord Grade) por três milhões de libras.

Paul e John só souberam da venda das acções quando os jornalistas lhes pediram reacções.

Na altura em que a Northern Songs foi vendida à ATV, os Beatles controlavam apenas 29,7 por cento da empresa. Outros "patrões menores" da empresa eram Pattie Boyd, mulher de George Harrison, Subafilmes (pertencente à Apple Corps) e Triumph Investment Trust, que tinha comprado a NEMS a Clive Epstein e à mãe Queenie Epstein, depois da morte de Brian.

No dia 19 de Setembro de 1969, a ATV comprou as acções de um consórcio liderado por Allen Klein (esse mesmo) e passou a controlar 51 por cento da Northern Songs, derrotando irremediavelmente os Beatles, e em Janeiro de 1970 já controlava 99,3 por cento. Os restantes 0,7 por cento estavam espalhados por 500 fãs dos Beatles em todo o Mundo.

Em Novembro de 1981, Lord Grade, com 75 anos, depois de um desastre financeiro com um filme seu, anunciou que queria vender a ATV Music, que incluia a Northern Songs. Paul McCartney viu ai a oportunidade de reaver as canções dos Beatles, especialmente "Yesterday".

Grade quis 20 milhões de libras e deu uma semana para Paul pensar. Paul ligou a Yoko (John tinha morrido no ano anterior) e propôs o negócio: 10 milhões a cada um e as "baby songs" voltavam à posse de Paul e dos herdeiros de John. Yoko recusou com o argumento de que era muito dinheiro.

Paul desistiu da compra. A ATV (rebaptizada de Associated Communications Corporation) tinha sido entretanto adquirida a Lew Grade pelo australiano Robert Holmes À Court.

Depois de um período de silêncio, Michael Jackson, conforme tinha dito a Paul McCartney, comprou a ATV Music à ACC por 53 milhões de dólares e é, desde então, o seu proprietário, apesar de todas as tentativas, infrutíferas, de McCartney em recuperar as suas "babies".

Em 1995, Michael Jackson alugou a gestão da Northern Songs à EMI na Grã-Bretanha.

No dia 16 de Novembro de 1995, Michael Jackson e a Sony Music anunciaram a constituição de uma nova empresa de "publishing", Sony/ATV Music Publishing, formada pela Sony e pela ATV (que detém a Northern Songs, com as canções dos Beatles).

O anúncio foi feito pelo próprio Michael Jackson e por Michael P. Schulhof, presidente da Sony Corporation Of America, e Thomas D. Mottola, presidente da Sony Music Entertainment.

A nova companhia foi avaliada em 600 milhões de dólares, sendo a terceira maior do Mundo. Michael Jackson recebeu 95 milhões de dólares pela fusão.

A nova Sony/ATV Music Publishing passou a controlar os direitos das canções dos Beatles, Elvis Presley, Bob Dylan, Oasis, Leonard Cohen, Pearl Jam, Stevie Nicks, Sade, Willie Nelson, entre muitos outros.

As canções de Michael Jackson estão de fora, sendo geridas pela Warner Chappell.

A ideia desta "joint venture" surgiu em 1994, quando Michael Jackson pretendeu comprar os direitos de "Heartbreak Hotel", de Elvis Presley, como parte do seu contrato com a Sony para a edição do álbum "History".

"Não vendemos Elvis Presley, mas o que queremos é comprar o catálogo dos Beatles", disse Schulhof. Michael Jackson, por seu turno, fez questão de frisar que não vendeu a ATV, mas que procedeu a uma fusão de companhias, com 50 por cento para cada uma das partes.

Isso mesmo terá dito Michael Jackson a Paul McCartney.

Desde 1998, terminado o período de gestão da EMI, a Sony/ATV Music Publising tem o controlo absoluto da esmagadora maioria das canções dos Beatles.

Luis Pinheiro de Almeida
Fonte principal: "Yesterday & Today", Ray Coleman

Rita Lee - Aqui, ali, em qualquer outro lugar (2001)


Beatlemaníaca de carteirinha, Rita Lee lança seu novo álbum, "aqui, ali, em qualquer outro lugar", recheado (somente) com músicas dos Beatles, alterando apenas 4 delas para o português; "If I Fell", alterada para "Pra Você Eu Digo Sim", "In My Life", alterada para "Minha Vida", "Here, There And Everywhere", alterada para (a faixa título), "Aqui, Ali, Em Qualquer Outro Lugar" e "Can’t Buy Me Love", alterada para "Tudo Por Amor". O resto, ficou nas letras originais, e mesmo estas que foram alteradas, estão com as letras originais em faixas bônus (exceto "Can’t Buy Me Love"). O álbum está muito legal e bem feito. Uma coisa legal, é que dentro da capa, há 4 retratos desenhados (que ficaram geniais) de cada um dos Beatles, feitos pela própria Rita, com uma frase abaixo que diz:

"...de 63 a 70, eu bebi, comi, fumei e respirei Beatles. Vivia desenhando a silhueta dos quatro por todos os cantos, mas caprichei legal nos retratos de cada um deles a lápis, sobre os papéis de melhor qualidade que consegui descolar: os que embrulhavam o pão que meu pai comprava todas as manhãs..."

Produzido e arranjado por Roberto de Carvalho, e tendo João Augusto como diretor de arte, o álbum contém 14 músicas, todas de autoria "Lennon/ McCartney". Eu pessoalmente gostei muito das músicas, mas tiraria o mérito apenas de duas, as quais destacarei, enquanto estiver comentando a lista de músicas do álbum abaixo.

As músicas:

A Hard Day’s Night(Lennon/ McCartney)
Rita Lee- Voz, Vocais
Roberto de Carvalho- Violões, Guitarras
João Barone- Bateria
Serginho Carvalho- Baixo
James Müller- Percussão
Obs.: Essa versão abrasileirada de "A Hard day’s Night" ficou super bacana. Uma bela abertura para o Cd!

With A Little Help From My Friends(Lennon/ McCartney)
Rita Lee- Voz, Vocais, Mellotron
Roberto de Carvalho- Violões, Teclados
João Donato- Piano
Obs.: Versão romantizada dessa linda canção de Paul McCartney.

Pra Você Eu Digo Sim (If I Fell)(Lennon/ McCartney - versão: Rita Lee)
Rita Lee- Voz, Vocais
Roberto de Carvalho- Violões, Guitarras, Teclados
Laércio Costa- Percussão
Luís Paulo Serafim e Raul Müller- Efeitos
Obs.: Mantendo o mesmo clima de romantismo da versão original, tanto a melodia quanto a letra encantam, e não deixam por esperar!

All My Loving(Lennon/ McCartney)
Rita Lee- Voz, Vocais
Roberto de Carvalho- Violões, Teclados
João Donato- Piano
Arismar do Espírito Santo- Baixo
James Müller- Percussão
Otávio de Moraes- Efeitos de Teclado
Obs.: Versão triste, mas bela de "All My Loving".

Minha Vida (In My Life)(Lennon/ McCartney - versão: Rita Lee)
Rita Lee- Voz, Vocais
Roberto de Carvalho- Violões, Mellotron, Teclados
Obs.: Pessoalmente minha favorita, com Violões muito bem tocados, e Rita cantando com muita e paixão emoção. A letra é quase que fiel a original, e não decepcionou, ficou linda, poderiam ter usado essa música para fechar com chave de ouro!

She Loves You(Lennon/ McCartney)
Rita Lee- Voz, Vocais
Roberto de Carvalho- Violões
João Barone- Bateria
Arismar do Espírito Santo- Baixo
James Müller- Percussão
Obs.: Bonita versão de "She Loves You", transformada de puro Rock’n Roll para pura Bossa Nova!

Michelle(Lennon/ McCartney)
Rita Lee- Voz, Vocais
Roberto de Carvalho- Violões, Teclados
Arismar do Espírito Santo- Baixo
James Müller- Percussão
Toninho Ferragutti- Acordeom
Obs.: Com um pequeno toque de Bossa Nova, a canção prossegue com o romantismo da versão original. Achei que Rita canta tão bem esta música, que me bateu a idéia de que é uma das favoritas dela, mas pode ser só uma idéia.

Aqui, Ali, Em Qualquer Lugar(Here, There And Everywhere)
(Lennon/ McCartney – versão: Rita Lee)
Rita Lee- Voz, Vocais
Roberto de Carvalho- Violões, Teclados
Arismar do Espírito Santo- Baixo
Laércio Costa e James Müller- Percussão
Luís Paulo Serafim e Cotô- Efeitos
Obs.: Mesmo sendo faixa título, esta é uma das duas canções que destaco, pois não gostei dela. O ritmo tá legal, mas achei que faltou criatividade na letra, o que resultou rimas como: "Eu, Neste mundinho de deus" ou "I Love You pra chuchu Se você não está perto eu fico jururu" Outro resultado da falta de criatividade é a junção da letra em português criada por ela, com pedaços da original, o que resultou uma mistura de uma obra de arte com rimas tolas e preguiçosas, mas há quem goste, esta é minha opinião.

I Want To Hold Your Hand(Lennon/ McCartney)
Rita Lee- Voz, Vocais
Roberto de Carvalho- Violões, Guitarras
João Barone- Bateria
Arismar do Espírito Santo- Baixo
Toninho Ferragutti- Acordeom
James Müller- Percussão
Obs.: Pura Bossa’n Roll, essa anima. Mantém o ritmo da versão original, fazendo você bater o pé, e ter vontade de dançar.

Tudo Por Amor(Can’t Buy Me Love)
(Lennon/ McCartney – versão: Rita Lee)
Rita Lee- Voz, Vocais
Roberto de Carvalho- Violões, Guitarras
Otávio de Moraes e James Müller- Bateria
Laércio Costa- Percussão
Serginho Carvalho- Baixo
Obs.: Mesmo tendo versos de rima pobres, o uso de gírias e a indignação demonstrada na música a faz ficar muito atrativa, além de um embalo muito calmo e ao mesmo tempo ativo!

Lucy In The Sky With Diamonds(Lennon/ McCartney)
Rita Lee- Voz, Vocais, Mellotron
Roberto de Carvalho- Violões, Teclados
João Donato- Piano
Obs.: Essa é a outra música que destaco por não gostar. Mesmo sendo na letra original, o que me fez não gostar dela foi o refrão, bastou isso. O excesso de efeitos, e a grande variação de notas no Piano tira um pouco da magia da música, e atrapalha um pouco a voz, e como considero o refrão algo muito importante (nas músicas que tem refrão), acho que só isso conseguiu me fazer apreciar bem menos essa versão da música feita pela Rita.

Bônus Track:
Here, There And Everywhere(Lennon/ McCartney)
Rita Lee- Voz, Vocais
Roberto de Carvalho- Violões, Teclados
Arismar do Espírito Santo- Baixo
Laércio Costa e James Müller- Percussão
Luis Paulo Serafim e Cotô- Efeitos
Obs.: Essa versão ficou linda, muito melhor que a em português. É muito mais agradável ouvir:
"I want her everywhere
And if she’s beside me
I know i need never care."
Do que:
"I love you pra chuchu,
sem você fico jururu."
Não tem nem comparação.

In My Life(Lennon/ McCartney)
Rita Lee- Voz, Vocais
Roberto de Carvalho- Violões, Mellotron, Teclados
Obs.: Linda, recebe os mesmos elogios que a versão em português.

If I Fell(Lennon/ McCartney)
Rita Lee- Voz, Vocais
Roberto de Carvalho- Violões, Guitarras, Teclados
Serginho Carvalho- Baixo
Laércio Costa- Percussão
Luís Paulo Serafim e Raul Müller- Efeitos
Obs.: Uma das músicas românticas que eu pessoalmente mais gosto nos Beatles, interpretada muito bem por Rita, que abre seu coração nessa canção!
Observações adicionais: Gostaria de adicionar que uma das coisas que me atraiu muito no álbum é que em todas as músicas, Rita é acompanhada por uma back voice, que é ninguém mais, ninguém menos que... Rita Lee. Outra coisa que gostaria de observar, foi a falta que senti da versão em inglês de "Can’t Buy Me Love", já que nos Bônus Tracks, estão as que foram alteradas para português, em suas versões em inglês.
O álbum é muito bom e bonito, recomendo, e dou meus sinceros parabéns a Rita Lee.

Por Mário Andrade

terça-feira, 16 de outubro de 2001

Paul McCartney - Driving Rain (2001)

Não que isso seja uma surpresa - é que depois de todos esses anos, isso às vezes passa despercebido ou não é considerado - , mas Paul McCartney é uma puta baixista. Um ouvinte poderia viver nas notas voluptuosas que Paul desfia sem esforço em "Driving Rain", seu primeiro álbum de rock com material inédito em 4 anos. Seu gênio no instrumento tem sido suficiente para desculpar muitas de suas composições "menores" da fase pós-Beatles (independente do que se pense sobre "Silly Love Songs", a linha de baixo por si só praticamente justifica a existência dessa canção). "Driving Rain" explora ao máximo a virtuosidade de Paul, com arranjos limpos, sem estardalhaços, e que engrandecem a performance honesta de uma pequena banda de rock & roll, composta de três desconhecidos e uma lenda viva.

McCartney é uma lenda com propensão à jovialidade, e muitos de seus discos solos considerados "menores" transitam em puro deleite. "Driving Rain" não é um desses, embora contenha algumas faixas que soam "jogadas" mais do que cuidadosamente colocadas: "Tiny Bubble" flutua, mas não chega ao seu destino; "Spinning on an Axis" fica à deriva, preguiçosa; e "Heather" sugere mais um exercício de aquecimento para a banda do que uma música de verdade. Para nossa sorte, McCartney abraçou o espírito que fez de "Run Devil Run", seu álbum de covers de rock & roll de 1999, um triunfo. Naquela época, McCartney estava em luto profundo por sua esposa, Linda, e ele voltou-se par a música de sua juventude de modo quase desesperado. A melhor de suas novas músicas revisita esse terreno emocional, que dá a "Lonely Road" uma pegada que se transforma num grunhido frenético no final da faixa. "There Must Have Been Magic" observa o passado num devaneio pungente, enquanto que "From a Lover to a Friend" olha adiante com espanto temperado pela ansiedade. Em cada uma dessas faixas, além da ligeira "Driving Rain", do sabor country de "Your Way" e do delírio de 10 minutos de "Rinse the Raindrops", o baixo de McCartney assume a direção. As melodias do baixo fazem um contraponto com seus vocais ainda maleáveis, e o groove sem fim de McCartney... well, [his groove] isn't silly at all.

Tracklist:
01) Lonely Road
02) From A Lover To a Friend
03) She's Given Up Talking
04) Driving Rain
05) I Do
06) Tiny Bubble
07) It Must Have Been Magic
08) Your Way
09) Spinning On An Axis
10) About You
11) Heather
12) Back In The Sunshine Again
13) Loving Flame
14) Riding Into Jaipur
15) Rinse The Raindrops
16) Freedom

Driving Rain é o primeiro álbum de estúdio com material inédito de Paul desde 1997, quando lançou "Flaming Pie". Duas das músicas, "Spinning on an Axis" e "Back in the Sunshine Again", foram escrits por Paul e seu filho James. Essas são as primeiras composições de McCartney & McCartney a aparecer num álbum.

No CD, tocam: Paul McCartney (vocais, baixo, guitarras, piano)
Rusty Anderson (guitarras, backing vocals)
Abe Laboriel Jr. (bateria, percussão, backing vocals)
Gabe Dixon (teclados, backing vocals)

Também partciparam das gravações: James McCartney (percussão - "Spinning on an Axis", guitarra - "Back in the Sunshine Again")
Ralph Morrison (violino - "Heather")
David Campbell, Matt Funes, Joel Derouin, Larry Corbett (quarteto de cordas - "Loving Flame")

Todas as faixas foram compostas por Paul McCartney, com exceção das duas que compôs com seu filho James. A produção é de David Kahne e Paul McCartney.

Resenha publicada originalmente no site da revista Rolling Stone

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2001

A revista Veja foi a primeira a divulgar o Portal Beatles Brasil

A revista de maior circulação nacional, a VEJA, foi a primeira a divulgar o site BEATLES BRASIL, na sua edição 1.689, coluna "Hipertexto" pg. 66, lançada na meia-noite do dia 24 pro 25, exatamente no mesmo horário que estava sendo enviado pro servidor o arquivo Index desse site.

Nossos agradecimentos à Veja, à Editora Abril e especialmente à jornalista Liane Faccio.









sexta-feira, 20 de outubro de 2000

Canais de IRC - A beatlemania viva e fervilhante!

O IRC (Internet Relay Chat) sempre foi um dos principais meios de informação e comunicação entre internautas em todo o mundo. Através de um programinha especial (o "básico" de todos é o mIRC 5.6), conectado através de uma das redes nacionais (Brasnet, Brasirc, RedeBrasil, etc) pode-se ter acesso a milhões de pessoas, distribuídas em milhares de canais (ou salas, como são conhecidas na web).

E os beatlemaníacos não poderiam ficar de fora dessa. Rapidamente foram criados vários canais de IRC, onde é possível conhecer pessoas espalhadas pelo Brasil inteiro. A partir da criação do canal #Beatles da Brasnet, as coisas foram se multiplicando, de modo que existem já vários canais dedicados aos Beatles, nas várias redes brasileiras de IRC. Em seguida veremos uma lista dos principais canais brasileiros, com uma breve descrição de cada.

#Beatles (Brasnet)
Esse é o principal canal sobre os Beatles em território nacional. Lá estão as maiores figuraças da beatlemania brasileira e os assuntos mais quentes também. É o ideal para quem deseja obter notícias atuais, trocar materiais diversos ou simplesmente relaxar e bater um bom papo. Os horários mais quentes são depois da 01:00h. às 04:00h. e durante os fins de semana a partir das 19:00h. Mas a qualquer hora tem gente lá disposta a dar umas tecladinhas.

#Beatles (Brasirc)
Esse canal é um pouco menos movimentado que o anterior, principalmente pelo fato da Rede Brasirc ser menor que a Brasnet. Mas mesmo assim é muito bom, sembre tem gente por lá, e os ops são super gente fina também.

#BeatlesBrasil (Brasnet)
Esse é o canal de IRC do nosso site. Ele é aberto à participação de todos vocês, e os operadores foram escolhidos entre beatlemaníacos de várias partes do Brasil. Ainda não é daqueles que vivem lotados, mas todos que frequentam o canal são gente fina.

#Pennylane (Brasnet)
Esse canal foi aberto pela loja de beatle-material de mesmo nome, há cerca de 2 anos. Durante algum tempo se tornou o principal do Brasil, ultrapassando até o #beatles em determinada época. Mas atualmente anda meio abandonado, com pouquíssimos frequentadores, e até o topic está pra lá de datado. Vamos reativar o #pennylane, gente!

#The_beatles (Brasnet)
Outro canal que já teve seus tempos de "vaca gorda", mas que atualmente conta com poucos frequentadores. Quem sabe Você pode ajudar o canal a se movimentar mais?

quarta-feira, 11 de outubro de 2000

Two Of Us - Tudo Entre Nós (2000)

Um cult movie para beatlemaníaco algum botar defeito está nas locadoras de todo o país. É o Two of Us, cujo título em português virou Tudo Entre Nós. Trata-se de uma homenagem a John Lennon & Paul McCartney que pode ser convencionada como livre exercício de imaginação (ou, quem sabe, delírio mesmo) a partir de um fato concreto - um Sábado, 24 de abril de 1976.

Naquela ocasião, o canal NBC exibia o programa Saturday Night Live. O apresentador, Lorne Michaels informou que 22 milhões de pessoas estavam assistindo. Era a época em que se comentava a oferta milionária do promoter Sid Bernstein, em trazer de volta os BEATLES para um único concerto, e prontamente recusada pelos quatro.

Aproveitando-se dessa situação, Lorne Michaels promoveu uma brincadeira que entraria para a história: comentou que adoraria ver reunidos, John, Paul, George e Ringo. Disse que os Fab four eram o que de melhor a música havia produzido. Ato contínuo, lança um desafio. "Se o problema de vocês é dinheiro, a NBC acaba de me autorizar a liberar um cheque nominal em favor dos BEATLES no valor de 3 mil dólares. Venham buscar. Vocês tem até o final do show para decidir. Cantem "She Loves You", e levem mil dólares. Três canções, e terão 3 mil dólares".

Lorne Michaels não imaginava que entre seus 22 milhões de espectadores estavam John Lennon & Paul McCartney! Paul & Linda visitavam John & Yoko naquela noite, no Dakota. Jantaram, conversaram, ouviram música. Falaram dos velhos e dos novos tempos. Acabaram assistindo deliciados a inusitada proposta de Michaels pela TV. Chegaram de fato a cogitar uma esticada até os estúdios da NBC somente para criar um inesperado contraponto à brincadeira - mas, de acordo com John, desistiram porque se encontravam muito cansados.

As semelhanças do fato concreto com a livre imaginação de Two of Us terminam aí. E talvez por isso o filme seja desconcertante. A lente certeira de Michael Lindsay-Hogg, diretor do projeto Get Back/Let it Be, representou luxuoso auxílio para a idéia desenvolvida. Lindsay Hogg conheceu suficientemente os BEATLES para estudar-lhes os gestos, dirigindo com precisão os atores. Perder tempo com as inevitáveis comparações da semelhança dos artistas com os personagens reais é bobagem. Não é essa a proposta do filme. A inspiração é puramente comportamental.

Também funcionou a direção de fotografia, recriando ambientes como o apartamento de Lennon, além de detalhes e figurinos de época. Entretanto, o permanente estado de tensão e desafio entre Lennon & McCartney é que de fato motiva. Era daquele jeito mesmo? Como iremos saber? Imaginamos, apenas. Two of Us também acerta ao posicionar John Lennon como alguém muito dependente do amor ou da tirania de Yoko Ono. A direção firme, todavia, impede que a película escorregue para a pieguice, e tenta o tempo todo focalizar John e Paul por trás da fama - como seres humanos sem máscaras, e agindo sem as amarras dos holofotes e o fardo de serem ídolos em tempo integral.

Como as participações de Linda & Yoko foram convenientemente limitadas a telefonemas (afinal o filme é exercício de imaginação), sobrou permissividade para que dois velhos parceiros pudessem conversar, brincar, acentuar diferenças, brigar de novo, e até passearem disfarçados pelo Central Park. Two of us também é feliz ao deixar latente que John era John e Paul era Paul em 1976 - cada qual com sua vida, carreiras individuais e transparecendo da necessidade de dividir outra vez uns acordes, alguns riffs, uma estrofe, um verso, um refrão. Não houve tempo nem clima para isso, só uma quase incontida vontade. O filme é muito daquilo que quem estuda os BEATLES à fundo, acha. Por isso é tão bom e merece ser reservado na locadora da esquina.

No dia seguinte ao encontro verdadeiro - não mostrado no filme - Paul volta ao Dakota com uma guitarra debaixo do braço. Foi movido provavelmente pela agradável noite anterior, mas deu-se mal. Foi rechaçado por um John Lennon duro e que, sem meias palavras, disse: "não estamos mais em 1956. Eu cresci. Tenho um filho para cuidar. Quando quiser vir, pelo menos telefone antes". Macca entendeu o recado e partiu. Em 26 de abril de 1976 começaram ensaios para a consagradora turnê americana dos Wings. Os dois maiores parceiros da história do rock nunca mais se dariam outra chance de algo parecido com um filme como Two of Us. Que pena!

Por Claudio Teran