sexta-feira, 24 de outubro de 2003

Entrevista: Olivia Harrison no Jools Holland

Transcrição da curta entrevista com Olivia Harrison e o percurssionista Ray Cooper no programa Later...with Jools Holland, em 24/10/2002, sobre o show tributo Concert For George. 



Jools: Como esse filme surgiu realmente, de quem foi a idéia de fazer esse show?
Olivia: Foi realmente do Eric Clapton, ele estava... bem, nós todos estávamos sentindo muita falta de George... e ele chegou pra mim e disse: "Você pode fazer um show tributo?" e eu deixei ele organizá-lo e Ray instigou-o por um tempo.

Jools: Como você (para Ray) se envolveu... claro, eu deveria mencionar que você não é só um grande percussionista mas também está no mundo do cinema britânico... mas como você conheceu George?
Ray: Nos dias sombrios da Saville Row, quando os Beatles estavam fazendo projetos individuais e todos eles tinham seus co-músicos e aconteceu de eu ser um desses privilegiados, trabalhando nos projetos de George, tudo aquilo ainda sendo Beatles, e foi assim que aconteceu, há muito tempo atrás.

Jools: Este filme que nós fizemos agora... que vocês fizeram... é realmente extraordinário não é? Quem são as outras pessoas envolvidas nele?
Olivia: Há Ringo, Paul e Tom Petty - Travelling Wilburys - Jeff Lynne, Billy Preston, um velho amigo do George que ele conheceu em Hamburgo, um cara chamado Jools Holland, Sam Brown, Joe Bown.

Jools: Todas as pessoas que o amavam. Ravi Shankar...Olivia: Sim, Ravi Shankar, claro, Anoushka Shankar, Klaus Voorman, dos tempos de Hamburgo.

Jools: O que eu sempre achei fantástico sobre George é que ele não era somente um incrível compositor, como um Burt Bacharach, mas acontece que ele foi um dos Beatles e foi também um dos maiores produtores de cinema que a Inglaterra já teve. O pessoal do Monty Python estava envolvido. Por quê?
Olivia: Eles eram alguns de seus melhores amigos e nós tínhamos que ter algum humor porque George não era o calado, como você sabe... Ele nunca se calava... e ele tinha um grande senso de humor... e eles eram amigos dele... então nós não poderíamos solenizar demais a ocasião, ele não gostaria que isso acontecesse, e eles asseguraram de que não estava solene demais. E, claro, Tom Hanks estava por ali uma noite antes e então foi convidado a ser um Mountie no sketch Limberjack.

Jools: É incrível e estará em vários cinemas e em DVD... e na América, o filme foi bem recebido?Olivia: Muito bem recebido, conseguiu críticas muito boas... muita gente amava George, eles querem vê-lo e agora. É realmente um documento histórico.

Jools: O que você pensa que George teria achado do filme?Olivia: Eu acho que ele gostaria muito. Ver todos os amigos, ele adorava ver todo mundo junto... até porque ele não teria que tocar. Ele poderia só sentar e assistir.

Jools: Para onde vai o lucro?Olivia: Ele vai pro Material World Charitable Foundation, que George criou em 1973, e que ajuda instituições de caridade como instituições pra crianças e pessoas com necessidades especiais.

Jools: Okay, Olivia Harrison, Ray Cooper, muitíssimo obrigado. 

sábado, 18 de outubro de 2003

"The Long And Winding Road" - A canção que separou os Beatles


Já que uma versão despida do último disco dos Beatles acaba de ser lançada, Paul McCartney fala sobre o nascimento de "The Long And Winding Road". Ela foi a canção que separou os Beatles, a última gota no já desgastado relacionamento entre Paul McCartney e John Lennon, e o motivo que colocou os membros da banda em décadas de antipatias e amarguras.
Na altura do lançamento do álbum Let It Be... Naked, McCartney revelou o que o fez escrever "The Long And Widing Road" e de seu prazer de finalmente poder ouvi-la sem o "wall of sound" de Phil Spector, após um esforço de 35 anos para vê-la ser lançada.

"Ela está tão limpa... assim mesmo, sem frescuras, sem artifícios", disse McCartney ao ouvir o resultado do árduo trabalho para restaurar a canção até a forma que ele originalmente queria. A canção foi escrita em 1968 na fazenda onde McCartney depois escreveria "Mull Of Kintyre" e "Maybe I'm Amazed". Ela foi inspirada nas tensões que acabaram por separar a banda.

"Eu estava na Escócia e apenas sentei ao piano. Comecei a tocar e me veio a canção, imaginando que acabaria sendo dada para alguém como Ray Charles", disse ele. "Sempre me inspirei na beleza tranqüila da Escócia e esta é mais uma prova que lá é o lugar onde encontro a inspiração".

Mas a gravação da música - e do álbum Let It Be inteiro - provou ser um doloroso processo. A idéia original era mostrar os Beatles como uma banda ao vivo, sem os grandes e caros arranjos de estúdio que se tornaram uma marca de seus mais recentes discos até então. Mas o desânimo imperou nas sessões de gravação e a banda acabou infeliz com o resultado.

De acordo com Revolution In the Head, um aclamado livro sobre as canções dos Beatles escrito pelo falecido Ian MacDonald, "The Long And Widing Road" foi um dos motivos fundamentais das desavenças logo no início. O baixo tocado por Lennon na canção foi considerado como algo lamentável.

MacDonald escreveu: "A canção foi feita no estilo dos velhos standards para ser interpretada por baladeiros de sucesso. Fitas demo foram enviadas a Tom Jones e Cilla Black. Elas incluíam um baixo tocado de forma detestável por Lennon, como se ele não estivesse certo sobre as harmonias e cometendo erros bobos. A forma crua com que Lennon toca em 'The Long And Winding Road', embora bastante acidentalmente, equivale a uma sabotagem quando apresentada como um trabalho finalizado".

Os Beatles logo abandonaram o formato básico de Let It Be para serem novamente "plugados" pelos técnicos de estúdio. Como eles ainda se sentiram insatisfeitos com os resultados, Lennon pediu ao produtor americano Phil Spector que fisseze uma operação de salvamento.

Spector completou o trabalho em apenas oito dias, pondo overdubs em "The Long And Winding Road", "Across The Universe" e "Let It Be", que contavam com 18 violinos, quatro violas, quatro cellos, uma harpa, três trompetes, três trombones, dois guitarristas e um coral de 14 pessoas.

Assim que ouviu o resultado, McCartney ficou furioso, mas sem poderes para impedir o lançamento do álbum. Ele se refere ao trabalho feito em "The Long And Winding Road" como um sacrilégio. Alguns dias depois ele disse aos outros Beatles que estava deixando a banda.

Ele nunca escondeu sua decepção e recentemente convenceu o outro Beatle Ringo Starr e a viúva de Lennon, Yoko Ono, a concordarem com o lançamento da versão nua do álbum.

McCartney disse: "Adoro a ideia do lançamento da versão limpa do disco, pois ela traz apenas a banda. Você tem uma imagem muito clara de como a banda estava tocando e cantando na época - e que banda boa ela era. Isto é o que é mostrado neste novo álbum".

"Quando falamos sobre as tensões entre as músicas, infelizmente isto conta, pois era um grupo se separando. Não posso dizer, 'Sim, era fácil entrarmos em um acordo', ou que isto me traz boas lembranças, pois era minha banda favorita que estava se separando".

McCartney não é o único que se encantou pela nova versão. "'The Long And Winding Road' me deixou espantado na versão sem as cordas", disse Ringo Starr. "Não há nada de errado com o trabalho de Phil, esta é apenas uma forma diferente de ouvi-la. Já são 30 anos desde a última vez que a ouvi assim e ela simplesmente me deixou louco!".

Logo após a separação dos Beatles, McCartney voltou à sua fazenda na Escócia e teve o que ele definiu como uma espécie de colapso - bebendo muito e passando dias na cama. Foi lá que ele descobriu o que é ser vegetariano e também onde, com sua falecida esposa Linda, ele encontrou forças para ser reerguer. E onde também foi preso por ter plantado pés de maconha.

Ele comprou a fazenda após visitá-la com sua namorada da época, a atriz Jane Asher, mas, ironicamente, ela foi deixada de lado durante anos até a separação dos Beatles.

No momento McCartney está dividindo seu tempo entre as gravações de seu novo álbum em Londres e as responsabilidades da paternidade, após o nascimento de sua filha Beatrice no mês passado.

Por Mike Merritt da UTV

domingo, 12 de outubro de 2003

The Beatles - Let It Be...Naked (2003)


Antes mesmo do lançamento, o álbum Let it Be...Naked foi objeto de polêmicas, debates e divisão de opiniões. Normal no mundo beatle.
Quando a faixa-título do novo disco chegou aos fãs, publicamos um breve review onde revelávamos que a propalada nudez do Naked seria contida - quase recatada. Os produtores do álbum - Paul Hicks, Alan Rouse e Guy Massey - deixaram isso claro em entrevistas, ressaltando que a idéia era 'finalizar de fato' as canções que os Beatles fizeram para o conturbado projeto Get Back. Daí a explicação para, digamos, o 'polimento da nudez' explicitada em Naked. E uma outra certeza: o presente disco não é o velho Let it Be - que continuará valendo. O 'faixa a faixa' que apresentamos objetiva contribuir para saciar a curiosidade dos que desejam saber de onde os takes se originam e o que foi feito (além da remixagem e redução de ruídos dos masters) para trazer à luz o novo disco de uma banda que até se desfêz, mas nunca acabou.

GET BACKTrata-se de uma remixagem da versão do álbum Let it Be - sem os sons adicionais de estúdio no começo e final do take.

DIG A PONYAqui temos um remix da versão tradicional. Foi retirado o breve false start e mantída a idéia de Phil Spector, que cortou a frase 'all I want is you' no começo e final da faixa. A gravação (como se sabe) foi feita no rooftop.

FOR YOU BLUENesta faixa percebemos o valor do trabalho de remixagem e redução de ruídos. O take é o do disco Let it Be - mantém o overdub vocal dirigido por Phil Spector, mas acrescenta breves 'trechos extras' do violão de George, retirados de dois outtakes muito próximos da versão que foi selecionada para o LIB original.

THE LONG AND WINDING ROADAqui temos um novo remix para a versão do filme Let it Be. Esse take não aparece tal como foi gravado. Na gravação original, Paul vocaliza enquanto Billy Preston faz o solo no órgão. Essa vocalização (cortada na edição feita para o filme) também ficou de fora do Naked.

TWO OF USAqui mais uma remixagem da faixa que abre o disco Let it Be. A intro com 'I Dig a Pigmy' foi retirada, já que não foi gravada no contexto de Two of Us. A versão originalmente publicada em Let it Be é mais longa, levando-nos a ouvir o assovio de John por maior tempo.

I'VE GOT A FEELINGAqui uma alteração considerável. Trata-se da segunda versão tocada no rooftop. A primeira - publicada no Let it Be - é melhor. Esta, porém, é muito boa. Há um breve 'insert' da versão do Let it Be transposto para esta, no refrão.

ONE AFTER 909Mais uma faixa beneficiada pela remixagem e a redução de ruídos. Ouve-se com clareza a exclamação de John Lennon, 'yes I did' ao longo da primeira parte da canção. É um belo remix da edição gravada no rooftop e publicada em Let it Be - mais uma vez foram limadas no final as inserções, caso do verso 'danny boy'.

DON'T LET ME DOWNAqui temos a faixa magistralmente tocada no rooftop. A produção castigou a nudez. O verso 'inventado' por John Lennon (neologismos intraduziveis) foi retirado. Em seu lugar corrigiram a letra, enxertando o trecho, 'and from the first time that she really done me...' retirado de um dos takes mixados  originalmente por Glyn Johns em 10 de março de 1969.

I ME MINEAqui um remix da versão do Let it Be com a inclusão da idéia de Phil Spector (ele duplicou o refrão artificialmente, como se sabe). A única novidade (ou capricho) foi mudar o ponto onde a edição foi feita. Questão dificil de perceber.

ACROSS THE UNIVERSE
A versão publicada no LIB e tal como foi trabalhada para o disco World Wildlife Fund. Só que sem overdubs. O trabalho de Phil Spector foi integralmente retirado (os arranjos orquestrais). Manteve-se a breve alteração na velocidade da gravação.

LET IT BEo take 27 do disco original sem orquestra, coral, eco e os overdubs de bateria. Os dois overdubs de guitarra providenciados por George Harrison (e publicados no single e no LIB) foram desprezados pelos novos produtores. Mesmo destino teve o solo (muito pobre) da gravação original. Para Naked os produtores optaram pelo solo tocado na versão incluída no filme Let it Be (o take 27B).

Por Cláudio Teran

sexta-feira, 6 de dezembro de 2002

The Complete Lost Lennon Tapes, a maior coleção de gravações raras de John Lennon


Um Breve Histórico
Quando o ex-beatle John Lennon morreu em dezembro de 1980, uma das questões que mais perturbava seus fãs dizia respeito à sua produção musical. Afinal, após Double Fantasy não ouviria-se mais nada de novo de John? Nos círculos mais restritos dos beatlemaníacos sabia-se que Lennon, apesar de Ter se auto exilado durante cinco anos do show biz, não havia parado de gravar , quer fosse de maneira profissional, quer fosse através de prosaicas gravações caseiras. Nos anos que se seguiram, sua viúva Yoko Ono começaria a responder ao público com o lançamento dos discos Milk and Honey, Menlove Ave e Live in New York City. Porém, e a medida que o tempo ia passando tinha-se cada vez mais a certeza de que muito material ainda estava guardado nos arquivos de Yoko.

Em janeiro de 1988 enfim, as dúvidas e anseios de toda a comunidade beatlemaníaca começou a ser satisfeita e de uma forma absolutamente inesperada. Naquele mês, Yoko Ono abriu suas caixas e através de uma série de programas radiofônicos liberou para o mundo mais de 300 horas de gravações de John Lennon ai incluidos, versões alternativas de seus clássicos, entrevistas e músicas inéditas. As negociações para a liberação do material datam ainda do final do ano de 1987 quando Yoko entregou a Westwood One's, uma agência americana de comercialização de programas , os tapes contendo uma absurda quantidade de material inédito. Sobre sua iniciativa explica Yoko Ono: " Depois do que aconteceu em 1980 eu fiquei arruinada e só tinha vontade de sofrer a minha dor. Mas John e eu éramos parceiros e então, decidi lançar um pouco de seu trabalho a cada ano. E assim foi feito.

Mas, com o lançamento do último disco "Menlove Ave", eu descobri que não possuía mais qualquer trabalho finalizado em estúdio, embora ainda existisse uma grande quantidade de material, até mesmo cassetes que John gravou em casa. Eu tive de escolher entre guardar essas coisas no meu cofre para sempre ou reparti-las com as pessoas. Eu quis dividir isso com elas porque acredito que as músicas de John pertencem ao mundo. Mas eu não sabia como fazê-lo. A minha impressão é de que se eu gravasse em disco um som não-profissional , ele ficaria exposto à crítica e eu não poderia fazer isso ao John. Eu precisava de uma outra mídia e foi ai que eu pensei no rádio. Mas existia um outro problema: apesar de eu Ter ouvido as fitas quando preparei "Milk and Honey" , Live in New York City e Menlove Ave, eu não teria mais "coração" para ouvir centenas de fitas arquivadas. Então confiei a Elliot Montz essa tarefa e, quando começamos a discutir a série com Norman Pattiz ( Presidente da Westwood), tudo ficou claro".

A série The Lost Lennon Tapes começou a ser veiculada pela Westwood One no dia 18 de janeiro de 1988 e foi inicialmente planejada para durar um ano. Devido a enorme quantidade de material, traduziu-se ao final em 218 programas de aproximadamente uma hora de duração , permanecendo no ar semanalmente até 23 de março de 1992, ancorada por Elliot Mintz, amigo de longa data dos Lennon.

O que foi a Lost Lennon Tapes
Durante todo o tempo em que permaneceu no ar, a série "The Lost Lennon Tapes" deu ao mundo a chance de pela primeira vez conhecer uma faceta de John Lennon até então pouco explorada. Quando dá-se início a audição do material o que se percebe logo de imediato nas inúmeras horas de gravação é um Lennon espontâneo, às vezes crítico, mordaz, às vezes extremamente bem humorado e gentil com os que estavam a sua volta. Nos 218 programas foram apresentadas entrevistas, ensaios, performances ao vivo, outtakes de músicas que cobrem toda sua carreira solo ( e algumas gravações dos Beatles) e performances caseiras.

Um fato extremamente importante a se dizer sobre a série é que, após sua veiculação assistiu-se nos anos seguintes a uma verdadeira profusão de discos piratas contendo gravações de Lennon. Com a era do CD já plenamente estabelecida pode-se afirmar sem exagero que 90% de todos os discos piratas contendo músicas de John Lennon tomou como base a série Lost Lennon Tapes. Os selos piratas tiveram apenas o trabalho de organizar o material , ou seja, buscava-se na Lost Lennon Tapes gravações alternativas por exemplo, para as músicas do disco Mind Games e se lançava um CD chamado " The Alternate Mind Games" , ou extraia-se da série outtakes do disco Double Fantasy e se colocava no mercado discos e mais discos enfocando o material. Tal prática, além de alavancar o mercado de discos piratas fez, é claro, a alegria dos fãs de John.

Registra-se aqui também um fato curioso: quando começou a ser veiculada , os produtores da série haviam escutado apenas uma parte de todo o material. Ensaiou-se até, fazer-se sua audição de forma cronológica. No entanto, com o sucesso dos programas e a quantidade de fitas para serem ouvidas abandonou-se a idéia e o material passou a ser executado de forma totalmente aleatória fazendo com que em um mesmo programa pudessem ser ouvidos takes alternativos de músicas dos Beatles e, logo após, outtakes do disco Double Fantasy.

Beatles Brasil
O site thebeatles.com.br vem se firmando ao longo dos anos como uma verdadeira biblioteca beatle virtual. Longe de propósitos comerciais, entrou no cenário beatle nacional pela contramão, ou seja, ao contrário de espaços onde prevalece o comércio de material envolvendo os Beatles em detrimento da informação, a página BeatlesBrasil faz exatamente o oposto, buscando acima de tudo informar tanto os novos fãs dos Beatles como aumentar o leque de opções daqueles que sempre querem saber mais. É com esse espírito que, após terminarmos toda a série dos Beatles 30 Days, que buscou proporcionar os fãs uma visão mais acurada do que foi o projeto Get Bck/Let It Be , que damos início a partir de agora à um novo projeto: explicar, comentar, adentrar, enfim, levar os fãs dos Beatles e em especial de John Lennon para dentro dos estúdios onde o ex-beatle gravou suas músicas, nos utilizando para isso da série The Lost Lennon Tapes.

Ressaltam-se aqui alguns pontos importantes. De início, há que se dizer que data do começo dos anos 90 os primeiros registros em discos piratas trazendo exclusivamente o material veiculado da Lost Lennon Tapes. Vários selos alternativos entregaram-se a esta tarefa como por exemplo o Bag que, em 29 álbuns de vinil e 6 álbuns duplos trouxe a tona quase toda a parte musical da série. Registra-se também, investidas na mesma direção do selo Vigotone que chegou a lançar alguns poucos discos com o material. De todos, porém, o selo Walrus foi o que trouxe aos fãs os registros mais completos da Lost Lennon Tapes. O walrus lançou a partir de 1997 , nada menos que 11 álbuns duplos (22 CDs), todos com pouco menos de 80 minutos de duração. Pode-se dizer com segurança que tudo o que existe lançado em matéria de pirataria envolvendo a série The Lost Lennon Tapes está presente nestes 11 álbuns duplos. O material impressiona sob vários aspectos. Inicialmente chama a atenção a qualidade de som das faixas que, ainda quando retiradas de vinil estão com sonoridade perfeita. Outro fator positivo são as capas e contracapas, todas com fotos sensacionais de John e trazendo explicações sobre cada take. Por fim, vale repetir o que dissemos no começo, ou seja, 90% de todos os discos piratas já lançados no mercado com material de John traziam outtakes extraídos da série Lost Lennon Tapes estando, pois, a grande maioria dessa versões presentes nessa série de Cd's do selo Walrus. Reside nesta explicação, pois, o fato de havermos decidido por conseguir esta série para que pudéssemos tornar possível nosso comentário à The Lost Lennon Tapes.

Durante os próximos meses, comentaremos cada disco, cada faixa, cada sessão de gravação de John, fazendo o necessário para sempre darmos ao leitor o maior número de informações que pudermos obter.

Um comentário mais profundo à The Lost Lennon Tapes já estava em nossos planos há algum tempo. No entanto, escolhemos o mês de outubro de 2002 para darmos início a realização desse projeto primeiramente por ser nesta data que Lennon completaria seus 62 anos de idade. Em seguida por somente agora nos sentirmos preparados para oferecer ao leitor e fã dos Beatles uma explanação mais abrangente de toda a série e, por último pelo ano de 2002 marcar os dez anos em que o último programa da série foi ao ar. Se seremos bem ou mal sucedidos em nossa modesta intenção, deixamos ao castro dos leitores. Contudo, e disto fiquem certos, estaremos sempre procurando fazer o melhor e nunca nos esquecendo de que críticas e sugestões serão sempre bem vindas.

Ao final deixamos vocês com as palavras de Elliot Mintz, um dos produtores da série: " A música de John não foi concebida para fazer você sentir doce, piegas ou adorável o tempo todo. Por isso, as apresentações da Los Lennon Tapes não serão um rock and roll muzak. Também não será voyeurístico. O que queremos apresentar é uma celebração de quem John Lennon foi, um retrato dele sem lágrimas."
Por Vladimir Araújo

quinta-feira, 5 de dezembro de 2002

The Complete Lost Lennon Tapes 01 e 02

Como já dissemos no texto de apresentação à série Lost Lennon Tapes, os primeiros registros piratas da série deram-se ainda em formato de vinil. Assim, neste primeiro álbum duplo temos o correspondente aos três primeiros vinis. No CD 1, com 26 faixas, presentes estão tanto músicas de Lennon em carreira solo quanto alguns registros de outtakes ainda feitos com os Beatles, material este veiculado quando dos primeiros programas da série. Destaque para uma versão de Rock Island Line, acústica, a até hoje inédita oficialmente John Henry, numa gravação que traz John ao piano, Surprise Surprise do disco Walls and Bridges, aqui em formato totalmente acústico, o take inicial de Goodnight Vienna e a música Power to the People sem aqueles vocais que abrem a versão oficial.

O disco 2 abre com um outtake de I'm the Greatest, destacando-se ainda o take 3 de Starting Over e a faixa 6 que traz John interpretando ao piano uma canção tradicional do folclore inglês. Também no disco, a música Julia em versão gravada em 1968 durante as sessões ocorridas em Esher, um rarotake alternativo para You Know My Name e o take 1 da música Beautiful Boy. O álbum duplo tem ótima qualidade de som, ressaltando-se que até o que foi retirado de vinil aparece aqui sem nenhum tipo de chiado. Há que se dizer ainda, que todo o material veiculado na série Lost Lennon Tapes foi extraído de fontes diferentes, ou seja, há tanto gravações profissionais, perfeitas e acabadas, quanto demos e gravações caseiras, o que empresta aos álbuns da série um tom ao mesmo tempo irregular e intimista. Qualidade de som entre 8-10.

CD1
01 Strawberry Fields Forever
02 The Happy Rish Kesh Song
03 Rock Island Line
04 John Henry
05 Surprise, Surprise
06 Keep Right On To The End...
07 Goodnight Vienna
08 Tennessee
09 God Save Oz
10 With A Little Help From...
11 Power To The People
12 Here We Go Again
13 Mucho Mungo
14 God
15 Life Begins At 40
16 Woman
17 Girls And Boys
18 Clean-up Time
19 Beautiful Boy
20 Revolution
21 Child Of Nature
22 He Said He Said
23 I'm The Greatest
24 Make Love Not War
25 How Do You Sleep
26 Daddy's Little Sunshine Boy

CD2
01 I'm The Greatest
02 The Luck Of The Irish
03 Every Man Has A Woman...
04 Starting Over
05 Promise
06 Sea Ditty / Leaning On A Lamp
07 Grow Old With Me
08 Strawberry Fields Forever
09 What A Shame Mary Jane...
10 Julia
11 Across The Universe
12 You Know My Name
13 Help!
14 Whatever Gets You Thru...
15 We Must Not Forget The...
16 The Wumberlog
16 Dear John
17 Whatever Happend To
18 Cookin In The Kitchen Of Love
19 Peggy Sue
20 Watching The Wheels
21 Watching The Wheels
22 I'm Losing You
23 Beautiful Boy
24 Cleanup Time
25 One-To-One Promo outtake

quarta-feira, 4 de dezembro de 2002

The Complete Lost Lennon Tapes 03 e 04

A série continua com o primeiro disco do álbum duplo trazendo versões demo para Brown Eyed Hansome Man, gravado em 1968, Dear Prudence e Good Morning, Good Morning.

Presente também, um take interessantíssimo no qual John canta em forma de medley as músicas Beyond the Sea/Blue Moon/Young Love. Ainda no CD 1, outtakes quase embrionários para God Save Oz e Rock'n Roll People. O disco 2 abre com ensaios para a faixa Starting Over e uma versão para Maggie Mae gravada no Hit Factory Studios entre 1979 e 1980, seguindo-se três raras versões para as músicas Rock'n Roll People, Sweet Little Sixteen e You Can't Catch Me, todas das sessões com Phil Spector entre 74/75. Este CD duplo do selo Walrus, abrange o material lançado nos LP's 4,5,6 e 7 da série. No entanto, a qualidade aqui é bem melhor. Qualidade de som entre 9-10

CD1
01 Revolution
02 Power To The People
03 Attica State
04 The Luck Of The Irish
05 John Sinclair
06 I'm A Man
07 'Twas A Night Like Ethel Merman
08 Medley: Beyond The Sea/ Blue Moon/ Young Love
09 Clean Up Time
10 Good Morning, Good Morning
11 Everybody's Got Something To Hide Except Me And My Monkey
12 Everyone Had A Hard Year
13 Brown-Eyed Handsome Man
14 Serve Yourself
15 Lord, Take This Make-Up Off Me
16 The News Of The Day (From Reuters)
17 Dear Prudence
18 Jealous Guy
19 God Save Oz
20 Rock And Roll People
21 Rock Island Line
22 Real Life
23 My Life (Take #1)
24 My Life (Take #3)
25 Don't Be Crazy
26 The Worst Is Over

CD2
01 In The Studio
02 Starting Over (Vocal Booth)
03 Starting Over
04 Maggie Mae
05 Honey Don't
06 Don't Be Cruel
07 Matchbox
08 Dear Prudence
09 Cold Turkey
10 Here We Go Again (Take #2)
11 Woman
12 The Neville Club
13 Rock And Roll People
14 Not Fade Away
15 Sweet Little Sixteen
16 You Can't Catch Me
17 Mirror, Mirror (Take #1)
18 Mirror, Mirror (Take #5)
19 Mind Games
20 Cold Turkey
21 One Of The Boys
22 Tight A$
23 Studio Banter
24 Woman
25 Dear Yoko
26 I Don't Wanna Face It

terça-feira, 3 de dezembro de 2002

The Complete Lost Lennon Tapes 05 e 06

Inicialmente há que se dizer que nesse volume da série de CDs lançados pela Walrus começam a aparecer de fato as verdadeiras gemas da pirataria de John Lennon. Lembra-se que, até a primeira metade da década de 90, uma parte dos takes da Lost Lennon Tapes chegou a ser lançada em discos de vinil e até em coleções de fitas cassete. No entanto, naqueles lançamentos, o que se tinha era praticamente uma pequena amostra do material completo, e isso se confirma a partir desse volume da série, onde percebe-se o quanto de material ainda existia pra ser lançado. E sem falar da qualidade de som, pois, nessa coleção de discos da Walrus raríssimas são as gravações com chiado de vinil e ruído de fita.

Neste volume temos um passeio pela sessões dos álbuns Double Fantasy/Milk and Honey, com demos para as músicas Watching the Wheels, Steppong Out, Woman, dentre outras, todos com qualidade surpreendente. Incluídos também os raros takes acústicos feitos por John em 1971 no St. Regis Hotel, onde o ex-beatle faz versões para faixas como Peggy Sue e Maybe Baby. Nesse ponto da série foram veiculados grande parte das versões acústicas feitas pelos Beatles em Esher, no ano de 1968, presentes aqui com excelente qualidade de som. Sem dúvida alguma porém, dois dos grandes highlights desse álbum duplo fica por conta das primeiríssimas versões para as músicas Woman is the Nigger of the World e New York City. Qualidade de som entre 9-10.

Lost Lennon Tapes 05 & 06 Disc 1
01. Watching The Wheels
02. I'm Stepping Out
03. Clean-up Time
04. Woman
05. Roll Over Beethoven
06. Whola Lotta Shakin' Goin' On +
07. New York City
08. God Save Oz
09. Introduction
10. Dirty Mac Jam
11. Maurice Dupont
12. That'll Be The Day
13. Rave On
14. Not Fade Away
15. Maybe Baby
16. Heartbeat
17. Peggy Sue Got Married
18. Corrina Corrina
19. Serve Yourself
20. Best Things In Life Are Free
21. Eat The Document
22. A Nice Noise
23. Number Nine
24. Tomorrow Never Knows
25. Backwards Talk Test
26. Aerial Tour Instrumental
27. Cry Baby Cry
28. Dear Prudence
29. Sexy Sadie
Playlist length: 1 hour 15 minutes 28 seconds

Lost Lennon Tapes Vol. 05 & 06 Disc 2
01. Julia
02. Child Of Nature
03. Cont. Story Of Bungalow Bill
04. I'm So Tired
05. Yer Blues
06. Everybody's Got Something...
07. What A Shame Mary Jane...
08. Revolution
09. Imagine
10. Crippled Inside
11. It's So Hard
12. A Case Of The Blues
13. Sally And Billy
14. Sally And Billy
15. Send Me Some Lovin'
16. Woman Is The Nigger Of...
17. New York City
18. Only You
19. Down In Cuba
20. Surprise, Surprise
21. Whatever Gets You Thru...
22. Watching The Wheels
23. I'm Losing You
24. Borrowed Time
25. Tobias Casuals
26. Happy Birthday John
27. Julia