segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Entrevista: May Pang fala sobre seu relacionamento com John Lennon

John Lennon foi assassinado por uma arma de fogo disparada por um infeliz débil mental, em 8 de dezembro de 1980, na entrada de seu prédio em Nova York. Desde sua trágica morte, muitos boatos e especulações têm surgido sobre sua vida e sua música. Não é segredo que a viúva de John, Yoko Ono, tem agüentado tanto elogios quanto críticas por sua parte na trajetória dos Beatles. Entretanto, outro aspecto muito importante da história de Lennon costuma passar batido. Eu falo da "outra" mulher... May Pang.

Pang teve um relacionamento de dois anos com o amado Beatle. O casal permaneceu íntimo até a morte dele. Entretanto, Yoko, ao lado de vários historiadores do rock, tem deliberadamente tentado alterar a história, e eliminar qualquer registro do envolvimento de May com John.

Ironicamente, foi a própria Yoko quem escolheu Pang como a "companhia ideal" para o marido. Pang era uma mulher atraente que havia trabalhado como secretária pessoal dos dois. Mas para Yoko o tiro saiu pela culatra quando Pang e John se apaixonaram e foram embora juntos.

Infelizmente para Pang, o relacionamento acabou quando, em 1975, John voltou para sua mulher. Ela acabou se casando e depois divorciando do produtor Tony Visconti, com quem teve dois filhos. Atualmente, ela está desenvolvendo uma retrospectiva radiofônica, cujo nome provisório é "May Remembers", está reunindo suas fotos e memórias de John Lennon para uma exposição, e acaba de lançar sua linha de jóias chamada May Pang Feng Shui Jewelry Collection.

Por onde começamos?
Boa pergunta! Muita gente quer saber como John Lennon era como pessoa, e muitas mulheres querem saber como ele era na cama!

Podemos partir por aí ou pegar um pouco mais leve. O que você prefere?
(Risadas) Lembre-se, ele foi o primeiro cara com quem morei.

Ok, vamos pegar leve.
O que as pessoas não conseguem entender é que eu tive um relacionamento com John que atravessou mais de dez anos.

Mas o próprio John Lennon chamou o relacionamento de vocês de "Final de semana perdido". Deve ter sido um inferno de final de semana.
Isso veio daquele filme, "The Lost Weekend". Ele era um grande fã de cinema. Pediram que ele desse uma declaração sobre seu retorno ao Dakota, e esta foi a frase-conceito que ele soltou. Ele não poderia mesmo dizer que foi o melhor período da sua vida! (Risadas)

Você fala do tempo em que ele passou com você?
Sim. Ele me contou antes que estava chamando nossos dois anos juntos de "Final de semana perdido", assim eu poderia me preparar para ler isso na imprensa. Então quem não tivesse ouvido isso de mim antes diria: "por que ela anda espalhando isso já que durou apenas um final de semana?". Obviamente, esta é uma ideia errada. As pessoas não entenderam porque eu escreveria um livro baseado apenas em um final de semana. Mas elas não sabiam a verdadeira história.

E qual é a verdadeira história?
Eu morei com John Lennon por quase dois anos, e, sobretudo, tivemos uma relação de dez anos juntos. Por alguma razão, as pessoas ficam abismadas com isso.

John estava casado com Yoko Ono durante os anos em que você diz ter estado com ele.

Não é nenhuma "conversa" e sim um fato. Até Yoko já falou sobre isso. Na época em que estávamos juntos, ele estava separado dela.

Um dia Yoko te puxou pelo braço e disse "John e eu estamos passando por problemas conjugais. Por isso eu quero que ele fique com você um tempo". Verdade ou lenda?
Bem, você simplificou a coisa. Era 9h30 da manhã. Eu estava preparando tudo para mais um dia de trabalho, antes que todos chegassem ao escritório. Yoko veio a mim e disse: "você sabe que John e eu já não estamos mais tão juntos. E você também sabe que assim ele vai começar a ver outras pessoas. Eu sei que você não tem namorado". Eu então olhei pra ela e disse: "o quê? Eu não estou interessada!". Mas Yoko falou: "Sei que você não está atrás dele, mas acho que você precisa de um namorado e que deveria sair com ele".

Assim parece divertido.

Não! Não! Eu não o queria. Mas Yoko disse: "eu acho que você deveria sair com John e você VAI". E aí ela saiu da sala. Fiquei lá sentada pensando: "o que aconteceu?". John depois me disse que Yoko foi até o banheiro onde ele estava se barbeando e disse: "resolvi tudo pra você, já pode sair com May Pang". John me disse que quase abriu um corte na garganta! Ele falou para Yoko: "como sabe que eu gosto dela?". E ela: "bem, eu sei". E foi assim.

Então onde as coisas deram errado?
Yoko achava que tudo ia durar apenas umas duas semanas, e que as coisas voltariam logo ao normal. Ela pensou que eu seria só uma foda rápida e  que não passaria disso. Obviamente, eu fui escolhida a dedo por ser quieta, uma pessoa dócil! Mas o que Yoko não contava era que John e eu nos apaixonaríamos.

Foi um jogo de risco para Yoko.
Também acho! Mas ela sabia que eu não tinha interesse, assim ela sentiu que estava segura. Mas levou um tempo para eu me apaixonar por John.

Eu suponho que a maior estrela do rock mundial era uma pessoa difícil de se conviver. Como era o relacionamento de vocês dois?
Ele não era nada difícil. As pessoas escreveram muitas coisas sobre ele que não são verdade.

Eu li que John Lennon precisava ser controlado; que ele precisava de uma espécie de babá.
John foi criado por sua tia Mimi, que era uma mulher extremamente controladora. Ele lutou contra isso o máximo possível. Ele precisava que mostrassem a ele como fazer as coisas simples da vida, porque era um prisioneiro de sua própria fama de Beatle... tudo estava sempre pronto pra ele. Tivemos um relacionamento de respeito mútuo com muitos interesses em comum. Música... rock and roll era nosso grande território em comum. Foi o que moldou a vida dele, assim como a minha.

John era um bêbado chato?
Esse assunto outra vez. Todo mundo acha que ele estava sempre bebendo. Mas não era assim. As coisas doidas que você leu sobre as bebedeiras de John aconteceram apenas duas ou três vezes. Foi tudo. Mas a imprensa continua arrastando isso porque esta é a maneira que as pessoas queriam vê-lo na época. Olhe para os dois anos em que estivemos juntos. Ele se dedicou mais às suas músicas do que em qualquer outro período de sua carreira solo. Se ele estivesse bêbado e chapado o tempo todo, como ele trabalharia nas músicas? Por falar nisso, as drogas não eram algo que ele usava diariamente. Os amigos apareciam e dividiam o que tinham com ele, mas não era uma coisa que ele fazia questão de ter.



Foi dito que durante as gravações de Wall and Bridges John estava bêbado todo o tempo.
Algumas pessoas gostam de pensar nele como um bêbado miserável. Mas ele não era - e especialmente quando estava gravando um álbum. Confie em mim, se John bebesse como as pessoas falam, ele não conseguiria trabalhar. Ele trabalhava duro quando estava fazendo sua música. Era muito sério sobre seu tempo no estúdio. Sem drogas, sem bebida. Quando John marcava o estúdio para as 7 da manhã, ele queria dizer 7 da manhã e não 7h15. Depois que tudo terminasse, ele poderia acender um baseado para relaxar e ouvir as gravações do dia.

John não se achava um bom cantor. Ele chegou a conversar com você sobre isso?
É verdade. Eu estava sempre dizendo que ele era um grande cantor. Ele me perguntava o tempo todo se suas composições estavam ok ou se sua voz estava ok. Costumava ser muito inseguro. Lembre-se, ele era um ser humano. Ainda era alguém que tinha muitas inseguranças. Eu estava sempre lá para levantar sua moral. Mas ele era um gênio. Podia escrever palavras simples como "eu te amo" e transformá-las em algo muito especial.

Você o viu compor canções?
Sim. Sempre me perguntam isso. As pessoas querem saber se eu estava perto quando John escrevia suas músicas. Eu o vi escrever canções muitas vezes. As letras simplesmente saiam. Ele tinha aquele talento natural.

Descreva um dia típico na vida de John Lennon.
Nós gostávamos de visitar amigos nos Hamptons e coisas assim. Curtíamos nadar, sair de barco, caminhar e ir ao cinema. Seu filho Julian estava muito com a gente durante aqueles anos. Costumávamos planejar as coisas de acordo com o que acontecia ao nosso redor no momento. O dia começava para John por volta das 11 da manhã - com uma xícara de café e seu exemplar do New York Times.

Então se John era feliz e tão criativo com você, por que ele não deixou Yoko e casou contigo?
Isso é muito difícil de se explicar.

Eu li uma declaração sua onde você acusava Yoko de hipnotizá-lo para te deixar.

Ele teve problemas para cantar por causa do cigarro. Não conseguia segurar a afinação e faltava fôlego. Eu odiava que ele fumasse e queria que parasse. Hoje as pessoas acham que Yoko não estava por perto quando John estava comigo, mas eu posso afirmar que o telefone tocava até 20 vezes por dia. Nunca houve um momento onde ela não tentou trazer John de volta. No início ele se sentiu culpado. Culpado por estar tão feliz e ela talvez não. Então, poucos meses depois de ficarmos juntos, Yoko o quis de volta e ele não voltou.

Você se refere ao boato que diz que Yoko o hipnotizou para abandonar você?
As pessoas não vão acreditar nisso. Mas quando John contou a Yoko que queria parar de fumar, ela ligou algumas semanas depois e disse que tinha uma ótima maneira para ele largar o cigarro. Mas ela não contaria por telefone. Disse que ele deveria procurá-la e que seria ótimo. Ela era uma fumante compulsiva e disse que conseguiu parar, e que ele também poderia. Senti-me muito desconfortável sobre isso. Nós até brigamos. John disse: "você quer que eu pare de fumar, não quer? Deixe-me tentar o método de Yoko e estarei em casa em tempo para sairmos para jantar. Vamos para onde você quiser". Ele queria estar comigo para planejar uma visita a Paul e Linda em New Orleans. Ele queria compor com Paul novamente. Teria sido legal, não? Então ele foi e eu não soube de mais nada dele. Tentei ligar para o apartamento, mas não me deixaram falar com ele. Yoko só dizia que ele estava dormindo. Disse que ele passou por uma sessão de hipnose, vomitou bastante e estava esgotado. Finalmente, quando eu o vi, ele disse que "tinha permissão para retornar ao Dakota". Eu disse: "permissão? E como isso afeta você e eu?" E ele: "Yoko disse que seria bom para meu processo de imigração e que eu poderia continuar vendo você". Pelos cinco anos seguintes Yoko tentou me apagar da vida de John. Mas ela não conseguiu. Ele continuou me telefonando.

Assim parece que John gostou da situação. Você concordou em dividi-lo com Yoko?
Não. Como se pode dividir alguém que se ama? E se você realmente parar para pensar... foi Yoko quem quis comer seu pedaço do bolo também. Na verdade, Yoko certa vez sugeriu que alugássemos um apartamento no Dakota, assim pareceria que John não havia saído de casa... mas nós achamos que quase uma consolação. John e eu nos vimos ou nos falamos até o ano de sua morte. Ainda éramos amigos e ainda nos amávamos. A única razão pelo qual nosso relacionamento terminou é o fato de ele não estar mais aqui.

Se John não tivesse sido assassinado, você acha que ele teria se divorciado de Yoko e casado com você?
Quem sabe o que poderia ter acontecido? É uma situação complicada. Muita gente vai acreditar o que quiser. Só eu sei o que rolou entre John e eu.

Você escreveu um livro chamado Loving John. Na verdade, você atualizou o livro desde a primeira publicação. Ainda há mais para contar?
Claro. Muita coisa foi deixada de fora.

Por que deixar fatos desconhecidos a esta altura?
Não deixei. Foi o editor. Eu contei a história inteira, mas eles apenas publicaram trechos do que escrevi.

Conte uma história sobre John que ninguém mais sabe ou que não tenha escrita.
Existem muitas. Eu acho que a coisa mais interessante que as pessoas deveriam saber é que John e eu estávamos planejando ir a New Orleans para visitar Paul. Ele queria compor com Paul novamente. John me perguntou se eu achava uma boa ideia. Dá pra imaginar?

Sem trocadilhos aí.
(Risadas) O que as pessoas não sabem é que Paul era um assíduo visitante em nossa casa. Quaisquer problemas que Paul e John tiveram sobre negócios acabaram. O lance sobre eles, e digo isso sobre todos os quatro, é que eram irmãos de verdade. Eles podem dizer o que quiserem um sobre o outro, mas qualquer outra pessoa é proibida de falar mal sobre eles. Eles eram assim.

Diga-me a primeira coisa que vem na sua cabeça: John Lennon.
O homem mais influente na minha vida.

Paul McCartney.
Uma das metades da maior parceria do nosso tempo.

Ringo Starr.
Meu primeiro Beatle preferido.

George Harrison.
Um homem amável e sereno que eu tive o prazer de conhecer.

Yoko foi acusada de ser a culpada pela separação dos Beatles. Foi mesmo culpa dela ou deles mesmos?
Com toda justiça, acho que eles teriam se separado de qualquer jeito. Eles já estavam no limite. Eu só acho que Yoko acelerou o processo. Acho que o fim chegou mais rápido do que o previsto.

Foi culpa de Yoko?
Eu acho que ela teve sua culpa. Quanto? Eu não sei dizer.

Qual sua opinião sobre ela?
(Longa pausa) Acho que é melhor guardar isso pra mim.

Você não acha mesmo que eu vou te deixar fugir com essa resposta, acha?
Eu só posso dizer que não tenho contato algum com ela. No momento existem muitas outras coisas acontecendo. Assim, eu preciso me concentrar nisso. São coisas que vão me afetar direta ou indiretamente muito em breve. Há um futuro musical da Broadway chamado Lennon - The Musical. Yoko está liberando 25 músicas para o show, mas qualquer menção ao meu nome caiu fora, pelo que sei. Eu já esperava por isso? Sim. Eu fui apagada. O que eu adoraria que os leitores soubessem é que o tempo que passei com John foi o mais produtivo e criativo de sua carreira solo. Sou feliz por ter sido uma influência positiva para ele.

Então como Yoko pode sair apagando você dos livros de história, como você diz?
Porque ela era a esposa. Esta não é a primeira vez que isto acontece com alguém... mas comigo sei que a verdade vai prevalecer, e até já começou.

Mas história é história.
Eu sei disso. É por isso que estou aqui. Pra falar sobre a minha história. Isso é algo que ninguém pode deixar de lado. Não importa o que dizem ou de que lado você está. Embora Yoko esteja tentando mudar a história... ela tem subsídios para fazer isso. Veja, você imagina quantas pessoas acham que é a voz de Yoko cantando em "Number 9 Dream", quando na verdade é a minha?

Ela diz ser a voz em "Number 9 Dream"?
Vamos dizer assim, ela não diz. Isso na verdade é muito engraçado. Ela lançou um DVD com todos os clips de Lennon. Considere o fato de que não existem realmente vídeos feitos para as músicas. Estas músicas foram feitas antes da MTV. Ela incluiu a música "Number 9 Dream" no DVD e preparou um clip. Bem, durante a parte onde eu chamo o nome de John, ela se colocou no vídeo dublando a palavra "John". Então se você não sabe que faço parte do processo, você pensa que é a voz de Yoko na canção... claro. Tudo porque você nunca ouviu outra voz de mulher nas músicas dele além da dela.

Então Yoko quer manter você fora de tudo... literalmente.
Isso aí. Conhece aquela famosa imagem de John usando a camisa de New York City? Aquela onde ele está realmente bonito?

Eu acho que muita gente conhece aquela foto.
Foi tirada na nossa cobertura quando estávamos morando juntos. Uma foto conta milhões de histórias. De fato, pretendo fazer uma exposição de fotografias de John e eu em casa. Será uma homenagem ao tempo em que vivemos juntos.

Estou certa de que Yoko vai tremer. Já que estamos falando de Yoko, qual sua opinião sobre a música dela?
Ela não faz o meu gênero. São apenas gritos e coisas assim. Em seu álbum Fly, ela tentou ser Elvis em algumas faixas. Mas seu jeito de cantar e compor não faz o meu gênero. Eu gosto é de rock and roll.

Você acha que John teria gostado da música de hoje?
Eu acho que ele escutaria. Mas ele ainda estaria fazendo seu próprio trabalho. Pegaria alguns elementos das músicas de hoje e criaria seu próprio estilo.

É verdade que você era gamada por Ringo antes de conhecer John?

(Risadas) John uma vez me perguntou quem era meu Beatle preferido, e eu disse "Ringo!". Ele me pegou de surpresa! Eu provavelmente deveria ter dito: "não, você sempre foi o meu favorito, John!". Lembro de uma vez em que John chamou Ringo e cochichou no ouvido dele: "você era o queridinho dela". Mas John sempre foi o melhor compositor do grupo.

John não escreveu uma música pra você?
Sim, ela se chama "Surprise, Surprise (Sweet Bird of Paradox)". O disco inteiro ("Walls and Bridges") foi o nosso álbum. Foi a primeira vez que ele teve um álbum no topo da parada com um compacto também número 1 em toda a sua vida. Então pra mim foi muito especial. Além de cantar nele, também fui a coordenadora de produção. Ele até me deu um disco de ouro.




Qual foi sua primeira reação quando soube da morte de John?
Senti-me como se estivesse afundando. Não existem palavras para descrever. Foi como se uma bola de aço tivesse caído direto para o fundo do meu estômago. Eu estava jantando lá na Costa Oeste. Fui correndo pra casa e o telefone não parava de tocar. Era a secretária de Ringo tentando descobrir para qual hospital John tinha sido levado. Peguei o telefone e disse: "ele se foi". Tudo o que ele disse foi: "o que há de errado com este seu maldito país?". Hoje, John me alcança em espírito.

Você foi até aquele físico John Edward para tentar manter contato com John?
Por sugestão de alguns amigos, fui visitar John Edward. Isso antes de ele ganhar seu programa na TV. Meu marido na época, Tony, e eu fomos vê-lo por outras razões. Não foi para contatar John! Eu nem estava pensando nisso. Mas John veio até nós. Na verdade, ele foi o terceiro espírito que veio durante aquela sessão.

Você realmente acredita nisso?
Acredito que John Edward tem um dom.

Eu acho que muitas pessoas que estão lendo esta entrevista lhe diriam que John Edward sabia muito bem quem você era e sabia de sua relação com John Lennon.
Ele não sabia quem eu era. Eu estava com meu marido e ele não sabia nada sobre mim. Nós estávamos em uma sala cheia de gente. Ele sabia tanta coisa sobre meus parentes que já haviam morrido que eu fiquei espantada. As coisas que ele mencionou não chegaram nem a serem escritas em lugar algum! Meu marido e eu nos olhamos sem acreditar. Eu sinceramente acredito em anjos e espíritos. Existe algo lá fora. É tudo o que eu sei. É como quando John e eu vimos um OVNI. Como se explica isso?

Sem drogas?
Não! Ele viu primeiro. John imaginou que se eu não visse também, ninguém mais iria acreditar nele, nem mesmo eu.

Como era o relacionamento entre John e seu filho Julian?
Eles tiveram problemas em se aproximarem, já que passaram três anos distantes. Quando John e eu estávamos juntos, eu tentei criar uma ponte entre os dois. Na verdade, no período de um ano, Julian nos visitou três vezes. Eu costumava dizer a John, mesmo quando não morávamos mais juntos, que ele deveria continuar a falar com Julian. Eu achava isso uma coisa muito importante. Era seu primeiro filho e eles não tiveram muito contato nos primeiros anos.

Julian alegou que Yoko o excluiu da herança da família.

Se for verdade, e tenho certeza de que Julian não diria isso se não fosse, é uma coisa muito triste. John era tão pai de Julian quanto era de Sean. Eles merecem receber partes iguais de sua herança. Por falar nisso, Cynthia e eu ainda somos amigas. Ela também está com um livro para sair.

Se você pudesse estar a sós com Yoko, o que diria a ela?
Boa pergunta. Eu nunca pensei nisso. Nos esbarramos há alguns anos atrás. Estávamos a talvez três metros de distância. Quando ela me viu, se virou e foi por uma outra direção. Se eu tivesse a chance de falar com ela, eu diria que sinto muito por John não estar mais aqui. Ele morreu de um jeito terrível. Tentei entrar em contato com ela após tudo que aconteceu. Foi algo horrível pelo qual tivemos de passar. Mas ela não retornou minhas chamadas. Existiram três mulheres na vida de John após ele sair de casa, Yoko, Cynthia e eu. Eu provavelmente diria a ela que nós três vivemos momentos e histórias diferentes com John, e negar qualquer parte da vida de John é muito injusto com ele.

Conte-me outro mito sobre John Lennon.

Lá vai um dos grandes: Yoko e John reataram o romance no show de Elton John no Madison Square Garden, e ele não sabia que ela estava lá. Não é verdade! Nós não só sabíamos que ela viria, como também conseguimos os ingressos para ela e seu acompanhante!

Você não acha que pode parecer chata?
Yoko era casada com John, eu era apenas a namorada, então sim, posso parecer chata às vezes. Entendo perfeitamente. Mas imagine minha frustração por ser apagada da história deliberadamente. Eu realmente não sei como Yoko consegue dormir sabendo o que fez. Mas eu sim posso dormir em paz.

Você acha que um dia alguém fará um filme sobre a vida de John?
Alguns já foram feitos, e estou certa que farão mais. E, claro, esta peça que está na Broadway. Também todos estes livros "autorizados". Todos eles omitem dois anos da vida de John. Não seria tão ruim se John não tivesse produzido nada, mas trata-se do período mais prolífico e produtivo de sua carreira-solo. Fãs jovens escrevem para mim e dizem: "Nunca ouvi falar de você! Quem é você? De onde você veio?" É um absurdo!

Sem querer mudar de assunto, mas o que você acha sobre Michael Jackson ser o dono dos direitos das músicas dos Beatles?
Eu gostaria que Paul fosse o dono. É triste que os autores originais não possuam suas próprias músicas. Os Beatles foram as cobaias do Rock and Roll. Digo isso porque eles viveram sob contratos obsoletos. Ninguém esperava o sucesso que eles tiveram. Fora Elvis, ninguém é mais popular no mundo. Eles não tiveram um contrato justo até o primeiro ser renegociado em meados de 1968, 69. A partir daí, outras bandas conseguiram coisas melhores porque elas aprenderam com os erros dos Beatles. Eles eram ricos em posses, mas pobres em dinheiro. Era assim que John e eu vivíamos. John tinha de pegar dinheiro emprestado quando estávamos juntos! As coisas eram assim.

Você lembra das últimas palavras que John disse a você?
(Longa pausa) Lembro que foi em meu apartamento, em um feriado de 1980. Falamos sobre as pessoas, e a última coisa que ele disse foi: "estou tentando bolar um jeito de você vir pra cá e me ver. Sinto muito a sua falta. Eu simplesmente preciso ver você". Ele me ligou direto de Cape Town, na África do Sul.

Então quer dizer que ele ainda pensava em você, até perto de morrer?
Sim.

Algum arrependimento?
Eu só me arrependo das vezes em que John me procurou e eu não estava lá. Várias pessoas, que estavam em um restaurante que frequento, me contaram que John estava jantando com Yoko, Elliot Mintz e Tony King, que trabalhava na Apple Records. De repente John começou a gritar: "Tirem Yoko daqui. Eu quero estar com a May. Não quero mais ver Yoko novamente. Eu só quero estar com a May!".

Não quis ter um filho com John?

Ele me perguntou uma vez sobre isso. Quando descobriu que Yoko estava grávida, ele disse: "você não queria que fosse seu?". E eu: "eu nunca faria isso se você não estivesse pronto". Ele me abraçou e disse, "Eu sei disso".

O que você diria a John se pudesse falar com ele uma última vez?
Eu diria o quanto eu o amei e quanto a sua falta dói em mim. Nós nunca tivemos a chance de nos despedirmos, mas nossa história estava longe de acabar.

Por Chauncé Hayden

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

The Rooftop Concert - A última apresentação pública dos Beatles




Fazia um frio dos diabos em Londres na manhã daquele dia trinta de janeiro de 1969, uma terça-feira, por volta do meio-dia. A região onde funcionava o escritório da Apple Records, na área central, era conhecida por abrigar atividades comerciais como escritórios de advocacia, consultórios médicos, setores executivos de empresas, lojas de departamentos e bancos, entre outros. Desde o dia vinte e sete havia uma movimentação incomum de pessoas subindo e descendo do telhado do prédio de quatro andares onde estava instalada a gravadora dos Beatles. E também dos edifícios em frente, ao lado e aos fundos. Era a equipe do cineasta Michael Lindasy-Hogg trabalhando para viabilizar uma idéia de Paul McCartney, copiada na realidade de uma iniciativa pioneira da banda Jefferson Airplane e de dois loucos geniais, Jean-Luc Goddard e D.E Pennebaker.

Paul tomara conhecimento da filmagem de uma apresentação do Jefferson Airplane em novembro de 1968 no teto de um edifício em Nova York. A sequência foi inserida no filme One A.M (American Movie), de Jean-Luc Goddard e D.E Pennebaker, dois cineastas com forte ligação com o rock and roll. A produção jamais seria finalizada, mas a sequência onde o 'Airplane' toca a complicada canção 'The House at Pooneil Corners" deu o que falar atraindo na rua abaixo uma considerável leva de pedestres. A aventura acabou abortada pela polícia nova-iorquina. Num trecho do filme um policial 'brande' em direção aos músicos um exemplar do código de posturas, informando que o grupo não poderia estar tocando naquele local. McCartney achou a idéia fantástica para o fechamento do projeto Get Back/Let it Be. Talvez não imaginasse que a apresentação registrada no teto da Apple entraria para a história como a última realizada pelos Beatles.

Se a ideia original de tocar ao vivo num telhado não foi dos Beatles, que sirva como consolo que a repercussão foi muito superior à do concerto realizado pelo Jefferson Airplane. Todo mundo que tocou no alto de um prédio depois de janeiro de 1969 o fez inspirado na atitude dos Fab Four, indubitavelmente. Na última semana daquele mês já estava decidido que Get Back não seria mais um documentário de televisão. Ganharia o mundo através das telas de cinema. Também já havia sido tomada a decisão de que a banda não faria o que inicialmente se planejou: um documentário entremeado com cenas de um mega concerto nunca antes realizado, numa locação exótica. A idéia de tocar nas ruínas de Pompéia, por exemplo, surgiu nessa ocasião e foi veementemente 'rejeitada' por John Lennon e, sobretudo, George Harrison. Também se debateu a possibilidade do concerto se realizar no Roundhouse em Londres, mas a proposta também não avançou.

O clima, um mês depois do início das filmagens do que viria a ser Let it Be, não era nada bom entre os Fab Four. Deteriorava-se a relação entre John Lennon & Paul McCartney. E George Harrison chegou a abandonar a produção por quase duas semanas. Como é do conhecimento geral, a intenção de se promover 'a volta' dos Beatles ao modo mais simples de produzir discos e canções e que poderia ter desaguado no retorno da banda aos palcos do planeta, acabou servindo para consolidar seu fim.

O retorno de George Harrison, registre-se, foi decisivo para dar fim às filmagens do projeto Get Back/Let it Be. Depois da mini tour com Delaney, Bonnie and Friends ele desembarcou em Londres numa quarta-feira, dia quinze de janeiro e reuniu-se com os outros três para uma conversa a portas fechadas que durou cinco horas. George avisou que estava pronto para deixar definitivamente o grupo. Ninguém replicou. O que ficou acertado nesse dia é que não haveria mais especial de televisão nem concerto ao vivo em nenhuma locação. Combinou-se também que o melhor do material produzido viraria um álbum de inéditas, desde que fosse devidamente lapidado nos estúdios. Apple estúdios. Para o restante das filmagens o material seria capturado na gravadora própria da banda. Por incrível que pareça somente a partir desse dia é que tudo o que fora gravado com pretensões de exibição televisiva passou a ser tratado como projeto para o cinema. Isso em parte explica o festival de erros e equívocos de edição do filme Let it Be, abordados - como os internautas mais atentos sabem - em duas revistinhas virtuais anteriores desta coluna.

A idéia de tocar ao vivo no telhado para fechar o filme surgiu nesse turbilhão. George, John & Ringo também tinham acompanhado as notícias da controvertida apresentação do Jefferson Airplane quase um ano antes e se posicionaram favoráveis. John & Paul achavam - e nisso concordavam plenamente - que a apresentação num local exótico e não anunciado em pleno horário de almoço funcionaria como diversão gratuita para os trabalhadores das redondezas. Sem falar que a reação deles poderia render muito para os flagrantes que as câmeras iriam capturar. Mas o Rooftop Concert não se realizaria totalmente sem restrições. George Harrison deixou claro que não tocaria nenhuma de suas músicas. Novas ou velhas.

Ao mesmo tempo, Michael Lindsay-Hogg corria contra o tempo para viabilizar a aventura de tocar no telhado da Apple em termos técnicos. A primeira providência dele foi assistir às pressas com sua equipe, trechos da filmagem de One A.M (American Movie) aquele que uniu Goddard e Pennebaker. Visualizando-se uma produção e outra é possível observar que Michael copiou alguns planos e contra planos utilizados pelos colegas mais famosos para documentar a apresentação dos Beatles. Espalhou câmeras pelos prédios vizinhos, preocupou-se com a iluminação natural por considerar o mau tempo daquela ocasião em Londres e estava interessado no maior número possível de material que pudesse produzir para a futura edição final.

De maneira prosaica para os dias de hoje, Lindsay-Hogg também espalhou técnicos com câmeras e gravadores de áudio Nagra pela calçada defronte ao edifício da Apple para capturar o som ambiente e possíveis reações do público. Como se vê no filme, passantes foram entrevistados enquanto o som rolava lá do alto, sendo capturado com muito eco de forma distante pelos microfones acoplados aos Nagra no solo, quatro andares abaixo. E lá em cima? Lá em cima os Beatles foram instruídos a ocupar pequenos espaços 'demarcados' com fitas crepe, coladas às tábuas que foram estendidas sobre o piso do teto, uma medida para 'encorpar' um pouco mais o som da banda. A filmagem trabalhou com quatro câmeras no teto gravando direto, seguindo o sistema adotado nas tomadas em Twickenham e nos estúdios Apple.

Apesar da fama e da importância dos Beatles, a produção de Get Back não utilizou sequer uma grua para fazer imagens aéreas da frente do, digamos assim, 'palco' onde a banda tocou. Dada a ausência desse equipamento - e do pequeno espaço lá em cima - não foi fácil capturar imagens frontais. Alguns câmeras foram obrigados a trabalhar quase deitados aos pés de John e Paul. Essa precariedade para realizar tomadas fica visível no filme, em prejuízo das aparições de George Harrison & Ringo Starr. Havia uma 'parafernália' de fios e de equipamentos espalhados pelo local. As ligações e conexões foram providenciadas pela turma de Michael Lindsay-Hogg e pela equipe comandada por Mal Evans. Mal e Tony Bramwell se responsabilizaram por montar o equipamento dos Beatles, que então dispensara as caixas Vox.

Os retornos de som agora eram belíssimas caixas Fender valvuladas. E não houve passagem de som a não ser na hora em que as gravações iriam rolar. Quando as câmeras foram ligadas no final da manhã daquele dia trinta de janeiro de 1969, John, Paul, George & Ringo subiram ao teto para o que desse e viesse, sem saber exatamente o que aconteceria posteriormente. Iriam tocar e pronto. E não subiram sozinhos. As novas músicas exigiam a presença de um competente tecladista e pela primeira e única vez numa apresentação pública (ou quase pública) os Beatles tocavam com um quinto músico, Billy Preston, que por sinal, estava participando das gravações nos estúdios Apple desde o dia vinte e dois passado (1969).

O comportamento dos quatro Beatles lá em cima não foi exatamente o de quem realizava um concerto. Nem poderia ser diferente. Eles estavam naquele telhado para uma filmagem. Pareciam inicialmente tensos e trabalharam o tempo todo em benefício das câmeras de Lindsay-Hogg, sem preocupação com o público, que por sinal, não pôde vê-los naquele dia, apesar da aglomeração que se formou diante da Apple. Com o andamento da apresentação o destaque foi a alegria de John Lennon, com suas piadas, tiradas sarcásticas e a inclusão de paródias entre uma e outra canção. Ringo também parecia relaxado, além de tocar com grande precisão. George Harrison é enquadrado quase todo tempo muito sério, sisudo, mas tocando sua Telecaster Rosewood com destreza e uma velocidade incomum se considerarmos seu estilo.


Como o que estava rolando no teto da Apple era uma filmagem, foi necessário repetir algumas canções em busca da perfeição. "Get Back", por exemplo, foi tocada quatro vezes, com o objetivo de ajustar o som e produzir 'best takes' para a melhor tomada de imagem possível. A Apple/EMI instalou um equipamento multi track para registrar todo o áudio para a história. Mas nem tudo o que rolou lá em cima teve registro profissional. Em nome da preservação histórica pela passagem dos 40 anos do Rooftop Concert, a coluna Pop Go The Beatles detalha passo a passo os quarenta e dois minutos que marcaram a última ocasião em que o quarteto THE BEATLES se apresentou ao vivo.

Thursday 30 January

Apple Corps (Roof) London
- Metade do material filmado e gravado no teto da Apple foi parar no filme Let it Be. As versões de "I've Got a Feeling", "Dig a Pony" e "One After 909" foram editadas e incluídas no LP/CD Let it Be.

SETTING UP
O primeiro som que se ouve quando o multi track começa a gravar no alto do teto da Apple é o da voz de Michael Lindsay-Hogg. O cineasta ordena: 'all cameras take one' ao tempo em que os Beatles sobem, ajustam instrumentos, Ringo reclama com Mal Evans de ter montado do lado errado uma parte de sua bateria... e a magia está para começar. Antes, entretanto, os gravadores Nagra conectados às câmeras A e B captam Lindsay Hogg informando na linha interna que a gravação começaria pelo rolo de fita número 560-E. Ele também instrui os operadores das quatro câmeras para ligar os equipamentos simultaneamente.

GET BACK (rehearsal 1)
O multi track não 'pega' a primeira versão de "Get Back", que dura pouco tempo, tão somente para ajustar os equipamentos. O trecho é gravado à distância, capturado pelo microfone de um dos gravadores Nagra (não exatamente os conectados às câmeras A e B). Não consta nos rolos gravados profissionalmente. Seguem-se ruídos de afinações de guitarras, vozes dos Beatles e dos técnicos trocando instruções, etc.

GET BACK (rehearsal 2)Multi track ligado. Michael Lindsay Hogg avisa que aquele será o take um e os Beatles mandam ver. A voz de Paul está em primeiro plano, em single track sem a segunda voz de John, que parece mais preocupado com o solo. Na segunda parte ele participa dos backing vocals. Esta versão é considerada 'ensaio'. No encerramento, aplausos educados são ouvidos da parte dos técnicos e dos privilegiados que estavam lá em cima, pertinho dos Beatles. Paul pisoteia um grilo saído debaixo das tábuas e murmura alguma coisa sobre Ted Dexter, um músico famoso na Inglaterra. John brinca afirmando que a banda tinha um pedido musical para atender da parte de 'Martin Luther'.

I WANT YOU (She's So Heavy)
Sons de afinação de guitarras são ouvidos e uma linha ou duas da introdução dessa faixa é escutada. Não consta do multi track.

GET BACK (take 01)

Esta versão de "Get Back" é melhor executada que a anterior (rehearsal 2). Michael Lindsay Hogg utilizaria pedaços das duas para editar a versão que vemos no filme. No final da canção John diz: 'atendendo ao pedido de Daisy Morris e Tommy'.

DON'T LET ME DOWN (take 01)
A versão ficou tão boa que foi para o filme sem retoques. Soberba interpretação. No áudio dos Nagra disponíveis na pirataria é possível ouvir as vozes de Paul e John bem cruas.

I'VE GOT A FEELING
Mais uma interpretação magistral aproveitada integralmente no filme e no disco Let it Be. Ao final John diz: 'oh my soul... (ouvem-se aplausos) e ele conclui afirmando... 'so hard'. George faz vocalizações ao longo da faixa. Há uma interrupção para afinação de instrumentos e trocas de instruções. Ouvem-se gritos e breves discussões de John, Paul e Michael Lindsay Hogg.

ONE AFTER 909 (snippet)
Começa com o teclado de Billy Preston enquanto Lindsay Hogg ordena que as câmeras se preparem para a gravação. Esse trecho dura apenas dezessete segundos.

ONE AFTER 909 (take 01)
Estupenda versão com show particular de George Harrison na guitarra solo. A gravação é utilizada no filme e aproveita inclusive o trecho sarcástico em que John canta uma linha de 'Danny Boy' ('Oh danny boy, the pipes, the pipes are calling') antiga canção de 1913, composta pelo advogado Frederick Weatherly e originada de um trecho do hino da Irlanda, Londonderry Air. Este take de One After 909 também foi selecionado para os discos Let it Be e Get Back (não lançado).

DIG A PONY (rehearsal)
Enquanto novas afinações de instrumentos são feitas, ouve-se George Harrison ensaiando a introdução e o solo de guitarra. É possível ouvir pelo equipamento profissional multi track o pedido de John pela letra da música. No filme há uma cena de um assistente ajoelhado com uma prancheta apontada na direção de John Lennon

DIG A PONY (take 01)
A canção começa com um false start e uma contagem ('one, two, three... one, two three'). A introdução e o encerramento da faixa onde eles cantam, 'all I want is you' foi 'limada' pelo produtor Phil Spector para o disco Let it Be, aparecendo de forma integral no filme.

GOD SAVE THE QUEEN
A banda para. Novos ajustes de equipamentos e do instrumental são feitos, enquanto se ouve discussões. O cineasta Michael Lindsay-Hog troca rolos de filme em suas câmeras, além de distribuir ordens aos técnicos. A fita do multi track também precisou ser trocada nesse trecho. Enquanto o segundo engenheiro Alan Parsons (aquele do Alan Parsons Project) fazia o serviço, um trecho de 'God Save the Queen' foi tocado. Aparece integral nas fitas dos Nagra e como um mero fragmento na nova fita do multi track.

I'VE GOT A FEELING (take 2)
Começa com trechos dos acordes nas guitarras, enquanto se ouve Paul conferindo a afinação do baixo. A versão foi tentada como alternativa em relação à primeira, mas não entrou no filme. John erra a letra. É possível perceber que foi tocada de forma despretensiosa. No encerramento John brinca com um trecho de 'Pretty Girl is Like a Melody', hit do ano de 1946 na voz de Irving Berlin. Ouve-se ainda brevíssimo acorde de "Get Back". Esta gravação foi usada no álbum Let it Be...Naked (2003), mas inclui ouverdubs do take um e de outras versões desta mesma composição gravadas em estúdio.

DON'T LET ME DOWN (take 2)

Também foi gravada como 'garantia' a pedido de Michael Lindsay Hogg. Não foi usada no filme nem no disco Let it Be, mas aparece de forma editada em Let it Be...Naked. Imagens inéditas da filmagem desse take são usadas num promo vídeo distribuído por ocasião do CD 'Naked' em 2003.

GET BACK (take 02)
Já com a presença da polícia pedindo que a gravação fosse encerrada eles tocam a quarta versão de "Get Back" (esta gravação foi lançada oficialmente no terceiro volume da série Anthology, em 1996). Antes Paul comenta: “você está tocando nos telhados novamente, mesmo sabendo que sua mãe não gosta. Ela vai acabar vendo você preso”. Neste take as caixas de retorno de John e George são desligadas, o que leva Paul e Ringo a 'segurarem' sozinhos o trecho inicial da canção no baixo e na bateria. O fechamento se dá com a clássica frase de John: “I'd like to say thank you on behalf of the group and ourselves and I hope we passed the audition”.

- Entre sete e dez da noite daquele dia 30 de janeiro de 1969 o engenheiro Glyn Johns mixou gravações (inclusive as tocadas no teto da Apple) no Olimpic Sound Studios do jeito que quis, trabalhando sozinho. No dia seguinte entregou acetatos aos Beatles com o resultado do trabalho.

- Dois promo films para "Get Back" e "Don't Let me Down" foram preparados com o objetivo de promover um dos últimos singles lançados pelos Beatles. Em ambos, imagens dirigidas por Michael Lindsay-Hogg, mas de ângulos diferentes dos mostrados em Let it Be - e capturados no rooftop - foram utilizados.

- Virtualmente tudo o que aconteceu no telhado da Apple durante aqueles quarenta e dois históricos minutos do dia 30 de janeiro, uma terça-feira por volta do meio-dia, estão preservados em filmes e em áudio. Reafirmo minha opinião pessoal: esse material devia ser lançado integralmente em DVD (com as canções repetidas e tudo) numa edição luxuosa e recheada de extras do filme Let it Be.

- No dia 31 de janeiro as filmagens de Let it Be chegaram ao fim, assim como o conturbado processo de gravação do futuro disco. A faixa título e "The Long and Winding Road" foram finalizadas na ocasião e dali em diante - pouco mais de um ano depois - era anunciado formalmente o fim dos Beatles. E de uma era.

Por Cláudio Teran

domingo, 19 de outubro de 2008

Paul McCartney - Ecce Cor Meum (2008)

Paul McCartney nunca aprendeu a ler ou escrever música valendo-se de partituras. Muito menos amealhou anos de estudo de música clássica a sério. Mesmo assim é detentor de um respeitável catalogo de êxitos no setor. Ecce Cor Meum é um trabalho clássico de 'canto coral' concebido em homenagem a Linda McCartney, mas vai mais além, pois também inclui reminiscências da infância do ex-beatle que tem no seu vasto e respeitável currículo de astro do rock e do pop, três trabalhos orquestrais. Sem ter a devida compreensão das regras e métodos da música clássica, registre-se. Ecce Cor Meum, expressão do latim que, vertida para o inglês significa "Behold my Heart" (algo como 'Observe Meu Coração'), ganhou até premiação de melhor álbum do gênero no final de 2006. O CD foi publicado em setembro daquele ano. Dois meses mais tarde, em novembro, aconteceu a estréia de gala no Royal Albert Hall, objeto do presente lançamento em DVD.

A segunda e última 'performance' pública desta peça ocorreria no começo de dezembro de 2006 no vetusto Carnegie Hall, em Nova York. O evento foi integralmente transmitido ao vivo por uma emissora de rádio FM, com direito a entrevista exclusiva com Paul. Alguns trechos da exibição americana são brevemente mostrados no DVD. Infelizmente, porém, esta produção lançada nos EUA e Europa no dia 05 de fevereiro (não há previsão de lançamento nacional) deixa a desejar.

A edição inclui o documentário, “Creating Ecce Cor Meum”, onde Paul McCartney explica detalhadamente a produção, revelando que começou a criar a peça no início dos anos 90, mas chegou a abandonar o trabalho pelo agravamento da doença de Linda. Nos quatro movimentos, a homenagem à falecida esposa ganha tons de saudade, lamento, luto e perda. Há outras entrevistas no documentário com músicos, cantores, o maestro que conduziu a orquestra e o coral, além de belas cenas de ensaios e gravações nos estúdios Abbey Road. Tudo sem legendas de jeito nenhum. Nem mesmo em inglês. A produção do DVD Ecce Cor Meum em geral é pobre, apesar do público a que se destina, e comete a meu ver um tremendo sacrilégio com o projeto original.

Quem esteve presente revelou que num intervalo da peça de quatro atos, a orquestra e o coral deram tratamento quase operístico para canções da 'carreira-solo' de Paul McCartney criadas em homenagem a Linda, como "Warm and Beautiful", "Some Days" e outras. De forma incompreensível essa sequência do espetáculo não aparece no DVD. A única forma de ouvi-la é através da edição pirata de áudio do show do Carnegie Hall. Avalio que a inclusão desse trecho por certo facilitaria aos menos iniciados a compreensão de um trabalho denso, por vezes pesado da mais radical das incursões ao clássico praticadas pelo ex-beatle até a data.


Por Cláudio Teran

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Montserrat, a ilha encantada de George Martin


Montserrat, nome dado por Cristóvão Colombo em 1493, em tributo ao Mosteiro de Santa Maria de Montserrat, em Barcelona (Espanha), é uma minúscula e longínqua ilhota, situada na confluência do Oceano Atlântico e do Mar das Caraíbas, ao leste das Antilhas (West Indies). A terra firme mais próxima é a Venezuela. Com apenas 102 Km2 e uns 11 mil habitantes, a ilha de Montserrat era tida como a "esmeralda das Caraíbas", destino turístico de abastados. Águas cristalinas, o verde como tapete da terra, vegetação luxuriante, língua inglesa (a ilha ainda é um  território dependente britânico), a maior concentração mundial de campos de golfe por metro quadrado, cascatas deslumbrantes, praias de areia fina e branca e águas tépidas faziam a delícia dos visitantes, ideal para cidadãos britânicos bem posicionados na vida.

 George Martin apaixonou-se pela ilha em 1977. Além da beleza, encontrou nela a paz de espírito suficiente para a criatividade da música. Escassos dois anos depois concluiu, num local idílico, os AIR Studios, os mais modernos e sofisticados de então. Pelos estúdios passaram dos maiores "monstros sagrados" da história do rock, como Paul McCartney, Rolling Stones, Eric Clapton, Dire Straits, Elton John, Stevie Wonder, Police, Ultravox, Lou Reed e tantos outros, que usufruíram das excelentes condições técnicas e ambientais para a produção de canções que ainda hoje perduram na memória. Os estúdios viraram uma atração turística e o maior produto de exportação da ilha, suplantando o algodão do tipo Sea Island. O povo não esqueceu e tratava-o, como ainda o trata hoje, por Saint George.

Mas o sonho coletivo de George Martin, dos músicos e do povo de Montserrat só durou 10 anos. Em 1989, o furacão Hugo destruiu parcialmente a ilha e com ela os estudios modelares, obrigando a sua deslocalização para Londres, onde permanece. Não foi esse o único desastre da ilha. Tivesse George Martin ficado e provavelmente não teria escapado às múltiplas erupções do vulcão Soufriére, o maior do mundo em atividade, que se iniciaram em 1995 e duram até hoje. A última grande ocorrência registrou-se em 12 de julho de 2006. Vistos do observatório vulcânico, os estúdios de George Martin são um soco no estômago. Situados na base to vulcão, não muito longe do que foi um espetacular campo de golfe e uma praia de areia branca, o complexo é um fantasma indesejado do passado.

"Ainda na semana passada, tudo isto era verde", dizia-me um guia, apontando para o manto cinzento que cobre os estúdios, do vulcão ao mar. "Tudo é muito triste". E não é para menos. A atividade do vulcão diminuiu para menos da metade a população da ilha, obrigada a fugir, destruiu a capital, Plymouth, e seu aeroporto, fechou ao mundo dois terços do seu território. Os estúdios de George Martin situam-se na zona interditada aos olhares. Só de longe se pode enxergar. A ilha tornou-se verde e cinzenta, coberta pelas cinzas das erupções, e os habitantes e turistas são obrigados a usar máscaras. Mas o povo de Montserrat não desiste de lutar pela chegada de novos Georges Martins. Ostenta orgulhosamente tshirts com os dizeres "I'm Proud Montserraneant", mas até o novo campo de futebol, ainda por concluir, a mais recente "jóia da coroa" da ilha, foi parcialmente destruído em junho.

Um dos que não desiste é George Martin. Empenha o seu nome e reputação na organização de eventos que possam devolver o sorriso aos rostos dos orgulhosos habitantes da ilha. Logo em 1989, imediatamente a seguir ao furacão, George Martin pôs de pé um álbum de solidariedade, After The Hurricane - Songs From Montserrat, com nomes e canções gravadas na ilha, das quais destaco "Fancy Man Blues" (Rolling Stones), Ebony and Evory (Paul McCartney e Stevie Wonder), "Why Worry" (Dire Straits), "Invisible Sun" (Police), "I Guess That's Why They Call It The Blues" (Elton John) e "New Moon On Monday" (Duran Duran). Em 1997, depois das erupções, reuniu no Royal Albert Hall, de Londres, um super-concerto com Paul McCartney, Mark Knopfler, Elton John, Sting e Eric Clapton, ex-clientes de Montserrat.

Todos os proveitos foram para a ilha. Mais recentemente, o antigo produtor dos Beatles leiloou, com a ajuda de Paul McCartney, 500 litografias de "Yesterday", angariando fundos para a construção de um Centro Cultural em Montserrat. A ilha de Montserrat está moribunda, mas ainda não está morta. Enquanto houver Georges Martins, o povo de Montserrat pode olhar para o futuro com algum otimismo. Mas não é tarefa fácil. Quase nada está de pé. Ainda hoje, mês e meio depois da minha primeira visita à ilha, ao consultar as minhas notas, os dedos das mãos ficaram cobertos por um pó finíssimo. É triste.

Por Luís Pinheiro de Almeida

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Entrevista: Aramis Barros, da banda Os Canibais

Além de atuar na garage band pioneira, Os Canibais, Aramis Barros também está investindo na criação do The Cavern Brasil.

Vocês iniciaram com um compacto com duas músicas dos Beatles. Você pode falar sobre a influência deles na sua vida?
Eu devo tudo na minha vida profissional aos Beatles. Nós entramos na música há cerca de 40 anos atrás por causa deles e seguimos trabalhando posteriormente nesta carreira.

Por volta de 63/64, a gente aqui ainda não sabia muito sobre o que já estava acontecendo na Europa. Nós já curtíamos rock e guitarras, mas os Beatles ainda estavam entrando nos EEUU e ainda não tínhamos acesso aos lançamentos europeus, que vinham através dos EEUU... Nós gostávamos da música instrumental dos Ventures, Shadows, Duane Eddy e aqui no Brasil: The Jet Blacks, The Jordans e The Clevers (Os Incríveis). Claro que já curtíamos Neil Sedaka, Paul Anka, Bill Haley, Chuck Berry, Little Richard, Elvis, April Stevens etc... mas aquilo pra nós já estava ficando meio “careta”, muito “lamê”...

Aí aparece uma reportagem no Globo de quatro caras que estavam arrebentando na Europa e invadindo os EEUU... foi a gota d'água! Nós vimos que uma banda alem de tocar guitarras, podia cantar, vocalizar, compor, vestir roupas mais interessantes, cabelos grandes, botas... foi tudo! “I Want To Hold Your Hand” pegou a minha geração pelos ouvidos, olhos, mente e coração! Durante aqueles anos, tocamos todos (todos mesmo!) sucessos dos Beatles. Era o Big Boy lançar na rádio Mundial e a gente gravar em cassete antes mesmo do disco ser lançado... Depois era aquela correria nas lojas!

Nunca mais me afastei da música desde então e carrego comigo o apuro técnico e musical que aprendemos ouvindo atentamente tudo o que eles lançavam, para poder tocar cada novo sucesso que aparecia. Como começamos a gravar os nossos próprios discos, acabei aprendendo os segredos das técnicas de gravação e produção artística, que nortearam minha carreira profissional.

O LP Sgt. Pepper está completando 40 anos. Você se lembra de como o descobriu o qual a sua impressão sobre ele?
Veja bem: nós não podemos dizer que “descobrimos” este LP, porque nós simplesmente vivemos cada lançamento dêles. Mas a coisa era bem mais lenta do que hoje.
Primeiro correu o boato que eles iam acabar. Mais tarde a notícia era de que eles estavam insatisfeitos com os equipamentos de palco que já não atendiam os seus shows devido à grande quantidade de fãs que gritavam o tempo todo abafando tudo o que eles tocavam ou falavam. Ainda nesta época corria o boato também da morte do Paul.

De repente o Big Boy, que tinha um dia que era só de Beatles, acaba mostrando alguma coisa. Se não me engano “Sgt Peppers” e “With a Little Help From My Friends”. QUE QUE É ISSO??? E a gente nem tinha visto ainda o trabalho de arte da capa.

Claro que quando o LP chegou às lojas, eu fui um dos primeiros a comprar. Eu lembro que uma vez nos bastidores da TV Rio, antes do programa “A Festa do Bolinha” do Jair de Taumaturgo, durante os ensaios, Os Canibais e The Sunshines conversamos muito sobre o disco e ficamos ali curtindo tudo o que já estávamos tocando do Sgt Peppers. Detalhe: nesta época não tínhamos condições técnicas nem recursos para tocar com autenticidade algumas músicas deste disco. Mas tocávamos assim mesmo! Melotron, cordas e metais viravam órgão. E a gente se virava como podia para reproduzir aqueles sons de guitarras. Mal sabíamos nós que a intenção era essa mesma. Eles fizeram um disco que nem eles mesmos poderiam tocar ao vivo.

Outro detalhe interessante (alem da novidade das letras na arte e a magnífica foto da capa) foi o acirramento dos boatos a respeito do Paul com ele de costas no centro da capa e um trecho de gravação que foi colocado no final do lado B, próximo à etiqueta do disco que só tocava um pouquinho antes de o braço do toca discos levantar. Para ouvir, você tinha que desarmar o automático, colocar a”pick-up” em cima do trechinho e rodar manualmente o disco ao contrário! A gente ouvia qualquer coisa que parecia dizer que o Paul já estava morto.

Como pintou a idéia de criar uma filial do Cavern Club no Brasil?
Eu não criei esta filial. Na verdade eu fui convidado a participar como sócio do lançamento do RIO ROCK & BLUES CLUB no centro da cidade ainda no final do ano passado. Mas para a minha surpresa e satisfação, mais tarde o Dr. Carlos Chaves que é o detentor dos diretos da marca no Brasil, se juntou ao grupo com esta proposta de abrir o Cavern também.

Recentemente você anunciou um adiamento da inauguração do Cavern Club, talvez até mudança de endereço. Algum problema específico?
Por enquanto o Cavern ainda não muda de endereço. Devido a problemas com o projeto de adaptação do espaço e de gestão administrativa, acabamos demorando mais do que prevíamos para abrir agora. Nós estaremos iniciando as obras possivelmente na próxima semana e pretendemos inaugurar o Rio Rock em agosto. Se a obra for aprovada também pelo Cavern mantemos o projeto inicial, mas se não houver consenso, abrimos em outro local.

Além do nome "Cavern Club", que outras características dos anos 60 essa casa vai ter? Existe alguma decoração especial?
A casa não vai ter só uma característica de anos 60. Assim como o Cavern original, que revelou os Beatles e tantas outras bandas, nós pretendemos implementar um projeto de Escola do Rock e concursos de bandas de pop-rock e blues da nova geração também. Assim como já era a característica do Rio Rock na sua antiga sede da Barra da Tijuca. Também vamos oferecer palestras sobre o mundo do rock, exibições de vídeos e exposições da artistas plásticos sempre sobre o assunto pop-rock e blues de todas as gerações. A decoração reproduz as paredes de tijolos do Cavern original e o espaço será temático, com imagens, documentos, instrumentos, etc. (tipo Hard Rock).

Os Canibais sempre tiveram um som mais underground, mais roqueiro, do que a maioria dos artistas da Jovem Guarda. Você a considera como uma "banda da Jovem Guarda"?
Realmente nós vivemos um universo quase que paralelo à Jovem Guarda. Assim como Os Canibais, a Bolha, Sunshines, B. Bitles, Baobás, Beatnicks, Os Aranhas, Os Santos etc... se apresentavam nos programas da Jovem Guarda que eram os meios que tínhamos para chegar ao nosso público, mas nós não ficávamos presos a este esquema. Tanto nas TVs quanto ao vivo, a gente sempre acabava tocando o que gostávamos e que a nossa geração mais curtia. Ao vivo então, nos palcos dos clubes e casas de show o “buraco” era mais embaixo. Até inclusive realizamos o trabalho do BANGO em 70, que saiu completamente dos arranjos e melodias açucaradas da época.

Depois de muitos anos, os Canibais voltaram e estão mais ativos do que nunca. Qual a influência da Internet, principalmente do Orkut nisso?
Bem, nós fizemos um lançamento quase que caseiro. Não usamos de nenhum recurso de “marketing” das majors para a nossa divulgação e por isso o Orkut e a Internet tem sido de grande ajuda sim. Esta semana inclusive consegui abrir o nosso site: www.oscanibais.com.br Tem tudo lá: história, release, discografia, fotos, contatos...

Além dos Canibais (claro!), que outros artistas deverão se apresentar no espaço? Você tem uma agenda de eventos idealizada?
Ainda não existe uma previsão da agenda. Mas com certeza os covers dos Beatles e anos 60 de maneira geral, artistas e bandas novas com repertório próprio...

Além dos músicos dos Canibais, vocês sempre foram ligados à indústria fonográfica e às gravadoras. Como você analisa o avanço da pirataria? O que fazer para combatê-la?
É... não tomaram os devidos cuidados no início e agora não tem muito o que fazer. Se você pensar que tem de tudo pirata (remédios, ônibus, artigos eletrônicos, roupas, tênis, sapatos, gasolina...), fica realmente difícil de ser ver alguma luz no fim do túnel. As condições socioeconômicas da população aliadas aos preços exorbitantes de alguns lançamentos acabaram por disseminar esta cultura de não precisar comprar um CD, muitas vezes por causa de apenas um sucesso. Pode ser que no futuro haja uma volta ao princípio, quando o artista não lançava um Lp inteiro logo. Eram lançados vários compactos simples com apenas duas músicas, que eram divulgados um de cada vez durante certo período e só depois se juntavam estes lançamentos num único LP. Pode ser um caminho divulgar uma música na Internet através dos sites, até justificar o download de truetones ou posteriormente o lançamento do CD cheio.

Como está sendo aceito o disco novo, "A máquina do tempo"? Quais os planos para o futuro dos Canibais?
Temos um carinho muito especial com este trabalho porque ele significa não só a nossa volta, como também a confirmação de um longo caminho de uma grande amizade entre todos nós. O Cd tem sido muito bem aceito e temos recebido altos elogios, não só de radialistas e críticos como também do público de várias gerações. Tem sempre aquela sensação de surpresa pela jovialidade que conseguimos imprimir às nossas interpretações. Acho que conseguimos verdadeiramente a essência da idéia de “Vintage”, que foi reproduzir algo de 40 anos atrás com uma sonoridade convincente para os nossos dias. Apesar da originalidade dos arranjos mais atuais, não deixamos escapar o “clima” da nossa época. Agora nossos planos estão mais ousados. Temos várias composições prontas e planos de regravações de alguns sucessos de outras bandas nacionais que marcaram época.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

A Northern Songs

Pouco se sabe sobre os direitos autorais das músicas dos Beatles. Esclareça a maioria das suas dúvidas sobre os verdadeiros proprietários das músicas criadas pelos Beatles.

Esta matéria é baseada em documentos oficiais coletados em cartórios e por outras fontes ligadas ao assunto. É importante ressaltar que se trata apenas de uma pesquisa histórica e para realizá-la foi deixado de lado todas as fábulas cridas através do tempo sobre os assuntos abordados nessa matéria. Por se tratar de um assunto extremante polêmico entre os fãs dos Beatles e com muita pouca coisa escrita sobre o assunto da Criação da Editora das músicas dos Beatles e da sua posterior compra (incluindo os direitos autorais das músicas dos Beatles).

Nota: As fontes usadas para a formação desse artigo são idôneas e conseguidas de forma totalmente legal.


Visão Geral

Nome legal: Northerm Songs Ltd.
Escritório central até 1985: Londres, Inglaterra. Hoje localizado em Nassau, nas Bahamas.
Capital até 1985: Aberto (A empresa emite ações para sócios).
Hoje: Fechado (Devido a centralização da maioria do seu capital, cerca de 70%, na mão de um único dono)


Era Beatles

Criada em fevereiro 1963 com os diretores Brian Epstein e Dick James, a Northern tinha um capital de inicial de cem libras em ações de uma libra cada. Estas ações foram divididas em partes. 49 delas sendo de Dick James, 20 de Lennon, 20 de McCartney e os 11 restantes pertenciam às empresas NEMS. A companhia foi reestruturada antes de fevereiro 1965. Depois disso Lennon e McCartney recebiam cada um £ 94.270 por ação e perdendo 15% delas. Os 15% restantes foram vendidos na bolsa de valores. A empresa assim se tornou de capital aberto e durante a reestruturação, as ações tinham um valor de 7.500.000 em 2% do valor de face. Isto deu à companhia um valor de 2.718.750 libras.

Então o controle da empresa era o seguinte: John e Paul tinham 15%, Dick James com 7%, sua família com 15%, Emmanuel Charles, presidente da Northerm com 15%, as empresas NEMS com 7% e George e Ringo com apenas 1,6% das ações (o restante de sócios minoritários). Esse arranjo se manteve até 1973. Dick James sempre ganhava 10% sobre a renda bruta da empresa como taxa de gerência.

Foram criadas empresas filiais para administrar os direitos autorais aonde a lei era diferente da lei do Reino Unido, com contratos exclusivos entre a Maclen Music Ltd. (Empresa que representava os Beatles legalmente) e as "filiais" da Northerm. Isso ocorria em certos países como EUA, Canadá, México e Filipinas. Havia também outros contratos com companhias na França e Austrália. O núcleo do relacionamento entre Maclen e o a Northerm é o fato que a Maclen atribuiu o copyright das canções à Northern, que retornava os pagamentos dos royalties. John e Paul recebiam os direitos, mas eles não mantiveram o controle sobre as ações. O que provocou a perda total do controle da empresa e também dos direitos autorais sobre as músicas da mesma.

Quando Allen Klein assumiu os negócios dos Beatles, Dick James vendeu suas ações para Lew Classe e a ATV Music por 35% do valor de face. Quando a oferta foi feita, Dick James visitou Lennon e McCartney na casa de Paul para explicar sua situação. Ambos ficaram irritados com o fato e consideravam o negocio um absurdo, então os dois ofertaram um valor alto oferecido pela a Northerm que era de 42/6d por ação. Mais os investidores majoritários preferiam o negócio com a ATV. Quando foi realizado o negocio, John prendeu 650.000 ações, e Paul prendeu 750.000 [a diferença ficou com Cynthia por causa do seu divorcio com o John. John e Paul obtiveram um lucro líquido de mais de 1.000.000 de libras do negócio].

Embora a imprensa divulgasse que este era o fim do controle de Beatles sobre suas próprias canções, tem-se que recordar que a Northerm era nada mais do que o arrecadador para a Maclen, que continuaria a fornecer aos Beatles uma renda sobre as suas canções.

Durante os anos, havia um número de disputas e de ações judiciais que envolvem ATV e o Beatles. Entretanto, os dois tentaram estabelecer um relacionamento, até certo ponto que Lennon e McCartney assinaram contratos de solo com a ATV através de suas companhias respectivas. Com isso eles obtiveram o controle sobre a ATV, que se transformou em uma subsidiária da Associated Communications Corporation, que era própria o assunto de uma batalha que já estava na última instância. Mudando o controle da ATV para Robert Holmes A'Court, que vendeu então a ATV a Michael Jackson.

Os originais da época mostram que Jackson arranjou um empréstimo de $30.000.000 USD do Chemical Bank para facilitar a compra antes de transferir a Northerm para Nassau nos Bahamas (Local conhecido até hoje como um paraíso fiscal), onde dois banqueiros facilitaram a transferência. O grupo inteiro da ATV foi comprado. Não há nenhuma documentação que mostra o valor total pago, embora os relatórios de imprensa indiquem que foram 34.000.000 libras.

Os anuários aos clientes da companhia arquivados nos anos antes do takeover de Jackson dão o balanço anual dos lucros da Northerm Songs Ltd.:

1978. £ 2,637,161.
1979. £ 2,953,206.
1980. £ 2,305,089.
1981. £ 2,278,017.
1982. £ 2,920,039.
1983. £ 3,358,455.
1984. £ 2,081,833.
1985. £ 942,010.

No período antes da compra de Michael Jackson a Northerm Songs Ltd., não explicava de onde vinha a sua renda. Isto não acontecia quando a Northerm era meramente uma subsidiária da ATV. Os dados abaixo se referem apenas o que era recolhido pela as músicas dos Beatles no período de quinze meses até 30/06/83.

UK Mechanical. £ 647,886.
UK Performance. £ 199,901.
UK Lyric. £ 1,144.
UK Sheet Music. £ 176,028.

Mechanical relaciona-se à renda das companhias BRITÂNICAS da gravação, para gravações de Beatles das canções escritas por membros do grupo, ou de versões de outros artistas. O Performace relaciona-se a pagamentos feitos apenas pela execução das músicas. Os Beatles são incapazes de resolver o caso devido à complexidade do caso.

O ponto chave aqui é que os Beatles atribuíram seus direitos de publicação a Northern Songs. Assim eles ganhavam 90% de tudo que era arrecadado.

Quando, Jackson comprou a Northern acabou adquirido a maioria dos direitos de publicação das canções do Beatles. Fora quatro canções dos dois primeiros discos da banda. Que foram publicadas antes da formação de Northern. Essas canções hoje pertencem a MPL de McCartney.

As canções de George Harrison e do Ringo Starr também estão fora do controle da Northern Songs, porque o contrato de ambos com a Northern expirou em 1968. E Não foi renovado por divergências nas negociações.


Era pós Beatles

Desde a compra, Jackson embolsa grande parte dos lucros e se recusa a vendê-los de volta. Há diversas ações na justiça sobre esse caso. Apesar de que não se tem mais acesso a como se encontra a real situação da empresa.

Devo mencionar que a Sony Corp. Teria pagado a Michael Jackson $95 milhões em 1995 para fundir ATV com a Sony. Da fusão resultou a Sony/ATV que controlava Northern até o inicio de 2004.

Em janeiro desse ano Jackson teve que vender mais uma pequena parte a Sony. Para ostentar "seu modo de vida excêntrico" (foi publicado nessas palavras em diversas fontes na imprensa). Assim se chega à conclusão que a gravadora Sony detem mais da metade dos direitos autorais das músicas dos Beatles.

Os preços cobrados pelas canções são extremamente abusivos. O que leva a um segundo ponto chave na questão. A visão do capitalista explorador que é tido como o "dono" da empresa. Embora os donos da Northern recebem os royalties gerados por canções dos Beatles em virtude de sua posse dos direitos autorais, Paul McCartney e John Lennon recebem sempre à parte de compositores que é 50% dos royalties para todas as canções de Lennon-McCartney.

A empresa dos Beatles conhecida como Apple Records controla os direitos de imagem e também a venda de material promocional da banda, o que gera mais dinheiro com o nome "The Beatles". No caso das gravações elas pertencem a EMI, que também paga aos Beatles pela execução das músicas.

Desde da época da compra a Northerm a forma de administração da empresa é bem interessante financeiramente para Jackson. Por exemplo, quando Paul fez a sua excursão em 1989 ele queria imprimir as letras de músicas como "Eleanor Rigby" no roteiro dos shows. Descobriu que teria que pagar uma taxa a Michael Jackson, porque ele era o proprietário dos direitos de publicação e execução.


O que a Northern não pode fazer

Há umas coisas que a Northerm pode e não pode fazer de maneira alguma. Ela não pode interferir no lançamento de CDs ou regravações feitas nos EUA. Isso tem a ver com as licenças de gravação dos Beatles. Há um caso bem interessante, onde Michael Jackson concordou em licenciar letra da música "Revolution" para um comercial da Nike em 1987, mas a Capitol não permitiu que a gravação original fosse utilizada.

Uma outra coisa que a editora não pode fazer (nos ESTADOS UNIDOS, ao menos) é impedir que alguém grave uma versão de alguma música que ela possui. A única função da editora é controlar os royalties pela regravação. Entretanto, se as negociações falharem, a lei dos EUA permite que o artista introduza a gravação no mercado, pagando um royalty estipulado (geralmente bem alto quando o assunto é Beatles) à editora. O que mostra que a Northerm não tem total controle sobre as músicas do seu catálogo.


Conclusão

O processo de dissolução e de compra da ATV está sendo contestado na justiça Britânica. Ele está sendo movido por as empresas que eram a holding da ATV antes de 1985. Este processo ocorre sobre regime de segredo de justiça. E poderá definir o futuro da Northerm, pois se for decidido que a compra se deu de forma fraudulenta a empresa volta a pertencer aos antigos acionistas.

Não existe um culpado sobre o a situação tão complicada dos direitos autorais das músicas dos Beatles. O que houve foram erros consecutivos na administração deles. E um oportunismo cometido por um dos controladores dos direitos autorais.

No meio disso tudo quem sempre leva a pior são os fãs dos Beatles, pois eles ficam como reféns do jogo capitalista que envolve toda a confusão causada pelo caso. E como sabemos a ética é uma palavra que não existe quando falamos em dinheiro. E de algo que rende milhões por ano totalmente sem transparência ou fiscalização de órgãos competentes para o assunto.

Por Marcos Augusto Fernandes

terça-feira, 5 de outubro de 2004

DVD: The Beatles no Ed Sullivan Shows

Existe no mercado (por ora somente via importação) uma jóia preciosa da alta tecnologia: um DVD duplo contendo simplesmente os quatro programas do lendário animador Ed Sullivan – pai do formato de quase todos os programas de auditório que conhecemos – com as históricas performances ao vivo dos Beatles. Certo que o material já circulava na pirataria há algum tempo. Primeiramente em VHS, e mais recentemente em DVD-R. Mas o DVD duplo disponível oficialmente para qualquer mortal comum vai além de tudo o que temos. Em 240 minutos, lá estão os programas que Ed Sullivan apresentou nos dias 9 de fevereiro de 64, 16 de fevereiro de 64, 23 de fevereiro de 64 e 12 de setembro de 65 na íntegra! Íntegra mesmo, já que foram incluídos os comerciais, as variadíssimas e até exóticas atrações do programa – mágicos, palhaços, dançarinos, cantores que jamais fariam sucesso, etc e etc. Para americano ver.

Foi em meio à esse mix que os Beatles resultaram escalados para aparecer pela primeira vez em larga escala na América bairrista e aparentemente pouco interessada no barulho do rock and roll produzido pelos jovens ingleses de então. A estratégia de marketing de Brian Epstein previa apresentações em teatros como o Carneggie Hall e até numa arena de boxe como o Coliseu de Washington. O que efetivamente aconteceu. Os irmãos Maysles foram especialmente contratados para filmar toda a passagem dos Beatles pela América, como se alguém soubesse que eles estavam mesmo fadados à consagração mundial Só que nada seria comparável à possibilidade de aparecer ao vivo na TV CBS, no programa de maior audiência dos Estados Unidos, o Show de Ed Sullivan na noite de domingo.

Os Fabs foram assistidos por uma colossal audiência de 73 milhões de pessoas. Pode-se dizer sem exagero que ali a Beatlemania nascia de fato porque agigantava-se para o mundo, rompendo de vez as fileiras do Reino Unido e de meia dúzia de países europeus. Pois este programa, onde os Beatles inicialmente apresentam três números na primeira hora, e mais três na segunda hora do show, está integralmente disponibilizado em DVD, com imagem restaurada e som distribuído para os sistemas Dolby 5.1 e DTS. O máximo. Esqueça material similar. A masterização leva o produto a apresentar-se ainda mais nítido que no documentário The First US Visit. O mesmo ocorre com as edições dos dias 16 e 23 de fevereiro de 64. E com o programa gravado no dia 14 de agosto de 65, exibido no dia 12 de setembro daquele ano.

LANÇAMENTO OCORRE QUASE NA MARRA

George Martin tem razão quando comenta que os contratos assinados por Brian Epstein em favor dos Beatles eram risíveis. A banda foi paga pela produção de Ed Sullivan para apresentar-se. E perdeu o direito à própria imagem divulgada no programa justamente por conta disso! Para completar, o material que hoje aparece integralmente neste DVD duplo não pertence à Apple ou a EMI, mas à empresa do cineasta Andrew Solt.

Aquele que produziu o filme Imagine, de John Lennon. Certo que nos créditos do DVD temos agradecimentos ao senhor Neil Aspinall, mas no final das contas a decisão de lançamento foi mesmo do staff de Andrew Solt e gerou polêmica até mesmo com sites como a Amazon (obrigados a retirar por duas vezes o item de seu catálogo) e até com patrocinadores como os da pomada Anacin (histórico anunciante de Ed Sullivan) pelo uso da marca sem licença na edição em DVD. Com tudo superado (aparentemente) o item passou a ser vendido em larga escala através do site www.edsullivan.com.

OS QUATRO PROGRAMAS TRACK BY TRACK

February 9, 1964 Show
1. Ed's Opening
2. THE BEATLES - All My Loving
3. THE BEATLES - Til There Was You
4. THE BEATLES - She Loves You
5. FRED KAPS – Card and Salt Shaker Trick
6. THE CAST OF "OLIVER" - I'll Do Anything For You
7. GEORGIA BROWN ("OLIVER") - As Long As He Needs Me
8. FRANK GORSHIN - Comedian /Impressionist
9. TERRY McDERMOTT - Olympic Athlete
10. TESSIE O'SHEA - Medley of favorite show tunes
11. McCALL & BRILL - Comedy / Office Sketch
12. THE BEATLES - I Saw Her Standing There
13. THE BEATLES - I Want To Hold Your Hand
14. WELLS & THE FOUR FAYS – Acrobatic Physical Comedy
Comentário:
George Harrison subiu ao palco às custas de muito remédio por conta da tremenda gripe com a qual desembarcou na América. Não participou da passagem de som e sequer do teste de palco para as câmeras (fotos históricas mostram Neil Aspinall em seu lugar). Quando os Beatles tocam Till There Was You e John Lennon é enquadrado, aparece a legenda histórica: "sorry girls – he´s married". Curiosidades: integrando uma atração chamada Cast For Oliver, um jovem chamado Davy Jones – aquele dos Monkees em sua fase pré-banda. A platéia que assistiu os Beatles no estúdio da CBS foi de 728 pessoas. No dia 8 de fevereiro eles realizaram os primeiros ensaios.

February 16, 1964 Show

1. THE BEATLES - She Loves You
2. THE BEATLES - This Boy
3. THE BEATLES - All My Loving
4. SONNY LISTON - Heavyweight Champion/Audience Bow
5. JOE LOUIS - Former Heavyweight Champion/Audience Bow
6. ALLEN AND ROSSI – Boxing Skit
7. MITZI GAYNOR - It's Too Darn Hot
8. MITZI GAYNOR - Medley Of Hits
9. THE NERVELESS KNOCKS - Sway Pole Routine
10. MYRON COHEN - Complex Comedy Bits
11. THE BEATLES - I Saw Her Standing There
12. THE BEATLES - From Me To You
13. THE BEATLES - I Want To Hold Your Hand
14. THE VALANTI'S - Comedic Unicyclists
Comentário:
Esta apresentação aconteceu em Miami, no Deauville Hotel, e para lá todo o staff do programa se transferiu. Há um excesso de luz no palco, e é possível notar um certo desconforto de Ringo Starr por conta disso. Os microfones disponibilizados para John e Paul são colocados excessivamente baixos, fato que atrapalha os vocais. O show, todavia, é arrasador, com destaque para a impecável interpretação de This Boy. E o backing vocal de John Lennon em I Saw Her Standing There, bem mais alto que a voz principal de Paul. Curiosidades: dois dos grandes pugilistas da história do boxe assistem o evento da platéia, e são citados por Ed Sullivan – Sonny Liston e Joe Louis. 3.500 pessoas formaram a platéia que assistiu os Beatles no cenário montado no Deauville Hotel. Ensaios extensivos foram realizados nos dois dias anteriores à apresentação.

February 23, 1964 Show

1. ED'S Opening
2. THE BEATLES - Twist & Shout
3. THE BEATLES - Please Please Me
4. GLORIA BLEEZARDE - Safety In Numbers
5. PINKY & PERKY - Caterpillar & Crow Routine
6. PINKY & PERKY - Dog & Cow Routine
7. MORECAMBE & WISE - Louis XIV Sketch
8. ACKER BILK - Acker's Lacquer
9. GORDON & SHEILA MACRAE - Take Off On The Garry Moore Show
10. DAVE BARRY - STAND-UP Re: His Daughter's Marriage
11. CAB CALLOWAY - St. James Infirmary
12. CAB CALLOWAY - Old Man River
13. MORTY GUNTY - COMEDY Stand-Up
14. THE BEATLES - I Want To Hold Your Hand
Comentário:
Neste programa os Beatles se apresentaram em formato pré-gravado. A gravação foi feita na tarde de sua estréia no Ed Sullivan Show, dia nove de fevereiro. Cenários diferentes foram providenciados especialmente para a ocasião. Eles iniciam com Twist and Shout e Please Please Me. E fecham o programa com I Want to Hold Your Hand. Um dos destaques – além da dupla de humoristas ingleses Morecambe and Wise - é Cab Calloway, um ídolo de George Harrison. Uma composição dele, Between the Devil and a Deep Blue Sea seria gravada por George muitos anos mais tarde, no CD Brainwashed.

September 12, 1965 Show

1. ED's Opening
2. SOUPY SALES - Reminisces With Ed
3. CILLA BLACK - September In The Rain
4. FANTASIO - Slight-Of-Hand Artist
5. THE BEATLES - I Feel Fine
6. THE BEATLES - I'm Down
7. THE BEATLES - Act Naturally
8. ALLEN & ROSSI - Try To Remember
9. CILLA BLACK - Goin' Out Of My Head
10. SOUPY SALES - The Mouse
11. THE BEATLES - Ticket To Ride
12. THE BEATLES – Yesterday
13. THE BEATLES - Help!
Comentário:
Esta performance foi a última dos Beatles tocando ao vivo no Ed Sullivan Show, mas também foi ao ar em formato pré-gravado. Eles estavam nos EUA para a consagradora turnê de 65. Um dia antes da histórica apresentação no Shea Stadium (15/08), eles foram para o estúdio 50 da CBS pela manhã e iniciaram os ensaios para o programa. O trabalho foi presenciado por platéia de 700 pessoas. A gravação teve início às oito e meia da noite daquele dia 14 de agosto, mas só seria exibida no dia 12 de setembro. Entre as atrações, um mágico tradicional chamado FANTASIO. E, definitivamente, a performance curiosa de uma "cria" do empresário Brian Epstein, a cantora Cilla Black interpretando September in the Rain, música que os Beatles gravaram nas sessões para a gravadora Decca. Nesta clássica apresentação porém, John, Paul, George e Ringo estão indubitavelmente no auge. Em Act Naturally temos George Harrison arrasando no arranjo country and western de sua guitarra. John Lennon toca I'm Down no teclado e usando os cotovelos. E a versão de Ticket to Ride é diferente, com introdução maior, e sem a repetição do refrão. Não há como não destacar também Yesterday, onde os Beatles simplesmente deixam o palco para que Paul McCartney tenha seu momento-solo. Na bagagem – para essa apresentação – eles levaram uma fita contendo o playback de três violinos. Paul cantou e acompanhou-se ao violão enquanto a fita era executada. Esse violão aliás, é o mesmo que Macca tem utilizado em suas turnês atual para interpretar Yesterday. Na hora em que sobem os créditos, durante o encerramento do programa, é repetida a interpretação de Help.

RAZÕES PARA NÃO JOGAR FORA SUA GRAVAÇÃO PIRATA DO ED SULLIVAN SHOW

O DVD duplo não inviabiliza a cópia que ora circula em DVD-R e VHS desse mesmo material e por algumas boas razões. Como não há extras no lançamento oficial, é justamente no pirata que encontramos um pouco mais de material. A saber...

· DRESS REHEARSAL: somente na pirataria é possível ver o dress rehearsal completo e realizado poucas horas antes do programa ao vivo que foi realizado em Miami, no Deauville Hotel, dia 16 de fevereiro. Eles tocam as mesmas seis canções que executaram no programa, porém é impagável o profissionalismo desse ensaio que envolveu toda a produção e o próprio apresentador Ed Sullivan. Embora sua imagem não seja das melhores, é um documento raro e que bem poderia ter vindo como extra de luxo deste lançamento oficial.

· OUTRAS PERFORMANCES: de 66 a 70, os Beatles somente apareceram no Ed Sullivan Show através dos avós dos videoclipes, ou seja, os promos. Estes circulam na pirataria! Entre eles: Papperback Writer, Rain, Hello Goodbye, Let it Be e outros. Detalhe: Ed Sullivan anuncia cada um dos promos.

Por Cláudio Teran