domingo, 20 de outubro de 2002

Entrevista: Luiz Lennon (Beatles Cavern Club)

O paulista Luiz Antônio da Silva é o fundador do Beatles Cavern Club, o mais antigo fã-clube brasileiro ainda em atividade. Aos 49 anos, continua em plena atividade na beatlemania, promovendo sempre eventos e shows com entrada gratuita na capital paulista. Confira um papo com Luiz Lennon sobre Beatles, Beatlemania, George no Brasil, histórias interessantes, folclores, entre outras coisas.

Há quanto tempo existe o Cavern Club, por que e como foi criado?
O BBC foi imaginado em 1.976 após a morte de Newton Duarte, o BIG BOY, um grande cara e uma pessoa que todos nós sonhamos em ser um dia. Ele era fera e após a sua morte criamos o Cavern Club, que sempre visou reunir pessoas, agitar grandes festas e divulgar Beatles. Foi isso que eu sempre fiz, a família sempre ficou em segundo plano, o meu amor à causa beatle sempre foi maior que tudo e continua sendo, pois em 24 anos já realizamos mais de 40 shows em praças públicas sempre com as melhores bandas cover de cada época. Só na Praça de República (centro de SP) realizamos uns 20, sempre de graça. Como Beatles passa de pai para filho, queremos que o Cavern Club consiga o mesmo.
Um dos primeiros sócios do fã-clube foi o conhecido Marco Antonio Mallagoli, que inclusive fazia parte da diretoria, até partir para criar seu próprio clube. Quando aconteceu o rompimento entre vocês e como?
Quando o Mallagoli foi à minha casa querendo saber como ser sócio e participar, o Cavern Club já era conhecido e com muitos sócios e colaboradores. Ficamos unidos durante 1 ano, mais ou menos. Depois, houve um rompimento e cada um foi para um lado. Ele acabou tendo a sorte e o mérito de conhecer o Lennon pessoalmente. Outras coisas só posso dizer que é folclore.

O que exatamente voce diz que é folclore?
Eu considero o Marco Antonio Mallagolli um grande meninâo. Como fã a gente sempre comete exageros e tenho certeza que o que foi publicado dizendo que o john vinha ao Brasil assistir Carnaval e que mandou disco de ouro um pouco de folclore, um pequeno exagero.

Sobre o rompimento só posso dizer que ele não podia ver uma câmera de TV que ficava todo afobado e logicamente gerou ciúmes, pois o pai da idéia era eu, aí então foi um para cada lado e boa sorte aos dois, né? Ficou alguma mágoa de fã pois quando a gente só pensava nos Beatles, o fã clube era muito forte e com o rompimento os dois saíram perdendo. Ele jogava as pessoas contra mim. Lembra-se daquela estória de colocar uma marca de giz no châo? Ele se considerava o quinto beatle, só ele sabia das coisas e vice e versa, porém eu tinha a certeza que as coisas não eram do jeito que ele mostrava. Tem histórias folclóricas para muitos anos, quem sabe um dia, nas minhas memórias?

Você poderia dizer que hoje são amigos novamente?
Foram 14 anos de rompimento e graças ao Jayme Marques, um grande cara, que vivia pegando no pé dos dois, hoje nos falamos novamente e a vida continua.

Os fãs dos Beatles sempre sonharam com uma reunião da banda. E os fãs paulistas, eles podem sonhar com uma união Cavern-Revolution?
De 1.995 para cá eu deixei a polêmica de lado e passei a frequentar e me aproximar mais dos fãs que adoram o Mallagolli e consegui fazer boas amizades. Tem aqueles que acham que só existe o Revolution e evitam bater papo com a gente, mas eu não ligo. Não deveria ser assim, mas tudo bem. Às vezes eu penso comigo: preciso trabalhar mais e tentar sempre fazer coisas legais para que vejam que eu sou boa pessoa.

Você não respondeu: Revolution e Cavern Club podem se unir novamente?
Acredito que pelos fã de hoje não haveria nenhum problema, já pensei em realizar grandes eventos e o Marcos já se prontificou a tocar com a sua banda, mas seria legal nós dois pensando somente em Beatles em um palco, apresentando umas 20 bandas, que tal?

Qual o seu momento máximo como beatlemaníaco?
Graças a Deus foram vários: quando estivemos com o George; quando estivemos com o Paul graças a Claudia Tapety de Recife; quando fui a LONDRES e LIVERPOOL em 95; quando fui convidado a participar do projeto "o artista por ele mesmo" da editora Martin Claret (sp), procurei convence-los que seria fundamental termos um livro sobre os Beatles em catálogo em português e outro sobre o PAUL. Neste momento eu contribui como fã e o fã brasileiro saiu ganhando com os dois volumes, vendidos nas bancas a 5 reais. Isso em 1993.

O nascimento de minha primeira filha cinthya lennon; especial de uma semana na TRANSAMERICA FM sobre os Beatles, em 79; o especial sobre John Lennon na TV Bandeirantes em 1980; conhecer a Cinthya Lennon e o Pete Best em 95; ter nascido a minha filha, Elizabeth Harrison em 2001.... existem ainda dezenas de fatos, mas os mais marcantes estão mencionados acima.

Você esteve com o George quando ele esteve aqui no Brasil em 1997?
Taí algo em que eu não acredito. Mais uma vez ocorreu algum exagero. Gostaria de ver fotos ou outros detalhes da presença dele incógnito em SP em1997 ou outra época. Sempre é bom termos a presença deles por aqui. Cadê o RINGO?

Com muito atraso finalmente o BCC lança o seu website. O que você espera da Internet?
Eu espero o principal, mostrar trabalho, competência, ter novos amigos e contribuir para a grandeza da Beatlemania no Brasil. Em outros países ela sempre foi forte e sempre será.

você irá comercializar beatle-material no site?
Sempre achei legal dividir o pouco que eu tenho com outros fãs, aliás é fundamental difundir a Beatlemania, e esta é uma das formas.

Como surgiu a idéia do website?
Eu tenho tentado criar uma página desde agosto de 2001, porém quem ia fazer a página prometia e depois nunca tinha tempo, até surgir o meu contato com um amigo de longa data o Jose Carlos Almeida (você conhece?).

Qual a sua opinião sobre a fabricação e venda de discos piratas no Brasil?
Uma grande idéia dos anos 80 foi a fabricação em SP de discos de vinil, o famoso bolachão, com gravações inéditas dos Beatles e das carreiras solo. Foram feitos uns 10 titulos diferentes, uma grande sacada para a época. Acredito que muitos de nós tenhamos em casa algum desses. A coisa chata é que foram vendidos como sendo discos importados e por um preço super caro para a época. Depois fizeram um oficial do Michael Jackson, Policia Federal descobriu tudo e deu um rolo danado. A porta da boa idéia se fechou, uma pena.

Você poderia citar algum título entre esses "falsos importados"?
Eu não lembro todos os titulos, mas eram... Complete to the king (Paul Mcartney), Abbey Road (capa dupla), tinha um com a trilha do filme Let It Be (duplo). O selo é branco com uma foto dos Beatles em preto e branco em volta da cadeira e a gravadora era uma tal "Manto Records".

Você produz alguma pirataria?
Inicialmente eu tenho somente transformado do formato vinil para o CD.

Sua família te acompanha nas aventuras do mundo beatlemaníaco?
Em festas sim, nas beatle-correrias não.

Se você pudesse escolher um só momento para reviver, escolheria o encontro com o Paul ou com o George?
Seu eu pudesse reviver, eu escolheria sem dúvida, o contacto com o George. Foi o primeiro, o mais díficil e pela beleza daquela época, onde os valores eram outros e muito mais importante do que hoje. A gente era mais feliz e não sabia.

Concluindo: fale-nos um pouco sobre o evento em homenagem ao George.
Todos os anos eu faço momentos como este, para a gente se reunir com a galera e através da boa musica relembrar e comemorar em grande estilo a presença em nossas vidas deste 4 rapazes de Liverpool, que nos mostraram uma maneira de ser felizes, tendo bons amigos a nossa volta e tendo o prazer de ser beatlemaníaco. Os preparativos e a ansiedade tomam conta da gente, pois vem muita gente de longe e precisamos ser bons hospitaleiros . Teremos 6 bandas ao vivo, sorteios e muitas surpresas. A Thais harrison [N do E: nossa colunista Calico Skies] e o Marcus Rampazzo irão roubar a cena pelo carisma que os dois têm. Ambos são bem tímidos... (risos)

Só pra lembrar:

Tributo a George Harrison
Acontece no dia 23 de fevereiro (sábado), a partir das 21:00h., no Hemisfério Sul Restaurante (Av. Ipiranga 958 - Centro - SP). Participação das bandas Acustic Beatles, Plastic Soul, Beatkids e Zoombeatles. Participação especial de Marcus Rampazzo (Beatles 4ever) e Calico Skies.

Entrevista: Vladimir Araújo

Um dos maiores especialistas em raridades dos Beatles no Brasil, o cearense Vladimir Araújo assina 3 colunas no nosso portal: POR DENTRO DA MAÇÃ (com análises de bootlegs, revistas e livros), THE BEATLES 30 DAYS (sobre a série de 18 CDs especiais) e THE BEATLES PROMO (sobre itens promocionais dos Beatles). Ele nos concedeu esta entrevista que é uma verdadeira aula sobre "Beatle Rarities", com tudo que o verdadeiro colecionador deve saber.
Uma pergunta que sempre me fazem: "o Vladimir possui mesmo todos aqueles lançamentos que comenta no portal?". E então, você tem mesmo tantos discos?
Veja bem. Quando tive a iniciativa de fazer uma coluna onde fossem comentados discos piratas e gravações alternativas dos Beatles, procurei firmar comigo mesmo um compromisso: jamais comentar um álbum sem que antes o ouvisse. Jamais falar sobre um livro sem antes tê-lo lido. Dessa forma, sempre procuro adquirir o disco antes de pô-lo na coluna. É mais honesto com quem está lendo. Sempre me impressionou o fato de que vários sites internacionais com pouco tempo no ar já exibiam mais de mil CD's comentados. Depois descobri que a maioria deles funciona com o envio de resenhas feitos por fãs, não necessariamente conhecedores da obra do grupo. Assim fica fácil. É por isso que existe tanta informação errada por aí. Respondendo, pois, a pergunta, sim, os discos em sua grande maioria são meus, adquiridos arduamente no decorrer dos anos.

Como é que dá tempo para ouvir tantos discos, ler tantos livros e assistir tantos vídeos - além de levar uma vida de "gente normal"?
Se estivesse começando agora a colecionar itens dos Beatles, ler sobre o grupo e ouvir tantas gravações, com certeza não daria tempo. Mas é que já estou nesse meio há uns bons vinte anos e antes minha vida não era tão atribulada. Conseguia, pois, ler tudo o que podia e ouvia os discos com maior tranquilidade. Com o tempo, surgem as preocupações do trabalho, família e é normal haver uma espécie de retração. No entanto, sempre sobra um tempinho pra ler um novo livro e escutar os últimos lançamentos do mercado alternativo.

Todo colecionador esconde suas "fontes". Você poderia pelo menos responder através de que métodos você consegue tantas raridades em CD e vídeo?
Quase a totalidade do material é conseguido, é comprado no exterior. Muitas vezes não se trata de esconder as fontes, mas é que os próprios vendedores destas gravações não gostam de ser identificados.

Qual o item mais querido da sua coleção e qual foi o mais difícil de se obter?
Vladimir com o seu Mersey Beat original, ao fundo Poderia listar vários, pois, para o colecionador de material dos Beatles existem alguns itens que simplesmente fazem a diferença. Falando de CD's, um dos meus preferidos é um promo lançado durante a febre do disco "The Beatles 1" e chamado "The Beatles Soundbites". Trata-se de um single onde cada um dos Beatles e ainda o produtor George Martin comenta as faixas do álbum 1. Na época o disquinho chegou a custar em lojas especializadas quase R$ 600,00 e hoje é extremamente raro. Foi um dos mais difíceis de conseguir. Em se tratando de livros, poderia citar as primeiras edições dos dois livros lançados por John Lennon em 1964 e 1965. Adorei consegui-los. Tem também o jornal Mersey Beat, de Liverpool, original, datado de janeiro de 1963 com uma das primeiras publicidades do grupo e onde o nome de Paul McCartney aparece grafado de forma errada. Agora, xodó mesmo, e como não poderia deixar de ser, são os autógrafos de Paul McCartney e George Harrison, todos devidamente emoldurados.

Antes da Internet, como eram feitos os contatos com os outros colecionadores, para aquisição das raridades?
Antes da Internet tudo era mais difícil e demorado. Os contatos eram feitos por carta e não podemos esquecer que o advento da Internet quase que coincide com o aparecimento do CD. Sendo assim, além tudo levar mais tempo, lembro que ficava rezando para o velho vinil chegar para mim em bom estado. Não tinha esse negócio de débito on line ou via cartão de crédito. Era tudo em cash. Uma verdadeira temeridade, mas tinha lá seu charme.

A coluna "Por Dentro da Maçã" completou recentemente 1 ano de vida. Como você vê esse momento? Está satisfeito com o resultado?
Muito. Principalmente por observar pelos comentários dos que acessam o site que o objetivo está sendo atingido. Procuro visar principalmente o fã neófito, aquele que ao se deparar com um álbum pirata não sabe o que é , desconhece a qualidade da gravação e a história do disco. Lembro que quando comecei a adquirir álbuns piratas, a maioria das compras eram feitas no escuro. O acesso a livros sobre bootlegs não era tão fácil como hoje e os que existiam eram importados. Cansei de comprar discos com takes iguais onde só a capa era diferente. O que mais me deixa feliz é quando recebo um e-mail de alguém que comprou um CD pirata e me diz que a coluna o ajudou de alguma forma e que o comentário batia exatamente com o que ele estava escutando no disco. Isso pra mim não tem preço. Ressalto também, que sempre que posso procuro não me ater totalmente ao disco em si, buscando sempre que possível contar um pouco da história das gravações, analisando o contexto em que as faixas foram feitas.

Além dos Beatles, você coleciona material de outros artistas, ou pelo menos gosta? Quais?
Não diria que coleciono, mas compro muitos discos de outros artistas. Desde os seis anos que escuto Rock'n Roll, pois, meus irmãos sempre compraram muitos álbuns. Dai, tenho coisas do Led Zeppelin, The Who, Yes, Pink Floyd, Genesis, Bob Dylan, Rolling Stones enfim, da maioria dos representantes do bom e velho Rock'n Roll .

Apesar de ser tão longe do eixo Rio-SP, Fortaleza parece ter um cenário Beatle bem intenso. Como você analisa essa realidade?
Essa pergunta merece uma resposta cuidadosa. De início, não acho que o cenário beatle em Fortaleza seja tão intenso assim. Poderia ser melhor se tivéssemos espaços para exposições, workshops, apresentações de filmes e tudo mais. No entanto, a cena beatle em Fortaleza resume-se praticamente a algumas bandas cover que tocam músicas dos Beatles e a um programa de rádio (Frequência Beatles) que vai ao ar todo sábado por uma rádio universitária local e do qual participo com um quadro sobre as novidades do mundo beatle. Particularmente acho pouco. Na maioria das vezes as iniciativas partem de colecionadores individuais. Não se vê por aqui , por exemplo, bandas de outros estados, locais onde possa haver troca e venda de material etc.

Todos conhecemos as realizações da dupla Vladimir Araújo/Claudio Teran aí no Ceará. Você incluiria outras pessoas daí como importantes para a Beatlemania nacional? Quem?

Certamente que existem em Fortaleza outras pessoas que compram discos e material relativo aos Beatles. Contudo, e pra não correr o risco de esquecer alguém, gostaria no momento de citar o nome do grande amigo Julio Serra, um dos precursores da beatlemania no Brasil e que já fazia nas décadas de 60, 70 e 80 o que Teran e eu fazemos hoje.

E a família, como encara esse fanatismo pelos Beatles? Toda a família Araújo é beatlemaníaca, ou você também é uma "ovelha negra"?
Meus irmãos admiram e respeitam o grupo mas, não posso dizê-los beatlemaníacos. Eles sempre gostaram de outras vertentes do Rock. No tocante ao gostar, digamos, "exagerado" pelos Fab Four, nunca deixei que ultrapassasse a barreira do real. A obra do grupo está veia, mas os pés tem sempre de estar no chão.

Sendo um fã "das antigas", que comparação voce faria da Beatlemania atual com a dos anos 70, 80 e 90?
Nas décadas passadas, até pela dificuldade em se obter informações e material, acho que o romantismo era maior. Hoje ficou tudo muito fácil. Sabe-se de tudo o que acontece sobre os Beatles com um clique de botão. Lembro que no final da década de 70 uma das únicas publicações sobre música no Brasil era a revista Somtrês e que ficava esperando ansiosamente para ler a coluna do Malagolli. Quando um vinil chegava ao Brasil, já havia sido lançado no exterior há vários meses e pouco ou nada sabíamos sobre o álbum. Hoje, sabemos dos passos de Paul McCartney ou Ringo em tempo real e, se quisermos, podemos comprar um disco no máximo um ou dois dias após o mesmo ter sido lançado no mercado internacional. Cada época, pois, tem seu diferencial.

Qual o seu momento máximo como Beatlemaníaco?
Sem dúvida alguma a visita em 1996 a Londres e Liverpool. Atravessar Abbey Road, parar em frente ao portão de Strawberry Fields, caminhar em Penny Lane ou estar na Mathew Street são sensações inigualáveis para qualquer fã do grupo. De repente aquilo tudo é história mas está bem ali, na sua frente. É como se tudo o que você já viu apenas em fotografia nos livros e revistas se materializasse. Inesquecível.

Não sei quantos discos você tem mas, tem gente por ai que diz ter mais de mil discos da banda. Existem mesmo tantas gravações piratas assim?
Olha, não tenho mil discos dos Beatles e nem acho que uma coleção deva ser medida pela quantidade de álbuns que você tem na estante. De que me vale ter dez discos onde somente a capa é diferente? Sim, porque hoje é preciso ter cuidado, pois, os ditos "pirateiros" pegam faixas já lançadas em outros CD's, montam uma nova embalagem e jogam no mercado. Acima de tudo há que se separar o joio do trigo. E pra fazer isso, pra comprar com critério você tem que ler, você tem que se cercar de fontes de pesquisa e saber onde estão realmente as gravações raras. Veja o exemplo das sessões do Let It Be. Quantas centenas de discos já saíram sobre aquelas gravações até que, enfim, se chegasse a uma série concisa e coerente como a 30 Days?

Penso que tudo é uma questão de critério. Posso até estar errado, mas não acho de todo interessante ter todos os discos piratas, por exemplo, de uma turnê de Paul McCartney onde o track list não se alterou. Tome-se a título de ilustração essa última turnê de Paul. O cara fez mais de 20 apresentações e somente em uma delas, em Toronto, fez algo de diferente, tocando Mull of Kintyre. O que importa então? Adquirir dois ou três shows e mais o show de Toronto, exatamente por diferenciar-se dos outros. Assim ocorre com os takes de estúdio. De repente alguém diz ter vinte CD's com outtakes do disco All Things Must Pass. Escute-se atentamente e logo se vai perceber que a maioria das gravações são repetidas. Costumo às vezes comprar um disco por causa de uma faixa, pois, se essa música for rara e importante para uma coleção, há que ser adquirida. Também questiono bastante as pessoas que se importam mais em comprar discos piratas que mesmo os álbuns oficias. Acho um contra-senso. Como ter dez álbuns piratas de Ringo Starr se a coleção oficial não está completa? Critério e pesquisa são palavras chave.

Como você definiria o disco promocional dentro de uma coleção?
Você tocou num ponto bem interessante. Veja bem: quando se consegue adquirir todos os discos oficiais dos Beatles, carreira solo e a parte que realmente interessa da pirataria, o colecionador costuma se perguntar: e agora? Pra onde ir? O caminho dos promos é uma boa resposta e explico o porquê. O Cd promo ocupa uma posição intermediária onde, apesar de não fazer parte da discografia oficial do artista, é produzido pela gravadora e com a participação do músico, ou seja, o cara opina na capa do promo e nas músicas que vão fazer parte do track list. E mais: o promo geralmente vem numa embalagem especial por ser feito em baixa tiragem e não raro, traz uma ou outra faixa exclusiva. O caso dos Beatles é sintomático. Como não comprar o promo do álbum Vertical Man de Ringo Starr, por exemplo, se somente nesse disco saíram duas faixas que não constam no disco oficial? Como não ter o Howitis, de Lennon, se só ali se encontra uma rara versão da faixa I'm Loosing You? Gosto sempre de lembrar também que o último disco lançado por George Harrison foi na realidade um promo, contendo uma entrevista de mais de vinte minutos concedida a um jornalista americano. O disquinho saiu em fevereiro/março de 2001 e George morreria poucos meses depois. Dá pra ignorar isso? É verdade que são itens caros, por terem sua venda proibida mas, acho que vale a pena.

Na sua avaliação, qual a importância de um site como o BeatlesBrasil para a beatlemania nacional dos dias de hoje?
Olha , fica meio difícil responder essa pergunta exatamente por eu escrever três colunas para o site. De repente qualquer coisa que eu fale aqui, pode parecer que estou "puxando o saco". Mas, vamos lá. Achei ótima a iniciativa do portal, principalmente por haver preenchido uma lacuna. Não havia no Brasil até então, nada parecido. Sites de Beatles até que se encontrava mas, sempre para comercializar material. Nada de informação. Acho que o diferencial do BeatlesBrasil está justamente nisso, pois, da forma como está caminhando consegue dar informações a novos fãs dos Beatles e fazer com que mais e mais pessoas conheçam a obra do grupo.


Saideiras:

Beatle preferido:
Paul McCartney, sem nenhum desmerecimento a genialidade dos outros três.
Música:
Norwegian Wood (apesar de ser quase impossível escolher só uma)
Disco:
Abbey Road
Frase:
"Turn off your mind relax and float down stream" (Tomorrow Never Knows)
Vinil ou CD:
CD e que me perdoem os puristas.

Entrevista concedida a Jose Carlos Almeida

Os 10 itens mais caros da memorabília Rock


1 - Rolls-Royce Phantom V, de 1965, psicadélico, de John Lennon

2.299.000 dólares (Sotheby's New York, 29 de Junho de 1985).

2 - Piano Steinway Model Z, de John Lennon
com marcas de cigarros, onde o ex-Beatle compôs "Imagine" - 2.150.000 dólares (leilão Fleetwood-Owen online, Hard Rock Cafe, Londres e Nova Iorque, 17 de Outubro de 2000). Foi comprado por George Michael.

3 - Guitarra "Brownie", de Eric Clapton, onde gravou "Layla"
497.500 dólares (Christie's New York, 24 de Junho de 1999).

4 - Manuscrito de Bernie Taupin
da nova letra da canção "Candle In The Wind" - 400.000 dólares (Christie's Los Angeles, 400.000 dólares).

5 - Guitarra Fender Stratocaster, de Jimi Hendrix
usada em Woodstock, em 1969 - 370.260 dólares (Sotheby's London, 25 de Abril de 1990).

6 - Manuscrito de Paul McCartney de "Getting Better"
1967 - 251.643 dólares (Sotheby's London, 14 de Setembro de 1995).

7 - Guitarra acústica Gibson, de Buddy Holly
circa 1945, com caixa feita por Buddy - 242.000 dólares (Sotheby's New York, 23 de Junho de 1990).

8 - Mercedes-Benz 600 Pullman, de 1970, de John Lennon
213.125 dólares (Christie's London, 27 de Abril de 1989).

9 - Ferrari 330 GT, coupé, volante à direita, de 1965, de John Lennon
190.750 dólares (leilão Fleetwood-Owen online, Hard Rock Cafe Londres e Nova Iorque, 17 de Outubro de 2000).

10 - Livro de notas de Mal Evans, de 1967 e 1968
que inclui uma versão de Paul McCartney para a letra de "Hey Jude" - 185.201 dólares (Sotheby's London, 15 de Setembro de 1998).

Fonte: "The Top 10 Of Everything 2002", de Russell Ash (DK)

quarta-feira, 16 de outubro de 2002

Por que as lágrimas caem quando ouço os Beatles

Tenho 24 anos e me encantei com a carta da pequena Ana de 10 anos, porque eu era como ela - enquanto minhas amigas gostavam de coisas dos anos 80, eu vivia procurando músicas dos anos 50 e 60.

Na realidade, existe uma pessoa (agora está me assistindo lá de cima, junto com John e George ), que me influenciou demais: meu pai, João Daniel, que se achava parecido com John, mas no fundo era um Ringo. Me emociono demais ao lembrar dele, principalmente aos domingos, que ele nos acordava com "Yellow Submarine" bem alto (hoje é domingo, meu coração esta partido, minhas lágimas caem).

Eu cresci ouvindo Elvis, Little Richard, muito rockabilly anos 50, até jazz, Ella Fizgerald, tudo sobre rock inglês... e o principal: Beatles - é a minha primeira referência de música!

Quando tinha 15 anos, em 93, eu e meu pai realizamos um grande sonho: Assistimos o Paul no Pacaembu... enquanto eu cantava e chorava, meu pai tinha um sorriso maroto no rosto e chorava discretamente com um olhar incrédulo, mas tão maravilhado... indescritível. Mas choramos juntos quando o Paul foi até o piano e começou os primeiros acordes de "Hey Jude".

Assistimos muitos filmes juntos. Ele me explicava que ficava seção após seção de Help!, e eu ficava imaginando como seria maravilhoso ver um fime dos Beatles na tela grande.

Há quase 4 anos, meu pai foi chamado por Deus... e não pôde se despedir da gente (ele teve um ataque do coração no meio da madrugada). Fico lembrando dele, apagando a luz da sala e ouvindo a cítara de George.

Quando meu pai morreu, eu coloquei um papelzinho na mão dele (esse é um segredo entre beatlemaníacos) com a letra de "Hey Jude" - mais uma vez estava chorando, mas de tristeza.

Logo em seguida, sonhei com meu pai. Cantava "Strawberry Fields Forever" para ele.

Quando a versão remasterizada de A Hard Days Night voltou aos cinemas, pude realizar o sonho que eu comentava tanto com meu pai... e chorei... percebi a presença dele ali, como se ele estivesse ao meu lado, com aquele sorriso maroto no rosto e choro discreto, com um olhar incrédulo mas tão maravilhado... indescritível.

-- [ vivian torres ] -- designer

sexta-feira, 31 de maio de 2002

Entrevista: Rod Davis (The Quarrymen)

Em uma entrevista exclusiva, feita por email, falei com Rod Davis, um dos membros originais da banda The Quarrymen - a banda onde John Lennon tocou antes dos Beatles. Rod esteve presente naquele famoso show em que John e Paul se conheceram. Ele fala sobre a época do Quarrymen, a Beatlemania, o novo CD "The John Lennon's Original Quarrymen Get Back Together" e o novo livro de Hunter Davies: "The Quarrymen: A Biography Of The Band That Started The Beatles".

Vitor Suman - Olá, Rod. Fale sobre você.
Rod Davis - Olá, meu nome é Rod Davis, tenho 60 anos agora. Nasci em 7 de Novembro de 1941, no Sefton General Hospital. Meus pais moravam perto de Woolton, e nos domingos, mais ou menos com 5 anos, eu ia à Escola Dominical na St. Peter's Church (Nota Ed: igreja em que o Quarrymen tocava quando John e Paul se conheceram). Outros garotos na minha classe eram Pete Shotton, Nigel Whalley, Ivan Vaughan, Geoff Rhind (que tirou a famosa foto!!!) e cerca de um ano depois John Lennon se juntou a nós. Aos 11 anos eu fui estudar na Quarry Bank High School, junto com, John, Pete e Geoff. Lá conheci Eric Griffiths.

Quem o chamou pra entrar na banda? E por que você aceitou?
Por volta de 1956 eu comprei um banjo e falei pro Eric. Ele me perguntou se eu queria entrar na banda com ele, Pete, John e um baixista chamado Bill Smith. Estávamos tão empolgados com o skiffle, e Lonnie Donnegan principalmente, e todos queriam estar numa banda. Logo depois Bill Smith nos deixou, então Colin Hanton e Len Garry entraram.

Você tocou no show em que John e Paul se conheceram. Você estava no "backstage" quando eles foram apresentados?
Embora eu me lembre muito bem desse show, eu não me lembro de ter conhecido Paul...eu já conhecia Ivan Vaughan por quase dez anos, e se Paul estava com ele com certeza eu o conheci naquela tarde, mas não me lembro de nada!

Você entrou na banda quando ainda chamavam-se "The Black Jacks". Você participou da mudança para "The Quarrymen"?
Eu acho que quando eu entrei eles se chamavam "Blackjacks", mas logo se tornou Quarrymen, por causa do hino da escola, e eu não me lembro da discussão ou da sugestão de mudar o nome. Pete acha que foi idéia dele.

Qual era o repertório? Em que ele era baseado, que músicas você se lembra de tocar?
A gente tocava muito skiffle, "Freight Train", "Cumberland Gap", "Midnight Special", "Rock Island Line", "Lost John", "Bring A Little Water Sylvie", "Don't You Rock Me Daddy'O", "Worried Man Blues", "Pick A Bale of Cotton", "Mama Don't Allow"... todo o repertório de Donnegan e um pouco de Rock and Roll. Todas as músicas do nosso CD (visite o meu site para mais detalhes) pertenciam ao repertório de 1957.

Quando você deixou a banda? Você tocou em outras bandas, antes e depois?
Não, nunca toquei numa banda antes do Quarrymen. Mas eu estudei piano por três anos, e na escola aprendi a tocar alguma coisa...gostava muito do Jazz de New Orleans.

No final de Julho de 1957 a maioria do grupo deixou a escola, mas eu continuei pois queria entrar pra universidade. E foi aí que eu quis sair do grupo. Não me mandaram embora, apenas saí. Paul entrou no meu lugar. Eles estavam se tornando uma banda de rock, e um banjo não se encaixava mais.

Meu irmão e eu vendemos nosso ferrorama e compramos uma guitarra, que eu rapidamente aprendi a tocar. Então eu fui tocar num Jazz Trio da Quarry Bank. Era uma guitarra acústica, então eu colei um microfone nela e liguei num rádio antigo, o que funcionou como amplificador.

Em 1960 eu fui para a Universidade de Cambridge para estudar francês e espanhol. Lá eu me interessei pela música folk inglesa e americana, especialmente bluegrass (???). Eu aprendi a tocar guitarra no estilo bluegrass, bandolim e toquei em várias bandas de Jazz, inclusive, uma delas gravou um disco pela Decca em 1961. Em 1963 eu fui pra Bavaria, na Alemanha, para ser professor de inglês. Lá eu tocava banjo numa banda de Jazz toda sexta-feira à noite.

Nos anos 60, quando a beatlemania estourou, como você viu isso? Você sabia, de algum jeito, que aquele seu amigo John seria um sucesso?
A última vez que eu encontrei John foi em Abril de 1962, em Liverpool e ele me perguntou se eu queria tocar bateria para ir à Hamburgo com eles. É claro que eu não aceitei, pois ainda tinha um ano do meu curso pra fazer. Como eu disse, eu estava na Bavaria entre Outubro de 1963 e Agosto de 1964 e lá ninguém ouvia falar dos Beatles, então eu perdi o estouro da Beatlemania. Eu nunca esperei que John fosse um sucesso musical, nós só queríamos nos divertir. Ele não sabia tocar guitarra muito bem, mas sabia cantar, e conseguia segurar o público. O talento dele, quando era adolescente, era realmente os seus desenhos...eram muito bem feitos e engraçados. Quanto ao sucesso deles, eu fiquei muito feliz que um velho amigo meu, e mais alguns garotos pobres de Liverpool mostraram ao mundo que não precisava ser de Londres, ou dos EUA para fazer sucesso.

Você sempre foi um músico? Ou seguiu carreira em outra profissão?
Sempre fui músico, mas nunca ganhei a vida com isso. Toquei numa banda de Bluegrass em Liverpool entre 64-68, e também toquei música tradicional irlandes, durante esse tempo. Em 1968 eu deixei Liverpool e fui trabalhar numa indústria de viagens, como motorista, e eu levava as pessoas para acampar na Rússia, Turquia, Romênia e Grécia. Fiquei um bom tempo sem tocar, mas no começo dos anos 70 começei a me envolver com o Bluegrass em Londres e voltei a tocar muito bandolim. Meus filhos nasceram nos anos 70, e eu achei melhor trabalhar atrás de ua mesa, organizando viagens à França e não toquei muita coisa.

Me separei da minha mulher em 1981, e fui viver com minha irmã. Juntos tocamos em várias bandas, The Armadilloes, uma banda texana de bluegrass e também os Bluegrass Ramblers. Minha irmã toca baixo, canta, toca harpa, guitarra, compõe e faz sapateado! (Meu irmão, que ainda vive em Liverpool é um ótimo guitarrista). Desde 1986 eu venho ensinando turismo e marketing, embora eu esteja meio aposentado desde 1996. Nos últimos cinco anos eu venho tocando com um ótimo guitarrista de Jazz e Country, chamado Doug Turner e ele me ensinou como tocar guitarra rítmica no jazz - visite o meu site para mais detalhes!

Eu vi que foi lançado um novo livro de Hunter Davies (que eu ainda não tenho). Você acha que é um complemento aos fãs dos Beatles?
Nós conhecemos Hunter Davies em Cuba, numa BeatleFest em Havana, há alguns anos atrás. Nós mantivemos contato, e Hunter teve a idéia de escrever uma biografia do Quarrymen, como uma continuação da biografia dos Beatles. Nós demos a ele toda a ajuda que precisou, e estamos bem felizes com o resultado. Esperamos que os fãs gostem!

Vamos falar dos novos Quarrymen. Quando foi que vocês decidiram voltar a tocar juntos?
Todos nós nos encontramos, depois de 40 anos, em Janeiro de 1997, quando o Cavern nos convidou para o 40º Aniversário.

De quem foi a idéia? E por quê?
Eu sempre esperei que nos encontraríamos novamente, não necessariamente pra tocar. O Cavern já havia me convidado, junto com Len (Garry) e Pete (Shotton), eu acho que (John) "Duff" Lowe, e eu os dei os endereços de Eric (Griffiths) e Colin (Hanton). Porquê? Uma bebedeira grátis no Cavern! À tarde, depois de um dia de cerveja de graça (embora eu estivesse dirigindo) nós fomos convidados para subir ao palco e tocar algumas músicas para um programa de TV. Felizmente a platéia também já estava bêbada! Como resultado, fomos chamados, por muitos fãs dos Beatles a recriar o dia em que John conheceu Paul na Woolton Village, isso em Julho de 1997. A Igreja precisava de uma grande reforma. Nós fomos muito bem, e fizemos o "Get Back Together", e aí coisas começaram a acontecer.

No álbum, "Open For Engagements" (lançado em Dezembro de 1995) o Quarrymen toca bastante material original/inédito. Mas haviam membros na banda que não eram/foram da formação original (Charles Hart, John Ozoroff, Richie Gould). De onde vieram eles?
Em 1992 John Lowe, que eu não conhecia do Quarrymen, pois ele entrou bem depois de minha saída, chamou Len Garry e eu, para saber se estaríamos interessados em juntar uma banda, e lançar um CD, sob o nome de The Quarrymen. Nós estávamos, mas Eric Griffiths e Colin Hanton não, e eu nem consegui encontrar Pete Shotton. Os outros músicos eram de uma banda na qual John Lowe estava tocando na época.

Na verdade, nós realmente gravamos um disco! Mas o homem que nos gravou desapareceu, e o CD nunca foi lançado. John Lowe tentou novamente mais ou menos um ano depois, mas o estúdio havia fechado, e as fitas sumiram. Ele tentou uma terceira vez, dessa vez sem Len Garry, apenas eu e o resto da banda, e o "Open For Engagements" foi o resultado.

Nesse álbum há uma canção chamada "John Winston". É um tipo de tributo à John?
Sim, foi escrita por John Ozoroff. Embora eu sempre soube que John detestava ser chamado de Winston.

O Quarrymen estará se apresentando na Itália e Alemanha esse ano. Há planos de uma turnê européia?
Nós não estamos realmente disponíveis para fazer uma turnê, por causa de nossos empregos aqui na Inglaterra, mas podemos reservar um fim de semana, ou até uma semana inteira, sem causar grandes problemas.

Vocês também passaram pelos EUA e Canadá entre 1999/2000. Como foi fazer show na América?
Nós fomos aos EUA cinco vezes. Duas em 1998, na costa Oeste e Chicago, depois em Vegas, Canadá, Orlando e New Jersey. Nos divertimos muito em nossas viagens transatlânticas - também estivemos em Cuba - os fas dos Beatles sabem mais sobre nós do que nós mesmos! Eles pareciam apreciar o fato de ainda estarmos vivos (!) e eles puderam ouvir como soávamos em 1957, enquanto tocávamos músicas que tocávamos com John e Paul.

Tem alguma mensagem aos leitores brasileiros?
Espero que vocês tenham gostado de ouvir sobre o Quarrymen. É ótimo saber que há interessados em nós. Talvez algum dia a gente vá tocar no Brasil - seria uma grande experiência para quatro velhinhos! Não esqueçam de dar uma olhada no meu site, em www.scorpweb.co.uk onde poderá encontrar muita informação sobre os Quarrymen!

Datas de shows do Quarrymen em 2002
08 de Junho - Brescia, Itália.
19 de Julho - Berlim, Alemanha.
21 de Julho - Berlim, Alemanha.

Site Oficial
www.quarrymen.co.uk

Entrevista feita por Vitor Suman, entre 19 de Abril e 30 de Maio de 2002

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2002

George Harrison no Brasil em 1979

O Beatle George Harrison esteve no Brasil em 1979, com o objetivo de ver o GP de Fórmula 1, no autódromo de Interlagos. A jornalista Claudia Antunes viu e falou com o George. Ela nos conta essa história em um emocionante depoimento.

George, acuado pelos fotógrafos brasileiros Não me recordo exatamente em que dia de 1979 aconteceu o encontro com George Harrison, pois sou jornalista há 35 anos e já entrevistei personalidades incríveis. A que mais me tocou foi Madre Tereza de Calcutá. Peguei em suas mãos calejadas e um tanto mal-tratadas (unhas, principalmente) e as beijei. Ela sorriu para mim com a alma e me despedi aos prantos.

Só me lembro que fui incumbida de cobrir o lado "fashion" de uma corrida de Fórmula I em São Paulo. Eu deveria entrevistar as mulheres dos pilotos, que em sua maioria são lindas e se vestem de uma maneira bastante peculiar. Fiz a matéria e, de repente, vi o Emerson Fittipaldi com George. Olhei de novo, pois ele estava de óculos e podia ser alguém parecido.

Como eu estava com uma credencial enorme do jornal "O Estado de S. Paulo", as portas se abriam sem problemas. Vale dizer que eu sempre trabalhei na sucursal Rio e a matéria me deslocou para São Paulo como enviada especial. Me aproximei, falei com Emerson (que estava ao lado de George) que já tinha entrevistado sua mulher e ele puxou assunto sobre a pauta.

Brincou comigo, dizendo que ele era mais importante na corrida do que a mulher e eu lhe disse que seu uniforme não era nada fashion. Foi aí que George fez cara de quem queria entender o que falávamos e o Emerson repetiu em inglês nossa conversa. George riu e eu lhe dei um "hello" simpático, ao qual ele retribuiu. Não faço gênero de tietar entrevistados. Isso é pessoal. Glória Maria, da TV Globo, se desmanchou com Mick Jagger e com Michael Jackson. Como dizemos no meio, perdeu a classe.

George dá uma volta por Interlagos Dei tchau para o Emerson, que ainda repetiu que o uniforme de Fórmula 1 era algo que só a Fórmula 1 usava e, portanto, era bastante fashion. Ao que eu falei que faltava uma certa originalidade, pois todos os pilotos se vestiam da mesma forma. Dei bye-bye para George, ele respondeu com aquele seu sorriso enorme. Fiquei muito emocionada, mas na minha. Foi só isso.

Depois de sua partida da Terra para um lugar onde ele deve estar até lendo esse texto, fiz uma homenagem a ele, através de um cachorro que achei numa praça do Leblon, no Rio, onde moro. O cachorro se chama Dhani. É um vira-latas, não pegava bem chamá-lo de George. Dhani vai ser operado na quinta-feira. Tem um sarcoma (tipo de câncer) no úmero (equivalente ao ombro dos humanos). Me ama incondicionalmente e assimilou seu nome em dois dias.

Mando beijos a todos os beatlemaníacos e desejo que 2005 seja o ano da Paz, do Amor, da Solidariedade e da Saúde!

Por Claudia Antunes
OBSERVAÇÃO:O Grande Prêmio do Brasil foi no dia 04 de Fevereiro de 1979 e o seu vencedor Jacques Laffite. George esteve presente nos treinos - no dia anterior - e na própria corrida.

Emerson Fittipaldi fala sobre o amigo George

O ex-piloto Emerson Fittipaldi, um dos maiores do automobilismo mundial em todos os tempos, lançou no ano passado o livro "Uma Vida em Alta Velocidade", onde conta suas memórias. Como todos sabem, Emerson foi amigo fiel do ex-beatle George Harrison, que era fanático por corridas, em especial de Fórmula 1.

Vários exemplos podem ser citados dessa paixão, mas vale destacar o pôster da McLaren de Ayrton Senna que aparece durante as cenas de entrevista do disco 5 dos DVD Anthology. Além, é claro, da versão que George fez durante uma entrevista para a TV para Here Comes the Sun, ao violão, alterando a letra e dizendo Emerson várias vezes. Entre outras tantas.

Beatles: "os meus preferidos"
Em duas passagens de seu livro, Émerson comenta sobre os Beatles e George Harrison. A primeira é assim: ano de 1968: "Dirigi o caminhão levando o carro de Wimbledon para Roma, com Chico Rosa a meu lado. Eu tinha instalado na cabine um toca-fitas e comprado uma pilha de fitas cassetes para escutarmos rock and roll durante toda a viagem, a maioria delas com músicas dos Beatles, que eram de longe os meus preferidos".

George: "identificação imediata"A segunda passagem é bastante curiosa: "Naquela prova (Corrida dos Campeões em Brands Hatch) conheci um de meus maiores amigos de todos os tempos. Estava no boxe antes da largada e, quando vi aquele cabeludo se aproximando, não acreditei. Era George Harrison. Eu era fã dos Beatles e descobri que ele era louco por automobilismo. Tinha vindo me cumprimentar e desejar boa sorte. Trocamos telefones e desde então, sempre que eu ia à Inglaterra, telefonava para ele. Sentimos uma identificação imediata e muito profunda um com o outro, conversávamos durante horas e nunca faltava assunto. Ele morava num castelo gigantesco na Inglaterra, um antigo mosteiro franciscano com cinco andares e mais de 100 quartos. Era um absurdo de grande.

Uma vez fui visitá-lo com meus filhos Jayson, Tatiana e Joana. George me instalou num quarto com Jayson, e as meninas no quarto ao lado. As paredes eram de madeira escura e tudo era muito antigo, sinistro, tenebroso. Quando fomos dormir, em menos de meia hora as meninas já estavam batendo na porta do meu quarto.

- Pai, a gente está com medo....

Dormimos todos juntos, apertados na mesma cama."

Emerson mostrou-se um amigo verdadeiro de George até seus últimos momentos de vida, tendo ido visitá-lo na clínica que George fazia tratamento na Suíça. Essa amizade pode ser considerada como o motivo de Émerson não comentar praticamente nada sobre seu relacionamento com ele. Isso mostra sua consideração para com o músico que sempre gostou de ter sua intimidade preservada.